29.10.08

Livros que amei (ou não): Memórias de um futuro distante

No transcorrer do dia, vou escrevendo notinhas mentais para publicar aqui. A da quarta-feira passada começou com "Acredita que ainda/já é 4ª feira"? Não me lembro mais qual das opções. E continuava falando sobre meu amor por Asimov e como ele me manteve (mais) isolada no tempo (as histórias, você deve saber, são no futuro, daqui a muitos mileanos) e no espaço (no quarto, na varanda, na cozinha do escritório). Também não ajudou o vício redescoberto em jogar Scrabble, tipo Top Letras, nas internetes.

A primeira vez que li Asimov foi aos 14 ou 15 anos, quando eu freqüentava (já está valendo a nova reforma ortográfica?) a biblioteca do Colégio Bandeirantes. Pra quem não é de São Paulo, é um colégio reduto de CDFs de carteirinha, onde todos os alunos competem entre si pelas melhores colocações na sala, em cada matéria, em todas as salas da área de concentração e, finalmente, com o colégio todo. O Colégio Bandeirantes fica no Paraíso, de que eu fui me afastando a passos largos, figurativamente, conforme minhas notas iam ficam cada vez mais menorzinhas. Foi a primeira vez em que estudar não era mais um prazer, era um meio para atingir um fim que eu não conseguiria e não queria atingir. *

O ano em que eu prestei vestibulinho pra entrar no colegial, foi o ano em que minha vó morreu. Foi até, se não estou enganada, no mesmo dia da prova. Não estudei pra diminuir minhas chances de passar. Por decisão do meu pai e do meu irmão Gunguinha, prestei prova para as turmas de Biológicas. E fui cair na última turma, a 1B6, à tarde. Evidentemente, minha família confiava muito no meu taco (que se provou bem curto): no 3º semestre, pedi água com medo de repetir de ano em Química, Matemática e, principalmente, Física (ou ainda pior, Laboratório de Física). Fui "estudar" no Objetivo da Paulista. E não é à toa que coloquei estudar entre aspas.

Nesses 6 meses de Bandeirantes, fiquei pela primeira vez com um mocinho que *eu* escolhi, e não meu grupo de amigas (e que era mais novo,), vim fazer um curso de inglês na Califórnia, e minha primeira sobrinhinha, a Gabi, nasceu. Foi o lugar em que eu percebi que não era aquela coca-cola toda academicamente, se é que eu posso chamar assim, conheci o Isaac (Asimov) e em que eu fiz minha amizade mais duradoura, e uma das melhores: Maria Renata. Ela vem e vai, eu vou e venho, mas ela está sempre na minha vida. Pra ela (e pro Rafa e pro Neutron) pode ser que saia uma série de posts com receitas para dummies.

Você deve conhecer o Asimov, se não pelos livros, pelo filme Eu, Robô, que não vi, não quero ver e tenho raiva, etc. Acho que o livro que eu peguei no Bandeirantes foi justamente um sobre robôs, porque ao ler os livros da trilogia da Fundação**, reconheci imediatamente as Leis da Robótica, esfreguei as mãos e arregalei os olhos como boa nerd que sou. Se, na época de escola eu tive que recolocar o livro na estante pra tentar cede-efar um pouco, quando peguei no primeiro livro da série (Prelúdio à Fundação), não quis mais largar e comprei todos os livros da série. Só falta o último, que eu estou economizando (por isso leio Ana Karenina, que, gente, demora de-mais pra se jogar debaixo do trem).

E como não gostar de Asimov? Não entendo nada do que ele fala sobre parsecs e anos-luz e espaçonaves gravíticas, mas uma menina há que amar um homem que se formou aos 19 em Columbia, quando já era escritor de ficção científica, e que se tornou doutor aos 28 em Bioquímica. Mais nãrdolino não tem, né?

Mas a melhor notícia, melhor até do que a da união de minha alma geek com a de IA, é que se você googlar "Fundação" e "Asimov", você encontra os livros pra baixar e dar uma espiada, o que eu muito, muito recomeindo.

*Aliás, preciso comentar de uma idéia "genial" que um povo por aqui teve, de pagar os aluninhos com as melhores notas em certas provas. Pra "incentivar" o bom desempenho, sabe? Porque a vida é assim, né? Recompensa é sempre financeira. Pra que incentivar curiosidade, prazer em entender e pesquisar, em fazer perguntas? Que idéia de jerico (hein? como se escreve isso?) foi essa. E que diretora de escola permitiu que implantassem esse programa? Não sei o que vai ser dessas crianças quando elas crescerem e perceberem que as coisas boas da vida, as recompensas não se traduzem só em quanto dinheiro elas ganham. Ou quando precisarem agir porque tal e qual atitude é correta e boa, mas não porque vão embolsar sei lá quantos dólares.
**Começou trilogia, nos anos 50 e tornou-se série, nos anos 80, quando Asimov escreveu mais livros pra contar o que aconteceu antes e depois da história da Fundação, por pressão dos fãs e das editoras.

Um comentário:

  1. Eu sempre achei que a faculdade e minhas leituras iam se conciliar numa boa. Doce ilusão, né? Faz meses que eu não consigo ler quase nada fora das matérias que eu tenho.

    Teve um grupo que fez um trabalho sobre robôs quando eu tava na escola, e falaram muito, MUITO, sobre o Asimov. Era uma feira anual e eu nunca consegui achar nenhum dos 4 livros dele na biblioteca [e eu me recusava a ficar na lista de espera, sei lá por quê]. Agora temos o Google, ainda bem! :)

    [e que venham as receitas! heh]

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