8.12.08

Livros que amei (ou não): Sobre a Isabel, o Nick e como meus dias são chatos

Sexta passada, antes de ir a uma festinha de gente desconhecida, num esforço para conhecer pessoas e não ser totalmente misantropa, terminei de ler The Sum of Our Days, da Isabel Allende, que é uma continuação de Paula, ambos livros de memórias. Fiquei até a 1 da manhã na tal festa, mais ou menos, porque teve Amigo Secreto e eu queria ver o que ia ganhar. Eu, um livro de cartoons e o Menino Mais Lindo do Mundo, um DVD usado do Homem de Ferro e um do Zohan, Um Agente Bom de Corte (ameeeei o título em português, hein?), daqueles que vende na Blockbuster quando passou a febre. Sem embrulhar. Acho que a pessoa pegou em casa e colocou numa sacola. E vamos reciclar mema. Por exemplo, adivinha o que o meu tchefe vai ganhar de Natal? Adivinha qual filme ele viu duas vezes e sobre o qual quis contar pra mim duas vezes, porque ele nunca tinha visto coisa mais engraçada no mundo? Pena que a gente não guardou a sacolinha de presente também. Voltei pra casa, assisti a 5 minutos de A Favorita, que na Globo Internacional passa também em horário alternativo durante a madrugada. Difícil engolir a Patrícia Pillar fazendo aquela voz grossa pra ficar com jeito de vilã ou a Cláudia Raia fazendo parzinho com aquele mocinho como se fosse a coisa mais normal do mundo. E os nomes dos personagens? Na vida real não é muito mais Roberta, Marlene, Daniela, Carol? Mas já deve estar acabando e logo vem uma bem pior (diz que é da Gloria Perez?). O livro: nunca sei o que falar da Isabel Allende. Acho que só falta um livro pra eu ler e gostei até daqueles com que eu tinha má vontade (o do Zorro). Não consigo nem ficar de má vontade com ela, apesar de ela ter ido visitar uma favela no maior esquema turista durante uma viagem ao Brasil, ou de ela ter feito plástica porque não se conforma que tenha que envelhecer. Gosto dela como se gosta de uma amiga, perdoando as pequenas (ou grandes) falhas. De todos os que li, esse foi o de que gostei menos: fiquei satisfeita por tê-lo alugado e não comprado (ainda está em edição de capa-dura, bem mais cara). Apesar dela contar a história da família com muito mais competência do que eu o faria, ou qualquer um de nós, ainda assim não é tão bom quanto a os livros de ficção ou quanto o outro de memórias. Como em Paula, gira bastante em torno da ausência, de saudade, temáticas de que eu gosto muito, especialmente por causa da minha história com a minha irmã.

Acordei no sábado para esperar o empanturramento de almoço num restaurante que serve um churrasco coreano do tipo coma-até-explodir-se-assim-o-desejar. E sempre o desejamos. Voltei e terminei de ler Slam, do Nick Hornby. Tinha ficado meio assim, porque supostamente é pra adolescente, né? Também é. Mas não é nem um pouco chato nem dã e é mais ou menos (bem mais ou menos) como se fosse ler a história do que seria uma versão adolescente do Rob, de Alta Fidelidade. Fiquei aflita e feliz e aflita de novo com toda a história, sinal de que é bem escrita. Tirei uma soneca muito longa, acordei pra jogar tipo um Scrabble e perder incontáveis vezes. No domingo, não consigo ficar acordada para o 2º tempo do jogo do São Paulo. Uma força poderosa tomou conta de mim e me obrigou a dormir no sofá. Mas: tricolooooor!

P.S. Corrigi os erros de digitação e de português que achei. Drogaaaa. Destesto esses erros ridículos.

4.12.08

3ª séria A da Tia Ruth do Colégio Pequenópolis

Ou não. Eu, no horário de trabalho, sem nada pra fazer:

1. Que horas você acordou hoje?
7:42

2.Diamantes ou pérolas?
Nem diamantes, nem pérolas. Gosto de prata.

