26.3.10

Paixão fingida - Sétimo episódio

----- Original Message ----- 
From: Sujeito - su-jei-to@bol.com.br

To: Ioney
Sent: Sunday, February 23, 2003 4:29 PM
Subject: Sujeito
Ione,
Não sei bem o que você pensou ontem, quando nos encontramos na balada. Pela sua cara -- e a de suas amigas -- você não deve ter ficado contente, o que seria natural. Você deve ter ficado confusa, como eu próprio estou. Pior: Você deve ter me achado um canalha irremediável e cretino, e você e suas amigas devem ter ficado discutindo sobre como os homens são iguais e cretinos. Tudo a que sempre achei que estaria imune.
Você merece uma explicação. Contarei toda ela, do começo ao fim, arriscando jogar fora o que começava a ganhar forma. Vou contar tudo porque assim me sentirei melhor comigo mesmo. Vamos lá, Sujeito, coragem...
Aquela moça com quem você me viu é a Siriga, minha ex namorada. Nunca contei a você sobre ela, não achava necessário. Cadáveres devem ficar onde estão. O problema todo é que certos cadáveres ainda estão insepultos. Foi o que aconteceu, a Siriga me telefonou, me chamou de apelidos nossos, me lembrou bons momentos. Confesso que estremeci, que esqueci por um instante os porquês de nossa separação.

Acontece que vivemos uma relação intensa. Mais de uma vez achei que ela era a mulher de minha vida. Ficamos alguns anos juntos, compartilhamos sonhos, brincamos com a idéia de ter filhos. Nada disso se esquece facilmente.

Pois naquele momento fraquejei. Decidi ver se os cacos de nosso amor, ainda não varridos por completo, poderiam ser colados, mesmo com muito trabalho. Se houvesse uma chance, teria partido e arriscado. Se não houvesse, os cacos iriam definitivamente para o limbo. O que não poderia acontecer era ficar na dúvida.
Pois fui. Conversei com ela, relembramos o passado. Foram lembranças dolorosas, como aquelas viagens que insistimos em repetir, e vemos que foram boas na primeira vez mas que nunca será do mesmo jeito. Eu estava pensando justamente nestas coisas quando você apareceu. Que não adianta querer repetir o passado, mas vale a pena ir buscar a felicidade em outros lugares, pensava em você.

Quando você apareceu, fiquei feliz, mas só por um segundo. Me dei conta que eu estava no lugar errado e com a compania mais comprometedora do mundo para encontrar você. Não poderia mais chegar amanhã, certo do que queria, e convidar você para iniciarmos de vez nossa história. Não poderia, porque tinha certeza que a partir daquele momento, você desconfiaria de mim.

Fui embora um pouco desolado. Deixei a Siriga em casa, e ela também havia percebido que não fazia mais sentido nós dois juntos. Cheguei em casa, coloquei músicas tristes e decidi escrever. Se há ainda alguma chance, estou apostando ela sendo sincero, mas tenho certeza que, se decidirmos continuar, terá sido a melhor decisão.
Será que ainda temos chance?

Um beijo,
Sujeito.

(25 de fevereiro de 2003) - Encontrar a falta dos episódios (do quarto ao sexto) é que nem encontrar um livro cujas páginas se molharam, borrando uma boa porção. Que triste. Ninguém tem guardado nalgum lugar? Luiz com zê? Algum fã (ui!) do passado?

25.3.10

E se sua vida atual virasse um musical? Diz aí título, sinopse, a canção triunfal e o tema de amor?

Perguntou-me nervocalm.

Dificílimo pra mim responder isso porque, ultimamente, no musical que é a minha vida real, eu escuto rádio que toca Frank Sinatra bem algo ou hit parade de 3 músicas dos anos 80-90 em loop. O pessoal aqui tem probleminha de audição e de educação.

