20.7.09

Dia 15 - E eu estava indo tão bem

Tava, não tava? Indo bem no pacto blogueiro, escrevendo todo dia, só estava um dia atrasada. Na última semana, passei de megadesânimo com o trabalho, de repetir o mantra da manhã ("Vai ser super legal") com quase chorar de compaixão pelo meu tchefe, por fazer entrevista pra uma vaga que o Erreagá nem tinha aprovado. E nada como um pouco de perspectiva nessa vida.  Nesse outro lugar, muita intriga, muita gente sendo promovida ou demovida ou forçada a pedir demissão porque fulaninha não gosta da sicraninha, porque os santos não batem, porque o pessoal é muito folgado, porque mariazinha adora joãozinho apesar dele ser bocó e completamente dã, etc. Entre as atribuições, ficar o tempo todo de plantão pra atender telefone, fazer muita continha, recortar e cortar coisarada no Excel e fazer umas verificações manuais no sistema. que ninguém mais quer fazer. Tudo isso com duas semanas de férias por ano pelos cinco primeiros anos, a partir dos quais se começa a ganhar uns dias extras. Nem sei quanto ganharia -- por causa dessa coisa do erreagá. Mesmo que o tchefe não tivesse chorado as pitanguinhas dele e prometido mudar muito eu já teria ficado mesmo assim. Não há nada no mundo que pague saber que ele é boa pessoa, que eu não tenho que me preocupar se vou ter férias suficientes pra ir pro Brasil, etc. Ah, sim, ganhar dinheiro (pra ele) é difícil e exige habilidades que acho que ele não possui, mas ele já me disse que me paga antes que ele tenha dinheiro para ele receber. Me senti, né?, a última das seres humanas passando ligeiramente a perna nele, indo lá sem falar nada.  Não sei se eu sou mole ou se é assim mesmo.

13.7.09

Dia 14 - Ai

Quase uma twittada. Passei o domingo inteiro no telefone com a Índia (contei pra eles que no Brasil tem novela com personagens indianos - rerrê) tentando resolver o problema do meu laptop que congelava toda hora. Hoje, segunda, quase 10 e meia da noite, finalmente deu certo. Estou testando Chrome pra ver qualé. Sonhei, lógico, a noite inteira de ontem com problemas de computador. Comigo instalando isso ou aquilo ou sei lá o quê. Outro dia sonhei com meu amigo Allan, que tinha vindo me visitar porque eu estava precisando da ajuda dele. O Allan está em algum lugar da Europa, Luxemburgo, acho. Faz anos que não falo com ele. Teve uma época que ele escrevia como colaborador do blogue. Ainda preciso salvar meu blogue antigo, mas tudo é motivo pra não começar. Por exemplo, agora, vou tomar banho. Até pensei em pular, sabe?, mas minha consciência não permitiu porque amanhã é dia de ir na imigração. Fui à escola de espanhol e a moça dona da escola acho que eu fosse por demais avançada na língua e eu tive que discordar. Hoje meu tchefe passou apuro porque o espanhol dele não dá nem pro gasto e perguntou quanto seria pra ele ir à mesma escola. Quando eu disse o preço, vi que ele desistiu um pouquinho. Mais uma vez o meu espanhol que ele chama de fraco salvou a reunião com o cliente (que falava rápido que era uma coisa louca -- eu deixo falar, saber? Quer falar? Fala. Depois vai ter que repetir, porque eu vou começar a fazer pergunta pra conseguir entender a história toda). Que mais? Mais nada. Banho. E aqui termina o post mais inútil da internet. Câmbio. 

10.7.09

Dia 13, sexta-feira: Joguinhos e selvagens

Sexta, meu dia 13. Mas eu não ligo porque, inclusive, 13 é meu número preferido. E, se eu correr e não tiver nada pra fazer hoje ou chegar em casa disposta, ainda dá pra alcançar o post do dia 14 do pacto que o Rafa quebrou faz tempo. Porque ele é ocupado e eu sou ociosa. É a verdade dos fatos. :(

Aí na barrinha da direita, praquelas pessoas que ainda chegam ao blogue de fato e não só leem pelo Reader, tem uma caixinha que mostra os livros que eu estou lendo. Se quiser, tem uma lista, bem incompleta, do que eu li nesses últimos anos. Não escrevo críticas lá, mas se você se interessar por algum livro, pode me perguntar e eu te falo o que eu achei. 