3. Qual foi o último filme que viu no cinema?
Happy Go Lucky. Muito ruim.

4. O que normalmente come no café da manhã?
1 banana, 2 palitos de queijo e café aguado com leite.

5. Qual é o seu nome do meio?
Não se aplica, né? Não se usa middle name no Brasil, que eu saiba.

6. Qual comida você não gosta?
Fígado.

7. No momento, qual é o seu CD preferido?
Gal a Todo Vapor

8. Que tipo de carro dirige?
O do Menino Mais Lindo do Mundo. Um Toyota Nissan (dá pra ver que eu sei tudo de carro, né? Mas sou ótima motorista). Bem de vez em quando.

9. Sanduíche preferido?
Pão integral com um tantiquinho de maionese, tomate e abacate fatiado. Mas não sou muito fã de sanduíche.

10. Que características despreza?
Se-achismo.

11. Roupas preferidas?
Gosto de saias e vestidos em "A".

12. Se pudesse ir pra qualquer lugar do mundo de férias, para onde você iria?
Pra casa.

13. Marca preferida?
Ainda tem gente que pensa nisso?

14. Onde gostaria de se aposentar?
No Brasil.

15. Qual foi o seu aniversário recente mais memorável?
O mais memorável foi um bem ruim. Não careço relembrar.

16. Esporte preferido pra assistir?
Futebol.

17. Quando é o seu aniversário?
28 de abril.

18.Vicê é uma morning person ou uma night person?
Night person. Sempre fui. Não compreendo o mistério da natureza que é gente de bom humor e cheia de energia logo que acorda. Quando eu fazia cursinho, confesso que joguei dinheiros dos genitores meio que no lixo, porque eu ficava acordada de madrugada estudando, quando estava tudo quieto no mundo, e aí era bem difícil ir às aulas.

19. Quanto calça?
36. Em numeração daqui dos EUA, 6½ (bem conveniente essa meia numeração, viu?)

20. Animais de estimação?
A Cuca, olha ela lá em cima, que linda. Agora ela mora com os avós que não podem nem pensar em se separar dela.

21. Alguma novidade que gostaria de compartilhar?
Amanhã vou a uma festinha.

22. O que você dizia que queria ser, quando criança?
Caixa de supermercado.

23. Como você está hoje?
Pronta pra ir pra casa desde que cheguei aqui. Aliás, desde que acordei.

24. Qual é o seu doce preferido?
Pavê. Acho. Não ligo muito pra doce.

25. Qual é a sua flor preferida?
Não tenho flor preferida. Ando numa fase de gostar de cravos.

26. Por qual dia do calendário você está esperando ansiosamente?
Sexta-feira, 19 de dezembro, quando eu vou tirar uma semaninha de férias.

27. Qual é o seu nome completo?
Ãin.

28. O que você está escutando agora?
A pourra do rádio da Radio Lady.

29. Qual foi a última coisa que você comeu?
Iogurte light de banana com morango.

30. Você faz pedido pra estrelas?
Não.

31. Se você fosse um lápis de cor, que cor seria?
Eu não gostaria de ser um lápis de cor! Que tipo de pergunta é essa? Será que tem gente que acha mais fofinho e criativo que simplesmente perguntar que cor a gente gosta? Azul para colorir as paredes do seu quarto com a cor do mar? :P

32. Como está o tempo agora?
Tá um friiiiio. E acho que está nublado, mas não dá pra ver da minha mesa.

33. Última pessoa com quem você falou no telefone?
Um carinha chato que é amiguito do meu tchefe.

34. Refrigente preferido?
Guaraná Diet com gelo e laranja.

35. Restaurante preferido?
Mestiço.

36. Qual era o seu brinquedo preferido quando criança?
Livro conta?

37. Inverno ou verão?
Verão.

38. Beijos ou abraços?
Abraço.

39. Chocolate ou Baunilha?
Chocolate.

40. Café ou chá?
Café de manhã, chá a qualquer hora.

41. O que tem debaixo da sua cama?
Nada. Minha cama é no chão.

42. O que você fez na noite passada?
Fui dar uma caminhada, jantei, joguei joguinho de nerd na internet, li e fui dormir.

