17.8.09

Dia 22 - O mantra antes de fazer coisa mais chatinha

Ou especialmente enfrentar o dia de trabalho (hoje, por exemplo, entoei). Repara ali quando o Homer canta aos 0:59 ou 1:00. Ele vai dizer: "It would be so rad". Substitua por "Vai ser superlegal" e aproveite seu dia!
Daqui a duas semanas, tirei um dia pra ir ao dentista e ao médico. Não consigo nem esperar! Só de pensar que não vou estar aqui. Eu poderia contar um monte de mimimi sobre meu tchefe em férias, mas... vou contar! O caso foi que ele saiu de férias e se recusou a tomar parte das pequenas decisões que ele tem que tomar e que eu não posso decidir por ele: tipo, vamos gastar dinheiro pra pedir esses documentos?, quanto você quer gastar pra citar zezinho? Mandei primeiro um emelho com itens perguntando isso e aquilo e reclamando de um cliente que quer as coisas pra ontem. Não adianta explicar pra esse tio como funcionam as coisas; quando você termina de explicar, ele só repete que quer tudo pra já. Ele fala bem rápido porque está sempre com pressa (pra falar bobagem), de modo que eu tenho que falar tudo em 5 segundos e ele não entende porque não está escutando. E usa sempre aquela voz de indignação/como você é ineficiente. Tem dias que ele liga 10 vezes: oi, tô mandando fax, oi, meu fax chegou?, oi, cadê você?, oi, e como fica o fax que eu te mandei?, oi, preciso mandar de novo? Pedi pro meu tchefe interferir nesse sentido: ligar pro fulano e oi, tudo bem?, estou aqui de férias, mas estamos trabalhando e as coisas funcionam assim e assado e para de dar pitizinho e espera que nem todo mundo, porque faz parte da vida. Meu tchefe ligou e fulano negou tudo. Ni que meu tchefe me diz que por favor eu pare de envolvê-lo nessas coisas menores e use meu bom senso. Fiquei pê da vida, pelo conjunto da obra. Eu nunca reclamei de nenhum cliente. Só falei desse porque achei uó mesmo. Não acho que eu possa fazer o que eu bem entendo. Tchefe queria que eu fizesse. Ele não se dá conta das coisinhas que eu faço que ele nem fica sabendo porque realmente não carece que eu pergunte pra ele. Mas, comassim?, tem gente aqui que é o dono do negócio/única pessoa que toma decisões e tem gente aqui que lambe envelopes.

14.8.09

Dia 21 - Casinha nova


Fiz essa treca nesse tal de Polyvore, que você deve conhecer (dá pra montar conjuntinhos de roupitchas ou coisinhas de decoração). Tá tudo fora de proporção (olha o tamanho dessas cadeiras!) e não sei como distribuir as coisas pelo espaço todo disponível. Quem conheceu minha casinha por poucos meses lá no porão do predinho bonitinho frio-frio onde eu morava, sabe que está meio parecido. Mas, gentê, eu adouro móveis brancos com aquele arzinho de Escandinávia, e outras coisinhas coloridas para dar um "it", como diria minha mãe. E não sou criativa. E não tenho dinheiro pra rasgar (ainda; quem sabe depois do bolão pra loteria de hoje, ficarei riiica). Não tenho certeza se eu realmente gosto desse sofá (é uma capa, na verdade, e tem outras estampas, mais feiosinhas ou de cores lisas e sem graça), mas achei alegrinho. O MMLM achou muito de menina essa estampa. Também ia colocar um tapete cinza claro embaixo do sofá, mas meus talentos pra lidar com o tal programinha de fazer colagem não deram conta. Em vez de ter uma mesa de centro, pensei em ter duas mesinhas de lado porque 1) estão na promô e cada qual custa 8 dólares; e 2) porque dá pra colocar na frente do sofá, formando uma mesinha só. Pra ornar, tem a minha escrivaninha que é da mesma loja, branca e simplinha. E uma cadeira vermelha. Tudo isso ia ficar na sala, que também vai ter que abrigar as bicicletas nalgum lugar menos à vista.

