11.8.09

Dia 18 - Toda uma admiração pela minha mãe, porque eu vou te dizer:

como é difícil variar cardápio! Minha mãe sempre me perguntava, quando eu sortuda e preguiçosamente vivia sob as asas da melhor cozinheira do mundo, o que eu queria pro jantar. Eu sempre dizia que tanto fazia, super achando que estava ajudando e abrindo um leque de mil possibilidades que iam conjuminar dentro de 3 ou 4 panelas na cozinha. Ocorre que dizer tanto faz é igual é receber tema livre de redação ou poder conversar sobre qualquer coisa nesse mundo na aula de espanhol. Agora imagina o que é ter, sei lá, uns 40 e poucos anos de cozinhação nas costas e pensando no que vai fazer amanhã pro almoço, hoje pra janta e se todo mundo vai gostar. Mãe = superheroína.

Quando eu me mudei pra cá, eu introduzi umas comidinhas novas que o Menino Mais Lindo do Mundo não fazia em casa: temakis, misoshiro, namatamago, cozidão japonês, arroz e feijão, refogado de escarola/couve, caldo verde, caldinho de feijão (que eu já expliquei como faz), polenta, charutos, farofa, quibe de forno, peixe inteiro assado. Mesmo assim, não tem muita variação no que a gente come. A gente sempre faz: bifinhos de porco, linguiças delícia do Wholefoods, bolo de carne ou almôndegas, o tal do peixe assado, salada de macarrão, várias vezes a gente só faz arroz, feijão e legumes, a tal carne de panela e kebabs. Ontem meu irmão, o Binho, que me deu a ideia genial de ir lá abordar estranhos na frente do prédio pro qual a gente quer se mudar, me ajudou com umas receitinhas fáceis pra variar um pouco. Então, aqui vai mais uma receita.

Ensopado de peixe facílimo do Binho

Escolhe o filé de peixe branquinho que você quiser, já limpo. Fiz com bacalhau fresco, mas pode ser o que você quiser. Amassa uns alhos e esfrega no peixe. Passa um sal e pimenta (eu usei pimenta caiena) e esfreguei também um pouquinho de azeite. Deixa os filezinhos descansando.

Numa panela, a gente vai brincar de fazer andares de coisas. Um andar de pimentão, tomate e cebola, tudo cortado em rodelas grossinhas. Se não lhe apetecem os pimentões, ignore-os. Joga um pouquinho de sal e pimenta e um tantiquinho de azeite. Nesse ponto, já vai dar tempo de você ir buscar os filés, porque demora um tanto pra cortar os legumes. Aí você deita o filé nesse berço esplêndico de legumes e cobre com um cobertorzinho de legumes de novo. Sal, pimenta, azeite. Peixe. E outro cobertorzinho de legumes. Coloca em fogo baixo (o Binho falou médio, mas eu fiz em baixo) e tampa a panela. Dali a pouco os legumes vão começar a soltar água e tudo vai cozinhar nessa água mesmo. Quando tiver formado um caldo, experimenta e vê se está gostoso ou se está faltando sal. Aí dá uma aumentada no fogo, coloca no médio. Deixa lá no fogão até tudo ficar bem cozidinho, lamba seus beicinhos e faça seu prato. Mas Ioney, como que eu sei que o peixe está cozido? Você cutuca o filé e vê se está maciinho e quase desfazendo. A gente fez arroz basmati (tipo indiano) pra acompanhar. É um pouco docinho e ornou muito bem. Né simplinho?

Eu usei 1 quilo de peixe, umas 6 cebolas (super pequenas), e montes de tomates (uns 8), que também eram bem pequenos e não esses tomatões de salada. O Binho não falou, mas eu piquei coentro e coloquei quando já estava quase pronto.

A surpresa é que seguindo esse mesmo fabuloso método, com pouquíssima alteração, você faz moqueca, que é bom pra impressionar as visitas. O que vai ser diferente é que você vai colocar cação em vez de qualquer peixe e uma garrafinha de leite de coco. Aí não coloca tomates como se nunca mais fosse comer tomates na vida, porque eles soltam muita água e vão fazer o caldo ficar aguado e sem graça. Capricha na pimenta dedo-de-princesa. Né bom? Saber duas receitas em uma? E outra: no dia seguinte fica mais gostoso e mais apimentado.