Como eu sou do contra, eu não achei Ender's Game essa coca-cola toda. Eu li, até o fim, até fiquei viciadinha. Pra falar a verdade, eu até gostei do livro. Mas não achei genial. Gostei o suficiente pra continuar lendo os outros livros da série (acho que parei no terceiro) e acabei mudando de opinião sobre tudo. No primeiro livro, lançado no Brasil como O Jogo do Exterminador, pela Devir Livraria, Andrew é um menininho gênio que é separado da família para ser treinado para lutar lutinhas intergaláticas e salvar os humanos da ameaça de um povo alienígena insetóide. Em busca da pessoa mais gênia e com melhor personalidade para as lutinhas, o governo permite o nascimento do Andrew, o terceiro na fila de 3 filhos, todos supertodotados, e quando ele cresce, lá se vai ficar sozinho, sem amigos, amor, blablá, numa escolinha estilo militar. Os personagens são interessantes e você fica com dó, com medo, com aflição, com tudo. Bem escrito, sabe? Aí, você pensa, que historinha bacana. Né? Eu também pensei. Mas o autor do livro é mórmon e, a meu ver, não perdeu a oportunidade pra dar uma doutrinada religiosa legal. Não por ser mórmon, por ser religioso, que não se confunda uma coisa com outra, pra ninguém vir me dizer que eu estou de preconceito com esta uma religião/filosofia religiosa específica.

Nessa primeira história, ter religião não é uma boa. Quem tem é perseguido. E eu fiquei: Rummmmm. Nos livros seguintes, começando por O Orador dos Mortos, a história começa a explorar e debater o tema do relacionamento entre culturas e povos diferentes. Pra mim, do jeito que eu li o livro, a mensagem geral, que eu acho que deve também ser a opinião do autor*, é a de defesa de que missões religiosas são superbacanas e que os povos recebendo os missionários meio que desejam esse conhecimento alienígena (no sentido de ser de fora, não no sentido de ET) para o seu melhoramento. Aí me deu bode. Cada um com seu cada um. Acho que religião, no geral, pode ser benéfica, no sentido do sujeito querer fazer o seu melhor  e ser uma boa pessoa e acreditar que tem uma ajuda espiritual pra isso. Mas, no geral também, o pessoal é muito burro e vira bitolado e extremista e esquece os princípios básicos que eu acho que todas as religiões/filosofias religiosas têm em comum: amor e respeito ao próximo. Detesto pregação. Detesto gente que bate na sua porta querendo te salvar do fogo eterno e, sobretudo, de quem anda por aí com pedra na mão e não vê o cisco no próprio olho. Não gosto de quem tente me converter. Fiquei super de bico com essa coisa de meter religião, desse jeito, nos livrinhos de ficção científica.  Olha, não é que o livro passe essa mensagem da pedra na mão e tal e coisa. Não. Isso é minha pendenga com religião no mundo em geral. Os personagens são bem humanos e têm esse conflito: o que fazer pra ajudar o outro povo, até onde pode ir a interferência? Esse outro povo é "selvagem" ou não? Um tema bem instigante. Mas aí, tarde demais, me deu birra filosófica e parei de ler no terceiro livro da série. Mãs, você, pessoa inteligente, poderá tirar suas próprias conclusões. Já vi que tem os dois primeiros livros, em português, disponíveis no 4shared.

* OSC esteve no Brasil em missão religiosa. Inclusive, ele tenta usar um pouco do português que ele aprendeu, mas dá pra ver que ele esqueceu e que aprendeu português luso e aí eu já fiquei de birra. Se é pra fazer coisa assim, acho que pelo menos deve-se ter o cuidado de pedir a um tradutor ou falante de português que revise a coisa.