13.8.09

Dia 20 - Livros que amei (ou não): Encontros e despedidas

No Brasil, publicado como O Ano do Pensamento Mágico. Minha amiga Milena e eu, no auge de nossa infelicidade quase adolescente, tentando entender a vida tal qual ela seria quando nos tornássemos adultinhas, costumávamos ir à 2001 e pedir ao Clóvis que nos indicasse filmes pra chorar. Eis o que esse livro não é: de fazer chorar. Não é brega, açucarado, meloso, nem de autoajuda. Se fizesse chorar, talvez você se sentisse melhor, porque é muita coisa que entra desde seus olhos até a sua cabeça, apesar de ser um livro curto. Pra mim, especialmente, porque tem a história da minha irmã. Não é um livro de leitura fácil: não só pelo tema, mas também porque a autora é uma escritora daquelas, das de verdade, que lêo horrores e só faz isso da vida, escrever (e ler) e que trabalha em casa, num escritório, e que vai citar, sei lá, Rilke, como se fosse a coisa mais natural do mundo. O que eu quero dizer é que pode parecer pedante. E talvez seja. Mas tem mais.

Num sábado abafado, deitei-me placidamente na cama e me arrumei com o travesseiro novo de látex que eu ganhei do MMLM, que é assim, o melhor repouso para minha cabeça cansada, e li The Year of Magical Thinking quase de cabo a rabo numa sentada só. Tive que pedir água num certo momento porque não é dos assuntos mais leves. Esse livro examina minuciosamente a dor da  autora quando a vida dela muda num instante, ao se sentar pra jantar. É sobre memórias, sobre perda e luto e sobre o que fazer da vida da gente quando ela muda assim, sobre a resistência que a gente sente quando tem que enfrentar o inevitável e imutável, a ausência de alguém que sempre esteve ali, que sempre estaria, mas já não está. O que a gente faz de tudo que já foi e do que já não virá?

Hoje googlei sobre ela e o livro e tive notícias mais tristes sobre o que veio depois do livro na vida dela e quase chorei. Fiquei ali na beirinha de chorar. Vi a foto dela e pensei, gente, como vai ser, como foi que essa senhorinha que parece que é feita de papel vai continuar escrevendo, tendo prazer na vida. 

12.8.09

Dia 19 - Eu e meu bigo.

Né?, que é o que importa no meu blogue. Eu, meu bigo e as coisas e pessoas que nos rodeiam ou que eu gostaria que não.  Dri me pediu pra responder o meme do 5 coisas que eu gostaria de ser. Obrigada pela pauta, porque você sabe como eu sou super sem assunto. Não sei se era pra fazer assim, uma versão fantasiosa, ou se era pra fazer uma coisa mais pé no chão, então dei uma misturadinha.

1. Gênia. Aí eu ia saber falar muitas línguas, até as que eu acho feias, não ia importar. Eu ia ler livros absurdamente difíceis no original. Ia escrever livros de ficção ou de memórias e todo mundo ia querer uma cópia autografada, e eu ia ser muito humilde mesmo quando quisessem apertar minha mão e dizer que eu mudei a vida dos meus leitores. Ninguém nem ia mais ligar pro Paulo Coelho. Ia vender os direitos dos meus livros pro cinema. Eu ia saber fazer contas e criar minhas próprias equações pra batizar com o meu nome. Ia fazer descobertas incríveis que iriam, entre outras coisas, salvar vidas. Ou descobrir como faz pra finalmente ter naves espaciais que levam a gente pra muito, muito longe no Universo. Ia ser convidada pra dar palestras em muitos lugares do mundo.  Eu iria descobrir a fórmula da longevidade, também porque eu ia querer curtir minha vida como gênia. Trabalho não seria fardo nunca, seria prazer, já que afinal de contas, ia ser fácil (imagina, né?, trabalho sem interação com outras pessoas ia ter que ser). E, finalmente, ia inventar coisas absolutamente necessárias, sem as quais a vida na Terra não seria mais possível . O que me leva ao número 2.

2. Podre de rica. Acho legal ser desapegada e saber discernir o que importa na vida. Por exemplo, que você pode ganhar muito dinheiro (ou mais dinheiro do que ganha) mas que não vai valer a pena se você viver pensando só em como é infeliz e passando muito estresse e desejando um outro emprego o tempo inteiro. Mãs, né?, eu queria ter muito dinheiro. Pra rasgar e nem ter pena. Eu seria  podre de rica porque gênia. com muitas invenções patenteadas. Não ia ter ganhado dinheiro por sorte nem seria herdeira. Até poderia me aposentar cedo ou tirar férias longuíssimas. Ia poder dar aulas de línguas e ser muito boa  e sem cobrar nem um tostão, ia poder voluntariar no abrigo de cachorrinhos abandonados. Ia ter uma casa aqui, outra no Brasil, e  e o MMLM e eu iríamos morar um pouquinho em cada lugar. Ia poder levar minhas sobrinhas pra qualquer lugar que elas quisessem e comprar mil joguinhos de Nintendo pra elas. Se meus irmãos e amigos também quisessem se aposentar, não haveria empecilho nenhum. 

