6.2.10

Direto do Túnel do Tempo: Paixão Fingida - Primeiro Episódio

O objeto da minha paixão, o sujeito por quem estou apaixonada (ainda sem nome. Sugestões?) foi pela primeira vez à minha casa. Eu já estava de camisola, uma cor-de-rosa que ganhei de uma amiga e que apesar de não ter a minha cara, é das minhas preferidas, porque foi uma amiga que deu, dei uma pequena corrida até a porta ao ouvir a campainha. Atrás de mim, veio um som de guizos. Eram os guizos do meu bichinho.

O Sujeito (vou chamá-lo assim, por enquanto), trazia bombons, sorria tímido. Eu o espiei por um segundo, antes de deixá-lo entrar. Ele não sabe que eu não gosto de bombons, que não como chocolate -- não lhe disse. Achei que era melhor comer os bombons e agradecer muito, agradecia-o pela gentileza, não pelos bombons, Talvez esse seja um daqueles mal-entendidos que se carregam pela vida, se nós seguirmos com a nossa paixão. Um dia, eu terei os cabelos pintados de roxinho e usarei vestidos com botões na frente e sapatos de furinho, como os que minha avó usava e ele me oferecerá um bombom e eu lhe revelarei que nunca gostei de chocolates, e assim terei quebrado o coração do Sujeito. Eu não saberia que ele se desdobrava toda fim da tarde para passar numa bomboniére para comprar um chocolate para mim, antes que voltássemos ambos do trabalho para casa.

Assim, abro a porta para o Sujeito e o barulho de guizos cessa por um instante. Mas cumprimento o Sujeito e ofereço-lhe assento no meu sofá cor de goiaba, ofereço-lhe um gole de vinho do Porto:

-- Oi, não repara essa minha camisola. Eu já estava indo dormir.
-- Incomodo?
-- Não, qué isso, deixa pra lá. Eu sou jovem, tenho que aprender a ir dormir cedo.
-- Eu deveria ter avisado antes, né?
-- Foi boa surpresa.

Eu convido:

-- Senta aqui no sofá (eu não digo que ele é goiaba. Só decidi explicar a você que o sofá era goiaba para que você possa imaginar a mim e ao Sujeito na sala), fica à vontade. Você gosta do Vinho do Porto?
-- Você tem? Ah, então eu aceito um golinho.
 
No momento em que me afasto para pegar uma pequenina taça e enchê-la de vinho, ouvem-se os guizos novamente. O Sujeito está curioso:

-- Você ouviu? Que barulho foi esse?
Tento esconder meu bichinho atrás de mim. Se eu fosse uma moça do século dezenove, não teria problemas em ocultá-lo sob a saia.
-- Ouvi.
-- O que você tem aí atrás?

É o Igor.

O Sujeito se levanta, indignado: "Sabe, pessoas não têm bodes em suas casas. Muito menos em apartamento. Bode é bicho de montanha. Um bode."

Ele me olha como se me conhecesse de novo. Ele me olha e acha-me esquisita. Eu tento me explicar:

-- Mas é o Igor. Peguei o Igor ainda cabritinho, pequenininho, precisava ver como ele era bonitinho e me olhava e berrava. Eu quase podia ouvir: mamãe. Mas eu não sou a mãe do Igor, não pense que eu acho isso. Uma vez, inventei que Igor era meu namorado, porque ele me exigia muito. Agora, ele está tão bem, é um bom bode. Ele não mastiga tudo o que vê pela frente, usa coleirinha e é muito, muito limpinho e educado.

-- Você é louca.

O Sujeito larga a taça de vinho do Porto num canto e bate a porta atrás de si.

Começamos mal Sujeito e eu.

4.2.10

Meus coleguinhas de janeiro: Kylar, David, McCaleb, Shadow, Toru Okada e um tubarão


Menina's january2010 book montage

American Gods
The Narrows
The Way of Shadows
Blood Work
The Book of Lost Things
The Lincoln Lawyer
The Wind-Up Bird Chronicle
The Concrete Blonde


Menina's favorite books »



Depois de começar minha fase de ler filme de conspirações internacionais/detetive/mistério, conheci Michael Connelly. Ele trabalhou como jornalista criminal. E agora vive de escrever livros: tchanã! O meu favorito até agora foi "The Poet" (no finzinho do ano passado). * Um policial, irmão gêmeo de um jornalista, comete aparente suicídio. O jornalista resolve escrever uma história sobre suicídios de policiais e suspeita que outros casos de policiais que aparentemente se mataram podem estar ligados. Aí vem o FBI, a agente com quem ele quer fazer séquiço, a perseguição ao assassino em série. Não estou fazendo justiça à história porque não quero contar muito. Mas é tão legal. Li o livrinho todo em quase uma sentada. Divertido.

*É legal também porque se você gostar do Connelly, ele tem vááááários outros livros publicados. Eu me esbaldo. Por isso em janeiro li outros livrinhos dele. Divertidos também, mas não super que nem foi "The Poet". Ah. Ele tem uma série com um detetive Harry Bosch. E vários personagens reaparecem em outras histórias. Eu gosto. Parece assistir seriado, sabe? O que aconteceu com o Harry? No próximo livro a gente descobre. E eu me envolvo. E fico amiga dos personagens e sinto saudades.


Aí nerdeei mais e li "The Way of Shadows". De lutinhas e assassinatos e conspirações. Não vou mentir, hein? As historinhas de conspiração eu vou meio que ignorando porque não consigo lembrar todos os nomes dos personagens e das facções. Mesmo assim, gostei e estou lendo o segundo livro da trilogia. E eu gosto dos assassinos. São muito, muito gostáveis. E bonzinhos. Vou continuando porque eu quero que eles se deem bem.