* * *

Voltado à minimovelinha do prédio e dos percevejos e tudo mais, prepare seu coraçãozinho que bate ansioso por notícias. Seguindo o conselho do Binho, a gente foi pra porta do prédio e falamos com 5 pessoas no maior esquemão cara-de-pau oi-tudobem-vocêmoraaqui. Todas elas disseram que moravam lá fazia anos e que estavam satisfeitos, embora não assim a ponto de soltar fogos de artifício e tomar guaraná champanhe. Um deles teve problema com camundongos logo que se mudou, mas a manutenção resolveu a coisa rapidinho. Outra contou que realmente entraram em alguns apartamentos, mas que parece que foi só naqueles cujos moradores esqueceram de trancar as duas fechaduras. Outro disse que teve um vazamento e eles consertaram em uma semana. O outro falou que o ar condicionado nem sempre é deliciosamente geladinho. Nenhum falou nada sobre percevejos. A idéia geral era de que o prédio era bom. Excelente não dá pra ser, mesmo porque o condomínio tem cento e vinte apartamentos e não tem um batalhão de empregados. Deu pra gente se acalmar e resolvemos que vamos mudar, sim. Oba! Agora vamos começar a comprar o que a gente precisa.

8 comentários:

  1. Ai que bom que não era tão ruim quanto vcs estavam imaginando! Fiquei feliz por vocês!

    Posso abusar e pedir a receita do quibe de forno?? Não tem pressa nenhuma...só quando sobrar um tempinho aí!
    Um beijão, Re

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  2. Ufa, que alívio esse desfecho para o apartamento! Quando li o outro post, fiquei imaginando aquelas cenas de filme de suspense com casas mal-assombradas e vizinhos suspeitos de crime, sabe? ;) Que bom que deu tudo certo!

    Criatividade para a cozinha é coisa de heroína mesmo. Minha mãe não é muito criativa, mas como cozinha bem, Je-sus! Criativa é a Fezoca, né? Eu nem ligo muito para culinária, mas fico pirada com aquele blog lindo dela. Dá vontade de fazer todos os pratos. Até parece que eu tenho esses talentos. Peixe inteiro assado não faço mais. Que trauma. Meu último dava tristeza de comer. Um peixe lindo com gosto de nada. E bolos? Os meus não crescem de jeito nenhum.

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  3. Renata, quero saber se gostou depois. E me manda uma das suas receitas também :)

    Lys, mas a Fezoca está em outro nível de culinária, né? Eu ainda estou no Palmirinha II, ela está no Chez Panize IV.

    Não sei como você faz seu peixe assado. Mas a gente faz assim: peixe sem ser em filés, inteiro, mas já limpo. Faço uns cortes transversais dos dois lados do peixe e coloco alho amassado com sal nos buraquinhos dos cortes e também dentro do peixe. A gente também coloca alecrim. Mas pode colocar o que você quiser. Cobre o peixe inteirinho com alumínio e põe pra assar. Abre pra dar uma douradinha, se quiser, quando já estiver quase pronto.

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  4. Eu gosto de histórias com finais felizes (e culpo a Disney por essa minha predileção. Porque quando eu era criança pequena lá em Barbacena, lia muito Andersen. E o Andersen não poupa pequenas sereias não! Ele as transforma em espuma do mar!).
    Que bom que tudo deu certo!

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  5. Eu faço esse peixe com leite de côco, mesmo que não seja cação. Fica bonzão!!!

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  6. Mas só isso e o gosto entranha no bicho? O meu só ficou com gosto por fora; por dentro, gosto de papel rasgado, como diria meu avô. Você rega com azeite? Põe limão? Details! Details! Acho que você está superestimando meus conhecimentos cculinários!

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  7. ChuDeve ficar mesmo. Não precisa ser cação. Em casa (da mamãe), sempre foi, though.

    Lys, eu passo azeite sim. Não precisa ser muito. E salpico sal. Quando fizer os cortes, faz bem fundos, de modo que (quase) atravesse de lado a lado. Aí entucha o alho, salpica o sal, coloca o azeite. Por dentro, coloca tudo isso mais manjericão. Aí embrulha bonitinho e põe no forno. Vai fazer aguinha de cozimento e quando estiver cozido, você abre pra secar um pouco. Pode colocar limão, mas eu ponho no final.

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