3. Legal. Tô dizendo assim. Niqui eu não sei interagir com pessoas que não conheço ou de quem eu decididamente não gosto. Quando eu me imbuo do que eu acho que é a "personalidade brasileira", aí eu faço mil perguntas e sou simpática e todo mundo acha que eu sou bacaninha. Mas isso quase não acontece. Só se eu beber umas cervejinhas. A maior parte dos meus dias eu passo pensando no livro que eu vou ler quando chegar em casa, lendo e/ou pensando no próximo livro que eu vou ler quando esse acabar. Conhecer pessoas novas é difícil não só porque eu ache que aqui é mais dificultoso mesmo, por causa do lance cultural, mas também porque eu não sou a pessoa que se coloca mais socialmente disponível e aberta. Eu ia ser legal e eu nunca mais ia pensar que eu tenho que comprar aqueles cartõezinhos  com perguntas que a gente põe na mesa quando tem visita pra não ficar sem assunto. Eu também ia ser mais legal com a minha família e com os meus amigos. Eu ia ligar pra eles toda semana sem falta e mandar muito amor. Mas essa parte é totalmente possível.

4. Linda e estilosa. Daquelas que não precisa fazer muito esforço. Que pode ser nãrdi e um deslumbre ao mesmo tempo. Que entra nos lugares e todo mundo vira pra olhar, não porque seja tipo modela, mas porque simplesmente tem presença. Aí eu ia só ter roupas superlindas e ter estilistas pessoais que entenderiam qual é o meu estilo e me trariam as roupas e sapatos pra eu provar em casa. Eu ia saber usar acessórios. Manter meu peso também nunca seria difícil. Eu iria emagrecer, saudavelmente, e manter aquele peso que eu tinha quando cheguei aqui por muitos e muito anos.

5. Menos apegada ao passado e ao negativo (e mais zen). Quando começo a pesquisar um assunto, eu sempre quero estar de espírito preparado pro caso de dar errado. Eu já começo pensando no pode dar errado e no que fazer se der errado. A rainha do plano bê. Como a história do apartamento: o prédio ia ser um horror mesmo e a gente ia perder o nosso dinheirinho. Pra mim é difícil parar e pensar e fazer alguma coisa; pra mim é difícil pensar em soluções do tipo ir lá e falar com moradores. Sempre apelo pra historinha catastrófica que eu inventei.  No trabalho, quando faço alguma coisa errada, mesmo que mínima, pra mim é o fim do mundo. Saber que um dia eu dei aulas que estavam longe de serem boas (seja por inexperiência  ou o que seja), me deixa numa tristeza sem fim. Fico passada comigo mesma. Quero me explicar aos antigos aluninhos e pedir desculpas. E essa coisa de não poder voltar atrás pra corrigir me corrói. Também se aplica a qualquer coisasque eu tenha feito pra alguém que não caiu bem, deixou a pessoa triste, estremeceu nossas relações. Queria também aprender o desapego às coisas pequenas. E aprender a reconhecer o que é pequeno, instantaneamente.

11.8.09

Receita de quibe de forno pra Lilata e pra todo mundo que não tinha visto essa

Oi, ó: a receita de quibe de forno está aqui. Essa é uma receita vegetariana. 
Pra fazer quibe do tipo normal, facinho. O Binho, salve! salve!, me explicou ontem. Coloca metade de medida de carne moída, metade da medida de trigo pra quibe (pra ver como faz pra lavar o trigo e tudo mais, é só ver a receita do vegetariano). Tempera com cominho, hortelã fresca, sal, e azeite. Se quiser, pode colocar requeijão. Unta uma forma com manteiga e cobre com alumínio. Aí depois de um tempinho você abre pra ver se está cozido e abre de vez quando estiver, pra dourar em cima. Eu sempre coloco papel alumínio na forma, antes de untar pra não ficar difícil de limpar. Mas não carece.

