27.2.09

Olha no que dá a imersão em outra língua:

Do meu próprio blogue! Vergonha! Muito humilhada mesmo. Porque eu sempre achei que se o Universo não ia fazer de mim uma autora de sucesso e talento, ao menos teria me dado a bênção da boa gramática. Tirei de um texto sobre um dos livros que eu li. Arrepie comigo:
Você se une a pessoas com quem tem algo em comum e esse elo faz com que cada um dos membros desse grupo hajam aja não só para benefício próprio, mas para o do grupo todo.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIII. Sincopei. Mas só fazer coisas em inglês não é desculpa nenhuma. É pra tomar vergonha na cara e prestar. mais. atenção.

Aliás, esqueci de colocar uma audiência na agenda do meu tchefe, ele perdeu a audiência e não é o fim do mundo, mas ele preferiria ter resolvido a questã de outra forma. Liguei pra ele e: "F*ck, Ioney!". Ele sempre usa palavras de baixo calão, mas gente, nunca nunca nunca que eu esqueci de botar algum compromisso importante na agenda. Comprei um cartãozinho da Starb*cks com uns caraminguá pra ele comprar café e coloquei na mesa dele com um pedido de mil perdões e a promessa de prestar. mais. atenção.

Outra coisa que eu lembrei da Cuca:

Ela não entende "passa" ou "sai". Não. Isso é muito ríspido. Ela não responde a rispidez. Cuica é toda meiguice. Ela é polida. Ela é pheena. Ela é lady. Pra ela deixar a gente passar, sentar onde ela está no sofá, tirar a cabeça de dentro da geladeira quando a gente vai pegar alguma coisa, ou parar de pedir laranja com as patinhas no nosso joelho, tem que dizer: "Licença". Tem que falar: "Cença". Foi esse o tipo de educação que eu dei pra minha cuquinha.

Eu sou muito bocó

Já contei que eu fico olhando perfis de cachorrinhos pra adotar nos abrigos por aqui. Eu gosto de pug, gosto de Boston Terrier e de buldogue francês, de cachorrinhos com carinha amassada, olhinhos pidonchos de botão e cara de por favor. Olha a cara da Cuca na fotinho lá em cima no blogue. Olha essa carinha de pelamor que ela está fazendo. Cuca também é assunto preferido da minha mãe. Que se não põem o quanto de ração no pote que ela está acostumada, ela olha e late. Que eles ensinaram a Cuca a latir quando pedem pra ela falar. Que quando ela está quase desmaiando de tédio, ela vai cutucar as pernas do meu pai pra ir passear um pouco. Eu digo pro Menino Mais Lindo do Mundo que ela é de fato inteligente. Ele não acredita muito em inteligência canina. A cuca sabe que "sol" é onde está quentinho de manhã cedo, mesmo quando o sol vai mudando de posição e entrando por janelas diferentes conforme a estação do ano. Ela sabe que "meinha" é qualquer meia. Ela sabe que "ossinho" é qualquer daquelas coisas que têm o mesmo cheiro e não só um em particular. Ela aumenta o vocabulário quando ganha brinquedos novos porque tem a bolinha, o monstro, cada qual com um nome diferente. Ela sabe "fazer carinho", porque eu ensinei que é dar lambidinhas na nossa mão. E eu sei que tudo isso é muito aborrecido pra você porque é que nem ler "Marley e eu". Olha o que a minha cuquinha faz! Olha como ela é esperta e engraçada e boa de fofar e de ter no colo e embaixo da coberta em dia de frio. Quem tem um cãozinho pra amar (e pra ser amado) sabe tudo isso. As fofices se repetem, não tem muita novidade no mundo canino.

Ah, mas gente. Até meu herói do mundo literário, o Saramago, cuja mão já apertei e que autografou um livro meu, fez piadinha com o Obama e o cachorro de água português que quer adotar. E escreveu sobre o amor que tem pelo seu Camões.
"Com a passagem do tempo, a questão perdeu interesse: caniche ou cão de água, o companheiro de Pepe e Greta (que já se foram ao paraíso dos cães) era simplesmente o Camões. Os cães vivem pouco para o amor que lhes ganhamos e Camões, final depositário do amor que dedicávamos aos três, (....)".
Eu disse pra minha mãe, no telefone: ó, mãe, olha: as cucas vivem uns 14 ou 15 anos. A gente ainda tem muito pra aproveitar de cuquice.

