31.3.09

Pergunta:

Atividade onírica intensa deixa a gente cansada? Eu tenho pra mim que deixa. Porque eu acordo e já digo não-quero-ir assim que abro os olhos. Ou antes. Porque quero dormir e descansar meu cerebrinho e meu corpo de senhorinha acima do peso. São sonhos ou com histórias de livros de fantasia, com lutinha, espada e cavalo e tudo, ou tomando decisões ou fazendo inventório de conteúdo de sacolas (um livro, uma caixinha de mentas, blablablá, um peixe fresco). Aí eu acordo porque eu não ia misturar livro com peixe. Nunca! Geralmente só tenho esses sonhos cansativos de domingo pra segunda, mas agora andam mais frequentes. Quer dizer, a minha memória deles. Sinto quase como se fosse dupla jornada intelectual/mental. Mas não vou pedir pra não lembrar nunca mais. Porque, embora bem raramente, eu sonho que estou voando. Me dá até uma coisa de lembrar dos meus sonhos quando eu estou voando. Que eu amo e espero ter mais. Aquele impulso que me pega assim na altura do peito e me levanta. Uma das melhores sensações. Houve o tempo também em que eu sonhava com coisas que ainda não tinham acontecido. Nunca era nada que mudasse o destino se. Uma aula na faculdade (eu sonhei com o que o professor estava dizendo sobre determinado assunto). E (já devo ter contado em algum blogue: sou senhora, não lembro) com as meninas que se tornaram minhas amigas de cursinho. Sonhei com a sala de aula tal como era sem nunca tê-la visto, os lugares onde a gente se sentou, e só essas 3 meninas olhavam pra trás, pra mim, em vez de prestar atenção no professor.

30.3.09

Livros que amei (ou não): ouriços e o nariz

Eu digo pra você. Digo, digo, digo e repito. Eu sou chata. Não valho o clique que traz a sua visita. Eu fico com essa coisa de cricri com livros e filmes, que vai me limitando muito na busca do que me agrade. Na busca, não. No encontrar. Como foi que eu criei esses parâmetros inatingíveis? Por exemplo, o filme Happy-Go-Lucky (dirigido por Mike Leigh) de que todo mundo aparentemente gostou. Numa escala de F a A+, dei F. Porque não tinha pé nem cabeça, a história não evoluía nem linearmente nem qualquermente (se havia enredo ali eu não vi), as personagens não me emocionaram (a não ser para desgostar delas) , foi uma coisa de pele mesmo: empatia zero. E eu só não levantei e fui embora do cinema porque me restava a esperança terna no coração de que subitamente tudo faria sentido e eu ia entender a causa da admiração pelo filme. Aí ele foi indicado ao Oscar e eu fiquei com cara de como-assim. E assim é com vários livros/filmes/tudo que me chegam muito-muito bem recomendados.

Aí vou ler o primeiro livro "sério" depois de empanturrar meus momentos livres com historinhas de príncipes que se comunicam telepaticamente com animais e que têm que libertar ou matar dragões presos no gelo.* E vou com tudo porque o livro foi recomendado por quem lê o blogue e li muitas (muitas!) críticas boas. Empaquei nas primeiras páginas. Com o palavrório. Explicando Marx. E achei que fantasia tinha feito mal ao meu intelecto que em condições normais já é claudicante. Pode explicar Marx pra mim que eu não me importo e até gosto. Pode me explicar Demócrito, Kant, Hobbes, (oi, professor Alaor Caffé Alves Filho!) quem você quiser. Porque me interessa e porque eu era muito verde quando tive que ler/estudar sobre isso. Mas achei o palavrório bem desnecessário. Continuei, porém, forte como uma sertaneja, porque, via de regra, comigo é assim: eu demoro pra me empolgar com a leitura mas sigo porque pode ser que.