De modo que, pra mim, meu musical ia ter como canção triunfal aquele barulho que faz quando a gente mergulha na piscina e faz blum nos ouvidos. E de quando a gente nada e ouve, de baixo d'água, o barulho das braçadas e pernadas. Ou daquele último pingo de água da torneira quando a gente enche a banheira, antes de prender a respiração e ir pra baixo d'água. Uma coisa meio Hermeto Pascoal.

Tema de amor. Ia ser os roncadinhos de porquinho do Chazão, que embalam meu sono à noite. E o Menino Mais Lindo do Mundo tocando violão, inventando música que soa como se fosse um riacho gelado viajando num tapete de pedrinhas.

Ia chamar "Bons sonhos" ou qualquer coisa meio brega assim. Ia pensar em algum título supermassa e witty, mas não consegui. 


Sinopse: a vida em quase silêncio, sem protetores auriculares: quanta paz ela poderia trazer à alma dessa simples lambedora de envelopes em exílio voluntário na terra dos quase-surdos.
* * * 
Pergunta você também no formulário abaixo. (Quem está lendo por algum reader  não consegue ver a caixinha pra colocar  a pergunta, tá? Tem que clicar e vir ao blogue ou ir direto ao formispringue da Menina Dedê).

Fico muito triste quando não tem pergunta pra mim


Ontem um cliente pro qual eu mando cartas em envelopes que lambo, foi me ajudar a responder um questionário que advogados em um caso conjuminado mandaram pra nós. Tipo estrela da vida inteira, perguntam de um tudo nessa vida, coisarada que eu não tenho como responder porque nunca ninguém perguntou pra ele e não tem na nossa pasta. Liguei pra ele pra pedir pra ele vir ao escritório e cometi a maior gafe no mundo de falantes de espanhol. Chamei o cliente pelo primeiro nome. Ui. E segui o bonde, mas usando usted. Pelo menos. É muito triste me ver falando espanhol. Porque falo melhor que meu tchefe (que só chegou até o presente do indicativo e fala com super sotaque), mas acho que de autoelogio, só dá pra dizer isso mesmo. Fico muito incrível de ver que falo melhor inglês que espanhol. Enfim. Cliente veio me ajudar, chegou apenas 2 horas atrasado e não deu tempo de perguntar nada pra ele. Mas pedi desculpas por ter chamado pelo nome e não pelo sobrenome. Ele achou fofo e agora somos melhores amigos. :) 

A dona dos pãguis cancelou o jantar que a gente tinha marcado pra esse domingo. Terceira vez. Sendo que dessa última vez, ela que escolheu a data, olhando na agenda e tudo. Sabe, gente?, a pessoa tem agenda pra marcar os vários compromissos sociais. Super desisti. Acho que ela está, delicadamente, me dando diquinhas de que não rola. Minha amizade seguirá sendo platônica, mas como ela é babá de cachorro, acho que Chazão vai ficar com ele na semana em que o Menino Mais Lindo do Mundo e eu estivermos ambos no Brasil. Vai ser uma relação estritamente de negócios. A gente não quer que o Chazão fique meguinfeliz. Ele adora essa moça (eu também, ai - rarrarrá, não tem como eu pra fazer um draminha) e até abana o rabo pra ela. Nem por nós ele demonstra esse amor. Aí, plano B, arrumei outro potencial amigo. Um carinha que quer treinar falar português. Achei no classificado na internete. Mandei e-mail, ele respondeu me perguntando quando eu posso. Olhei na minha agenda, pra não haver conflito com meus outros compromissos sociais, e respondi que qualquer dia depois do trabalho ou até fim-de-semana. E agora ele sumiu. Depois vou ligar, mas fico naquela indecisão porque não quero ser stalker brasileira. Vai ver ele só sabe falar português e não entendeu o que eu escrevi (meio em inglês, meio em português). Ou ele sentiu a vibe de desespero: Preciiiiiiiiso. De um amiiiiiiiiigo. Pra chamar. De meeeeeeeu.

Momento glamour: vamos pra Nova Iorque no sábado pra ver a exposição de quadros da minha tia, que chegou na segunda. A versão menos glamurizada é que minha tia está aqui e tem um quiosquinho /stand de artistas brasileiros nessa exposição. Ela incluída. Acho. Depois conto. Ela não deixa de ser chique.