43. Do que você tem medo?
De morrer afogada ou de câncer.

44. Salgado ou doce?
Salgado, sem dúvida.

45. Quantas chaves tem no seu chaveiro?
3. De casa, do banheiro do escritório e do escritório.

46. Há quanto tempo você está no seu atual emprego?
Deixa eu ver... Mais ou menos 1 ano e 4 meses.

47. Dia preferido da semana?
Sexta-feira.

48. Em quantos lugares você já morou?
Em 3 casas/apartamentos em São Paulo. 1 casa aqui.

49. Você faz amigos facilmente?
Não. Eu fico muito quieta no meu canto, fingindo de grossa, só observando as pessoas. Incrível o que um pouco de observação faz. Dá pra sacar bem direitinho as pessoas.

50. Gostaria que alguém respondesse esse questionário?
Uai, claro. Quem quiser. É bobinho, inofensivo e uma viagem à 3ª série, né?

23.11.08

Minha mãe

Minha mãe ficou de barriga de mim quando já fazia tempo que ela achava que tinha fechado a fábrica e parado todas as máquinas. Acho que ela já tinha desistido de me ter -- isso antes de me esperar -- mas depois ela me salvou, porque sabia sobre mim e sobre o escuro da barriga redonda e cheia melhor que o Dr. Alcides, o ajudante da luz a quem minha mãe me deu (mas só um pouquinho, depois ela me pegou de volta).

A luz me pegou nos braços e colocou um gorrinho cobrindo o cabelinho preto, também escuro como dentro da barriga da minha mãe. O gorrinho era pra não assustar os meninos em casa. Se eles ficaram com medo do nenê na sacolinha, eu não sei, mas quando meu cabelo ficou grande de novo, os meninos até gostaram de mim. Aí ela tirou o gorrinho e todo mundo me achou o joelho mas bonito do mundo, o joelho menos joelho que existia. E ela me deu um beijinho; meu pai também. E depois os meninos, com cuidado. Essa parte eu tive que inventar, porque eu estava lá, mas não me lembro.

Bem cedo ela me punha meias brancas até o joelho, sainha plissada e tênis de couro que fervia o pé. Ficava acenando tchau no portão. Ela sorria contente. Às vezes, chorava também. "Que menininha tão bonitinha que eu fiz," ela pensava. "Eu e o Olo." Ela não pensava a mesma coisa sobre os meus irmãos porque eles já eram grandes.

Um dia, ela foi aprender a dirigir. Nunca aprendeu. Nem com almofada pra tentar enxergar bem ali na frente do pára-brisa do fusquinha. Eu dormia até ela voltar, porque tempo dormido é mais curto que tempo acordado e aceso. Ela chegava e se deitava comigo, as duas de barriga pra cima. "Fecha os olhos", ela dizia, e contava a história da vaquinha que chupava o dedo. Quando as aulas de direção terminaram, ela me levou pra passear de carro com ela. Foi a primeira aventura que a gente viveu juntas.

Um tempo depois, ela ficou a pessoa mais triste, porque meu pai ia pra cá e pra lá, e eu ia pra lá e pra cá bem colada com ele, e ela não se conformava: tanto brigadeiro enrolado pra festinha no primário, tanto aconchego na toalha amarela felpuda com orelhinhas, não pode ser assim... Mas eu voltava sempre, então ela se esquecia da ingratidão. Nessa época, eu não conhecia essa palavra, nem sabia o que era isso. Acho que eu só sabia ler umas palavras assim:

ioiô iaiá via Vivi

Antes que alguém me pergunte, já digo logo que eu gosto da minha mãe e do meu pai bem igual e grande, mas é que agora a composição é sobre a minha mãe.

