25.2.09

É fantasia, mas não é a ilha

Hein? Hein? Sacou? Só sacou se você tem por aí uns trintinha. Se tiver menos que isso, acho que não vai saber quem eram Mister Roarke e o Tattoo (que lógico que eu achava que eram Mister Rorque e Tatu, porque eu pensava com cabeça de 8 anos). Fiquei com vontade de ler livros de fantaisa porque eu vi indicação no que a Pacamanca lê. Desconfio que ela se chame Letícia, mas nunca me viu nem gorda nem magra nem com qualquer outro atributo físico e que acabou de ter nenê (parabéns! pro caso de vir cair aqui). Eu contar toda a história de como fui parar lá e os blogueiros do Rio, incluindo como ninguém sabia o que era blogue e eu tinha que ficar explicando e como o meu blogue era uma coisa, assim, brega, triste, feia e completamente desinteressante e como só me lia quem era meu amigo. Mas muito meu amigo. Era uma vez, maio está quase aí e faz quase 8 anos que eu existo na internéti. O bom é perceber que depois desse tempo todo, continua a mesma coisa com a diferença de que nem os meus amigos lêem, mesmo porque não há nada de novo.

Voltando. Comecei a ler porque foi uma das recomendações no Pacamanca. Recebi o segundo volume pelo serviço de aluguel de livros (que eu parei de assinar porque eles pisavam na bola, como mandar o 2º volume antes do 1º, mas já estou pensando em assinar com um outro site) um pouco antes de ir passar a semana do Natal com a família do Menino Mais Lindo do Mundo. Pouco antes = um dia antes de ir. Chegamos ao aeroporto, muito tempo pra matar, fomos dar uma olhadinha na livraria que, pequenininha e bem ao gosto de público que só lê em avião, não tem nada nunca (neguei três vezes, cê viu?, agora quatro -- eu sou nãrdi e fico reparando nessas coisas). Mas dessa vez tinha o primeiro volume. Fiquei incrível, porque eu achava que fosse assim uma coisa meio obscura só pra os mais nãrdis do nãrdis. The Belgariad tem 2 volumes: o 1º vem com 3 livros e o 2º com 2. Depois, segui com a continuação, que não é obrigatória, The Malloreon. Eu nunca pensei que ia gostar de livros com dragões, mas mordi a língua. Embora eu ache que nenhum livro realmente precise de dragões. Comecei a ler antes do Natal e fui indo e indo e indo, um dia de cada vez, muito viciada mesmo, até quase 1 mês atrás, quando comecei a ler A Trilogia Farseer, também por sugestão de Pacamanca. (Eu coloquei alguém acento que foi abolido nesse texto até agora? Me avisa, tá?). Fora o fato de haver dragões, cada capítulo é uma miniaventura (acertei com a nova regra?) e os problemas que deveriam ser supermedo são resolvidos pá-pum, embora não sejam. É a narrativa que faz com que pareça. E tem várias partes que são assim: vou buscar lenha, vou fazer fogueirinha, como estou fedido e preciso de banho, não consigo dormir, vamos comer pão com mortãndela e um naco de carne (que, afinal, cumpre um papel: de aproximar o leitor do personagem). É bem Sessão da Tarde mesmo e,m ainda que divertida, é literatura bem chã e rasa. Ainda assim, fiquei muitos dias falando sobre a Tia Pol, sobre o Garion, sobre os deuses e a pedra do Mal e a da Bem pro MMLM.


Aí eu descobri o infindável mundo dos livrinhos de encadernação porcaria e capa cafona (dá uma olhada em todas as capas nessas figuras, dá até vergonha) que custam US$7,99 e que na Amazon a gente encontra na promô de compre 4 e pague 3. Tem uma infinidade de livros nessa categoria e era tudo com que eu sonhava. Porque eu não ligo se o livro é bonito. Eu ligo é que seja barato, caiba na bolsa e eu queira ler. Fui sapear as coisas na Livraria Cultura pra ver se os títulos existem em português e quase sincopei aqui mesmo com o preço ridículo dos livros. Fez-me ver o quanto meu pai era muito generoso mesmo. Porque não dava nada de marca pra nós, não deixava a gente comprar nada de modinha (nem roupa, nem disco, nem brinquedo), mas, pelo menos pra mim, a última da prole, ele confiava um limite de x moedas brasileiras pra eu ir à livraria (eu ia de bicicleta) e trazia as sacolas no guidão) e comprar um monte de livros.