Em "A Elegância do Ouriço", conta-se a história da zeladora (que o livro chama de concierge) de um prédio em Paris que secretamente é inteligente e culta, mas que tenta agir conforme o estereótipo lhe impõe. Tipo andar arrastando chinela e ver televisão o dia todo. O porquê dela ter que se adequar a esse padrão de zeladora típica é um mistério que vai sendo deixado pra depois. e que quando é revelado em nada convence. Tem também uma menina de 12 anos que é gênia e que se quer suicidar porque ela não consegue encontrar uma razão filosófica e emocionalmente sólida pra viver. As duas tratam o resto das pessoas como suas inferiores, como indignas de qualquer atenção ou até de gentileza sincera, como se fossem meros objetos de estudo (e de espanto).

Elas duas ficam amigas de um senhor japonês que se muda para o prédio e a esperança brota naqueles coraçõezinhos duros. Porque este senhorzinho consegue ver através da carapaça delas e vê que elas são fantasticamente inteligentes e, por isso, valem serem conhecidas. Mas aí eu é que estou sendo injusta (vendo como negativa a razão pela qual ele quer ficar amiguinho) porque pra mim ele foi o personagem mais gostável. Tudo isso é costurado por divagações filosóficas sobre a arte, a vida e o bem que a mim soaram enfadonhas, mas principalmente pedantes. Não nego, entretanto, que concordei com (e gostei de) algumas das idéias da menina gênia (que a gente deve aprender a estar em silêncio, que se deve investigar a si mesmo, em vez de sempre querer algo externo em direção a que devemos nos mover, que mais? Não lembro). Mas acho que esse livro contribui para essa idéia de que certos assuntos ou temáticas são irremediavelmente inatingíveis e que só pessoas com QI superior a X ou com nível cultural e educacional Y devem tratar deles. Fica aquela coisa acadêmica, secreta e elitista, que falha em promover a aproximação com a pessoa média que poderia até se interessar sobre isso ou aquilo, mas que não entende a utilidade ou se sente incapaz de. Mas vai ver essa não é uma razão pra desgostar do livro, já que ele não se propunha a cumprir esse papel. Isso foi só um desdobramento que eu fiz. De repente não é pra eu ficar de bico com esse livro. De repente é pra um público com nível cultural acima do meu -- aqui reconhecendo publicamente minha ignorância, de que não me envergonho. Ou eu é que me endureci e perdi a ternurice. Mas achei que era uma história sobre narizes -- empinados -- mais do que sobre a elegância do ouriço.

*Amei muito, aliás. Bem escrito, a gente se envolve com os personagens, fiquei triste quando acabei de ler a segunda trilogia com o FitzChivalry (The Tawny Man Trilogy). Fiquei triste com perdas de personagens. Com fim que não é totalmente feliz. Com não poder voltar pra casa e ler mais sobre essas pessoas fictícias. Acho que conseguiu me tocar mais que o Elegância. Não é, né?, pra ser profundo e levar a grandes reflexões. Mas é exemplo de uma história bem contada.

19.3.09

Mais

Na hora de escrever minha listinha de 5 conselhos para uma vida melhor ficou faltando muita coisa. Porque eu continuei matutandinho sobre isso. Acho que volta e meia vou colocar outros conselhos aqui. Não porque eu ache que eu tenha que engrandecer ninguém ou porque me considere fonte de sabedoria, mas porque eu acho que é um bom exercício pessoal.