24.3.10

Paixão fingida - Terceiro episódio

Trim-trim-trim -- quem disse que telefone vai ring-ring? Telefone de gringo que faz esse barulho. Deixo tocar um pouco mais, saio correndo do banho. Nunca ninguém me liga, mas quando liga, invariavelmente eu estou no banho ou usando a conexão discada, de maneira que eu nunca sei se alguém de fato me ligou, porque nunca consigo atender. Ou seja, prefiro achar que as pessoas me ligam mas não conseguem falar comigo. Corro em pequenos saltitos, a toalha não impede que corra água para o chão:

-- Alô?
-- Ione?
-- Eu. Quem é? -- eu sabia que era o Sujeito, mas tinha que manter a pose.
-- Oi, é o Sujeito. Está ocupada? Pode falar?
-- Não, pode falar -- eu minto descaradamente.
-- Vamos fazer alguma coisa?
-- Hm, acabei de voltar do italiano. Tô pregada.
-- Que pena. Você já jantou?
-- Comi qualquer coisa na rua -- menti de novo. Se eu comer antes do italiano, só pode ser besteira. Besteira engorda. Logo, eu não comi na rua.
-- E amanhã?
-- Amanhã pode ser. 
-- Ione, quando eu cheguei em casa hoje, tinha um passarinho pousado na minha varanda.
-- É sempre bom receber visitas, né, Sujeito?
-- Eu mostrei pra minha mãe, apontei com o dedo o passarinho na varanda. Ele cantava.
-- Ela gostou?
-- Ela não viu. Nem escutou o passarinho cantando.

Acho que gosto mesmo desse Sujeito. 

(7 de fevereiro de 2003)

23.3.10

Procuro quem me chute a bunda ou entre de sócio comigo.

Listinha das ideias que eu tive pra projetinhos de arte (tem que ler "arte" com o erre raspando, pra dar aquele ar irônico-sarcástico). É favor não roubar minhas ideias. Eu viro bicho com gente copiona (oi galere da 3ª série). Eu preciso de alguém pra me ajudar. Sério. 

  1. Blogue com dicas de como se vestir, tipo aquele programa What Not To Wear, na tevê. Por exemplo: se  você é batatuda, não use meia-calça com desenho. Sei lá, inventei agora. Aí eu ter um desenhinho do certo e do errado.
  2. Blogue com receitas bem fáceis, pra meninos (oi, Rafa!, oi, neutron!), pra pessoas que acabaram de se mudar da casa dos pais, pra quem mora em república, pra quem, doutra forma, cultiva medo de panelas e espátulas ou panelas de pressão. Cês conhecem minhas receitas, né? Tem tag aí do lado pra ver. E elas seriam acompanhadas de um manualzinho ilustrado, em forma de quadrinho. Cês conhecem meus quadrinhos, né? Olha minha flicacaunti.
  3. Meu dicionário ilustrado de espanhol. Olha minha flicacaunti. Tem, sei lá, meia página de palavras.
  4. Um zine tosco. Com assuntos variados e ilustrado. Ou de receitas. Ou diarices. Veja item 5 abaixo.
  5. Diário ilustrado. Estilo Gemma Correll (ela tem flicacaunti; procura, tá?, tô com preguiça de googlar e lincar). Ela é a gênia que inventou uma camiseta com desenho de pãgui que diz: "Pugs not drugs". Preciso muito. O fato de eu precisar muito dessa camiseta consome vários minutos do meu dia. Todos os dias.
  6. Anotar em pedacinhos de papel uma coisa legal/bonita/cheirosa/emocionante/bacaninha/gostosa que eu vi/fiz/cheirei/li/comi. Uma por dia. Só uma. Guardar num potinho pra ler depois de um tempão.
  7. Uma foto por dia ou um dia na minha vida na minha flicacaunti. Tenho até uma câmera decente.
  8. Tinha também o projeto do diário que ia passar de mão em mão, pelo correio, e aí eu ia tirar fotos ou digitalizar as imagens de cada contribuição. Acabou o projeto quando todo mundo reclamou que não tinha dinheiro pra mandar o caderno pra próxima pessoa e quando a segunda pessoa que ia brincar ficou com o caderno por, tipo, meeeeeses, e não fez nada.
Criei, entretando entretanto, duas contas de formispringue: uma pra você fazer perguntas pra mim (porque eu sou legal e você quer ser my BFF) e uma pra você poder pedir conselho pra um(a) doutor(a) leigo(a) e anônimo(a) e muito sensato(a) - rerrê - e melhorar sua vida. Mas esses projetinhos não contam porque não são de arte (com o erre rasgando a goela, não esquece). 