25.2.09

É fantasia, mas não é a ilha

Hein? Hein? Sacou? Só sacou se você tem por aí uns trintinha. Se tiver menos que isso, acho que não vai saber quem eram Mister Roarke e o Tattoo (que lógico que eu achava que eram Mister Rorque e Tatu, porque eu pensava com cabeça de 8 anos). Fiquei com vontade de ler livros de fantaisa porque eu vi indicação no que a Pacamanca lê. Desconfio que ela se chame Letícia, mas nunca me viu nem gorda nem magra nem com qualquer outro atributo físico e que acabou de ter nenê (parabéns! pro caso de vir cair aqui). Eu contar toda a história de como fui parar lá e os blogueiros do Rio, incluindo como ninguém sabia o que era blogue e eu tinha que ficar explicando e como o meu blogue era uma coisa, assim, brega, triste, feia e completamente desinteressante e como só me lia quem era meu amigo. Mas muito meu amigo. Era uma vez, maio está quase aí e faz quase 8 anos que eu existo na internéti. O bom é perceber que depois desse tempo todo, continua a mesma coisa com a diferença de que nem os meus amigos lêem, mesmo porque não há nada de novo.

Voltando. Comecei a ler porque foi uma das recomendações no Pacamanca. Recebi o segundo volume pelo serviço de aluguel de livros (que eu parei de assinar porque eles pisavam na bola, como mandar o 2º volume antes do 1º, mas já estou pensando em assinar com um outro site) um pouco antes de ir passar a semana do Natal com a família do Menino Mais Lindo do Mundo. Pouco antes = um dia antes de ir. Chegamos ao aeroporto, muito tempo pra matar, fomos dar uma olhadinha na livraria que, pequenininha e bem ao gosto de público que só lê em avião, não tem nada nunca (neguei três vezes, cê viu?, agora quatro -- eu sou nãrdi e fico reparando nessas coisas). Mas dessa vez tinha o primeiro volume. Fiquei incrível, porque eu achava que fosse assim uma coisa meio obscura só pra os mais nãrdis do nãrdis. The Belgariad tem 2 volumes: o 1º vem com 3 livros e o 2º com 2. Depois, segui com a continuação, que não é obrigatória, The Malloreon. Eu nunca pensei que ia gostar de livros com dragões, mas mordi a língua. Embora eu ache que nenhum livro realmente precise de dragões. Comecei a ler antes do Natal e fui indo e indo e indo, um dia de cada vez, muito viciada mesmo, até quase 1 mês atrás, quando comecei a ler A Trilogia Farseer, também por sugestão de Pacamanca. (Eu coloquei alguém acento que foi abolido nesse texto até agora? Me avisa, tá?). Fora o fato de haver dragões, cada capítulo é uma miniaventura (acertei com a nova regra?) e os problemas que deveriam ser supermedo são resolvidos pá-pum, embora não sejam. É a narrativa que faz com que pareça. E tem várias partes que são assim: vou buscar lenha, vou fazer fogueirinha, como estou fedido e preciso de banho, não consigo dormir, vamos comer pão com mortãndela e um naco de carne (que, afinal, cumpre um papel: de aproximar o leitor do personagem). É bem Sessão da Tarde mesmo e,m ainda que divertida, é literatura bem chã e rasa. Ainda assim, fiquei muitos dias falando sobre a Tia Pol, sobre o Garion, sobre os deuses e a pedra do Mal e a da Bem pro MMLM.


Aí eu descobri o infindável mundo dos livrinhos de encadernação porcaria e capa cafona (dá uma olhada em todas as capas nessas figuras, dá até vergonha) que custam US$7,99 e que na Amazon a gente encontra na promô de compre 4 e pague 3. Tem uma infinidade de livros nessa categoria e era tudo com que eu sonhava. Porque eu não ligo se o livro é bonito. Eu ligo é que seja barato, caiba na bolsa e eu queira ler. Fui sapear as coisas na Livraria Cultura pra ver se os títulos existem em português e quase sincopei aqui mesmo com o preço ridículo dos livros. Fez-me ver o quanto meu pai era muito generoso mesmo. Porque não dava nada de marca pra nós, não deixava a gente comprar nada de modinha (nem roupa, nem disco, nem brinquedo), mas, pelo menos pra mim, a última da prole, ele confiava um limite de x moedas brasileiras pra eu ir à livraria (eu ia de bicicleta) e trazia as sacolas no guidão) e comprar um monte de livros.