2 em 1: Todos queremos ser felizes e às vezes não tem como se fazer a coisa certa. Muitas vezes a felicidade de um acarreta a infelicidade de outro. Um exemplo bobinho quando alguém perde o emprego, outro alguém vai ser contratado (ou não, né?, como ocorre tão costumeiramente nesses dias de crise). Tantas nuances. Pra dar um exemplo cinematográfico: Pontes de Madison, cê viu? Agora diga que você não torceu pra Meryl ser feliz (mais não conto porque vai que você é o último ser da Terra que não morreu de chorar com esse filme) . Tá entendendo o que tô querendo dizer? E acho mesmo que é certo que a gente tenha esse tantinho de "egoísmo" pra ninguém viver uma vida que é só privação. Assim, ó: eu quero que as pessoas sejam felizes, mas *eu* quero ser feliz (e dá licença). Mas acho que tem que ser "egoísmo da felicidade" com dignidade. Porque mesmo pra tomar uma decisão que vá causar tristeza ou sofrimento a outrem (e inclusive a si mesmo, muitas vezes) há que haver honestidade. Que é o mínimo, embora nem sempre fácil. Mas nem a dignidade nem a honestidade poupam ninguém de sofrimento ou do peso de tomar decisões, nem de lidar com consequências (de fato ou morais). Ou outra: quero que os outros sejam felizes desde que *eu* não me dê mal. Às vezes é a cruz de um lado e a caldeirinha do outro. Há situações em que só há o ruim e o menos ruim. Não tem o fazer-o-bem em estado puro. Quase nunca tem. Nem pra si mesmo. De novo: cê viu Pontes de Madison? Agora me diga qualera o certo. Que é, né?, cinema. E não dói como vida real. Acho que resumindo, seria deseje e haja pra que os outros sejam felizes, mas tente ser feliz você também e quando a sua felicidade for ferrar alguém, tente ser honesto. Ufe. Não tô, né? Não tô conseguindo me explicar. E parece post-sermão, que não é minha intenção. Nem queria me prolongar nesse emanharado de regras morais. Desculpaê.

Lembrei de 1001 Rules for My Unborn Son, mais leve e engraçadinho do qualquer tentativa minha de dar conselhos. Acho que preciso pensar em coisas assim. E hoje li a a lista de coisas que a Lilata deseja pro filhinho dela. Que doce.

P.S. Esqueci meu livrinho de fantasia em casa de manhã e quase tive um treco quando descobri no trem que não ia ter nada pra ler a caminho do trabalho e voltando pra casa. Ou na hora do almoço. Quando cheguei na estação, comprei "The elegance of the hedgehog", que a Raquel me recomendou nos comentários (foi a Raquel, né?). Ãin, vou confessar, hein? Que me acostumei com livro fácil. Que eu tive que reler as primeiras páginas porque a coisa não estava entrando na minha cabeça. Cabeça, aliás, que precisa de descanso. Porque, viu?, eu não sou de errar no trabalho, mas essas últimas semanas... várias coisas. Desde aquele dia do cartão de dinheiros da Starb$cks. E o mais difícil não é nem a reação do meu chefe (que precisa, viu?, de móóóóito pra ficar pê). Sou eu e o perfeccionismo. Ãin.

16.3.09

5 rules for life: um meme?

Não me lembro mais de como fui dar no blogue 5 Rules for Life. É desse blogues que recebem colaboração do público e que eu tenho certeza de que vai virar livro(s), tipo Postsecret. Adoro essa coisa meio voyeur, ler segredos, ver o que os outros têm a dizer. Parece quase uma invasão, parece meio proibido. Não sei bem como traduzir o título do post e do blogue de onde veio, mas acho que serve esse: 5 conselhos pra uma vida melhor (depois de passar quase uma semana pensando sobre isso). Então aqui vão os meus. Não porque eu me ache uma pessoa iluminada e blábláblá. Mas acho que essas são as coisas mais importantes que eu aprendi até hoje. Que venham mais!

Meus 5 conselhos pra uma vida melhor
1. Faça para os outros o que gostaria que fizessem pra você. De uma simplicidade e de uma riqueza! Vale pra tudo nessa vida. É fácil ver se a gente está agindo bem ou mal se a gente aplica essa regra. Eu gostaria que fizessem isso pra/por mim? Gostaria que alguém segurasse meu cabelo enquanto travo amizade com o vaso, totalmente embriagada? Gostaria que alguém fizesse meu jantar quando eu estou só o pó? Gostaria de ganhar uma massaginha depois de um dia trash? Gostaria que dissessem "de nada" em vez de só resmungar um "rum-rum"? E não deve importar se a recíproca é verdadeira (essa parte é mais difícil e às vezes impossível). Mas, por exemplo, a gente deve respeitar o ser escroto que divide escritório com a gente como respeita quem o faz por merecer. Ser educado, atencioso, gentil. Gentileza não deveria ser coisa do passado.

