6.1.10

Hannibal



Eu poderia dizer que a razão do meu sumiço é essa:






Quem vê, né?, esse olhar mimoso, esse pelinho sedoso, essas bochechinhas brancas que indica(ria)m sabedoria, esses olhitos atentos e fofuchos, esse narizinho de botão, quem vê, quem vê larga mão do coração peludo, de todamargura dessa vida, enche o peito só com ãinzinhos, dá suspiradinhas, longingly. Mas aí eu apareço e digo:


FELIZ ANO NOVO!


Não era isso que eu ia dizer. Só disse porque acho que, após longos meses, seu peito tem ãinzinhos por mim também, e desejava decumforça saber que eu vivo, que estou sã, saudável (apesar de ter caído da escada bem de bunda na véspera do ano novo, pelo qual quase me foi impossível esperar com os olhos abertos e consciente e alerta, porque sou idosa, sou super terceira idade), que aqui estou eu, oi.


Quem vê. Esse retratinho desse cãozinho que lhe parece pedir só afeto. O que ia dizer, meu povo, minha gente, se todos conhecessem a verdadeira face do Chazão. Esse é o Tchéz. Nosso pãnguinho. Que me mordeu, sério!, I kid you not, umas 5 vezes nas 2 ou 3 primeiras semanas conosco. Que mordeu, de fazer sangrar, os deditos do Menino Mais Lindo do Mundo, quando estes lhe ofereciam um delicioso petisco em troca de qualquer porcaria que ele achou na rua, que rosna quando a gente quer limpar essa ruguinha sobre o nariz que lhe confere esse ar fonfon, que rosna também quando queremos que ele se deite em outro lugar pra que a gente caiba na cama, ou quando a gente quer fazer carinho em vez de dar comida pra ele. Esse é o Chachi, o cão diablo. Nosso pequeno Cujo.


Viajamos 8 horas de carro pra outro estado, acordamos às 4 da manhã pra dar tempo de ir buscar. Muito difícil, viu? Deu vontade de devolver. Deu quase um desamor. E os dinheiros que a gente gastou! Vacinas, remédio pros olhos, exame veterinário, registro com a prefeitura, taxa de adoção, treinador. Comida cheia de frescura. Mas eis a história do cãozinho diablo: foi resgatado de uma família que não cuidou de uma alergia que deixou o peito dele em carne viva. As unhas estavam tão compridas que fincaram nas almofadinhas das patas. Chaz virou um monstrenguinho. Os pensamentinhos de Chazão são todos não. Não mexe comigo. Não mexe na minha comida. Não mexe na minha patinha. Não limpa minhas orelhas. Não limpa minha ruguinha. Não vem perto dos meus brinquedos. Não quero ver você perto da minha caminha. Não ouse querer me fazer mudar de lugar quando eu já estou meio mimindinho. Não quero ir passear. Não quero andar nessa rua. Não gosto desse frio! Não vou andar com esse vento! Não demora pra me dar comida! Tem certas coisas, que só assim imitando Hannibal Lecter pra ele deixar. Os pensamentos sim são só: Lixo! Comida! Quitutes! Petiscos! Mais comida! Mais rápido! Agora ele está acrescentando outros: Colo! Abraço! Mais carinho!


Ele é todo exigências. Esse é o nosso reizinho. Um tirano que manda na gente. Só não obedece quem resistir ao comando:






11 comentários:

  1. Ele eh lindo!!! O Peanut tb estava branquinho assim nas bochechas, mas ele ja tinha 8 aninhos!

    Voce nem sabe a raiva que sinto por essas pessoas que maltratam animais! Pra que ter se nao vao assumir a responsabilidade por essa vida? Tadinho do seu Pug, nao eh a toa que esta todo defensivo, pois foi tao maltratado!

    Mas isso com o tempo e amor, vai mudando, com certeza! So fiquei surpresa das pessoas so shelter (voce o pegou de um shelter?) nao terem treinado ele ou entao addressed this behaviour. No shelter que eu volunteer, eles nao deixam o cachorro ser adotado ate passar por treinos, testes de comportamento e etc...

    Como pediu, meu email eh: lunovidades@gmail.com

    bjos

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  2. Deletei e republiquei os comentários com o nome do Chazão escrito certo. Não quero deixar nem uma pista pro pessoal me achar. Eu sei. Sou louca.

    O Tchéz tem 4 anos. Passou 2 meses com a foster mom e parece que tinha melhorado horrores. O pessoal que ajudou a gente a adotar o Tchéz não sabia exatamente qual era a história do Tchéz. Ele foi resgatado por esses problemas de saúde. Eles não tinham a menor ideia de que ele ia regredir quando viesse morar com a gente.

    Ele tem medo de passar fome, tem medo de gente, de tudo. Ele está muito, muito melhor. Agora ele anda rosnando um pouco, mas não morde pra doer (antes a coisa era feia). A gente relaxou no treinamento e ele está se achando o chefão lá de casa. Mas o treinador indicou uns livros pra gente e vou dar uma olhada. Acho que vai ser bom pra ele, pra ele aprender a confiar na gente e pra todo mundo ser amigo.

    A cachorrinha na foto lá em cima é a Cuca. Quem é leitor antigo do meu blog sabe todas as histórias da Cuquinha. Ela mora com os meus pais, no Brasil.

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  3. Carolina disse...
    Dedê, que coisa fofa-fofa-fofa que é o seu Tchézão.
    Cães que sofreram abuso geralmente dão trabalho pra se adaptar mesmo, mas por trás daqueles dentes e rosnados também mora um coração. Boa sorte pra vocês!
    1/07/2010 1:52 PM

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  4. Christiane disse...
    Chama o Cesar Millan! Dos programas de adestramento de cães que eu já vi, ele é o que eu boto mais fé. Porque ele não trabalha com truque. Parece que aí nos EUA é fácil achar livro dele pra vender. Ó o site: http://www.cesarsway.com/
    1/07/2010 7:50 PM

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  5. Menina Dedê disse...
    Carolina: O coraçãozinho dele já está desabrochando. Ele tá tão tão tão melhor.

