23.6.09

Dia 2: Os Zecas (da novela) da vida

Sempre começo o dia lendo o blogue da Mary W. Que eu já falei pra ela que é o melhor blogue pra ler antes de começar a trabalhar. E semana passada ela contou a história sobre as aluninhas que copiam texto do Yah** Respostas na prova e que depois botam banca de "você sabe com quem está falando?". Tenho um cansaço infinito, sabe? Dessa confusão. De gente que acha que está na faculdade ou na escola ou no instituto de línguas pelo diploma ou certificado e que não entende qual é o ponto de todo o percurso pra chegar até lá. Cansa.

Era uma vez, eu dava aulas nessa escola de línguas. Que eu amo muito porque tudo o que eu aprendi sobre dar aulas de inglês eu aprendi bem e aprendi lá. Voluntariei aqui como professora e não passei apertado com o treinamento que eu tive nessa escola Mas nem de longe: só tenho elogios. Mas voltando. Minha primeira turma. E aquele medo. A primeira aula não era de inglês, era de como encarar o curso. Cheia de atividades pras pessoas discutirem o processo todo. E aí chegava lá um ponto em que as pessoas tinham que debater se era verdadeiro ou falso que se esperava que elas estudassem. Aí um dos alunos pergunta assim: "Ué, mas tem que fazer lição? Eu pago esse dinheirão e tenho que estudar em casa?". Eu não sei realmente o que é que passa pela cabeça das pessoas. Qual é a mágica em que elas acreditam quando fazem matrícula. Aí foi, né?, que esse aluno não deu pé e ia repetir e disse pra coordenadora que eu isso e eu aquilo. E abandonou o curso.

Teve um outro aluno que tinha que escrever uma dissertação. A gente fazia a preparação durante as aulas. Eles discutiam o assunto: um lado defendendo um ponto de vista, o outro atacando, coletando argumentos. Apresentei a estrutura. Cada semana, eles me traziam um rascunho da dissertação e no dia da prova, era só trazer pronta. Durante todo esse tempo o menino vinha com os rascunhos e eu comentava com ele, anotava nas margens, dava sugestões. No último dia, ele trouxe uma dissertação massa. Muito mesmo. Que não condizia com os trabalhos anteriores. Googlei uma frase de cada parágrafo e, surpresa!, achei. Anotei todos os linques. E ele dizendo que não, que não tinha copiado. E, oi?, tô falando de adultos. Pagando de seus próprios bolsos, hein?

Não sei se fiquei fora do tempo, se no meu tempo também era assim. Mas eu me pergunto sempre pra onde esse mundo vai.

5 comentários:

  1. Eis aí uma questão que também me incomoda muito. Tive experiências bem recentes deste tipo na minha última graduação, de gente que eu até respeitava. Tipo, o moço que se contorcia todo de raiva quando tinha que ler textos originais de autores importantíssimos para o mundo psi. Ele, muito indignado, dizia que os professores tinham que fazer apostilas com as idéias já mastigadinhas para que ele pudesse digerir. Que tal, heim? A pessoa sair atendendo outras por aí tendo tido sua formação baseada em conteúdos como Freud for Dumbs?

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  2. E tem aqueloutra confusão. De educação como produto. Acho que nem de educação como produto, de diploma/certificado como produto. Porque sempre fica isso: mas eu estou pagando! Aí fulano na graduação pede o resuminho. Ou: eu tenho que passar porque estou pagando!

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  3. Ops, errei: For Dummies, né?

    Isso de "tenho que passar porque estou pagando" eu não ouvia muito, não. Quando havia perigo de reprovação, o povo corria por fora com outra justificativa: "esse professor não ensina nada e quer cobrar notas boas!". Era só formar grupinho e ir à coordenação fazer queixa. Eu tinha dó porque, em geral, os professores sobre os quais se reclamava eram os melhores, os que exigiam mais porque queriam um nível bom. Mas eu era uma das únicas que via assim, o resto queria mesmo era DIPLOMA!

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  4. Para essas pessoas, um DIPROMA!

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  5. O mundo não vai, gente! Já foi! E diproma é um pobrema! A minha verificação de palavras: LINDO A, essa eu tinha que contar. Cada nome estranho...

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