30.6.09

Dia 7 - Mimimi

Meu tchefe vai me pagar aulas de espanhol. Marquei com o professor e encontrei com ele ontem na Starb*cks em vez do escritório, pro caso dele ser um psicopata. Não era. Ele usa metodologia da Ber_li_tz (alguém já estudou ou deu aula lá? E sabe como é?). Um cliente reclamou que meu espanhol era fraco e eu contei pro meu tchefe, que disse que já tinha ouvido essa reclamação. Fiquei com vontade de mandar o cliente tomar no coo porque, né?, vai ser desagradável na casa da mãe joana. Eu expliquei pro cliente que eu sou brasileira e que me esforço com o pouco que aprendi sozinha. E mais do que dificuldade com o espanhol, tive dificuldade com o modo confuso que ele me explicou as coisas. Porque ele partiu do pressuposto de que eu soubesse coisas sobre o emprego dele só porque estavam na cabeça dele (isso me acontece de vez em quando: começo a conversa já da metade). E me explicou as coisas bem mais ou menos e parecia que eu era burra/não entendia o que ele dizia em espanhol.

Meu tchefe quis comparar o espanhol dele ao meu. Aí fiquei mais poota ainda. Parece que eu tô querendo contar vantagem e dar uma de inteligentona: nooooossa, autodidata!, sabe tudo! Eu sei que meu espanhol portunhol vai melhorar muito se eu tiver com quem falar e que vá corrigir meus erros e me ensinar muuuuuito vocabulário. Mas não dá pra o Beto Marc@ querer comparar o que ele fala com o que eu falo.  Olha. Ele quer formar uma clientela de falantes de espanhol, e põe anúncio no jornal dizendo que vai ser o representante da comunidade latin@. Pra falar qualquer coisa no telefone, ele me chama porque ele não consegue entender ou falar meia dúzia de palavras, ou seja, quem entrevista cliente e fala com cliente e manda cartinha, quem é? Eu dei (DEI) um livro pra ele estudar um pouco, ficou lá jogado por meses, peguei de volta. Corrigi vááááários modelos de cartas e coisas assim que tinha sido traduzidos com  BabelFiiish (que, gente, não funciona: tem que ser gente pra fazer tradução, tem que saber contexto e uso).

Quase falei pro meu tchefe ir peidar n'água também. Mas aí pensei melhor e resolvi pedir pra ele me pagar as aulas. Porque quando eu encher o saco definitivo do jeito garoto de praia dele, levo comigo meu espanhol. Aliás, estou bem perto de encher. Mas estou tentando pensar nos prós, só. Ignorar os contras, porque o mar não está pra peixe. De modo que começo hoje minhas aulinhas, depois de determinar que o professor não é uma ameaça à vida em sociedade.

9 comentários:

  1. Meu meu foi professor da Berlitz durante nove anos. Que que cê quer saber?

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  2. Qualé a eficácia do método, se como professor ele gostava e via os alunos progredirem, essas coisas. Disserte. :)

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  3. Já me fizeram perguntas parecidas, então vou mais ou menos colar aqui o q já disse a outras pessoas:

    ¿Qual é a eficácia do método Berlitz?
    A mesma de qqer outro método: zero.
    Foi na Berlitz q criei a frase lapidar "Não é o professor q ensina: é o aluno q aprende." Eu dizia isso pros alunos, pra ver se eles se tocavam e começavam a estudar racionalmente.

    ¿Como professor, vc gostava do método?
    Não. É um método estímulo-resposta mecânico e antiquado. Daí q, se o professor seguir o método, vc só aprende se tiver na cabeça um Pentium e 40Gb de HD. Mas se o professor for inteligente, ele vai usar o livro da Berlitz apenas pela seqüenciação de pontos a praticar. Além disso, muito professor Berlitz diz q é/foi de lá pra conseguir aluno particular e depois
    (se for inteligente) constrói a aula usando o bom-senso.


    ¿Via os alunos progredirem?
    Não. Todo mundo notava q 6 meses depois de entrar na Berlitz, alunos vindos de outras escolas regrediam. Isso era por três motivos:
    • o método em si não ajuda; é um assunto atrás do outro e o aluno não tem oportunidade de refletir sobre o q ele acabou de ver;
    • o sistema de aulas na escola é péssimo: eles rotacionam os professores, então vc nunca tem duas aulas seguidas com o mesmo; claro q se vc tiver aulas particulares com apenas um ex-Berlitz, isso não acontece;
    • a Berlitz não exige lição de casa, então poucos fazem (daí minha frase lapidar).