Dia 18 - Toda uma admiração pela minha mãe, porque eu vou te dizer:

como é difícil variar cardápio! Minha mãe sempre me perguntava, quando eu sortuda e preguiçosamente vivia sob as asas da melhor cozinheira do mundo, o que eu queria pro jantar. Eu sempre dizia que tanto fazia, super achando que estava ajudando e abrindo um leque de mil possibilidades que iam conjuminar dentro de 3 ou 4 panelas na cozinha. Ocorre que dizer tanto faz é igual é receber tema livre de redação ou poder conversar sobre qualquer coisa nesse mundo na aula de espanhol. Agora imagina o que é ter, sei lá, uns 40 e poucos anos de cozinhação nas costas e pensando no que vai fazer amanhã pro almoço, hoje pra janta e se todo mundo vai gostar. Mãe = superheroína.

Quando eu me mudei pra cá, eu introduzi umas comidinhas novas que o Menino Mais Lindo do Mundo não fazia em casa: temakis, misoshiro, namatamago, cozidão japonês, arroz e feijão, refogado de escarola/couve, caldo verde, caldinho de feijão (que eu já expliquei como faz), polenta, charutos, farofa, quibe de forno, peixe inteiro assado. Mesmo assim, não tem muita variação no que a gente come. A gente sempre faz: bifinhos de porco, linguiças delícia do Wholefoods, bolo de carne ou almôndegas, o tal do peixe assado, salada de macarrão, várias vezes a gente só faz arroz, feijão e legumes, a tal carne de panela e kebabs. Ontem meu irmão, o Binho, que me deu a ideia genial de ir lá abordar estranhos na frente do prédio pro qual a gente quer se mudar, me ajudou com umas receitinhas fáceis pra variar um pouco. Então, aqui vai mais uma receita.

Ensopado de peixe facílimo do Binho

Escolhe o filé de peixe branquinho que você quiser, já limpo. Fiz com bacalhau fresco, mas pode ser o que você quiser. Amassa uns alhos e esfrega no peixe. Passa um sal e pimenta (eu usei pimenta caiena) e esfreguei também um pouquinho de azeite. Deixa os filezinhos descansando.

Numa panela, a gente vai brincar de fazer andares de coisas. Um andar de pimentão, tomate e cebola, tudo cortado em rodelas grossinhas. Se não lhe apetecem os pimentões, ignore-os. Joga um pouquinho de sal e pimenta e um tantiquinho de azeite. Nesse ponto, já vai dar tempo de você ir buscar os filés, porque demora um tanto pra cortar os legumes. Aí você deita o filé nesse berço esplêndico de legumes e cobre com um cobertorzinho de legumes de novo. Sal, pimenta, azeite. Peixe. E outro cobertorzinho de legumes. Coloca em fogo baixo (o Binho falou médio, mas eu fiz em baixo) e tampa a panela. Dali a pouco os legumes vão começar a soltar água e tudo vai cozinhar nessa água mesmo. Quando tiver formado um caldo, experimenta e vê se está gostoso ou se está faltando sal. Aí dá uma aumentada no fogo, coloca no médio. Deixa lá no fogão até tudo ficar bem cozidinho, lamba seus beicinhos e faça seu prato. Mas Ioney, como que eu sei que o peixe está cozido? Você cutuca o filé e vê se está maciinho e quase desfazendo. A gente fez arroz basmati (tipo indiano) pra acompanhar. É um pouco docinho e ornou muito bem. Né simplinho?

Eu usei 1 quilo de peixe, umas 6 cebolas (super pequenas), e montes de tomates (uns 8), que também eram bem pequenos e não esses tomatões de salada. O Binho não falou, mas eu piquei coentro e coloquei quando já estava quase pronto.

A surpresa é que seguindo esse mesmo fabuloso método, com pouquíssima alteração, você faz moqueca, que é bom pra impressionar as visitas. O que vai ser diferente é que você vai colocar cação em vez de qualquer peixe e uma garrafinha de leite de coco. Aí não coloca tomates como se nunca mais fosse comer tomates na vida, porque eles soltam muita água e vão fazer o caldo ficar aguado e sem graça. Capricha na pimenta dedo-de-princesa. Né bom? Saber duas receitas em uma? E outra: no dia seguinte fica mais gostoso e mais apimentado.