Quem quer ser o dono do pé que vai bater na minha bunda e me dar incentivo pra fazer um dos projetinhos? Do primeiro desisti, porque não tenho capacidade de desenhar os exemplinhos de certo e errado. Se não quiser ser a pessoa chutante, pode entrar de socidade e fazer alguma coisa comigo. Alguém?

Paixão fingida - segundo episódio

Igor se sentiu muito mal por ter sido o mote escolhido pelo Sujeito para que ele e eu nos desentendêssemos (ele Sujeito, não ele Igor). Passou a noite toda amuadinho na pequenina varanda do apartamento e, pela manhã, ele se recusou a comer a cuia de cereais com leite que eu lhe ofereci. Ele berrou um pouco também, mas a vizinha ao lado tem um nenezinho novo e eu pedia a ele que tivesse um pouco de consideração. Ele me pediu que o levasse para ver o nenezinho, mas eu lhe expliquei que ele poderia assustar o bebê. Ele não estava acostumado ainda com esse tipo de bicho. Por enquanto, ele só quer saber de fofurices, e um bode não é um bicho propriamente fofo. Ele só saberá quão lindo é o Igor quando crescer e puder falar com ele, até que ele novamente se esqueça da língua dos bichos e não passa a pensar que eu sou doida, como o Sujeito achou.

Fui para o trabalho e já havia um recado, dizendo que o Sujeito me pedia para ligar de volta. O Sujeito tem todos os meus telefones. Sei que isso foi um risco, porque se o Sujeito não me ligasse nunca, eu saberia que foi porque não quis, e ele não poderia usar as desculpas de que meu celular estava sem sinal ou que o telefone de casa estava ocupado. Ele sempre poderia me achar. Que fique claro que foi Sujeito quem me pediu todos os números, eu teria dado somente o número do telefone móvel.

-- Bom dia, eu gostaria de falar com o Sujeito. Ele está?
-- Está sim, quem quer falar?
-- Diga que é a Ione.
(...)
-- Alô, Ione?
-- Oi, Sujeito. Tudo bem? Eu vi o seu recado.
-- É, eu liguei mesmo. Eu queria pedir desculpa.
-- Desculpa pelo quê?
-- Eu te chamei de doida. Você não é doida, eu que dei uma de louco.
-- Bom, tudo bem. O Igor não é mesmo um bichinho de estimação normal.
-- Ele é... simpático. Bom, acho que eu preciso me acostumar com a idéia de que você tem um bode em casa.
-- Tudo bem. Isso acontece, às vezes. Teve um dia, eu ainda trabalhava no outro escritório, o Igor ficou meio doente e eu tive que levar ele comigo. Ele ficou preso numa cordinha no pé da mesa e ficou super quietinho.
-- No escritório? Ninguém no seu trabalho reclamou?
-- Não, Sujeito. Ninguém conseguia ver o Igor. Só eu.
-- Mas eu vi o Igor!
-- Eu sei.
-- Eu vi um bode que não existe?
-- Ele existe, só não é muito fácil de enxergar.
-- Ione, você é doida mesmo. Mas eu também sou.
-- Isso é bom?
-- Me diz uma coisa, você acha acredita em história de fadas?
-- Leio Peter Pan, Grimm e Hans Staden sempre que posso. E O mágico de Oz.
-- Eu adoro os seus sapatos vermelhos. Demorei pra achar alguém que acreditasse em fadas.
-- Obrigada, Sujeito. É elogio?
-- A gente se vê hoje à noite?
-- Eu te ligo.
-- Beijo.
-- Beijo nas crianças.
-- Crianças, Ione?
-- Ah, deixa, é só uma expressão. Tchau, Sujeito.
-- Tchau.

