10.7.09

Dia 13, sexta-feira: Joguinhos e selvagens

Sexta, meu dia 13. Mas eu não ligo porque, inclusive, 13 é meu número preferido. E, se eu correr e não tiver nada pra fazer hoje ou chegar em casa disposta, ainda dá pra alcançar o post do dia 14 do pacto que o Rafa quebrou faz tempo. Porque ele é ocupado e eu sou ociosa. É a verdade dos fatos. :(

Aí na barrinha da direita, praquelas pessoas que ainda chegam ao blogue de fato e não só leem pelo Reader, tem uma caixinha que mostra os livros que eu estou lendo. Se quiser, tem uma lista, bem incompleta, do que eu li nesses últimos anos. Não escrevo críticas lá, mas se você se interessar por algum livro, pode me perguntar e eu te falo o que eu achei. 

Como eu sou do contra, eu não achei Ender's Game essa coca-cola toda. Eu li, até o fim, até fiquei viciadinha. Pra falar a verdade, eu até gostei do livro. Mas não achei genial. Gostei o suficiente pra continuar lendo os outros livros da série (acho que parei no terceiro) e acabei mudando de opinião sobre tudo. No primeiro livro, lançado no Brasil como O Jogo do Exterminador, pela Devir Livraria, Andrew é um menininho gênio que é separado da família para ser treinado para lutar lutinhas intergaláticas e salvar os humanos da ameaça de um povo alienígena insetóide. Em busca da pessoa mais gênia e com melhor personalidade para as lutinhas, o governo permite o nascimento do Andrew, o terceiro na fila de 3 filhos, todos supertodotados, e quando ele cresce, lá se vai ficar sozinho, sem amigos, amor, blablá, numa escolinha estilo militar. Os personagens são interessantes e você fica com dó, com medo, com aflição, com tudo. Bem escrito, sabe? Aí, você pensa, que historinha bacana. Né? Eu também pensei. Mas o autor do livro é mórmon e, a meu ver, não perdeu a oportunidade pra dar uma doutrinada religiosa legal. Não por ser mórmon, por ser religioso, que não se confunda uma coisa com outra, pra ninguém vir me dizer que eu estou de preconceito com esta uma religião/filosofia religiosa específica.

Nessa primeira história, ter religião não é uma boa. Quem tem é perseguido. E eu fiquei: Rummmmm. Nos livros seguintes, começando por O Orador dos Mortos, a história começa a explorar e debater o tema do relacionamento entre culturas e povos diferentes. Pra mim, do jeito que eu li o livro, a mensagem geral, que eu acho que deve também ser a opinião do autor*, é a de defesa de que missões religiosas são superbacanas e que os povos recebendo os missionários meio que desejam esse conhecimento alienígena (no sentido de ser de fora, não no sentido de ET) para o seu melhoramento. Aí me deu bode. Cada um com seu cada um. Acho que religião, no geral, pode ser benéfica, no sentido do sujeito querer fazer o seu melhor  e ser uma boa pessoa e acreditar que tem uma ajuda espiritual pra isso. Mas, no geral também, o pessoal é muito burro e vira bitolado e extremista e esquece os princípios básicos que eu acho que todas as religiões/filosofias religiosas têm em comum: amor e respeito ao próximo. Detesto pregação. Detesto gente que bate na sua porta querendo te salvar do fogo eterno e, sobretudo, de quem anda por aí com pedra na mão e não vê o cisco no próprio olho. Não gosto de quem tente me converter. Fiquei super de bico com essa coisa de meter religião, desse jeito, nos livrinhos de ficção científica.  Olha, não é que o livro passe essa mensagem da pedra na mão e tal e coisa. Não. Isso é minha pendenga com religião no mundo em geral. Os personagens são bem humanos e têm esse conflito: o que fazer pra ajudar o outro povo, até onde pode ir a interferência? Esse outro povo é "selvagem" ou não? Um tema bem instigante. Mas aí, tarde demais, me deu birra filosófica e parei de ler no terceiro livro da série. Mãs, você, pessoa inteligente, poderá tirar suas próprias conclusões. Já vi que tem os dois primeiros livros, em português, disponíveis no 4shared.

* OSC esteve no Brasil em missão religiosa. Inclusive, ele tenta usar um pouco do português que ele aprendeu, mas dá pra ver que ele esqueceu e que aprendeu português luso e aí eu já fiquei de birra. Se é pra fazer coisa assim, acho que pelo menos deve-se ter o cuidado de pedir a um tradutor ou falante de português que revise a coisa.

4 comentários:

  1. Eu nunca usei Reader. Pra mim, perde a graça, que é entrar no blog, ler, ver os outros comments, as respostas...

    Eu tô lendo "As Horas", da Virginia Wolf. Antes dele, tentei "tudo se ilumina", do Jonathan Safran Foer. Nem curti. Foi um dos poucos livros que desisti mesmo de ler. "/

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  2. Já eu amo meu Reader, mas eu gosto também de ir aos blogs de fato.

    Pera, "As Horas" é aquele livro que virou filme, em que um dos personagens é a VW, não é? Que tem conexão com o "Mrs. Dalloway". O primeiro, eu li e não gostei, mas adorei o filme.

    Do Jonathan Foer, achei o segundo livro que ele escreveu bem mais legal.

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  3. A nova edição da Devir para *Orador dos Mortos*, o livro 2 da Saga de Ender, resolveu os problemas do português que Card usou no seu livro. Vale conferir.

    Quanto ao mérito da questão, religião ou não religião, na figura do Orador dos Mortos Card cria uma "religião" não proselitista, despida de todo aspecto teológico, retendo apenas o aspecto social/comunitário. Não é defesa da religião, mas análise do seu papel na formação de uma comunidade. Vale a pena ler com a mente aberta.

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  4. Roberto, pra mim o problema não foi religião. Pra mim o problema foi a discussão do conceito de "selvagem", de sociedade "atrasada" ou "avançada". Acho que sobretudo foi a coisa de querer dizer: sim, essas pessoas dessa outra sociedade/cultura estão sedentas por esse conhecimento que essa outra sociedade lhes vai dar. Você só é "civilizado" se seguir as regrinhas da turminha que chegou no planeta depois.

    No mais, a história é interessante.

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