29.5.08

Livros que amei (ou não): vida de escritório e meu monotema por, sei lá, umas 3 semanas

Esse livro eu comprei numa promoção da Borders, junto com um volumão da Jane Austen. Não estava levando muita fé, porque eu fico meio assim quando leio o primeiro livro escrito de algum autor. Assim, primeiro da vida toda, sem haver mais pra gente ver se tudo vale a pena. Assim, o conjunto da obra, sabe? Depois fiquei sabendo que está na lista de 10 melhores livros de ficção de 2007 do New York Times. Não que faça diferença pra mim. Mas vale pra dizer que há pessoas no mundo que leram e gostaram do que leram -- como há para qualquer coisa nesse mundo (basta olhar as críticas de consumidores em sítios como Amazon, por exemplo. Como diz meu amigo Didi, em matéria de bom gosto, há gosto pra tudo.)

Esse livro quase me deixou muito feliz/deprimida, uma sensação boa, como teria tido tivesse eu lido um livro do Douglas Coupland. Em que as pessoas são quase jovens e fazem coisas estranhas que parecem normais em livros do DC. Acho que isso já diz o quanto gostei do livro de Ferris. Bastante. Os personagens trabalham em uma agência de publicidade e visão de tudo que acontece parte da primeira pessoa do plural. Isso me fez lembrar daquele livro sobre evolução que eu li. Uma das perguntas do livro, do outro, não desse, é sobre a razão pela qual as pessoas se unem em torno de religião. Segundo o autor, seria uma estratégia de sobrevivência. Você se une a pessoas com quem tem algo em comum e esse elo faz com que cada um dos membros desse grupo aja não só para benefício próprio, mas para o do grupo todo. Mais ou menos assim. Estou repetindo de memória -- e de bom senso e de conversas com o menino mais lindo do mundo.

Pode parecer brega o que eu vou dizer agora, mas dessa ou daquela informação que você vai juntando para formar as histórias de cada personagem, dá pra perceber que todo mundo quer melhorar. Quer aprender. Quer ser diferente. E por causa das peças que eles pregam uns nos outros, do humor negro, da fofoca sem fim, é que se percebe isso. Se fosse eu nesse escritório do livro, estaria perdida. Muita interação pro meu gosto. Demais da conta.

Uma das coisas que eu faço pra evitar interação enquanto como minha marmitinha na cozinha aqui do escritório é ler um livro. Aí eu junto duas coisas que eu amo. Comida (que amo muito e muita, thus minha gordice galopante) e ler. Acho que a terceira coisa de que eu gosto imenso é não ter que falar com ninguém quando assim não desejo. Porque ainda não se perdeu o respeito pela criatura que abre um livro em uma cozinha comunitária e quer somente mastigar e ler. Enquanto congela de frio por causa do ar condicionado soprando bem acima de sua cabeça.

Você sabia que as vacas americanas têm uma dieta composta por quase que totalmente -- talvez eu esteja exagerando -- milho? Vacas não foram feitas pra comer milho. Elas passam mal. Ficam mais propensas a ficar doentes. Precisam de antibióticos. Engordam mais porque milho diminui o tempo de engorda da vaca. As vaquinhas para abate para produção de carne orgânica não vivem vidas felizes a pascer no campo. As galinhas "orgânicas" que botam os ovos que vão para os supermercados em caixas cujos rótulos dizem que elas viviam soltas, não vivem soltas, vivem com a possibilidade de experimentar o mundo através de uma portinha que se abre por alguns dias, no fim das vidinhas galináceas que elas vivem. Mas como elas nunca viram o mundo lá fora, não querem nem saber. Um nugget do Méqui tem quase que mais milho que frango na composição. Porque ninguém dá conta de consumir tanto milho produzido nos E.U.A. com os incentivos que o governo dá.

Pollan é engraçado e escreve muito bem. Coloca, num livro jornalístico, um pouco da sua vida pessoal e muito da sua curiosidade e interesse. O suficiente pra fazer de um assunto que, para a pessoa média que lê ficção (eu), parece ser árido -- saber de onde sua comida vem -- interessante demais. Li na semana do meu aniversário e em todas as conversas pelo telefone com minha família, em e-mails que mandei, na conversa de fim-de/boa noite com o menino mais lindo do mundo, esse livro apareceu e apareceu de novo e de novo. Obcequei. Fiquei totalmente possuída.

5 comentários:

  1. quando eu li sobre a marmita me lembrei que minha mãe comprou um potinho de marmita que é tão lindo, tão fofinho que me dá vontade de trabalhar o dia inteiro só pra levar meu almoço ali.

    depois a vontade de trabalhar o dia inteiro passa, claro.

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  2. eu queria ler esse do pollan...

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  3. Renata, aluguei outro do Pollan, o último. Lógico que nem tudo em O Dilema do Onívoro se aplica ao Brasil. Por exemplo, meu irmão, que é zootecnista, me explicou que as vaquinhas brasileiras podem comer até 40% de milho, enquanto as americanas, até 60% (ou algo assim). Mesmo assim, é informativo e divertido. E dá medo de comer qualquer coisa. Até, sei lá, cenoura orgânica, porque apesar de ser melhor pra gente, não é melhor pro meio ambiente.

    Minha marmita, na verdade, é só um tupper. Pra não ter que gastar prato descartável, eu como a comida direto do tupper.

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  4. o que a minha mãe comprou é só um potinho tb, mas é tão bonitinho. é branco e tem a tampa laranja. na tampa tem espaço pra colocar faca, colher e garfo e por cima tem uma outra tampa transparente.

    achei tão bonitinho.

    os alimentos orgânicos não são melhores (melhor?) pro meio ambiente?

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  5. Bom, pra produzir orgânicos, não se usam pesticidas, mas como é um sistema industrial, gasta-se muita energia e combustível para produção e transporte.

    Sei qual é esse potinho que você tá falando! Eu precisava comprar meus próprios talheres pra trazer também.

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