2. Todo mundo é igual. A gente tem a tendência de achar que porque estudou, fez faculdade, ou sabe falar outras línguas, ou não cabulou as aulas de gramática, ou sabe isso ou aquilo, ou é bom nisso ou naquilo é melhor que os outros. Eu mesma julgo muito e tento me fazer lembrar de que isso é bobagem, o que vale é bondade. Há, lógico, situações em que seguir esse conselho é tão, tão difícil. Por exemplo, ninguém quer trabalhar com um coleguinha mais devagarzinho. Que não sabe a diferença entre um arquivo .doc e um arquivo .pdf. Que não sabe criar pastas em um diretório (os exemplos são reais, mas não é minha calega). A gente se apressa a chamar o outro de burro. Acho que todos temos capacidade de aprender. O que falta a alguns é interesse em aprender, o que é menos perdoável. Mas, no fundo, no fundinho, não é isso que conta. O que conta é se a pessoa sabe agir conforme meu conselho nº 1. Porque essas é que vão dar colinho a quem precisar. Ou uma mão e quem sabe o braço.

3. Todo mundo é igual, mas cadum-cadum. Papinho de quem foi/é nãrdi. É, todo mundo é igualmente capaz. Mas cada um tem suas vontades e aptidões. Ser maria-vai-com-as-outras é mais fácil e menos cansativo. Evita desgaste, discussão e briga. Só tenho a dizer que conflito é bom. Quantas e quantas pessoinhas eu já conheci que fazem de um tudo pra evitar um quiprocó. E engolem sapo à toa. Seja bonzinho, mas não seja bobo. Ser diferente é saudável e gostoso. Ter seus próprios interesses e gostos é bom e a gente vai cada vez mais percebendo isso quanto mais longe ficam nossa infância e adolescência. E quanto mais longe ficam as pressões para ceder aos modismos (se bem que). Também não quero dizer que é pra gente se fechar no nosso mundinho de autista e ali ficar (embora seja tão confortável e quentinho). Só acho que individualidade é uma coisa que cada vez mais eu aprecio.

4. Observe e escute. E, se puder, aprenda. Porque eu sou tímida, sempre fui muito observadora. Eu fico entocadinha, só vendo o que os outros dizem e como agem. E funciona que é uma beleza. Em vez de se acometer de verborragia, experimente ouvir. Experimente perguntar em vez de responder. Aí você fica sabendo quem é quem: e faz amigos ou decide que aquele fulano é só legal pro cadum-cadum mesmo. E aprenda. Em vez de já sair cuspindo já-sei-já-sei-já-sei. Porque conhecimento e engrandecimento vêm de lugares inesperados e de circunstâncias blé. Aja como um pesquisador do mundo.

5. Saiba curtir o silêncio e a solidão. Porque é preciso para pra ouvir o que é que você está dizendo. Pra refletir, pensar, apreciar o que se viu/ouviu/leu/fez/observou. Pra essas coisas virarem outras. Pra não virarem só mais um post que você não leu no seu Reader porque tem 1000+ itens a serem lidos (oi, eu! - pra não passar por isso, eu apago várias pastinhas sem ler). Pra não virarem uma foto que você viu no Flickr por um nanossegundo porque tem outras trizilhões de fotos a serem vistas e agora nem sabe mais do que era. Ou praquele mp3 não mofar num canto esquecido do seu HD. Pra que as coisas não virem uma idéia que não vai dar em nada ou, pior, só um recorta-e-cola. Aproprie-se do que lhe é oferecido. Menos é mais. Menos barulho e até mesmo menos informação. Acho que a abundância às vezes causa a angústia do não-vou-dar-conta. Tem muito de tudo no mundo, mas só tem um tantinho que vai caber na sua cabeça. E cabeça, a exemplo do estômago, também serve pra fazer digestão.
Se você resolver fazer uma listinha também, coloque aqui nos comentários ou deixe linque, ouquei?

10.3.09

Livrei-me dos grilhões

que são os livros de GRRM, esses de que falei há pouco. Grilhões que a gente põe com gosto, mãs. Quase que não termino porque a coisa não estava progredindo. E eu queria meus personagens favoritos de volta, mas eles não apareceram ou não tiveram muito destaque. Agora sento-me à espera de que o GRRM termine de escrever o próximo da série. Enquanto isso, vamos falar de novela? Eu só vejo o Caminho das Índias. Vou confessar que a gente grava os capítulos e vejo tudo de batelada. Às vezes nem isso. Pulo uma semana e volto e assisto a um capítulo só. E passo rápido na parte da Índia, que acho por demais aborrecida, com aquela gente falando aquele português esquisito de livro de banca traduzido de língua estrangeira. E as explicações esmiuçadinhas sobre as coisas, para bebês de colo.