Esses livros da Robin Hobb são bem mais interessantes. Os personagens são mais bem elaborados, mas claro, você sabe pra quem ter que torcer (bem versus mal). A história do reino Farseer e dos perigos ao reino é contada em primeira pessoa pelo filho bastardo de um dos príncipes. Como dá pra adivinhar pelos títulos, ele é treinado pra ser um assassino para o rei. Aí tem um mundo de intrigas palacianas, de debates morais e pessoais, de tipos de magia diferentes. É bem descritivo também, mas a história é mais bem contada. Fiquei fã e comprei mais livros do gênero. O bom é que geralmente os livros vêm em série, então tem muito material. E assim terminou a história de como a menina do didentro ficou ainda mais nãrdi.

7 comentários:

  1. Você me fez lembrar que li, num passado bem remoto, uns cinco livros da série "The Wheel Of Time", de um tal Robert Jordan. Foi total influência de um namorado nerd que eu tive, e hoje eu nem poderia te contar exatamente qual era a história, mas sei que tinha muitas espadas e personagens com poderes mágicos. Embora não vá tentar acabar com a defasagem (parei no livro 6 e descobri, agora, na Amazon, que o autor já escreveu 11 (ONZE!!!) livros da tal saga), devo confessar que, na época, eu me divertia bastante com esses livros.

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  2. Te digo mais: esse Robert Jordan morreu e deixou a história sem fim. De modo que a mulher dele escolheu um outro escritor pra escrever o último livro da série, o décimo segundo. Mistério do mundo da literatura de fantasia: vários escritores são mórmons. Inclusive essa moça que escreve os livros de vampiro, da série Twilight.

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  3. Eu tambem segui uma otima sugestao da Pacamanca, so que no terreno de nao-fantasia. Quando voce puder, leia o "The Elegance of the Hedgehog", da Muriel Barbery. E muito, muito bom, e olha que eu sou uma pessoa que nao tem paciencia com ficcao. Daqueles de dar inveja do jeito que a pessoa escreve. Um de fantasia sensacional, que e um tijolo (a mass market paperback edition tem 1006 paginas!) que carreguei com alegria na minha bolsa por duas semanas, e o "Jonathan Strange and Mr. Norrell", da Susanna Clarke. Tem gente que reclama que ele e lento, mas eu amei o livro e cada uma das 800notas de rodape sobre livros, lendas e mago que nunca existiram.
    Bem-vinda de volta!

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  4. "The elegance of the hedgehog" estava na minha listinha pra alugar. Agora estou com essa fila imensa de livros de fantasia pra ler. Vou colocar esses livros na minha listinha da Amazon.

    1006 páginas. Bato palminhas de felicidade. Adoro livro comprido.

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  5. Mais um, que acabei de ler hoje de manha no trem: "Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch" - Neil Gaiman and Terry Pratchett. E comedia, mas e excelente. Ateista, ainda por cima.

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  6. Olá :)

    Se você gostou dos dragões leia a série Temeraire, de... hm, esqueci o nome da mulher. Mas dá um Temeraire na Amazon que você acha. MUITO MUITO MUITO MUITO bom. E também a série A Song of Ice and Fire, do GRRM. O desgraçado já adiou a entrega do próximo livro duas vezes, o último livro deixou VÁRIOS cliffhangers sensacionais, o mundo fantasy está em polvorosa desde o ano passado só na espera. Maldito.

    Agora estou esperando sair o último da trilogia Millenium do Larsson pra começar a ler a série (eu fico nervosa se começar a ler uma coisa e não tiver como terminar porque o final não foi escrito ainda).

    Neil Gaiman é o ó! Tenho o Good Omens mas ainda não li.

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  7. Letícia! Muita emoção de te ver por aqui. Sou sua fã.

    Os livros do GRRM eu já li, amei e estou esperando pela continuação. Não é que eu goste de dragões. Só me surpreendo porque eu não achava que eu seria do tipo de pessoa que leria um livro sobre dragões.

    Eu estou gostando dessa série The Kingdoms of Thorn and Bone. Muito bons! Não quero que acabem nunca.

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