Esse sujeito está melhorando e ganhando pontos. Até que é um bom sujeito. Igor vai ficar bem feliz.

(3 de fevereiro de 2003)

22.3.10

Em feveireiro ainda estava fazendo frio:

Tentei fazer as figurinhas ficarem no meinho mas não consegui. Me encheu os pacová e desisti e vai ficar feio mesmo. Fevereiro foi um mês frio -- ontem estava calor: saí de Havaianas e bermuda durante o dia. Terminei a trilogia do Brent Weeks que  foi ficando cada vez mais fantasiosa e dependente de mágica. Aí foi me dando um cansaço e, bom, li tudo porque não dá pra ficar sem terminar. Saudade do Kyler, o personagem principal: um matador com coração bom. Ui. *Suspiros*. É que, especialmente o terceiro livro, foca muito nos outros personagens e vira meio que Sr. dos Anéis, no sentido de que a gente vai acompanhando a história por diversos ângulos. O que não é ruim (vide o Senhor dos Anéis ou o GGRM), mas é que os outros personagens não me interessavam muito.

Teve também esse livro do Declan Hughes, bem Sessão da Tarde. Se você me perguntar detalhes, não vou lembrar, mas a história é ouquei. Escolhi esse porque o autor ganhou prêmio de melhor livro ou  autor, não lembro, de mistério. E porque a história é na Irlanda e eu volta e meio tento ler histórias na Irlanda e Inglaterra, porque os autores de lá têm um estilo diferente de escrever. Tipo a moça que escreveu  In the Woods: muitos coraçõezinhos. Também teve mais Connelly e atire a primeira pedra e levante a mão quem é capaz de não gostar do Harry Bosch, o detetive personagem principal de um monte de livros do Connelly. Amo. Porque vou seguindo como se fosse seriado.

Dennis Lehane escreveu um pouco pra série da HBO, The Wire, que é beeem legal. Aí peguei dois livros de dois autores da série. Um chamado Lush Life, do Richard Price, que eu não consegui ler por causa da linguagem, bem de rua, e do ritmo, meio televisiva demais pra mim. Esse livro do Dennis Lehane, na verdade, tem duas histórias: A drink before the war e Darkness take my hand. Dois investigadores particulares tem uma agência com escritório numa sala emprestada em Boston. Patrick Kenzie e Angela Gennaro são amigos de infância. Claro que ela é linda, claro que ele é gostável, claro que já tiveram um algo mais no passado. Agora ela é casada com outro amigo de infância, um alcoólatra que bate nela. Lógico que tem um romancezinho pra gente torcer. O força bruta da história é outro amigo deles de infância, que amamamamama os dois, um sujeito envolvido com tráfico de armas e bem criminosão. Também é Sessão da Tarde, mas como eu gosto de seguir personagens e tem mais livros com o PK e a AG, fui lendo. 

E aí, aimeudeus, voltei a ler fantasia. Essa trilogia da Robin Hobb (sou muito fã), Soldier Son (O filho soldado), conta a vida do Nevare Burvelle, um menino cujo pai era soldado mas agora faz parte da nova nobreza. O primogênito de um nobre vai ser o herdeiro das terras, o segundo, soldado, o terceiro, padre. As meninas, claro, casam-se com rapazotes que tragam vantagens político-econômicas pra família. O pai do Nevare resolve treiná-lo desde criança. Como parte do treinamento, ele passa uns dias com um ex-guerreiro de um povo que antes usava mágica, mas que foi conquistado pelo rei. E tem uma experiência xamânica. O primeiro livro é basicamente sobre isso. O segundo, Forest Mage, é sobre o Nevare na academia de cavaleiros, em que ele começa a sentir mais fortemente os efeitos da mágica com que entrou em contato quando teve a experiência xamânica. Os livros, juro, parece assim uma mistura de fantasia com Dickens. Não acontece muita coisa e é muito rico em detalhes. E são compriiiiidos. Amei com mil coraçõezinhos. Do terceiro não vou falar nada porque eu li em março, então você vai ter que esperar mais um pouco. :)


