22.5.09

Meus hábitos de leitora

Que eu vi no BloWg e sou copiona.
  • Já fui de ler vários livros ao mesmo tempo. Agora eu tento ler cada um no seu cada um.
  • Eu faço uma pilhinha de livros por começar do lado da cama. Mas quem não faz?
  • Mesmo que eu não goste do livro, eu faço de um tudo pra terminar.
  • Eu tenho um livro autografado pelo Saramago. Apertei a mão dele e tudo.
  • Se eu gosto do que eu leio, eu grifo. O meu "Grande Sertão: Veredas", por exemplo, é todo rabiscado e tem tags: amor, sertão, Diadorim.
  • Eu costumava mandar um e-mail pra um grupo eletrônico com trechos de que eu tinha gostado muito ou com poesia.
  • Tenho medo de não gostar de ler livro de gente de que eu gosto ou que goste de mim. Porque, né, gente famosa ganha/compra livros de outros famosos! ;)
  • Quando eu preciiiiso terminar o livro, mas não tô tão empolgada, eu leio só a página da direita e vou pulando a da esquerda.
  • Eu leio uns capítulos pra frente e depois volto pra onde eu estava.
  • Se o livro é organizado em capítulos em que cada um é focado em um personagem, eu leio os dos personagens de que eu menos gosto antes. Igual comida. Deixo a mais gostosa pro final.
  • Quando eu vou comprar livro de fantasia ou ficção científica, eu começo lendo as críticas; aí tenho outros dois critérios: vejo se o livro é comprido e se tem outros na série. Se não tiver outros na série, eu prefiro que o autor tenha escrito vários outros livros. Porque daí eu sei que vai ter mais e mais e mais coisa legal pra ler.
  • Eu adoro -- adoro! -- cheiro de livro.
  • Não suporto livro com orelha.
  • Pra mim, ler tem que ver com tocar no livro e ficar segurando a página pra virar. E com cheiro, lógico. Ler um livro no computador não é pra mim.
  • Tenho muito amor por dicionários. Às vezes, vou procurar alguma palavra e acabo lendo várias páginas de dicionário.
  • Eu preciso ter um livro pra ler no trem e na hora do almoço. Eu me sinto super pelada se não tenho livro pra ler.
  • Mas difícil mesmo é ir dormir sem ler um pouco (geralmente muito). Muitas horas de sono perdidas para a leitura.
  • Eu releio livros. Um que eu reli várias vezes é o do Miguilim. Outro é o Life After God.

21.5.09

Meu pai

Essa historinha eu escrevi pra levar de presente pro meu pai num Moleskine pequinininho com uns desenhinhos pra ilustrar. Não tirei fotos das figuras. Minha tia, que faleceu faz pouco, tinha me pedido pra escrever uma composição sobre meu pai, já que eu já tinha escrito uma pra minha mãe. Acho que não tem muita graça se você não conhecer meu pai e as manias, as coisinhas que ele faz e as muitas expressões que ele usa. Mas vá lá.

Meu Pai

Um Pequeno Tratado de Biologia

O Corpo Humano

Introdução. O corpo humano do meu velho pai é pequeno. É de se espantar que dentro dele caibam tantas coisas. Quando eu era pequena, eu achava que era muito grande, mas agora nossos corpos humanos são mais ou menos do mesmo tamanho, sendo que o dele encolheu um pouco e o meu alargou bastante. Eu conheço o corpo humano do meu pai desde que nasci. Ele só conheceu o meu quando tinha 43 anos. É muito tempo pra não se conhecer alguém. Dá até uma saudade dele de antes de eu existir. Os nossos corpos humanos habitam este mundo juntamente há quase 32 anos. Esse é um pequeno estudo científico sobre o corpo humano do meu pai.

1. A residência do corpo humano do meu pai. Meu pai mora num mundo que saiu de um livro de histórias. Um mundo velho e que não tem porteira, onde mora o amigo dele, Senhor dos Passos, que tem uma mula peidorreira. Ela às vezes peida n’água pra soltar borbulha. Também tem o amigo Gersinho, que, coitado, depois de uns 20 anos ainda não descobriu que eu não sou uma menina biônica. O corpo humano do meu pai poderia morar em outros lugares, mas não é adaptado aos climas frios.

2. A boca. Meu pai não sabe cantar afinado. A única música que ela acerta é Samariquinha Maroquinha. A boca do meu pai tem um sabiá que mora dentro dela e que sopra em assobio as canções mais lindas. Esse passarinho também ensinou meu pai a fazer biquinho, especialmente quando ele toma café em xicrinhas bem pequenas. O biquinho do meu pai também pode ser utilizado para dar beijinhos. E como o passarinho que assobia ocupa muito espaço, meu pai não consegue engolir comprimidos sem jogar a cabeça pra trás como se fosse dar gargalhadas. Às vezes a boca dele fica suja, como por exemplo quando ele conta piadas.

3. O pulmão. O ar que tinha dentro dele um dia foi pra dentro de um bezerrinho acabado de nascer, no curral. Meu pai soprava na boca dele e acho que eu tinha as mãozinhas no peito, apertando. Meu pai deixou dar um nome pra ele: Beto. Depois ele virou um boizão.

4. A língua. Serve para falar em línguas, como na Bíblia. Meu pai sabe falar, além de português, a língua dos cavalos. Primeiro ele oferece a mão, depois anda devagarinho e daí o passarinho da boca dele assobia um vocabulário todo novo. Meu também sabe falar com jumentos e vacas. Ultimamente, ele também entende a nossa Cuca. Noé ficaria muito feliz em conhecer meu pai.

