2.7.09

Dia 9 - Mais mimimi sobre o professor de espanhol

Olha, no geral, segundo minhas observações aqui, ser professor particular é bico. O sujeito fala uma língua e tenta ganhar uns trocados dando aula. Nessas últimas semanas, tenho procurado os anúncios nos classificados online daqui, onde todo mundo anuncia (e, quem sabe, acha) de um tudo. De, digamos, 10 anúncios para aulas de espanhol, uns 7 eram para ter aulas pelo computador. Nada contra. Pode funcionar, mas exige um super planejamento, como eu mesma percebi quando tentei fazer o mesmo (ou melhor, quando tentei dar aulas à distância). Os outros 3 anúncios são de uma pessoa que fez espanhol na faculdade e outros 2 de falantes nativos que se arriscam a falar um pouco sobre a metodologia que vão usar.Aí tem que ser meio a olho mesmo. Contar com a sorte.

Quando eu encontrei esse professor pra ele me falar sobre as aulas, eu já vi que não era essa coca-cola toda. Eu perguntei sobre o método e ele me disse que era o da Ber_li_tz, mas não conseguia me diziar exatamente o que método era esse. Ele me disse que faz 5 anos que está dando aulas lá e que, pra falar a verdade verdadeira, ele só sabe dar aula assim porque foi o único treinamento que ele recebeu. Aí perguntei se ele tinha o material pra eu ver como era, e ele tinha, mas não tinha voluntariamente tirado da mochila pra mostrar pra mim. Aí eu folheei um pouco livro, vi que tinha um monte de transcrição de diálogos e nada do carinha me explicar mais sobre. Perguntei sobre lição de casa e ele disse o óbvio, que seria bom se eu estudasse em casa e que ele me ajudaria com dúvidas. Que eu tinha que fazer 3 horas por semana, no mínimo. E como você vai avaliar como está o meu espanhol? Pra saber mais ou menos o nível? Conversamos em espanhol por uns 5-6 minutos e ele disse que meu espanhol estava ótimo. Expliquei pra ele meus objetivos, com o que trabalho, que tipo de pessoa me procura e tchau. Um pouco superficial talvez? Tudo isso? Já comecei a me perguntar.

Aí vai. Porque o menino mais lindo do mundo me acha negativa e que eu pego no pé de professores, resolvi fazer 2 horas por semana e pagar 4 aulas up front. Mandei um e-mail pro profe, a pedido, dizendo o que eu queria aprender: mandei uns linques pra uns arquivos com um monte de perguntas que o demandante tem que responder quando processa pessoinhas depois de um acidente de carro. Expliquei que  minha necessidade mais imediata é aprender palavras aplicáveis a acidentes de carro e vocabulário médico. Gostaria de revisar verbos irregulares no presente e passado. Ele me responde que não consegui abrir os arquivos e se eu não posso imprimir pra eles. Respondi, meio já de má vontade, que tudo bem, vou imprimir, mas baixei os arquivos e estou te mandando. Aí ele me aparece na aula com uma listinha de verbos especiais e, ouquei, pensei, né, pelo menos ele planejou umas coisinhas, porque ele me mostrou o planinho de aula dele. Aí fomos conversandinho usando os verbos que eu nem queria aprender de fato, mas tá valendo porque é coisa nova, tudo é prática, e ele passou a me falar partes do corpo. E eu tive que sair correndo pra pegar meu trem. Sem nem uma cópia do tal papelito da aula que ele tinha trazido. E me pediu pra estudar em casa? Oi? Eu não tenho cópia do seu material porque você não trouxe pra mim? Corri pra estação, mas antes ainda deu tempo pra ele me pedir pra mandar pra ele uma lista de palavras que eu quero aprender.

Aí ontem fiquei procurando figuras de partes do corpo pra eu completar os espacinhos: tão mais fácil. Imprimi. Escrevi um e-mail explicando de novo pra ele o que quero aprender. Com detalhes. Olha, o cliente vem aqui e ele vai me contar do acidente de carro que ele teve. Ele começa a historinha: estava na pista esquerda da rua tal e parei no farol, mas o carro que estava no cruzamento e virando pra minha rua passou num buraco e deu com a frente no paralama da minha van. Sei lá, inventei lá uma historinha e disse que há toda sorte de variedade, nego sendo atropelado, nego dado ré no carro do outro, furando o farol, nego não parando do sinal de pare, né?, não precisa ter muita imaginação. Pedi pra ele olhar as perguntas, nos tais arquivinhos, de número 1 ao caralhaquatro, com  o perdão da palavra, pra ele se situar. É isso que eu preciso saber porque os clientes vão ter que responder essas perguntas. Mas sério? Precisava? Fiquei pensando que era *ele* que tinha que fazer isso tudo. Não eu. Se fosse o caso de eu fazer uma listinha de palavras, eu faria e pegaria o dicionário e pronto. Nem pra dar uma olhadinha no material que eu dei pra ele? Ou pra dar uma googladinha pra saber o que um advogado que cuida de casos abc, como eu tinha contado pra ele, faz? Acho que todo o ponto de eu ter procurado alguém pra me ajudar se perde quando eu tenho meio que planejar a aula pra ele. Já fiquei virandos os olhos, né?, e o menino mais lindo do mundo dizendo que nenhum professor vai me agradar. Porque eu sempre vou querer que ele use o método xyz e faça talequal coisa. Mas nesse caso, diga pra mim se eu sou muito louca e estou viajando e sendo exigente além da conta. De repente, se mais gente me disser, aí terei que usar o fim-de-semana para uma profunda reflexão sobre mim mesma.

6 comentários:

  1. talvez eu seja suspeita pra falar pq eu tb fui prof de idiomas, mas to achando esse seu professor muito folgado, despreparado e desinteressado. como assim não te levou cópia do material? não consegue abrir os arquivos que vc fez o FAVOR de mandar pra ele? incompetência define.

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  2. desinteressado.
    eu nunca dei aula, mas super me empenharia em ajudar meu aluno.
    gente, existe google. não custa, néam?

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  3. Veja o lado engraçado: vai ver ESSE é o método dele. Se vc ensinar a ELE o q vc quer aprender, aí é q vc aprende mesmo. :•D

    Mas falando sério, pode ser q ele teja perdido com a especificidade de tua necessidade. Talvez vc possa usar esse prof não pra ver vocabulário novo mas pra praticar vocabulário e situações.

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  4. Mas, gente, inicialmente, e mais urgentemente, eu preciso aprender a falar sobre situações em que os clientes estão envolvidos. Se ele não tem ideia do que está fazendo, porque é mais específico, ele nunca fez, acho que seria mais honesto pedir um tempo pra se preparar. Super entenderia.

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  5. Ah, Ione, eu acho que você tá certa. Afinal, a aluna é você, né? O cara não entendeu isso, ao que parece...

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