Menina's book montage

The Black Ice
A Drink Before the War/Darkness, Take My Hand
Beyond the Shadows
The Wrong Kind of Blood: An Irish Novel of Suspense
Forest Mage
Shaman's Crossing
Shadow's Edge


Menina's favorite books »

17.3.10

Aí, lógico que me empolguei fazendo um me-adiciona, e ctrl+c ctrl+v um linque,

Perdi tudo o que eu tinha escrito aqui. Que eu continuo acalentando o sonho de fazer amigos. Que morem aqui também. Pra eu ir tomar uma cervejinha e ir reclamar de como todo mundo me irrita, como tem cliente burro e como lamber envelopes às vezes não é legal. Sou elitista, descobri isso. Defendo a elite do saber. Rarrarrarrá! Me achando sabida. Ai-ai. Pode tacar pedras. Embora eu saiba que o que importa é ser uma pessoa do bem (ou tentar ser) e evitar que o coração se apelude, fato é que eu não consigo criar laços com pessoas que insistem em confundir espanhol com hispânico, ou cujo interesse quase exclusivo seja Am&rican Id0l ou a paleta de cores das roupas pra padrinhos e madrinhas no casamento.

Outro dia me perguntaram no escritório: "Por que lula vem em anéis?". ô_Ô Tô pedindo muito quando eu acho que a pessoa que, né?, foi pra escola, ensino médio e tal, tenha em sua mente a figura de uma lula que ela viu num livro de Biologia? Não estou pedindo pra ela me dizer que lula é um molusco cefalópode, pra falar timina-guanina-citosina, ou pra desenhar um vírus. Só pra saber como é uma lula. Por fora. Tipo o Bob Esponja? Que tem um amiguinho lula? Não? Também me perguntaram se eu achava que o mundo ia acabar e como eu disse que não, responderam: "Mas como? E os tsunamis? E os terremotos? Sinal do fim do mundo! Os cientistas estão dizendo que a Terra vai inclinar num grau xis e cabum!". ô_Ô Aí expliquei sobre as camadas da Terra, as placas tectônicas, a migração dos continentes, vulcões, lava, blablablá. Sou muito nãrdi? MMLdM acha que é pedir muito: quem nem todo mundo gostava de ir pra escola ou teve pais bacanas que incentivaram a curiosidade, o hábito da leitura, a fazer perguntas sobre o reino dos animais, dos vegetais e dos minerais, ou teve professores qualificados e interessados em ensinar de fato. Tá certo. Eu, por exemplo, nunca mais aprendi matemática depois que tirei 5 numa prova da 6ª série com a professora Kimi. No fundo, eu entendo tudo isso. Mas também tem uma questã sobre a grade curricular daqui que -- não pesquisei a fundo -- me parece mais superficial que a do Brasil. E pra ir pra faculdade, o aluno faz uma prova que é padrão, mas só cai inglês, vocabulário, e matemática, formulinhas. Nata, né?, da sociedade. Criança que cresceu com irmão mais velho lendo Monteiro Lobato pra ela antes de dormir e adorando a Enciclopédia Conhecer, coleção Os Bichos e mapinhas em papel vegetal. Preciso lutar com todas as forças do meu ser pra não julgar. Não quero julgar. Quero aceitar e abraçar a bondade e não ligar pra falta de cultura geral que impera e esmaga meu interesse por uma pessoa que doutra forma seria uma boa amiga pra mim. Suspiros.