9.7.09

Dia 12 - Tô roubando no pacto, mas olha que receita legal

Essa a Palmirinha não conhece. Minha mãe faz sempre e a única coisa que eu faço de diferente acho que é deixar raiz de lotus de fora. Não sei como chama, eu chamo de cozidão japonês de inhame. Porque eu sou muito criativa. Olha que facinho.
 
Numa panelona, coloca água suficiente pra cobrir o tanto de inhame que você quiser cozinhar e tomates cortados em pedaços grandes.
Ioney, eu sou muito sem noçã, o que é inhame? Inhame é tipo uma batatinha peludinha que, segundo a minha mãe,  faz bem pro sangue. Quando descascadas e cruas, elas são branquelas e meio pegajosas, mas depois de cozidas são as coisinhas mais macias que já habitaram suas panelas. A gente descasca tudo e lava e se forem grandes, a gente corta em pedaços menores porque daí demora menos pra cozinhar.
Aí você coloca:
 
  
Hondashi, kombu e tofu age.


Mas Ioney, eu não sou japa que nem você, que ser? Comofas? Ioney, preciso que você seja minha guia no mundo misterioso da comida japonesa que não seja sushi/sashimi e ilumine meu caminho em busca de impressionar as visitas. Tá bom, flor do dia, eu explico. 
Que ser?
  1. Hondashi é um pozinho de peixe pra gente colocar em caldos de cozidos e sopas.  
  2. Kombu é esse tipo de alga desidratada que a gente cozinha. Não é pra comer crua que nem nori.
  3. E tofu age é tofu frito.
 Comofas?

Eu não tenho medida pra nada disso. Ai, Ioney, mas aí fica muito difícil, como eu vou saber?

  1. Hondashi. Vai saber porque você vai começar colocando pouco pozinho, vai experimentar, sem nojo, porque não rola cozinheiro ter nojinho de comida e vai ver se o gosto de peixe tá bom pra você ou ou se quer um gosto mais forte.Aí vai ajustando.
  2. O kombu eu corto em tirinhas mais ou menos finas (mais grossas que um dedo, mas não mais grossas que dois e do comprimento aproximado do meu dedo médio).  Tem gente que reidrata antes de cozinhar. Eu não. Só corto e taco na panela. Tem gente que ãããma: o/ EUEUEUEU! Então eu taco mesmo. Montes. Só cuidado porque elas vão dãr uma crescidinha. Se puser quilos, não rola porque vai ficar aquele cozidão de alga. Mas, Ioney, essa receita tá muito assim por cima, comofas? Faz assim: tenta fazer como eu faço. Eu tento uma vez e ajusto a receita pra próxima.
  3. Tofu age pode vir em forma de cubinhos ou de bolachinhas, que nem da foto. Aí eu corto em pedaços que minha boca conseguirá conter em uma garfada e coloco por último, quando os inhames estiverem quase cozidos.
Resumindo, na ordem: inhames, tomates, água para cobrir os inhames. Shoyu (não sei se todomundo chama de shoyu,  é molho de soja) pra salgar e dar cor (experimenta pra ver se está a gosto). Hondashi. Kombu. Aí põe a coisa pra borbulhar, com tampa fechada. Quando ferver, abre a tampa e abaixa o fogo e coloca o tof age. Né muito simplinho? Também não sei o tempo de cozimento. Inhame é mais molinho que batata e não demora muito. Vou dizer aí... mais ou menos meia hora? Mas Ioney, eu fico meio assim porque, sabe, Ioney, essa receita tá com instruções muito vagas. Olha, eu te explico: quando você espetar o garfo no inhame e ver que está molinho, mas sem desfazer, está pronto. Pra acompanhar, faço gohan (arroz).

Onde tem essa coisarada? Inhame é fácil de achar. O resto dos ingredientes tem em qualquer mercado japonês.

