3.9.08

Minha vida não é glamour (pro Rafa, principalmente)

E nada de muito uau! acontece na minha vida rotineira. Pois é, eu ganhei (da Dee, que ganhou dinheiro num programa do Silvio Santos, I kid you not) uma cachorrinha linda de carinha achatada e rabicó de leitãozinho que me salvou a vida quando eu fiquei mais triste, encontrei esse menino lindo com quem eu não me canso de fazer conchinha e mudei de hemisfério por causa dele (e de mim), deixando pra trás meus amigos e minha família, a Cuquinha e as frutas e verduras que têm mais sabor e de que eu sinto saudade. Maracujá doce, por exemplo. Ou carambola. E escarola que é amarga de verdade. Ou jiló.

Mas na maior parte do tempo, a vida é dizer que eu não quero vir trabalhar, e chegar no trabalho e ler Google Reader e falar com gente chata no telefone e, às vezes, até lavar a xícara de café do meu tchefe porque eu já não agüento mais ver a xícara cheia de café velho na mesa. Às vezes meu tchefe vem trabalhar: muitas vezes não. Aí as horas se arrastam bem de. va. ga. rinho. e ninguém fala comigo no MSN o dia inteiro e no trem eu leio um livro e o menino mais lindo do mundo me pega na estação pra gente ir ao supermercado com um bico desse tamanho porque não gosta de "perder tempo" fazendo compras, conversando sobre nada e sobre tudo no caminho, e volta pra casa com legumes e frutas e faz um jantar gostosinho e a marmita do dia seguinte. A gente joga um monte de jogos diferentes com dominó. Ou joga Scrabble no computador. Ou assiste Project Runway. Ou ele vai tocar guitarra no porão enquanto eu vejo CSI ou leio um livro que aluguei. E estuda um pouco de francês depois de enrolar o máximo que a gente pode.

Eu tirei um dia de folga pra emendar no feriado dessa segunda, mas acordei doente e acabou que não fomos pra nenhum lugar. A gente foi no museu no dia em que se paga o quanto quiser pra entrar (no nosso caso, 15 dólares pra 4 pessoas), o museu estava lotado e não tinha quase que nada de novo. Uns amigos do menino mais lindo do mundo vieram de Arizona e a gente só comeu porcariada. À noite meu nariz estava entupido e eu tive que respirar pela boca enquanto dormia e hoje meu nariz está escorrendo e já está doendo de tanto passar lenço. Fui no oftalmo, meu grau aumentou. Tô quase com a visão de um morcego. Meu lábio está ardendo um pouco. A minha vizinha de mesa ouve as mesmas 5 músicas todos os dias na rádio que toca só essas 5 músicas e recusa-se a desligar o rádio (eu pedi pra ficar pelo menos metade do dia no silêncio) porque ela PRECISA do rádio porque é a ÚNICA distração que ela tem. Olha, eu PRECISO de silêncio e PRECISO da minha sanidade mental. Por isso resolvi -- agorinha -- que vou trazer as coisitas de enfiar no ouvido e todo mundo vai me odiar porque eu tenho o nariz empinado e não posso nem ouvir um pouco de rádio? Às vezes dá preguiça e a gente vai comer no indiano em Delaware ou no brasileiro em Philly ou no nosso restaurantezinho preferido (às 5 da tarde, quando não tem fila infinita). Quinta ou sexta depois do trabalho, quando dá, eu vou ao bar perto de casa com a minha roommate e a gente conversa sobre política.

Eu não sou a pessoa mais produtiva do mundo, não escrevo mais nada, nem no blog, os últimos desenhinhos que eu fiz são aqueles do dicionário de espanhol, meu nome do meio é Procrastinação, meu sobrenome deveria ser Preguiça de Tudo e minha vida não tem um pingo de glamour. Mas lendo aqui não parece que é tão cheia de acontecimentos e emoções?