17.7.08

Livros que amei (ou não): não mesmo

Eeeee Eee Eeee, de Tao Lin. Não passei das primeiras 4 páginas. Li várias críticas, as pessoas falando de como o livro é tudo, como é massa, etc. O menino mais lindo do mundo também tentou, leu umas 15 páginas. É muito estranho. Estranho só pra ser estranho. A coisa não faz sentido. Talvez eu seja burra, talvez eu tenha pouca sensibilidade artística, talvez as coisas do mundo me confundam e não façam sentido porque eu estou ficando velha e cada vez mais apegada ao jeitinho de tudo, das coisas, como elas sempre foram. Teria eu me tornado uma conservadora em minha tenra idade? Desacostumada a ver novidade no mundo? Pra mim, o que importa é a história e se é bem contada. Quanta gente no mundo que não tem nada a dizer, cujas histórias são tão mimimi, mas que o fazem tão bem, que a gente ri e chora e fica fã. Outras apelam pelo extremamente inusitado, porque parece que é assim que é agora. Tem que ser inusitado. Tem que ser super esquisito. Mas não me toca, não me emociona, não vai, gente, não vai. Eu poderia dizer que a história isso ou aquilo. Mas como li tão pouco, não sei dizer nada da história. Porque nem história nem estilo me envolveram o suficiente.

At a Crossroads - Between a Rock and My Parents' Place (Kate T. Williamson) foi outro que me deixou olhando para um ponto indeterminado no infinito e piscandinho bem blé. Aquela coisa, né? Olha que situação difícil na vida dessa pessoa (posso estar errada, mas não há nada no texto ou no que li sobre o livro que me faça achar que eu esteja): após ter-se formado em Harvard, onde estudou cinema, a autora vai para o Japão, onde passa um ano. De volta para os EUA, vai morar com os pais. Inicialmente, o plano é passar 3 meses. Ela acaba ficando lá por quase 2 anos, quando ela tem um momento de conexão íntima com o Universo e as energias telúricas e bling!, tudo passa a fazer sentido: ela vai mudar pra Nova Iorque.

Quer dizer, né? Que vida di-fí-cil. Acaba de terminar a faculdade -- Harvard, no less -- e vai passar um ano no Japão pra, sei lá, curtir o design, a arte, a tradição orientais. Aí volta pra casa e resolve escrever/desenhar um livro sobre esse ano fora. Enquanto vai a shows, faz aulas de patinação e assiste tevê. Mas, gente, não é só isso. Olha quanta coisa ruim acontece. Proteja-me JC!, os esquilos começam a fazer barulho no sótão! E ela percebe que não há mocinhos pra ela paquerar porque eles todos estão no colegial! E ela joga, sem querer, uma bola de tênis na cabeça de uma menina!

Podia ser emocionante? Lógico. Acho que quem escreve bem pode conseguir tirar leite de pedra. Faz do caso mais árido algo divertido ou interessante. Eu acharia o livro até que mais ou menos se não quisessem me vender que é pra eu ficar com pena dela porque, such a loser, ela tem que dar aulinha particular, não sabe o que fazer da vida e mora com os pais (que, aliás, pelo que está no livro não vêem nada de errado com toda a situação, não é que, nossa!, eles estão bravos ou indignados ou desapontados). Embora eu não veja nada de difícil nessa vida, pode até ser que fosse difícil pra autora. Mas ela não me conta isso. Ela só me mostra os pequenos fatos da vida e quer que eu sinta alguma coisa. Eu sinto: sinto muito. Se o livro tivesse outro nome, eu acharia mais ou menos. Porque os desenhos são super bacanas, mas o texto não acompanha. Não fico com pena, não fico triste, não fico alegre. Porque não tem história. Tem cenas. Olha eu jantando com os meus pais. Olha eu triste, deitada no chão do meu quarto. Olha eu passeando com o cachorro. Se me dissessem que são cenas da vida dela nesses 2 anos, eu estaria super ouquei, porque minha expectativa seria diferente. Se ela dissesse, olha, gente, eu fiz um diarinho, não é legal? É, é legal(zinho). Mas não me venha dizer que é pra eu super entrar na história, porque não dá. Não tenho os detalhes pra. Não entendo a babação de ovo por aí. Acho que as pessoas agora ficam impressionadas se alguém *faz* alguma coisa. Não precisa ser bom. Bastaria existir, bastaria ter iniciativa. O problema é que não basta.

5 comentários:

  1. Pois é, guria, mas quando "decidimos" que seria assim foi por causa do que eles poderiam ter causado a sociedade... Mas, obviamente, no Brasil não daria certo... Não coloquei no blog mas este mesmo aluno me contou que na Espanha os mortos são do Estado. A família não pode se impor a doação de órgãos. Aí acho um pouco demais. Mas ao mesmo tempo tenho que reconhecer que o que há depois da morte não é nada além de um pedaço de carne...

    Muito complicado, né?

    Ainda não li o seu post... Vou ler agora!
    ... rsrs...

    Besos, besos..

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  2. Aff... Código penal é too much pra mim!! ... rsrs...

    Eu só defendo que as pessoas doem seus órgãos... Ao dizer "chegamos ao consenso" é mais o aluno do que eu... porém, acredito que certas pessoas deveriam mudar a idéia de que o morto tem que ser enterrado com tudo dentro... é isso que me choca: que as pessoas ainda tenham o pensamento tacanho ao ponto de não doarem por causa de não poder entrar no céu sem rins...

    E sim, acho que o mais justo seria ser compulsório para todos - mas é algo muito complicado...

    O caso seria a mudança de pensamento dos cidadãos...

    Ps.: O que seria "track new comments"? Eu nunca descobri!

    =S

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  3. Agora sim, eu li o post todim!

    \O/

    Enfim... tenho lido alguns livros que me deixam, como vc disse, " um ponto indeterminado no infinito e piscandinho bem blé". Aí eu meio que cansei de ler. Pois é. E eu adoro ler. Me prendi só as coisas de trabalho. Vergonhoso.

    Ah.
    E dizem que não se deve avaliar um livro pela capa. O primeiro, realmente, eu não gostei da capa. Sequer o abriria...

    Besos...

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  4. (Dica de livro ainda não lido tá valendo?)
    Li ontem, na TPM do mês, uma crítica sobre um livro pelo qual me interessei muitíssimo:
    Woman's World - Graham Rawle.
    Durante cinco anos, o escritor recortou e colou frases de revistas femininas dos anos 50 e 60 para contar a história de um travesti que sonha em ser uma mulher do lar. As páginas foram escaneadas, o que, obviamente, impede uma edição brasileira.
    Se você 'cruzar com ele' - ele, o livro! - por aí, dá uma olhadinha e me fala se parece valer a pena? ;)

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  5. Dri: vou ver se tem no meu troço de aluguel de livro e te falo. Ou dou uma sapeada próxima vez que for à Borders.

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