Mas as historinhas do Rio, gentê!, adoro aquele moleque que bate em todo mundo e acha que tem um reizinho na barriga, porque tem. Tem tanta, mas tanta gente igual. Que passa o problema pro outro. Como esse da educação. As pessoas já não sabem distinguir o que se aprende em casa (valores e modos) e na escola. E tem aquilo do "estou te pagando", porque é isso mesmo. Desde que alguém receba para fazer algo por aquele dinheiro recebido, tem que deixar toda a dignidade de lado. De parzinho com o "você sabe com quem está falando" /"eu sou um advogado!!!!". Tudo vale. Porque gente se compra ao que parece. Faz tempo virou mercadoria. E eu sou uma tia velha que usa o blogue pra falar isso. E o Raul? Adoro! Porque é aquilo mesmo. De ficar evitativo e alegar confusão e sentimentos que borbulham à luz da lua e precisar colocar a cabeça em ordem e vou agora aproveitar para pensar profunda e filosoficamente sobre o sentido da minha vida e não quero fazer você sofrer. E a coisa tá rolando solta, o couro tá comendo, mas enquanto não se fala sobre o assunto, é meio como se não existisse e não virasse verdade. Mas já é. E essa coisas de esconder e não querer falar sobre a não ser com a outra parte, a terceira do triângulo, é que é bem difícil. Aí a gente viu que ainda bem que a gente que sobrou porque tudo isso foi só desdobramento daquilo outro que nem a gente enxergava e final feliz pra todo mundo. Parece que eu sou rancorosa, mas não sou (muito) . Sou repetitiva, isso sim. É que foi importante na minha vida, porque me fez amadurecer de uma vez. E reajustar desejos (quem, onde, com quem, quando, de que eu sou capaz). Só acho que é meio tema pra Lição pra Hominhos Dummies: não esconda, não minta. É tão pior essa sensação. Pior que qualquer outra. Pior do que saber. Mas o Raul, né?, tem outra história também. Tem a Ivone. Que é tão boa bandida. Tão linda, com aquele guarda-roupa que eu quero todo pra mim. Fica bonita até com aquela cor de batom diretamente saído de, sei lá, Vereda Tropical.

6.3.09

Adoro o microcosmo que é este escritório

Era uma vez... um escritório que abriga vários advogados que não trabalham na mesma firrrrma. Um, por exemplo, é meu tchefe. A pessoa que paga meu salário emprega as seguintes pessoas:
  • eu; e
  • a recepcionista (ele paga 4 meses do ano).
Há outros dois fulanos, que aqui vou chamar de Luis e Luiz, com seus respectivos súditos, que alugam o espaço e os 3 (Luis, Luiz e meu tchefe) subalugam pra outras pessoas. Eu sento num cubículo que dá pra sala do Luiz e do meu tchefe. Do outro lado da paredinha da minha baia, tem a secretária e outro fulaninho, o super puxa-saco que se acha porque fez Direito. E tem outras duas salinhas que também dão pras baias, onde estão 2 adevas, sendo um deles empregado do Luiz. Eles adoram falar alto. A secretária é a moça que eu apelidei de Moça do Rádio. Eu já contei a história, mas só pra recapitular, o rádio dela está sempre ligado, sempre alto, porque ela disse que não dá pra ficar com rádio quando eu pedi pra ela desligar o maldito pelo menos a metade do dia. (eu tentando ser conciliadora). Então ela disse ia tentar deixar bem baixinho, mas que não ia desligar.