    Ter aulas de espanhol com esse ex-Berlitz tem suas vantagens.
    • é espanhol, q não é tão difícil;
    • a seqüenciação de pontos no livro Berlitz até q é boa, embora essencialmente idêntica à de qqer outro bom livro (essas coisas são meio padronizadas);
    • a eficácia de qqer aula depende do professor; se esse cara é bom, ele é bom em qqer método; e se ele procura alunos particulares, deve ser porque vê sua profissão com uma certa seriedade -- ou seja, não é um bico.

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  4. Permafrost, obrigada pela resposta detalhada.

    Há métodos e métodos, né? Por exemplo, acho que dá pra concordar que método gramática-tradução não é lá muito eficaz e dá-se preferência e algo mais participativo, com mais comunicação, blablablá, a língua que muda e etc., mas essencialmente, você tem razão: aluno é o mais importante.

    Esse professor já disse logo de cara que não sabe fazer de outro jeito: que recebeu treinamento na Berlitz e só. Ou seja, ele nem sabe que existem outros métodos.

    Eu fico achando que eu pego no pé dos professores particulares porque eu fico me lembrando do quanto é difícil (pra caceta) caçar material e programar atividades legais e que tenham a ver com o conteúdo. Aí a coisa começa a não rolar (todo um mundo de detalhes, depois conto num post só pra isso) e eu encasqueto e paro.

    Mas, enfim, obrigada de novo por responder. Bom saber sobre o método Berlitz.

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  5. "método gramática-tradução não é lá muito eficaz"

    Engraçado vc dizer isso pq foi quase exatamente assim q aprendi inglês. Além de gramática e tradução, estudei fonética. E outra: aprendi sozinho, com dicionário. Eu lia livros em inglês com um dicionário inglês-português ao lado (de onde tirei a pronúncia), e usei uma gramática pra fazer exercícios. Resultado: sou uma das comparativamente poucas pessoas no Brasil com um Cambridge Proficiency grau A.

    Não se subestime. Gramática: vc ainda vai ter uma.

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  6. Eu dei aula na Berlitz por dois anos. A explicação que o Permafrost deu está bem, bem completa. Eu recebi um treinamento pesado antes de começar a dar aulas, tipo imersão na metodologia. E aí, desde a primeira aula que dei lá, eu não usei o método puro. Porque é sabido que a eficácia do método depende de como o aluno aprende melhor. Eu, por exemplo, não funciono com o método Berlitz. Porque é baseado em repetição oral, entre outras coisas. E eu preciso escrever, preciso ler coisas que me desafiem, preciso fazer exercícios. E sei que muitos, muitos alunos também precisam. Recentemente eles reformularam todo o material, dos níveis 1 ao 8. Ficou melhor, mas falta conteúdo. Digo, tudo é meio superficial e você tem que seguir um "pace" para que não se exceda o pacote de aulas que o aluno comprou.

    Eu saí de lá porque depois de dois anos, já tinha aprendido bastante e adquirido muita experiência, tanto com o que dá certo quanto o que não dá. Sempre fui honesta com meu coordenador, de que eu sabia que o método puro não funcionaria em todos os casos, então eu levava coisas extras. E ele não brigava, mas isso é meio que proibido. Porque eu levava muita coisa extra, eu era conhecida por ser a professora das coisas extras. Levava música, mudava as atividades dos livros, pulava tópico besta, acrescentava coisas aos tópicos legais e, polêmica das polêmicas, levava SIM exercícios de prática de gramática. Impossível ensinar present perfect apenas oralmente. Aluno PRECISA de prática. É essencial.

    Acho que o fato do professor ter dito que só usa esse método conta muitos pontos contra. Ele poderia usar o "communicative approach" como base e mesclar muitas outras atividades a partir do seu interesse. É isso que eu faço, dou somente aulas particulares há quase dois anos e vejo resultado. Um dos motivos d'eu sair da Berlitz, além da remuneração, é que eu via alunos no nível 8 falando "did you went to the cinema?". Isso, pra mim, era a morte. E não havia muito o que fazer porque rolava essa rotação de professores. Algumas turmas conseguiam ficar um semestre com um professor só se pedissem muito e justificassem, e quando eu ficava mais tempo com as turmas eu via evolução, porque era possível dar continuidade ao trabalho e também era possível mesclar atividades e etcs.