Eu me prometi que iria aos encontros de pessoas que querem treinar espanhol. Pra conhecer pessoas e fazer amigos. Mas é aos sábados de manhã e eu preciso dormir. Muito. Porque passo a semana inteira sonhando que estou escrevendo fan fiction de livro de fantasia ou lambendo envelope no trabalho. E cansa. Eu fico cansada. Eu, que *sou* cansada. E me dá um ãrgui essa coisa desse formatinho organizado de ter que cultivar uma atividade xis pra poder encontrar pessoas e fazer amigos. Em vez de sair com a minha ex roommate e virar instantaneamente melhor amiga das amigas dela, por exemplo. Mas também não dá por motivos já também explicitados acima. A causa dos suspiros.

Aí tem uma moça que tem dois pãguis, que mora no meu prédio. Ela se mudou faz, sei lá, uns 2 meses. E a gente conversa quando a gente se encontra enquanto leva os cães pra fazer xixi no campo de beisebol, atravessando a rua. E eu conto que o Chazão é malvado mas é coitadinho e talecoisa. E ela me pergunta coisas e eu saio andando e não consigo nem olhar nos olhos da moça porque eu tenho essa crush nela, e fico me imaginando assistindo um dvd ou indo ao barzinho do prédio tcom ela (terça-feira, quando tem quizo). Saio andando e minha língua fica enrolada e meu inglês começa a se deteriorar e eu fico com mais vergonha. o Chazão começa a procurar lixo pra comer no chão e eu vou atrás e aí ela fala "então tá, a gente se vê mais tarde" e quando a gente se encontra de novo eu conto a história mais chata de todos os tempos de como o veterinário francês do Tchéz queria cortar as unhas dele no toco, sob anestesia, imagina o bichinho acordando e as unhas sangrando porque a cauterização não funciona direito,  que ia ser como se cortassem as pontas dos dedos de uma pessoa. E de como na outra clíncia veterinária pra qual eu  liguei disse que nem tinham esse procedimento porque é muito cruel.  E como o vet francês é maleducado e não escuta o que a gente fala e só quer saber de vender produtos caríssimos ou sugerir procedimentos desnecessários e igualmente caríssimos. Sabe? Verborragia. E não quero ser tipo stalker também, mas fico torcendo pra gente sair pra passear com os pãguis na mesma hora. Googlei, né, quem não googla? Sei que ela gosta de ler, de ir a museus, que ela queria ir a encontros de clube de livros. Aí não sei se é demais convidar a moça pra vir jantar aqui ou se é muito chegar-chegando a nível de, enquanto cultura americana. Ou se seria tão estranho quanto dar beijinho pra dar oi. Sabe? Aí mandei emelho e, se ela não esqueceu, ela vem jantar aqui no sábado e a gente vai fazer temakis. (Acabei de mandar outro pra confirmar se ela quer vir mesmo. Tô nervosa). Torça por mim.

Eu me prometi que ia dormir e fechar os olhos exatamente às 10 da noite hoje. Mas olha a hora, gente!, olha a hora. Quase 11 já. 

Meu sonho de ser psicóloga fez puf!,

porque eu descobri que precisaria fazer mestrado (tempo integral, que dura 2 anos) e depois doutorado. Como enquanto isso eu tenho ração orgânica e remédio de olho pra comprar pro Tchazão, não dá. Mais um sonho que se acaba porque não sou rica nem tenho pais ricos. Puf. Mãs, vou continuar dando conselhos a quem me peça, porque, sem falsa modéstia, eu sou boa nisso. Quer conselho? Pode pedir. 


Eu ia continuar escrevendo aqui, mas a formatação ficou estranha, então vou fazer outro post com outro assunto. 

7.3.10

Fiz o coisinho de mandarem pergunta pra mim. Fiz, né?

Tenho que tentar. Pergunte suas perguntinhas pra eu ficar feliz. Muito triste e deprê se ninguém me perguntar nada. Ó lá, hein? Tô contando com a sua ajuda pra me fazer feliz. Use o formulário abaixo (no Reader não dá pra ver, tem que vir pro blog) e me manda suas perguntas mais profundas sobre a condição humana.