Dia 11 - Ãin

Pulei dois dias, né, de pacto blogueiro. Ontem fiquei em casa, doente, mais da cabeça que com gripe e, juro por JC que hoje eu quase, quase!, mandei torpedo pro tchefe de novo dizendo que não vinha. Mas não posso. Tenho que guardar uns dias de folga pra quando eu estiver à beira de um ataque de nervos. Liguei pra minha mãe no meio da tarde e a gente conversou aqueles papos que me fazem sentir que eu estou lá: o que ela fez de comida, o que a Cuca fez de bonitinho. Achei uma escola de espanhol aqui perto do silviço que oferece aulas particulares. Acho que vou ligar e tentar ir lá amanhã pra ver qual é. É mais caro que esse mocinho de agora, mas se eles forem treinados, melhor, né? É melhor. Mesmo que saia do meu bolso. Marquei cabeleireira pra quarta que vem, porque pra antes só tinha horário de dondoca, e tem que ser com essa uma moça, porque ela pelo menos não me faz chorar. Estou que pareço a cruza de John nos anos 60 com Yoko. Vou ter que ir lá no compromisso de fota e pintar dedinhos da imigração com essa peruca. Muito viciada em jogar Bejeweled, já até percebi que não é muito saudável. Horas! Horas! gastas com esse joguinho só pra ganhar uma medalha de 100K, quando eu podia estar assistindo novela -- Ivone ficou tão feiosa com esse cabelo novo -- ou lendo livrinho em que Benjamin Franklin é aprendiz de Newton e uma catástrofe acontece na Europa.

6.7.09

Dia 10 - Tá difícil

Já pintou o verão, calor no coração, todo mundo saindo de férias (a gente aqui não) e os professores de espanhol foram para não sei onde, provavelmente pra praia também. Aí meu professor veio semana passada...


[olha, até eu estou cansada de contar história do professor, 
mas estou sem assunto e ninguém me sugere nada e eu não sou criativa]


... e trouxe umas coisas que ele traduziu pra mim, daquele material que eu imprimi. O plano era me entregar a tradução pra eu ler em casa e seguir em frente com milhões de expressões que pedem subjuntivo, quando eu tinha pedido pelamordedeus pra treinar verbos irregulares no presente e no passado aplicados às situações da minha vida. Eu não sei qual é a dele. Pra mim é um pouco óbvio que eu tenho que aprender a responder as perguntas que eu estou fazendo, porque eu tenho que entender o que os clientes estão dizendo. Gastamos 5 segundos preenchendo a folhinha com o desenhinho bonito do corpo humano. Nem completei os outros. Aí fomos interrompidos por uma ligação da mãe dele. E ele me contou a história mais triste sobre o irmão dele, que está preso no país dele (acho que é El Salvador, ele me falou rapidinho no primeiro dia, mas eu esqueci) e, portanto, meu professor, que é estudante, tem que juntar dinheiro pra pagar o advogado do irmão, que está lá mofandinho já faz um mês na cadeia. Sem nenhuma prova contra ele. Só uma papagaiada louca da irmã da vítima. Tô procurando outros professores, mas me sentindo a pior pessoa do mundo, com o coração mais peludo. Essa semana ele não vem, mas fico muito tentada a dizer que eu tenho aula mesmo assim e sumir por uma hora antes de dar a hora de eu ir pra casa porque eu realmente estou muito, muito, muito de saco cheio daqui. A voz do tiozão arrogante que grita e conta vantagem me irrita muito, essa piiiiiiiiiiiii desse rádio com a meia dúzia de músicas todos os dias, a falta de responsabilidade do meu tchefe. Mas, né, guento as pontas, e tendo pensar nos prós. Pelo menos eu tenho emprego, pelo menos meu tchefe não é um escroto, pelo menos devo poder ir pro Brasil de novo logo, pelo menos o próximo feriado é em setembro e vai ser prolongado. É assim que eu vivo agora. Contando os minutos pra ir pra casa, com as horas mais arrastadas pra chegar o finde.

2.7.09

Detesto

quando eu mando publicar o que eu escrevi, aí chega no Reader e eu vejo que tem coisa errada. Não adianta mais corrigir aqui, já foi errado pra toodo mundo que lê no Reader. Parece que eu sou duplamente mocoronga.