    Christiane: Eu já gostei muito do Cesar Millan. Eu assisto tudo quanto é programa que tenha cachorro. Prefiro o método de reforço positivo. Sabe o Dr. Pet que passa aí no Brasil? Esse método. Embora em teoria eu concorde com a ideia de que qualquer cachorro seja passível de ser reabilitado, o método que ele usa é embasado em conceitos ultrapassados e é extremamente estressante pros cachorros.

    Se estiver interessada, achei aqui dois artigos bem legais sobre por que o método do dele é sujeito a muitas críticas:
    http://www.livescience.com/animals/091112-dog-training.html
    http://www.4pawsu.com/cesarfans.htm

    O treinador que ajudou a gente usa o método de reinforço positivo.

    O Tchéz é louco por comida. Esse método funciona bem com ele. Se a gente continuar o treinamento, ele vai ficar cada vez melhor. A recompensa pode ser petisco ou brincar.

    A gente usa um trocinho que faz "clique" e o Tchéz sabe que vai ganhar um petisquinho. Cada vez que ele se comporta conforme o que a gente quer (por exemplo, a gente diz "larga", e ele olha pra gente e para de ficar obcecado com lixo no chão), a gente clica e dá o petisco. Com repetição, ele começa a entender que é mais vantajoso ele fazer o que a gente quer, porque lá vem recompensa. Quando ele não faz o que a gente quer, não ganha nada.

    Mas não quero ser chata nem dar sermão. Agradeço a sugestão e, se você tem cachorro ou se interessa pelo assunto, pesquisa esse outro método. É ótimo!

    :*** pra todo mundo.
    1/07/2010 9:32 PM

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  6. Lys disse...
    Oi, garotinha!

    No início do post, confesso que fui pegando uma antipatia pelo Tchéz. Pensei em dois cachorros neuróticos que conheci, uns tipinhos que "mandavam" nos donos e rosnavam quando não se deixava que fizessem o que queriam. Eu tinha pavor deles - e olha que eu amo cachorros. Mas depois você disse que o bichinho foi maltratado, né, aí meu coraçãozinho foi apaziguado. ;) Minha mãe adora o Dr. Pet e assiste a qualquer programa sobre cães. Lembra daquela loira nariguda que tinha um programa que mostrava desgraças pets de todos os tipos? Nossa, minha mãe vivia chorando. O horror!

    Que bom que você não desistiu do Tchéz! Feliz 2010! Feliz cachorrinho novo!
    1/08/2010 11:50 AM

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  7. Menina Dedê disse...
    Ai, Lys, tadinho do Tchézão. Ontem ele teve um episódio cújico muito estranho. Quase me mordeu. Ele encasquetou com alguma coisa no chão, ficou com medo, estressado, rosnando, quando eu fui me abaixar pra ver o que era, CUJO! Mandei ele pra caminha e depois ele se mudou pro sofá e lá ficou a noite toda.

    Feliz ano novo pra você também. Torcendo por coisas boas na sua vida.

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  8. Só apeguei pra não mostrar meu nome e o nome do nosso cachorrinho. Não quero deixar pistas em lugar nenhum!

    Christiane disse...

    Obrigada pelas dicas. Na verdade eu sou cat people total (embora ame cachorro) mas gosto de ver esses programas sobre reabilitação de cães. O curioso é que - para mim - o método dele pareceu ser menos estressante porque a mudança de comportamento é mais rápida e - me parece - mais fácil de ser mantida. No programa da Victoria Stilwell, por exemplo, que usa reforço positivo, depois de quase 1 mês o cão ainda tem recaídas. Imaginava que nesse tempo ele sofresse com toda a ansiedade e frustração etc. Daí que eu achava que, pondo na balança, o método do Cesar acabava sendo mais válido. E vendo o programa na maioria das vezes não me parecia que os cães estivessem sendo machucados. Mas o ser e o parecer são coisas diferentes, né? E observações doas artigos que sugeriu fazem todo o sentido. Aliás, isso só mostra que vocês amam Tchéz e não querem que ele sofra de modo algum. De todo modo vou ler mais a respeito e espero que tudo dê certo com seu cãozinho! Dê notícias do progresso do Tchéz!

    PS: Outra coisa que agora me parece confirmar o que você disse são aqueles programas de resgate e adoção feitas pelas ASPCAs americanas. Todas elas usam o reforço positivo.

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  9. Ah, então é por isso que você andou sumida!

    O Tchéz [rerrê] é o maior barato. Com um pouquim de paciência e treinamento ele vai ser bem mais sociável, tenho certeza.

    [Você pode instalar o Haloscan. Ele permite a edição dos comentários, o que já me foi bem útil escreveram meu nome nos comentários :)]

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  10. Abre parenteses: estou para comentar neste post ha decadas, acabei de comentar no mais recente entao de hoje nao passa. Fecha parenteses.
    Parabens! Que bom que voces e o Tchez se acharam. Eu tambem tenho um cachorro "emotionally challenged" (nasceu assim, nao foi maltratado nem nada) e devo dizer que e um desafio novo a cada dia, mas e uma vida de muito, muito amor tambem.
    Hang in there!

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  11. Oi, Raquel! A gente ama o nosso Chazão. Agora ele invocou com a toalha, depois do banho. Vamos ter que treinar de novo. Mas ele é tão fofinho :)

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