20.1.10

Clássicos do Menina: Direto do túnel do tempo

Engraçado que tem pessoas que googlam "Quando ligar?" e caem aqui. De modo que eu resolvi ir postando as lições antigas. Percebi que as pessoas continuam precisando muito dessa mão amiga para guiá-las pelo misterioso mundo dos relacionamentos. Rerrê. Agora, em perspectiva, essa lição 4 é super chué. Mas tá. Não sou como o Príncipe Fernando e não direi: "Esqueçam meus posts."

Lição No. 4

Depois desse momento moça-séria-com-consciência-política, vamos à tão esperada e esclarecedora Lição No. 4. É, já estava na hora mesmo. Eu deixei passar o tempo porque a Lição No. 3 foi muito polêmica e gerou muita discussão. E outra, você sabe, essas lições são dirigidas pra seres absolutamente dummies (você sabe a quem estou me referindo, aos hominhos). Sim, eles levam algum tempo pra digerir esses assuntos mais complexos.

Hoje a lição é bem fácil. Eu vou explicar, pra crianças, o que é uma cólica menstrual e o que acontece com as moças quando acometidas de TPM. Olha, que assunto interessante, né? Muito misterioso, e o LF deu o maior apoio pra eu explicar essas coisas aqui.

Vamos lá. Primeiro, a cólica. Imagine que você acabou de enxugar o chão que estava enxarcado com um pano. E você tem que deixar o pano bem enxutinho. Pois bem. Você pega o pano e torce bem torcidinho com toda a força do mundo. Dá um tempo, porque você fica até sem fôlego e depois torce de novo e de novo e de novo. Muito bem, acho que até aqui tá bem fácil. Agora imagina que o pano está dentro da barriga da moça e que, além disso, esse pano é o útero da moça. Pronto. Agora sim você compreendeu direitinho o que é uma cólica. Você nunca mais vai dizer que a moça tá com frescura. O Falecido chegava a chorar comigo, de tão horrível que era O Dia da Cólica.

E a TPM? A TPM é fácil, é só prestar atenção. Basicamente, as moças ficam completamente surtadas-perturbadas-insanas. Você, bom moço de família, elogia o cabelo, ela chora porque ela está cansada desse cabelo horroroso, como é que você pôde nunca ter percebido isso? Você concorda e ela chama você de bruto e insensível. E chora mais ainda. Você oferece chocolate, como desculpas, ela grita, enlouquecida: você quer que ela engorde mais ainda? Depois, ela sai bufando e rosnando. Dali a dois minutos, topa com você, descendo as escadas pra não sei onde e te enche de beijos, como você é tudo-tudo-tudodibom! Entenderam? NÃO?? Não?? É, TPM está fora da esfera de compreensão masculina, nem tentem. Se as coisas mais facinhas que eu tentei ensinar até agora já foram difíceis, imagina a TPM!

Interpretando a Lição No. 4

É, amigo, estou vivendo dias de Lição No. 4 na pele. Por isso, vou dividir com as pessoas que acompanham com atenção as humildes lições transcritas nesse blog algumas coisas que ficaram bem claras pra mim, numa conversa com uma mocinha do bem.
Lição No. 4 - § 1º: Quando mocinhas em fase tpmzística, termo usado pelo Daniel (vou chamar de Daniel pra dar um ar sério e respeitoso à pessoa), brigam com você, você deve entender a mensagem subliminar, para nós tão clara: "Quero colo, não brigue comigo só porque eu provoquei. Diga que eu sou diumtudo mesmo que eu esteja infernalmente perturbada".
Lição No. 4 - §2º: Quando mocinhas insanas respondem negativamente às suas perguntas, dizendo que têm certeza de que não querem o que você está propondo/oferecendo, entenda assim: "Insiste só mais um pouquinho". Mocinhas trabalham com fazer charminho, especialmente nessa fase, embora os brutos insistam em denominar esse comportamente pela não muita delicada expressão "fazer c* doce". Ah, sim. A insistência pode não necessariamente levar a um resultado positivo, a moça pode continuar se negando a fazer/dizer o que quer que você esteja pedindo.

