10.6.08

Livros que amei (ou não): viagem no tempo

Inveja. Muita mesmo. Como é que essas pessoas têm mais ou menos a mesma idade que eu, mas escreveram 2 livros, sendo que um deles virou ou vai virar filme? Assim, ambos. Krauss e Foer, escreveram 2 livros cada, ambos venderam os direitos de um deles para o cinema. Não só eles escrevem bem, como também ganharam dinheiro. Detalhe é que eles são casados. Bebem uma aguinha secreta? Uma fruta com vitaminas que a gente não conhece? Ou, como me disse o menino mais lindo do mundo, eles têm talento e trabalham e suam e mostram empenho pra mostrar que têm talento. E daí vêm os planos que se realizam. Ao contrário de você, ele me quis dizer, com jeitinho, calçando luvas de pelica: se acha que tem talento, então comece a fazer alguma coisa. O caso é que eu não acho que eu tenha suficiente talento ou simplesmente talento, mas, enfim. Aos livros! Às histórias!

The History of Love é o primeiro dos livros alugados que eu não quero devolver (paga-se um preço reduzido para isso). A história tem dois narradores principais. Alma, uma menina pré-adolescente que, com seu irmão e mãe, está sofrendo com a morte do pai; e Leo Gursky, um judeu fugido da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe de Alma não consegue se recuperar da perda, não consegue largar do passado. O mesmo acontece com Leo Gursky, que não tem presente, porque quase se esqueceu de viver, preso a um amor que quase não houve. E que não teve futuro, porque nunca conheceu o filho que teve. Os pais de Alma deram a ela esse nome por causa de um livro obscuro, com pouquíssimas cópias pelo mundo e cujo autor só escreveu um livro toda vida. Alma pretende encontrar o autor para, quem sabe, encontrar o mistério do passado que não se resolve. Da teimosia de não se viver. Ela faz o papel de historiadora; quer entender o que foi para saber o que será, o que é que tem de ser feito, por que é que tudo é assim. Há também passagens do livro misterioso, a la Se um Viajante Numa Noite de Inverno, do Italo Calvino.

Extremely Loud and Incredibly Close também é uma história de perda e reconstrução. A história aqui é contada por um menino de 9 anos que às vezes é esperto demais e sabe coisas demais pra idade, o que faz dele um personagem pouco crível. O menino encontra uma chave entre os guardados do pai, que morreu em uma das Torres Gêmeas no 11 de setembro. A mãe tenta reconstruir a vida, superar a dor. Mas o menino sai numa busca pelo passado, por qualquer migalha de memória, quando decide que vai encontrar o que é que essa chave abre ou talvez o que é que ele pretende achar com essa busca. Também há passagens contadas pela avó do menino, que se havia casado com um homem que perdeu a capacidade de falar e que nunca pôde, por não saber como, viver a vida e olhar pra frente, porque tem medo de perder o que já foi perdido (também durante a guerra que está presente em THoL). Tem medo de perder o que é irrecuperável. Este homem escreve cartas para o filho que nunca conheceu, porque teve medo do futuro. Os dois livros são doces. Tristinhos. Companheiros. Cheios de esperancinha.

3 comentários:

  1. faz tempo que não passo por aqui, e quando passo, ganho dicas! adorei, e vou procurar os livros... preciso mesmo ler algo bom. thanks!

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  2. Descobri o "Extremely Loud and Incredibly Close" faz pouquíssimo tempo. Em português. Uma amiga me emprestou. Fiz um post sobre ele, post esse que chamei candidamente de "Extremamente infantil, incrivelmente egoísta" e no qual não dei o nome do dito. (Venho pensando seriamente em colher assinaturas para que o Ciúme e o Egoísmo passem a ser Pecados Capitais. Gula não é pecado. Luxúria, menos ainda). Tentei encontrar o "Tudo se Ilumina", mas não tive sucesso. *suspiro*
    ...
    Você também tem vontade de ser amiga do Oskar ou me tornei um caso sem solução?

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  3. Banana, faz muito bem se ler esses. Acho que vai gostar.

    Dri, quem não quer ser amigo de um menininho nerd, estranho e meio tristonho?

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