5. A cabeça. O meu pai tem a cabecinha muito boa e guarda muitas histórias, mas às vezes, acho que ele confunde onde as pernas (de mulher) ficam, porque ele dorme de meia-calça na cabeça. Diz que é para o cabelo obedecer melhor o pente. Para a boa manutenção das funções cabeçais, meu pai precisa de tuqui-tuquis aplicados no mínimo semanalmente. Ele trabalha muito a cabeça dele e exige que todos façamos o mesmo.

6. As costas. Servem de cavalinho para netinhas -- somente as humanas, e não as caninas. As costas do meu pai estão sempre muito estressadas. Elas sempre precisam de um relax.

7. Os órgãos reprodutores. Apesar do meu pai não possuir órgãos reprodutores, porque pai e mãe da gente não praticam o intercurso sob pena de traumatizar as crianças, ele conseguiu se reproduzir. O corpo humano do meu pai misturou um pouco com o corpo humano da minha mãe, que é uma mulher nipo-brasileira moderna do século XXI, e assim, eles tiveram filhotes e minhocas. Eu tenho que agradecer os órgãos reprodutores do meu pai e da minha mãe porque eles fizeram, juntos, os melhores irmãos, os mais docinhos.

8. A barriga. Meu pai não é cuspidor de fogo, mas houve um tempo em que ele engolia carros, especialmente no período noturno. Acho que por isso mesmo a barriga dele é um pouco redonda pra frente. Os principais alimentos que ele gosta de manter dentro da barriga são arroz queimado, salada murcha e pé de galinha. A barriga do meu pai não orna com strogonoff.

9. Os pés. Tiveram bicho quando ele era pequeno. Eles gostam de botinas e recusam a liberdade de chinelos ou do par de sandálias que eu dei pra ele no Natal de 2003. Chutam a gol quando a gente assiste a jogos do São Paulo na tevê e o artilheiro é muito pé frio ou está de salto alto.

10. Os olhos. Fecham bem pesados no meio da novela das 8. É sinal de que ele tem que dormir de imediato.

Epílogo. A melhor coisa do corpo humano do meu pai é quando ele abraça meu corpo humano.

15.5.09

Voltei faz tempo

Mas, né? Eu sou ruim e má e chata e não escrevo nada. Em algum dia dessas últimas semanas, fui pra casa e fiz 32 anos. E o blogue fez , o quê?, 8 anos. Em casa meu pai claro que me abraçou muito e claro que falou sobre a minha banha de maneira não muito delicada. Nem sei porque eu chorei porque eu já sabia que ia acontecer. No dia seguinte a gente fez as pazes. O que demonstra toda a maturidade dos meus anos porque em outros tempos, a gente passaria várias semanas de bico. Minha mãe fez todas as comidinhas mais maravilhosas do mundo pra mim. Que são os abraços dela. Meus irmão são os melhores do mundo. Minhas sobrinhas ficaram instantaneamente vicidas no Nintendo e me escreveram cartinhas de amor. Ensinei meu irmão a usar o Google chat e ele achou o máximo da modernidade. Coisa de Jetsons mesmo. O outro irmão não tem medo de computador. E meus amigos, né? Meus amigos.

Minha Cuca está tão lindinha. Ela ganha um parágrafo pra ela porque ela é minha bebê canina. Minha filhote de monstra. Troquei a ração dela pra uma de salmão. pra ver se melhora a alergia.. Agora ela tem que comer menos de 1 xícara por dia porque a ração não é light. Minha mãe fica de coração apertado porque a fia fica pedindo com os olhinhos o tempo inteiro. Mas se deixar os pugs comem até até. Sem fundo mesmo. Passeei com ela todos os dias, daqueles passeios dela voltar e ficar jogada. Ela fica lá estatelada me vigiando. E deita com a cabeça virada pro quarto se eu vou pra lá ou pra sala, se eu volto. Pra ficar sempre ali na mira. Ensinei a dar a patinha oferecendo pedacinhos de casca de manga. Ela aprendeu em meia hora. Minha mãe acha que ela é canhota, porque não houve como ela aprender a dar a patinha direita. Depois treinou com pedacinhos de tomate ou de pepino ou sem nenhuma comida. Uma gênia.

Os esquilos não comeram os dois dentinhos de alho que eu plantei. A amarílis tem duas folhinhas novas crescendo, finalmente. As mudinhas de tomate morreram na chuvarada. Ainda não plantei os pimentões nem os girassóis. Ontem não tinha nada pra fazer e queria ir embora. Até me ofereci pra levar umas coisas pra uma juíza pra poder andar um pouco. Aí eu andei uns 2 quilômetros e tanto. E o dia não passou nunca e quando passou eu fui ni bar. E tomei umas e comi comida frita de bar, bem quando estou fazendo esforço pra perder peso, caminhando ou andando de bicicleta todo dia e comendo menos e melhor. Hoje o menino mais lindo do mundo e eu vamos almoçar juntos às 12:45. Ele queria que fosse meio-dia e meia, mas se eu vou cedo o dia não passa nunca. O menino mais lindo do mundo acha que eu deveria escrever todos os dias no blogue. Que eu invento desculpas esfarrapadas e que no fundo eu sou preguiçosa. Que se eu escrevesse mais, eu escreveria cada vez mais. Eu lembro de quando eu escrevia historinhas com o André Takeda. De quando eu ia trabalhar no escritório e em vez de trabalhar, eu queria escrever uma coisinha. De quando eu tinha coisa pra escrever todos os dias. De quando eu escrevia coisas engraçadas que sobreviveram ao meu teste do tempo porque eu leio os arquivos e ainda acho engraçado. Mas eu sempre reclamo sobre as mesmas coisas e acabo não fazendo nada mesmo. Preciso pensar em alguma coisa. Ou sentar minha bunda e ficar olhando pra tela mesmo. Pra ver se passa essa inércia. SOS.