Dia 9 - Mais mimimi sobre o professor de espanhol

Olha, no geral, segundo minhas observações aqui, ser professor particular é bico. O sujeito fala uma língua e tenta ganhar uns trocados dando aula. Nessas últimas semanas, tenho procurado os anúncios nos classificados online daqui, onde todo mundo anuncia (e, quem sabe, acha) de um tudo. De, digamos, 10 anúncios para aulas de espanhol, uns 7 eram para ter aulas pelo computador. Nada contra. Pode funcionar, mas exige um super planejamento, como eu mesma percebi quando tentei fazer o mesmo (ou melhor, quando tentei dar aulas à distância). Os outros 3 anúncios são de uma pessoa que fez espanhol na faculdade e outros 2 de falantes nativos que se arriscam a falar um pouco sobre a metodologia que vão usar.Aí tem que ser meio a olho mesmo. Contar com a sorte.

Quando eu encontrei esse professor pra ele me falar sobre as aulas, eu já vi que não era essa coca-cola toda. Eu perguntei sobre o método e ele me disse que era o da Ber_li_tz, mas não conseguia me diziar exatamente o que método era esse. Ele me disse que faz 5 anos que está dando aulas lá e que, pra falar a verdade verdadeira, ele só sabe dar aula assim porque foi o único treinamento que ele recebeu. Aí perguntei se ele tinha o material pra eu ver como era, e ele tinha, mas não tinha voluntariamente tirado da mochila pra mostrar pra mim. Aí eu folheei um pouco livro, vi que tinha um monte de transcrição de diálogos e nada do carinha me explicar mais sobre. Perguntei sobre lição de casa e ele disse o óbvio, que seria bom se eu estudasse em casa e que ele me ajudaria com dúvidas. Que eu tinha que fazer 3 horas por semana, no mínimo. E como você vai avaliar como está o meu espanhol? Pra saber mais ou menos o nível? Conversamos em espanhol por uns 5-6 minutos e ele disse que meu espanhol estava ótimo. Expliquei pra ele meus objetivos, com o que trabalho, que tipo de pessoa me procura e tchau. Um pouco superficial talvez? Tudo isso? Já comecei a me perguntar.

Aí vai. Porque o menino mais lindo do mundo me acha negativa e que eu pego no pé de professores, resolvi fazer 2 horas por semana e pagar 4 aulas up front. Mandei um e-mail pro profe, a pedido, dizendo o que eu queria aprender: mandei uns linques pra uns arquivos com um monte de perguntas que o demandante tem que responder quando processa pessoinhas depois de um acidente de carro. Expliquei que  minha necessidade mais imediata é aprender palavras aplicáveis a acidentes de carro e vocabulário médico. Gostaria de revisar verbos irregulares no presente e passado. Ele me responde que não consegui abrir os arquivos e se eu não posso imprimir pra eles. Respondi, meio já de má vontade, que tudo bem, vou imprimir, mas baixei os arquivos e estou te mandando. Aí ele me aparece na aula com uma listinha de verbos especiais e, ouquei, pensei, né, pelo menos ele planejou umas coisinhas, porque ele me mostrou o planinho de aula dele. Aí fomos conversandinho usando os verbos que eu nem queria aprender de fato, mas tá valendo porque é coisa nova, tudo é prática, e ele passou a me falar partes do corpo. E eu tive que sair correndo pra pegar meu trem. Sem nem uma cópia do tal papelito da aula que ele tinha trazido. E me pediu pra estudar em casa? Oi? Eu não tenho cópia do seu material porque você não trouxe pra mim? Corri pra estação, mas antes ainda deu tempo pra ele me pedir pra mandar pra ele uma lista de palavras que eu quero aprender.