* * *

Voltado à minimovelinha do prédio e dos percevejos e tudo mais, prepare seu coraçãozinho que bate ansioso por notícias. Seguindo o conselho do Binho, a gente foi pra porta do prédio e falamos com 5 pessoas no maior esquemão cara-de-pau oi-tudobem-vocêmoraaqui. Todas elas disseram que moravam lá fazia anos e que estavam satisfeitos, embora não assim a ponto de soltar fogos de artifício e tomar guaraná champanhe. Um deles teve problema com camundongos logo que se mudou, mas a manutenção resolveu a coisa rapidinho. Outra contou que realmente entraram em alguns apartamentos, mas que parece que foi só naqueles cujos moradores esqueceram de trancar as duas fechaduras. Outro disse que teve um vazamento e eles consertaram em uma semana. O outro falou que o ar condicionado nem sempre é deliciosamente geladinho. Nenhum falou nada sobre percevejos. A idéia geral era de que o prédio era bom. Excelente não dá pra ser, mesmo porque o condomínio tem cento e vinte apartamentos e não tem um batalhão de empregados. Deu pra gente se acalmar e resolvemos que vamos mudar, sim. Oba! Agora vamos começar a comprar o que a gente precisa.

10.8.09

Dia 17 - Um pouquinho mais de mimimi

O bom é que as fontes de mimimi vão variando. Começou com o tchefe, passou para o espanhol (eu poderia continuar a fazer mimimi sobre isso, mas deixa pra lá), e agora passou para a saga do apartamento. A gente decidiu que não queria mais morar no subúrbio e queria morar pra cidade mesmo. Vimos os classificados na internet, andamos nos bairros em que a gente quereria morar, fizemos várias listinhas de lugares potencialmente interessantes, ligamos pra muita gente, fomos ver alguns apartamentos (outros a gente não viu porque passou pela frente e não gostou da área ou do prédio ou porque não tinha onde estacionar o carro) e finalmente, semana passada, achamos uma pérola!

Um parêntese: aqui é uma cidade mais antiga e tem muitas casas "em fila", grudadinhas umas nas outras, como se fossem casas geminadas (mas nesse caso, seriam, sei lá, óctuplos). Muitas dessas casas têm 3 andares ou são maiores ainda. Aí o pessoal transforma cada andar em um apartamento ou, no caso de casas maiores, cada quarto em um apartamento. Mesmo nos prédios mais novos, não tem garagem no prédio. Ou você estaciona na rua, ou paga os olhos pra parar em estacionamento. Ah, quando se aluga, é costume já vir com geladeira e fogão. Às vezes tem ar condicionado central, lava-louças. Muitos prédios têm lava-roupas e secadora se não no próprio apartamento, numa área comum do prédio. Outros nem isso e você tem que ir à lavanderia e colocar moedinha e ficar lá esperando tipo em episódio de Friends. Tem também casa pra alugar, mas aí já ia estar bem fora do que a gente pode pagar, considerando que a gente quer morar num bairro legal e não super lonjão e perigoso.  Dá pra gente considerar um apê de um quarto numa área legal, ou apartamento/casa de 2 quartos num bairro não-legal e fora de mão.

Voltando à pérola. Chão de taco (é mais comum ser carpete), uma sala enorme, lava-louça (que poucos apartamentos têm), pode ter cachorro/gato (que a gente não tem, mas quer ter no futuro), com estacionamento fácil na rua, perto do meu trabalho, do metrô -- é só pegar um ônibus --, de vários restaurantes e lojinhas legais, parque, do museu do Rocky e da biblioteca. Achamos o máximo,  comparando com o que a gente tinha visto antes, e o corretor soube vender bem o peixe. A lavanderia é no térreo e o prédio tem acesso a uma loja de conveniência/cafeteria e a um bar. Nossos olhinhos piscaram muito, cheios de amor, e acabamos deixando um cheque lá pra reservar o apartamento, o valor de um aluguel, que, lógico, não se recebe de volta se você der pra trás.

Pois bem. Ontem eu estava felizinha contando pro meu irmão onde era e o que a gente tinha feito no fim-de-semana (ido à Ikea dar uma olhada em móveis porque a gente só tem escrivaninhas, uma cômoda, e  a cama, ou melhor, colchão). Aí googlei o nome do prédio e achei um sítio onde o pessoal posta comentários. SURPRESA!
Agora vou recortar e colar o e-mail que mandei pros meus pais e irmãos logo em seguida.