Esse pessoal tem um problema muito sério no mundo conectado de hoje, qual seja, eles não sabem fazer uso dos aparelhos de telecomunicação, mais especificamente o telefônico. Eles gritam daqui pra lá e de lá pra cá e quando usam o telefone, usam o mesmo tom de voz. Quer dizer: é o rádio, é a Moça do Rádio (MR) batendos os dedões com toda a força no teclado, enquanto eles todos gritam um com os outros ou com clientes e etc. em ligações. Essa é minha vida aqui no escritório.

Antes da MR, trabalhava aqui a D. Ela era rápida e chegava antes da hora e estava sempre de bom humor. Por outro lado, ela chorava cada vez que o Luiz, o chefe, dava mancada, ou seja, constantemente, porque ele é a pessoa mais... incrivelmente megalomaníaca e, não há outra palavra pra descrever: escrota, que eu já vi. Ele liga pras pessoas e fala: "Alô, aqui é o Luiz da Silva. Eu sou um advogado!". Ele fala o tempo in-tei-ri-nho: quando não está falando das coisas INCRÍVEIS que ele tem/comprou/fez/viu/tocou/ouviu falar, ele está batendo boca com clientes ou outros adevas e gente de companhias de seguro. Batendo boca mesmo. De chamar os outros de burro e tudo mais. Porque ele é adeva, os outros não são.

Voltando à D. Ela tinha combinado com ele que o horário ia ser flexível, porque ela queria poder ir pra casa curtir o filho, blablablá. Ela lembrava desse combinado, mas o Luiz esqueceu totalmente. Em seguida ela teve umas dores de cabeça e teve que ir ao médico e ficar em casa e nesse meio tempo o Luiz resolveu entrevistar outras pessoas pelas costas da D. Como eu sabia? Eles gritam, eu ouço. Eu, bobinha , querendo ser correta, achando uó o que ele estava fazendo, e querendo ser boa pessoa, disse pra D. ficar esperta e começar a procurar outra coisa. D., mais bobinha que eu, ligou pro Luiz e perguntou, super descontrolê, se de fato ele já estava entrevistando pra vaga dela. Chorando, gritando, botou até o marido pra falar com o Luiz. Quem poderia ter contado pra ela? O adeva que tinha acabado de começar ou o puxa-saco que trabalha do outro lado da paredinha que agora se acha porque também é adeva? Ou eu? Ele perguntou, ela não respondeu, mas era óbvio.

De modo que o Luiz veio tirar satisfações comigo, meio que tentando me fazer confessar que tinha sido eu a avisar a D. E que ela era louca de sanatorinhos e que ele a tinha despedido por esse motivo e porque ela chegava tarde e saía cedo e esse filho de quem ela tinha que cuidar, e blablablá e que ele entendia que eu tivesse corrido a fofocar pra D. , porque éramos amiguitas, insinuando, por fim, que ia falar com meu tchefe a respeito e que podia rolar até demissão. Eu, firme e silenciosa, fiz cara de Monalisa e fui falar com meu tchefe, que me defendeu. Meu tchefe é boa pessoa. Luiz em seguida foi falar com meu tchefe pra ver se ele sabia de alguma coisa, já que eu não tinha dito que sim nem que não. E em seguida Luiz pediu audiência comigo pra pedir desculpas e vamos fazer as pazes e almoçar essa semana, ao que eu respondi não, obrigada, valeu, mas não. Né? Vai catar coquinho. Agora ele tem meio que medo de mim. Porque eu não chorei, não esperneei, nem bati palmas, nem fiquei entusiasmadíssima pela atenção, e não quis ficar melhores-amigos-pra-sempre. Só pedi distância.

Isso tudo é só o pano de fundo pra história do microcosmo. Trabalhar aqui é que nem ler um livro de fantasia em que as pessoas fazem alianças e depois as traem. Tem lutinhas e tem intriga. Um fala mal do outro pelas costas e todo mundo finge ser melhor amigo de tudo mundo, enquanto todos puxam o saco do rei Luiz. Eu só escuto. Bufo um pouco. Fico incrível com a natureza humana. Chega de querer ser legal. De fazer o que é correto. E chego à conclusão de que certa estou eu em não falar com ninguém. Só sorrio (bem de vez em quando), quando me pedem ajuda pra alguma coisa eu sou solícita, mas é só isso mesmo. Como diria um amigo meu, trabalho não é um lugar pra se fazer amigos. Eu realmente tive muita sorte e conheci pessoas sensacionais em vários estágios e escritórios por onde passei. À custa de ter ouvido de penico e engolir muito desaforo porque tem muita gente de má fé também nessa vida. Então era essa a pequena história que eu queria contar que deixa essas bonitas mensagens no final: coisas ruins acontecem a pessoas boas; a maioria das pessoas só atende a seus próprios interesses e vai tentar prejudicar mesmo que não leve vantagem nenhuma nisso.