Aí ontem fiquei procurando figuras de partes do corpo pra eu completar os espacinhos: tão mais fácil. Imprimi. Escrevi um e-mail explicando de novo pra ele o que quero aprender. Com detalhes. Olha, o cliente vem aqui e ele vai me contar do acidente de carro que ele teve. Ele começa a historinha: estava na pista esquerda da rua tal e parei no farol, mas o carro que estava no cruzamento e virando pra minha rua passou num buraco e deu com a frente no paralama da minha van. Sei lá, inventei lá uma historinha e disse que há toda sorte de variedade, nego sendo atropelado, nego dado ré no carro do outro, furando o farol, nego não parando do sinal de pare, né?, não precisa ter muita imaginação. Pedi pra ele olhar as perguntas, nos tais arquivinhos, de número 1 ao caralhaquatro, com  o perdão da palavra, pra ele se situar. É isso que eu preciso saber porque os clientes vão ter que responder essas perguntas. Mas sério? Precisava? Fiquei pensando que era *ele* que tinha que fazer isso tudo. Não eu. Se fosse o caso de eu fazer uma listinha de palavras, eu faria e pegaria o dicionário e pronto. Nem pra dar uma olhadinha no material que eu dei pra ele? Ou pra dar uma googladinha pra saber o que um advogado que cuida de casos abc, como eu tinha contado pra ele, faz? Acho que todo o ponto de eu ter procurado alguém pra me ajudar se perde quando eu tenho meio que planejar a aula pra ele. Já fiquei virandos os olhos, né?, e o menino mais lindo do mundo dizendo que nenhum professor vai me agradar. Porque eu sempre vou querer que ele use o método xyz e faça talequal coisa. Mas nesse caso, diga pra mim se eu sou muito louca e estou viajando e sendo exigente além da conta. De repente, se mais gente me disser, aí terei que usar o fim-de-semana para uma profunda reflexão sobre mim mesma.

1.7.09

Dia 8 - Aí eu joguei pedra na cruz

E o servidor bichou de vez e todos - TODOS - os arquivos de todos os muitos anos de trabalho do meu tchefe se foram para o além. Não sabemos ainda se dá pra recuperar.  Coitado. Resolveu economizar quando um dos drives se fez defunto e agora. De modo que agora qualquer merreca de carta e cobertura de fax eu tenho que fazer como se nesse mundo não houvesse um exemplinho pra chamar de meu. Isso é pra aprender a não reclamar do ócio. Meu tchefe agora está na fase de urgência de ganhar dinheiro ou de preparar a cama pra deitar daqui a uns meses. E quer protocolar e protocolar e protocolar. Mas cadê as peças? Todas se foram. E quem vai digitar os modelinhos? Te dou uma dica: não vai ser ele. Hoje protocolei uma peça e meu chefe não sabia como que faz citação em outro condado. Tive eu que, super humilde, ouvir da empresinha que a gente contrata pra citar as pessoas. Aí ele diz: ué?, por xerife? Por quê? POR QUE pergunto eu, né?, e não é pra parte da citação, mas pra minha situaçã.

Minha primeira aula com o rapazinho que ensina espanhol foi ontem e, olha, estava um pouco despreparado. Eu sei que é dífícil dar aula particular: pra mim, muito mais difícil que dar aula pra grupo (e olha, tem gente no mundo blogueiro que sofreu com essa dificuldade minha e aproveito pra pedir desculpas: I sucked bad and it was totally my fault). Crio a carapuça e eu mesma visto. Tenho que fazer cópia de qualquer cheque pra um dia, quem sabe, colocar no programinha de contabilidade. O backup dele também não sei onde foi parar porque o computador não quis queimar nenhum dos backups em CD que eu faço todo fim de mês. Joguei pedra mas em seguida fui perdoada, porque atire a primeira pedra, etc., e essa semana tem feriado e vou sair mais cedo hoje pra uma festenha de trabalho do menino mais lindo do mundo. Fazendo colegas, influenciando estranhos e quem sabe, né?, vou ter um futuro sem o garoto de praia*. (Acho que pacto blogueiro não vale no feriado, né?)

P.S. Só quero avisar que eu sei que é cafona escrever coisas com @ no lugar de "a", ou chamar o chefe de tchefe ou garoto de praia. Eu não faço nem um nem outro na vida real. Só faço aqui pro caso do meu tchefe resolver me googlar de novo.

P.P.S. Tô super sentindo a pressão do pacto blogueiro e essa coisa do todo dia. Embora o Rafinha tenha sido deixado pra trás, comendo poeira, tô levando a sério, nén? Mas hoje, por exemplo, já deu pra ver que eu não tenho assunto. Portanto, favor deixar pauta nos comentários! :)