19.2.08

Livros que amei (ou não): Quase tudo, Darwin e beijos em Manhattan





















Na sala da minha cabeça onde os meus escritores favoritos moram, você pode topar com a Isabel Allende, o Paul Auster e o Bill Bryson. Há outros escritores lá, claro, mas pra essa coluna, são esses que contam. Eu ia escrever sobre os livros da Isabel Allende que andei lendo. Mas deixei o tempo passar e agora já não me lembro de detalhes. Também porque ler Allende em inglês não tem a mesma graça. Encontrei versões em espanhol disponíveis pra baixar ou ler online e tô toda felizinha. Acho que ler livros dela é mais ou menos como ver filmes do Woody Allen. Você sabe que eles são filmes dele. Você espera vê-lo no filme sendo quase que ele mesmo, ou alguém fazendo o papel de Woody. Não precisa ser totalmente surpreende. Dá até um certo conforto quentinho.

Daí eu comecei a ler um livro sobre darwinismo e evolução. Que me lembrou muito o primeiro livro que eu li do Bill Bryson -- desde como o Universo surgiu até coisas mais modernosas. Mistura curiosidades biográficas com fatos científicos com graça e explica coisas complicadíssimas como se fosse pra crianças. Tipo aquela coisa tempo, espaço do Einstein? Que eu não consigo entender de maneira alguma nessa vida. É cheio de coisinhas que são tão úteis em conversas de bar. Tipo, você sabia que os cientistas não conseguem explicar até hoje como as placas tectônicas se movem? Ou como os bichos sobreviveram à era glacial? Sempre que eu começo a discutir esses assuntos, eu lembro desse livro e clamo o nome de Bill Bryson, como se eu pudesse usar o nome dele to throw around argumentos de autoridade. Enfim. Lots of fun. Eu li em português e a tradução não parece com livro de banca. É muito boa. Se joga, tá?

Sobre o outro livro, que me fez lembrar do primeiro livro do Bil que eu li (li vários outros desde então e ele é um dos meus heróis): leia. Entre outras coisas, fala sobre como vários comportamentos humanos podem ser explicados através da teoria da evolução. Não é pop tipo, sei lá, Por que os homens mentem e as mulheres choram?, mas é escrito pra pessoas normais que não são gênias da ciência. Não conseguia largar nunca mais. Os 15 minutos de commute nunca eram suficientes e fui dormir muitas noites xingando o livro porque, de novo, a hora de eu ir dormir tinha passado de velho porque eu tinha que ler mais um capítulo. Eu sou velha assim. Eu tenho minha hora de ir dormizinho.

O mesmo fênomeno de ir pra cama muito tarde aconteceu com Kissing in Manhattan. O autor é conhecido pelos contos. Eu não sou fã de contos: comecei a ler muito desconfiada e com aquela má vontade de "não li e não gostei, quero meus livrinhos bobos de amor pra não pensar nunca mais, por favor". De contos, gosto assim, da Lygia Fagundes Telles, porque ela é tão fofa e estranha. No mais, eu quero estar com os personagens por muito mais tempo que 10 ou 15 páginas. Kissing in Manhattan parace um punhado de contos, que na verdade são capítulos em que os personagens reaparecem pra você acabar sabendo o que aconteceu com eles. Pra alguns, basta saber "e foram felizes pra sempre". Sobre outros, você quer saber muito mais. Pra mim, esse livro tem momentos ternurinha de Amelie com bizarrices verossimilhantes de Paul Auster. Como não gostar de um personagem que fala com o elevador Otis? Como não ler mais sobre um homem que gosta de praticar bondage, pra compensar pela morte de um irmão? Como não querer nunca mais que o livro acaba quando você está lendo sobre um homem que vê dentro das pessoas? Como em livros de Paul Auster -- que o herege do menino mais lindo do mundo acha que são parados porque não acontece nada na história -- tudo é descrito com detalhes que fazem os personagem pop out from the page (ó, clichê!) e, como em Amelie, os detalhes parecem tão insifignificantes em sua ternurice. Li em dois dias e fiquei economizando muito. Fiquei fazendo ai-ai quando cheguei na estação, depois de um dia blé de trabalho. Fazia frio e ventava.

2 comentários:

  1. nervocalm balas2/20/2008 6:37 PM

    Eu também amo o Bill Bryson.
    Bill Bryson é boa companhia. :)

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  2. Livros, livros, livros!
    Adorei o post e anotei. To fazendo uma lista de lifros que não me escapam esse ano [ já está um pouco extensa, mas é ...inevitável!]

    bjos!

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