5.3.09

Uma Canção de Gelo e Fogo

Eu sou que nem uma princesa. Não sinto a ervilha embaixo do meu colchão na minha coluna, mas coloco protetor auricular (pra o despertador não me dar um ataque do coração quando começa a apitar ardido talequá alarme de incêndio) e máscara (pro sol/luz não me acordarem antes da hora). Logo depois desse ritual de privação dos sentidos, eu deito no meu lado direito e encaixo na conchinha com o Menino Mais Lindo do Mundo. Em seguida eu esfrego os meus pés frios nos dele, geralmente quentinhos. Dali a pouco eu tenho que dormir olhando pro teto e, em seguida, começo a pensar nos personagens da história e no que eu acho que vai acontecer, enquando o MMLM já terá começado a roncar. Muitos e muitos minutos depois, eu sonho com a história em forma de filminho. Ontem mesmo sonhei que eu era um personagem (inexistente na história) que queria ser comandante do muro que separa o norte do resto do reino. Eu era um homem que teria que escrever um documento analisando 5 anos de acontecimentos no muro pra poder concorrer ao posto. The end.

Até agora todos os livros que eu li de fantasia são bem Gorpo (o bem vence o mal):



Mas esses não são. Conforme a história vai progredindo, os personagens também. E o que no princípio parecia bem simples vai ficando cada vez mais complicado. Não tem quem seja só bonzinho e só malvadão. Vai indo e você começa a entender quais as motivações pras atitudes que os personagens tomaram. Os personagens também são gente como a gente e tem cenas de gente fazendo número 2, cenas de séquiço e as descrições de algumas das lutinhas é bem... crua. E como tem personagens! Tem até apêndice com todos os nomes e, lógico, como bom livrinho pra nãrdi, tem um mapa do reino pra você acompanhar as movimentações (mas o mapinha não é muito detalhado e há vários lugares citados que eu não consegui encontrar). São várias subtramas que vão se desenrolando, mas que fazem parte da trama maior e cada capítulo é contado sob a perspectiva de um ou outro personagem e vão se alternando. E lógico que dá uma certa preguiça de ler certos capítulos quando é uma parte da trama pela qual você não se interesse muito ou personagens com cujo santo o seu não bateu. Eu amei, amei, amei O Senhor dos Anéis, mas agora não consigo saber se prefiro essa série à trilogia. Fico com essa dúvida no fundo do meu coração.

Li o livrinho amarelo, o roxo e o azul e agora comecei o vermelho. A boa notícia é que você vai ficar querendo mais e mais porque é bem escrito mesmo e não é bobo (como, por exemplo, The Belgariad era) e vai ter mais e mais porque os livros são bem compridos. Tem muita intriga e você fica torcendo pra princesa se dar bem e não ter que casar com o fulano feio e chato ou pra que o tiozão não morra porque ele é do Bem. A má notícia é que o autor do livro ainda não terminou o próximo da série (que na Amazon está prometido pra setembro desse ano, mas duvido) e depois desse que ele está escrevendo acho que deve ter 2 mais. E o GRRM não é assim um jovem moçoilo, então o povo tem medinho dele desencarnar, como fez um outro autor de fantasia, e deixar a história por contar. Pra você ter uma idéia, o primeiro livro da série é de 1996, então dá pra ver que a coisa vai e vai e vai e sabe lá quantos anos eu vou ter quando finalmente ler o último da série. O autor tem um blogue em que, óbeveo, os fanáticos postam comentários esdrúxulos falando que ele tem que parar tudo pra se dedicar somente ao livro e deixar de trabalhar em outros projetos e ter vida própria e querer, sei lá, tirar férias (!!!!!). Quem sabe eu não vá me tornar uma dessas?