O [Menino mais lindo do mundo] e eu fomos burros e perdemos dinheiro. Depois de ter corrido (e pagado um mês de depósito pra reservar o apartamento, sem direito a dinheiro de volta) pra aceitarem a gente como inquilinos nesse prédio que pareceu muito legal, hoje, sem querer achei um site com críticas sobre o prédio e o pessoal da administração e manutenção. Segundo a maioria dos comentários nesse site, o prédio é cheio de percevejos, ratos e baratas. Além do que, parece que o pessoal da manutenção é extremamente devagar pra consertar qualquer coisa. O pessoal reclama de problemas com encanamento, falta de água ou água suja e vazamentos que não são resolvidos. Além disso, nos últimos meses, parece que funcionários entraram nos apartamentos pra roubar computadores e jóias quando os moradores não estão. Ficamos tão encantados com o apartamento! Parecia tão legal. Com chão de taco, bem espaçoso e com ar condicionado e aquecimento incluídos no aluguel, o que iria ser uma economia e tanto. Todos os apartamentos que a gente viu pareciam limpinhos e o prédio parecia bom. Fomos bobinhos e vamos ter que engolir os [muitos] dólares investidos, mas pelo menos dá tempo da gente reeconomizar, comprar coisinhas prum próximo apartamento aos poucos. Melhor descobrir agora que perder televisão, laptops e ainda por cima ter que viver com rato e percevejo. Vamos engolir o choro, recuperar a perda e começar a procurar de novo. Estamos tão pra baixo!

Desde ontem à noite, a gente bolou outro plano. Agora a gente resolveu que vai dar uma de stalker e ir pra porta do prédio perguntar pros moradores, depois do trabalho, o que eles acham do prédio. Sobre essa coisa de rato, roubo e talecoisa. Vamos tentar dar uma enrolada na administradora e dizer que não estamos achando o dono da nossa casa pra assinar o formulário que falta (que diz que somos inquilinos bacanas). Já vi que o problema com percevejo é muito difícil de resolver: pesticida não funciona muito bem e parece que o melhor é congelar as coisas que foram infestadas. Eu, alérgica, cheia das chagas dos pernilongos, já fico imaginando como ia ser com percevejo (quer coisa mais Gilliard que isso? Sério, nunca nem tinha ouvido falar de percevejo, se não fosse por esse clássico da música popular).


Meda, pessoal, muita meda.

7.8.09

Dia 16 - Eu continuo no pacto porque não tenho vergonha na cara


Ué, eu achei que eu tinha me explicado direitinho essa história do outro lugar que eu fui ver pelas costas do meu tchefe. A coisa do outro lugar lá onde fui entrevistar não foi. Primeiro porque o Erreagá não tinha aprovado a vaga, segundo porque teve todo o lance da perspectiva. Contei, né?, que lá não seria um trabalho muito "inteligente", tem muita intriga e puxação de tapete, muita gente incompetente que sobe na vida não sei como, tudo com só 2 semanas de férias por ano. Alô? Pode ser que me liguem quando seja aprovada a vaga, mas não quero, valeu. Ligaram pra moça que pus como referência ontem. Enquanto isso, meu chefe me faz declarações de amor pra eu nunca ir embora. (esse comecinho estava em draft desde 29 de julho, pra você ter noçã)

Atualizações: Anteontem minha amiguita que me entrevistou e ofereceu a vaga me mandou mensagem de texto pra dizer que ligaram pra uma das minhas referências (já sabia) e que provalvemente o Erreagá vai me fazer uma oferta na semana que vem. Aí hoje, ni bar, depois do trabalho, tenho que explicar pra minha amiguita que, para além de ganhar mais, pra mim é importante ter um ambiente de trabalho saudável, com pessoas que se respeitam, um tchefe que sabe que eu sou séria e que tento fazer tudo bem feito (embora nem sempre consiga porque, né?) e que me dá férias quando eu quero e por quanto tempo for preciso sem ficar me enchendo e perguntando pra que eu quero folga, pra onde eu vou, essas coisas. E tem o espanhol, que ele está pagando. Além disso, meu tchefe saiu de férias, mas antes d'ele ir embora, pedi pra ele considerar um aumento pra mim. Tendo em vista todo o amor que ele sente por mim.

Aí tem o espanhol, né? Que rola assim. Ninguém faz plano de aula (!!!!). Eu chego lá e eles procuraram material que vai me ajudar e na hora da aula eles vão examinando a coisa e inventando. Tipos... ter sido professora não me ajuda muito com o meu nível de exigência, e é uma escola. De modo que já resolvi que vou engolir esse mini sapinho e continuar. Melhor que estudar sozinha de tudo.

Eu sei, essa história é tão emocionante que você fica esperando novidade como se estivesse esperando pela nova temporada de, sei lá, [coloque aqui o nome da sua série preferida]. Aliás, eu vi Som e Fúria e amei com muitos coraçõezinhos. Pra descobrir, no mesmo dia, que era o último capítulo e que eu tinha perdido tudotudotudo.