    Escrevi demais, mas eu tenho muito a dizer sobre isso tudo. E entendo que você pegue no pé dos professores: você já foi uma e acaba sendo mais exigente mesmo.

    Em tempo: eu aprendi Inglês mais ou menos da mesma maneira que o Permafrost, sozinha. Mas eu usava somente músicas. E traduzia e cantava. Aí comprei o famoso "English Grammar in Use" e fazia umas lições às vezes. Por isso que eu não acredito em uso de somente um método e por isso que eu não quero tão cedo voltar a dar aulas em escolas: eu sei que é possível aprender de várias maneiras diferentes.

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  7. Permafrost e Chu e todo mundo acompanhando as discussões:

    As pessoas são diferentes e aprendem de maneiras diferentes. E, mais, têm mais ou menos motivação.

    Eu aprendi inglês ouvindo disquinhos e lendo os textos transcritos, e vendo filmes e seriados. Nunca aprendi as regras de gramática, de uma forma organizada, a não ser quando tive que começar a dar aulas. Pra mim, os padrões gramaticais da língua eram bem evidentes. Acho que a única coisa que eu realmente estudei foi uma listinha com os verbos irregulares (aquele com infinitivo, passado e particípio). Só passei a me preocupar com as regras e saber dar nomes aos bois quando comecei a dar aulas.

    Quando me refiro à ineficácia do método de gramática e tradução, refiro-me à média dos alunos. Nesse conjunto, há toda sorte de pessoas, que aprendem mais fácil ou rapidamente com uma ou outra metodologia. Do jeito que eu recebi treinamento pra dar aulas, e que eu acho que faz muito sentido, o mais legal, para grupos de alunos, é planejar atividades que envolvam diferentes habilidades. Muito verdade. Tem gente prefere resolver probleminhas da língua que involvam lógica, outros gostam de música, outros gostam de escrever, outros de ler, alguns são ótimos ouvintes, e por aí vai. Outros gostam de tudo um pouco, por que não?

    O espanhol tenho aprendido da mesma forma que aprendi inglês. Mas, como fui muito menos exposta à língua, não alcancei o mesmo sucesso. Tenho estudado gramática e gosto, não tenho nada contra. Ao contrário, eu adoro. Mesmo porque sempre gostei de gramática na escola. Tenho ainda muitas lacunas em espanhol porque nunca tive que usar. As pessoas entendem, mas não quero só que elas entendam, quero falar muito bem. Dá pra aprender sozinha? Dá. Mas acho que ter uma pessoa pra me ajudar e pra conversar comigo só vai trazer benefícios. Melhor ainda se ela souber o que está fazendo.

    Esperteza pra línguas não é todo mundo que tem. Dá pra aprender como Chu, como Pemafrost, como eu, e de várias outras maneiras. Não é todo mundo que está disposto ou acha legal se agarrar a um livro gramática e ler dicionário. Não é todo mundo que simplesmente enxerga certos padrões ou que aprende ouvindo música. Aprender língua é como qualquer outra coisa: há gente que acha fácil, tem gente que acha difícil. Tem gente que a gente tem levar pela mão, tem gente que curte o estudo independente. Mas, no geral, e para a média das pessoas, há métodos que são mais eficazes. Por exemplo, se o método não pede estudo independente, começo a duvidar dele.

    E por aí vai.

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  8. OI tudo bem,bom estou vendo que nao esta muito segura com o metodo de seu professor, sim voce quiser posso te dar uma aula demonstrativa, eu sou colombiana e professora, dou aulas presenciales e on-line.meu e-mail e elizabeth12br@yahoo.com.br.
    Fico no aguardo.Mil desculpa pelo meu portunhol.

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  9. Confesso que aprendi Inglês na marra morando na Nova Zelândia onde fui fazer uma pós. Não tive opção. Tive que aprender. Pra mim não existe nada melhor do que a imersão (não somente língua mas também linguagem e cultura). Admiro aqueles que são auto-didatas. Com certeza nenhum método é por si mesmo de EXCELÊNCIA ABSOLUTA. Abraços.
    www.janderkns.wordpress.com

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