3.3.09

Alô, galera de caubói! Alô, galera de peão!

Eu não aguento essa música. O coisinho de ver se a gente escreveu as palavras certinho ainda me diz que aguentar tem trema. Já que todo mundo falou sobre a reforma ortográfica, eu vou falar também. Acho besta. Acho tão desnecessária. Assim como, por exemplo, um americano entende quando um britânio escreve "colour" em vez de "color", um brasileiro entende um português quando este escreve "ideia", e por aí vai. Língua é expressão cultural e eu fico um pouco aflita com essa tentative de normativamente querer homogeneizar essas coisas. Eu acho que em cada país falante de português a língua se transformou de maneira diferente, incorporando ou deixando de lado palavras, mudando a ortografia e a gramática e o modo com que as pessoas se relacionam com a língua. Né que a "minha pátria é a língua portuguesa"? A minha é a língua portuguesa do Brasil. Por isso que eu choro por dentro quando cai o trema e quando não tenho que acentuar idéia. Do mesmo modo como eu vou morrer por dentro quando a passar a vogar que escrevamos "vc", "mt" e "bgd". Porque isso vai acontecer, né, pessoal? Um dia vai. Enfim, acho que por algum tempo, mas espero que não pra sempre, eu serei que nem meu pai: ainda lhe escorregam uns circunflexos em "eles".

Faz um frio mortífero. Ontem nevou -- mas eu vim trabalhar, firme e forte. Meu tchefe aceitou o cartão que eu comprei pra ele, mas disse que era absolutamente desnecessário: todos erramos, inclusive ele, mas obrigado por achar que importa. Aí, óbvio, ele esqueceu o cartão aqui e hoje não veio. Há toda uma história sobre ele e como se relaciona (ou não) com assiduidade, mas tenho medinho de contar porque a internet é um lugar muito perigoso e estranho, em que eu googlei meu tchefe e ele me googlou antes de eu vir pra entrevista, há quase 2 anos, de modo que não quero associar meu nome completo a esse blogue e a a ele não me refiro em perfis dos orkuts da vida. Mas quem é mais das antigas saberá quem eu sou.

Eu fico embolada na cama lendo meus livros de fantasia e vou dormir pensando nos personagens. No que eu acho que vai acontecer. Sonho filminhos da história.

P.S. Mãe, ontem o Menino Mais Lindo do Mundo me pediu pra explicar pra ele como é que faz caldo verde e fez quase tudo sozinho. E hoje eu tenho uma marmitinha, mas esqueci de trazer pão pra molhar na sopa.

2 comentários:

  1. Desnecessária. É isso mesmo. Unificar o quê? Eu até entenderia se a intenção fosse simplificar, acabar com exceções, mas não. A coisa que mais me causou dúvida a vida inteira era o hífen; se eles criassem uma regra só, que fizesse sentido, eu apoiaria. Fui dar uma olhada no assunto: aboliram uns e inventaram outros uso do maledito. E as exceções? Continuam a existir.

    Tenho um apego incrível, fenomenal pelo trema. É essa a perda que mais me dói. Um sinal gráfico que realmente tinha uma função. Como as crianças vão aprender a distinguir agora? Guessing game? U-hu.

    Nossa, eu começo a falar nisso e fico indignada. Tô velha e ranzinza. Vou procurar um crochê.

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  2. Pois é. Há coisas que eu acho tão úteis. Acentuar "idéia"? Útil, porque assim se sabe que o som é aberto. Trema? Útil, para distinguir sons. Também fico super evitativa, mas tenho que aprender esse tanto de regrinha nova.

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