Esses livros da Robin Hobb são bem mais interessantes. Os personagens são mais bem elaborados, mas claro, você sabe pra quem ter que torcer (bem versus mal). A história do reino Farseer e dos perigos ao reino é contada em primeira pessoa pelo filho bastardo de um dos príncipes. Como dá pra adivinhar pelos títulos, ele é treinado pra ser um assassino para o rei. Aí tem um mundo de intrigas palacianas, de debates morais e pessoais, de tipos de magia diferentes. É bem descritivo também, mas a história é mais bem contada. Fiquei fã e comprei mais livros do gênero. O bom é que geralmente os livros vêm em série, então tem muito material. E assim terminou a história de como a menina do didentro ficou ainda mais nãrdi.

23.2.09

Eu sou a única pessoa que não gostou de "Quem quer ser um milionário?"

Excluindo o menino mais lindo do mundo? Estarei eu velha e cricri e imune à beleza do mundo? De vez? Já me perguntei tantas vezes isso nesse blogue. Não sei se eu deveria explicar onde estava esse tempo todo de sumiço (pensando se deveria ou conseguiria voltar, se tenho assunto -- obviamente não --, se quero ir pro wordpress, essas coisas).

A coisa aqui tá brava, não tem emprego mesmo e quando tem, tem 2.658 pessoas competindo pela vaga (geralmente pra ganhar miserê e trabalhar meio-período). Mas não pra mim, que eu tô aqui no trabalho, numa segunda-feira de Carnaval, num lugar do mundo em que Carnaval é tipo nada, é só uma piadinha num episódio dos Simpsons ou uma bandinha que toca um arremedo de música brasileira. Ontem até assisti um pouco do desfile do Rio. Com aquele samba que (não era a Clara Nunes que cantava?) que gosto. Tal é o banzo que se sente. Até as coisas chatas ficam legais. Mas desfile é mesmo legal(zinho). Aquela bateria, deve ser coisa de louco ouvir aquilo de perto. Essa novela da Índia, há coisa mais lenta que essa novela da Índia? Fiquei duas semanas sem ver e voltei e a única coisa diferente era a Ivone já estar com o Raul. A Sílvia é tipo a senhorinha da novela passada, cujo nome agora não me recordo. A que ficava no final: "Como eu fui buuuuuurrrra, modeus", porque os bandidos sempre enganam os bonzinhos bobos. Eu não consigo gostar de Glória porque ela é a favor de pena de morte, embora eu entenda os motivos que ela tem. Fico super de birra. Eu continuo gostando de Saia Justa.

Fora isso eu tenho em mim uns 20 quilos que não me pertencem mas não conseguem achar o proprietário de direito. Eu queria ser magra como eu quando eu cheguei, mas acho que não tem cabimento também, porque eu estava com meu peso de adolescente (quantas vezes eu já falei sobre isso aqui?). Eu queria ir pra academia (cof), mas tem que pagar sei lá quantos duzentos dólares pra poder pagar só um pouco por mês. Porque eu sei que andar é bom pra mim mas não faz efeito, né?, assim pra ficar menos baloufinha. Dá até vergonha de voltar pro Brasil. Que eu sei que o meu pai vai bater nas minhas costas e falar isso mesmo: "Tem que se exercitar, minha filha! Tá virando uma pata choca!". Tanta meiguice, nén?, nessas sábias palavras de pai. Meu pai é vovozinho. Tipo década e meia mais velho do que os outros pais das pessoas da minha idade. Ele sabe bater papo no Gchat. Ele sabe mandar e-mail (mas coloca data no corpo do texto e digita no Word antes, pra poder formatar que nem se fosse máquina de escrever). Minha mãe chama e-mail de site. "Vai ver se tem site da fia", ela diz. Não dá, né?, é muita fofice. Ela gosta quando eu ligo e eu digo: "Mãe, essa semana fiz bobó, que eu achei mandioca congelada no supermercado. Eu fiz aquele cozidão japonês de inhame e fiz charuto". Ela ama. Que eu faça as receitas dela pra matar saudade dela e de tudo.