Sobre o livrinho das coisas perdidas já falei. Aí tem Murakami: sonhos, subconsciente, busca de rumo na vida, David-Lynch. Hein? Tudo que eu não entendo e acho que não é pra entender eu chamo de David-Lynch. Lembra de Mulholland Drive? Lembra das pessoas no cinema levantando e indo embora porque não entendiam *piiiii"* nenhuma? Aí depois li uma entrevista com DL, acho que na Bravo, que me deixava (que aqui não tem, né?) me sentindo muito inculta (apesar de bela) e ele disse que não era pra entender mesmo. Que era pra curtir. Então eu faço isso. Eu curto. Não fico procurando significados transcedentais e metafóricos.


E "American Gods", né? Esse é o terceiro livro do Neil Gaiman que eu li. Ai, gente, chame-me de ignorante, de filisteia (rerrê), de qualquer coisa. Gostei. Mas não amei. Espero reações violentas, paalavras-pedras nos comentários. Ou, sei lá, uma explicação sobre como é tão sensacional. Violinos não tocaram, coraçõezinhos não choveram sobre mim e meu livro. É bom? É. É maravilhoso? Não sei. Não sei porque minha expectativa era tão grande -- todo mundo me dizendo: melhor da vida, hein?, meu preferido de todos os tempos! -- que eu li achando que eu finalmente ia entender amor à primeira página. Mãs. Simpatia é quase amor, né? Ao fim e ao cabo, recomeindo. Em que a gente acredita? Por que a gente tem que acreditar em alguma coisa? Pra onde esse mundo vai? Acho que essas são as temáticas principais. Mas, cê sabe, sou ignorantona. Pode ser que seja sobre outras coisas totalmente diferentes.

E tinha o tubarão também. De um livro que eu não consigo terminar. Não consigo. Empaquei. É até engraçadinho, é até fofucho, é inteligentinho. Tchezão odeeeeeia esse livro. Vira cujo. Ele rosna e e tenta me morder e não me deixa chegar perto. Acho que porque veio da casa de uma das moças que trabalha aqui e ela tem uma buldogue (que, aliás, está com tumores e já viu o resto da história, né?, não posso contar pra não chorar). Enfim. Tinha o tubarão mas agora não tem mais.

3.2.10

Coisitas

Não assisti ainda ao primeiro episódio da última (lagriminhas) temporada de Lost. Então não me contem nada. Vi o episódio especial de revisãozinha geral da história e fiquei sabendo de coisas que eu ainda não tinha visto: não consegui terminar a 5a temporada ainda. Vou ficar órfã de série de tevê de novo. Que vai ser de mim? Não gosto de How I Met Your Mother. Acho chatíssimo, não rio nada. O mesmo com It's Always Sunny in Philadelphia. Muh. Como eu sou chatinha. Aí tinha a série da mulher com múltipla personalidades e tinha Nurse Jackie. Mas agora a gente não tem mais esses canais. Nosso pacote é uma porcaria. Fora que era pra ser high definition, mas tem, sei lá, 10 canais disponíveis. Tem outros que eu considero básicos, por exemplo: Travel e National Geographic. Pergunta se tem, mesmo sem ser HD? E claro que não tem mais Globo. Se você assina Globo Vídeo e quiser dividir a senha comigo, agradeço. Porque eles não aceitam pagamento com cartão internacional. !!!!!!! Sério. Divide a senha comigo.

Minha mãe está no hospital e acho que vai ficar lá uma semana mais ou menos. Só fui dar uma olhada nos e-mails antes de dormir, tinha um do meu pai. Ele não sabe as regrinhas de etiqueta de internet e formata e-mail como se fosse cartinha. Põe data, põe dois dedinhos antes de começar parágrafo essas coisas. O assunto da mensagem estava assim: A MAMÃE FOI INTERNADA HOJE. E você toma aquele susto e acha que é o fim do mundo. Não é gravíssimo, mas é muito chato estar aqui e ela lá. E já não dava mais pra ligar, muito tarde. Meu pai, como ele diz, se esmerilha pra dar conta de cuidar da nossa pãngui (que agora está com um olho embaçado, esbranquiçado: medo) e cuidar da minha mãe. Você sabe, né?, que faz alguns anos já que ela faz diálise. Começou fazendo em casa com um método de colocar líquido na barriga e teve que trocar por hemo porque teve infecção. Então é assim, sempre alguma coisinha.  Mandei e-mail pros meus irmãos porque meu pai é mestre em não dizer nada pra ninguém pra "não incomodar". Agora estou falando  no chat com meu pai. Muito fofo. Você sabe, também, que ele tem quase 77 anos? Não é muito fofo?

1.2.10

Pechincha de amor de que eu faço tanta questão

Casa, comida e petiscos em abundância: em troca dele chegar mais pertinho de um e depois do outro exigindo mais massaginhas e agrados, ordenando que a gente dê os dedos pra ele mordiscar, fazendo cara de malvado; em troca dele deixar a gente fazer carinho e coçar as orelhas e pancinha dele e dizer mil vezes que ele é fofo, e de ter um bichinho dormindo no nosso colo e roncando à noite nos lugares mais inconvenientes na que era a antes a "nossa" cama (geralmente bem no meio e de viés, pra não deixar nenhum espaço pra gente se virar pra lá e pra cá) e ganhar pug hugs que ele dá a contragosto, em troca da tolerância da nossa presença nos domínios de Tchezão, de tê-lo esparramado no que era antes o "nosso" sofá.