13.8.09

Dia 20 - Livros que amei (ou não): Encontros e despedidas

No Brasil, publicado como O Ano do Pensamento Mágico. Minha amiga Milena e eu, no auge de nossa infelicidade quase adolescente, tentando entender a vida tal qual ela seria quando nos tornássemos adultinhas, costumávamos ir à 2001 e pedir ao Clóvis que nos indicasse filmes pra chorar. Eis o que esse livro não é: de fazer chorar. Não é brega, açucarado, meloso, nem de autoajuda. Se fizesse chorar, talvez você se sentisse melhor, porque é muita coisa que entra desde seus olhos até a sua cabeça, apesar de ser um livro curto. Pra mim, especialmente, porque tem a história da minha irmã. Não é um livro de leitura fácil: não só pelo tema, mas também porque a autora é uma escritora daquelas, das de verdade, que lêo horrores e só faz isso da vida, escrever (e ler) e que trabalha em casa, num escritório, e que vai citar, sei lá, Rilke, como se fosse a coisa mais natural do mundo. O que eu quero dizer é que pode parecer pedante. E talvez seja. Mas tem mais.

Num sábado abafado, deitei-me placidamente na cama e me arrumei com o travesseiro novo de látex que eu ganhei do MMLM, que é assim, o melhor repouso para minha cabeça cansada, e li The Year of Magical Thinking quase de cabo a rabo numa sentada só. Tive que pedir água num certo momento porque não é dos assuntos mais leves. Esse livro examina minuciosamente a dor da  autora quando a vida dela muda num instante, ao se sentar pra jantar. É sobre memórias, sobre perda e luto e sobre o que fazer da vida da gente quando ela muda assim, sobre a resistência que a gente sente quando tem que enfrentar o inevitável e imutável, a ausência de alguém que sempre esteve ali, que sempre estaria, mas já não está. O que a gente faz de tudo que já foi e do que já não virá?

Hoje googlei sobre ela e o livro e tive notícias mais tristes sobre o que veio depois do livro na vida dela e quase chorei. Fiquei ali na beirinha de chorar. Vi a foto dela e pensei, gente, como vai ser, como foi que essa senhorinha que parece que é feita de papel vai continuar escrevendo, tendo prazer na vida. 

7 comentários:

  1. Li o primeiro capítulo e me prendeu...talvez pq esteja na tpm o choro quase veio...pra quem quiser ler de grátis tem no www.4shared.com...é só colocar o nome da autora no search...

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  2. Também li o primeiro capítulo e fiquei sem ar. Difícil de comentar... Bjs

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  3. Lilian, depois me conta o que achou.

    Kryx, você também vai ler?

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  4. Ô, fia, não faça mais isso, não. Facilite minha vida. Tenho comprado livros demais (que vou empilhando alucinadamente em cima do criado mudo; qualquer dia despenca tudo na minha cabeça enquanto durmo). Li o primeiro capítulo deste aqui e fui fisgada, agora vou ter que comprar! :P

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  5. Li este livro logo que foi lançado. Minha sogra havia sofrido um derrame (e sobrevivido) e a tensão foi grande. Natal e Ano Novo no hospital e todo tipo de etc. Chorei o livro inteiro, mas sei que foi por conta da situação. O livro é dolorido. Mas sóbrio.
    abraço, Rosana

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  6. Lys, dá uma olhada no 4shared antes de comprar. Quem sabe esse não vai ser o livro que vai inaugurar a nova fase de livros que te impressionam?

    Rosana, entendo muito. Eu também choraria, lendo todas as coisas que a gente faz e pensa depois que alguém de quem a gente gosta muito/ama falece, especialmente quando contadas tão bem. Mas acho que não é de fazer chorar. A gente chora porque é um assunto delicado, não porque o escritor manipulou nossos sentimentos.

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  7. Concordo com você, chorei porque era a hora. Não me senti manipulada em nenhum momento. Foi "apenas" identificação total com a autora. O texto dela não falta não sobre. abraço,

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