Ah. Procurei na Livraria Cultura pra ver se tinha em português. Estão todos esgotados, mas havia traduções em português de Portugal. Imagina que supermassa deve ser ler essas coisas em português de Portugal. Era uma vez, eu tinha um livro do Douglas Coupland em pdP. Era ótimo e eu amava. Vou querer trazer comigo quando for ao Brasil. A dica é procurar no 4shared ou encomendar na Amazon se o dólar não estiver alto. Não se paga imposto sobre livros no Brasil, então você só vai ter que pagar pelas despesas de envio. Dá pra organizar vaquinhas com os colegas e fazer um pacotão!

3.3.09

Já vi que é impossível querer ser anônima

Num blogue que vai mudando de endereço, mas que tem o mesmo nome faz quase 8 anos. Vi que uma alma boa googlou meu nome completo lá na Federal do Paraná. Aliás, quem sois que me conheceis? Mas corrigindo uma falha minha (apaguei o nome da minha mãe de um dos posts e logo que o G*oogle varrer o blogue com os robozinhos de novo, deve desaparecer) e tirando um outro blogue que me cita, só resta uma menção num artigo da Época, de milênios atrás, mas sem o nome inteiro do blog e levando a um linque antigo. A esperança é a última que morre, né?

(Ou... como seria mais prudente, simplesmente não escrever nada que possa ferir os sentimentos ou a reputação alheios. Tira super a graça do blogue. Se souber de outra forma de reaver minha quase anonimidade, não se cale.)

Alô, galera de caubói! Alô, galera de peão!

Eu não aguento essa música. O coisinho de ver se a gente escreveu as palavras certinho ainda me diz que aguentar tem trema. Já que todo mundo falou sobre a reforma ortográfica, eu vou falar também. Acho besta. Acho tão desnecessária. Assim como, por exemplo, um americano entende quando um britânio escreve "colour" em vez de "color", um brasileiro entende um português quando este escreve "ideia", e por aí vai. Língua é expressão cultural e eu fico um pouco aflita com essa tentative de normativamente querer homogeneizar essas coisas. Eu acho que em cada país falante de português a língua se transformou de maneira diferente, incorporando ou deixando de lado palavras, mudando a ortografia e a gramática e o modo com que as pessoas se relacionam com a língua. Né que a "minha pátria é a língua portuguesa"? A minha é a língua portuguesa do Brasil. Por isso que eu choro por dentro quando cai o trema e quando não tenho que acentuar idéia. Do mesmo modo como eu vou morrer por dentro quando a passar a vogar que escrevamos "vc", "mt" e "bgd". Porque isso vai acontecer, né, pessoal? Um dia vai. Enfim, acho que por algum tempo, mas espero que não pra sempre, eu serei que nem meu pai: ainda lhe escorregam uns circunflexos em "eles".

Faz um frio mortífero. Ontem nevou -- mas eu vim trabalhar, firme e forte. Meu tchefe aceitou o cartão que eu comprei pra ele, mas disse que era absolutamente desnecessário: todos erramos, inclusive ele, mas obrigado por achar que importa. Aí, óbvio, ele esqueceu o cartão aqui e hoje não veio. Há toda uma história sobre ele e como se relaciona (ou não) com assiduidade, mas tenho medinho de contar porque a internet é um lugar muito perigoso e estranho, em que eu googlei meu tchefe e ele me googlou antes de eu vir pra entrevista, há quase 2 anos, de modo que não quero associar meu nome completo a esse blogue e a a ele não me refiro em perfis dos orkuts da vida. Mas quem é mais das antigas saberá quem eu sou.

Eu fico embolada na cama lendo meus livros de fantasia e vou dormir pensando nos personagens. No que eu acho que vai acontecer. Sonho filminhos da história.

P.S. Mãe, ontem o Menino Mais Lindo do Mundo me pediu pra explicar pra ele como é que faz caldo verde e fez quase tudo sozinho. E hoje eu tenho uma marmitinha, mas esqueci de trazer pão pra molhar na sopa.