 
Essa não é a Lição No. 5


Supostamente, essa seria a muito aguardada Lição No. 5. Mas essa lição ainda não existe, porque não há resposta possível para a pergunta: "Como e quando saber que o ex foi esquecido?". Tenho que concordar com quem me propôs que eu respondesse a essa indagação: ninguém nunca é esquecido. Não, não se assuste. É verdade. Pode se perguntar se não concorda comigo. Esqueça tudo.

Eu vou explicar. Você se lembra daquela história antiga que eu contei, aquela sobre as florzinhas secas? (Se não lembrar, você pode me perguntar). Pois bem, é isso o que acontece: tudo vira flor seca. Dentro de livro de poesia, se tudo correr bem.

Ter um é ter um personagem que não faz mais parte do script. Acho que a gente pode reformular a pergunta de um jeito mais fácil:

Um ex passa?

Passa. Tudo passa: não passar no vestibular passa, deixar os amigos do ginásio em outro bairro, em outra escola passa, tirar 2 numa prova de Tributário passa também, repetir o exame de direção “n” vezes com sua mãe dizendo que você deveria comprar a habilitação passa também, abrir a geladeira e levar o maior sabão do vô da Mi também passa, três pés na bunda do mesmo moço passam (e, seguindo nessa linha, ter que deixar a faculdade onde você largou o coração também passa. V. o p.s. ali embaixo).

Todo mundo passa. A sua cachorrinha que você ia visitar na casinha passa (cachorro é gentinha, concorda? A Mi concorda. A Carol não), seu avô que contava histórias do Anchieta e gostava de cafuné passa, seu melhor amigo, de quem você perdeu o telefone, passa, seu vô japonês (seu ditchan) que te dava balinhas de goma passa, seus amigos do ginásio, quando você teve que mudar pra outro bairro e outra escola passam, sua avó que fazia pão de ló com canela e açúcar por cima passa, seus amigos do Cursinho também podem passar, por mais que você tente fazê-los ficar (passam mesmo, ainda mais que eles só sabem de você por causa de um blog), sua tia da escola que te ensinou a escrever e ler (que tudo é ser tia que ensina a ler e escrever) passa, sua irmã, com quem você pouco conversou e que você chamava de mãe quando era nenezinha passa. Você acha que eu estou sendo cruel? As pessoas passam, e você fica com o que você lembra delas. Eu não vejo crueldade nisso. Mas ficar insistindo em intimidade ou contato com alguém que passou é que é triste. Triste não é passar, triste é não saber deixar passar. Se você não aprende isso, acaba estragando o que de melhor teria ficado -- suas lembranças que dão um apertinho no peito de tão boas que são de serem lembradas.

P.S. "Memórias da São Francisco / que eu canto com emoção/ Em cada canto do Largo / eu largo o meu coração"

2 comentários:

  1. Ioney, nem tenho o que falar desta última parte. Demais, simplesmente :*

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  2. Esse trem (sou mineira) se chama impermanência no budismo. É bom e é ruim porque o bom passa e o ruim também. Ó. Sou responsável por um grupo no feicibuque. Chama-se Kagyu Brasil. Kagyu é o nome de uma das 4 escolas do budismo tibetano. Tem o Kagyu Tibet tudo em inglês e o carinha me pediu pra assumir o K Brasil. Topei. Mas hoje, confesso, roubei este seu texto. Achei lindo de chorar, chorar mesmo que hoje eu tirei o dia prá isso. Faz bico, tira os óculos, enxuga os olhos, põe óculos. Inda bem que noutibuque não é papel com caneta tinteiro. Saudades da minha Milky e tem uns 3 dias que tô ouvindo barulho de orelhas abanando, de unhinhas andando no chão, confundindo almofada linguiça branca com ela deidata no sofá. Pinel mesmo! 'Brigada, viu? Bjs.

    Ah, meu e-mail mudou: anacarmen51@yahoo.com.br just in case...

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