Minha mãe canta mais bonito que a Dolores Duran e a Maysa. E coloca aí a Elizeth Cardoso. Ela escreva poesias num caderno velho, mas as coisas mais bonitas e lindas que ela já escreveu são:
bolinho de chuva
chorinho no telefone, de saudade
café preto bem quentinho, passado na hora no coador
uniforme da escola esquentado no forno de debaixo da coberta
colcha de retalhos de pijamas de bonecos de neve, navios e corujas
vestido de noiva cousturado de cortina de banheiro
avestruz com penas de peru que ela fez pra um trabalho do colégio
Na condição de uma mulher do século XXI, conhece a arte de fazer bolinhas saltarem bem longe apenas com a força da perereca cabeluda, mas não acho que ela realmente tente isso. É melhor nem pensar nisso, porque mãe da gente só tem três coisas da anatomia humana:

mão macia
colo quente
e coração valente (só pra rimar).

Agora chega de escrever porque este livro é de presente pra ela e eu já ocupei muitas páginas.

Um beijo e um abraço apertado da
Ioney
(maio/2004)

Eu escrevi essa dedicatória num caderno que dei pra minha mãe quando ela teve que ficar um tempão no hospital. Pra passar o tempo ela escrevia poeminhas -- e ainda escreve. Os poemas que ela escreveu, minha tia Emi, que faleceu há pouco tempo, ajudou a compilar pra publicar num pequeno livrinho que se chama "Meus Guardados"*.

Um poeminha da minha mãe, que ela dedicou pra mim no meu aniversário de 2004:

Cantiga de ninar
(cantar devagarinho)

Volte, volte, meu menino
Deite no meu colo, venha a ser feliz
Volte, volte, meu menino
Venha brincar, venha cantar
Só assim vai ser feliz
Volte, volte, meu menino
Deixe a tristeza
Só assim vai ser feliz
Cante, cante, meu menino
Só assim vai ser feliz
Feche os olhos, feche os olhos, meu menino
Venha ser feliz
Feche os olhos, feche os olhos, meu menino
Venha ser feliz

(nome completo da minha mãe)

*Acho que a moça revisora "reviu" o que eu escrevi, porque ela colocou uns parágrafos onde eu não colocaria, acentuou palavras que nem o nariz dela e cortou pedaços de texto. Eu copiei a dedicatória diretamente do livrinho, de modo que tentei reconstitui-la do jeito que eu acho que ela era.

29.10.08

Livros que amei (ou não): Memórias de um futuro distante

No transcorrer do dia, vou escrevendo notinhas mentais para publicar aqui. A da quarta-feira passada começou com "Acredita que ainda/já é 4ª feira"? Não me lembro mais qual das opções. E continuava falando sobre meu amor por Asimov e como ele me manteve (mais) isolada no tempo (as histórias, você deve saber, são no futuro, daqui a muitos mileanos) e no espaço (no quarto, na varanda, na cozinha do escritório). Também não ajudou o vício redescoberto em jogar Scrabble, tipo Top Letras, nas internetes.

A primeira vez que li Asimov foi aos 14 ou 15 anos, quando eu freqüentava (já está valendo a nova reforma ortográfica?) a biblioteca do Colégio Bandeirantes. Pra quem não é de São Paulo, é um colégio reduto de CDFs de carteirinha, onde todos os alunos competem entre si pelas melhores colocações na sala, em cada matéria, em todas as salas da área de concentração e, finalmente, com o colégio todo. O Colégio Bandeirantes fica no Paraíso, de que eu fui me afastando a passos largos, figurativamente, conforme minhas notas iam ficam cada vez mais menorzinhas. Foi a primeira vez em que estudar não era mais um prazer, era um meio para atingir um fim que eu não conseguiria e não queria atingir. *

O ano em que eu prestei vestibulinho pra entrar no colegial, foi o ano em que minha vó morreu. Foi até, se não estou enganada, no mesmo dia da prova. Não estudei pra diminuir minhas chances de passar. Por decisão do meu pai e do meu irmão Gunguinha, prestei prova para as turmas de Biológicas. E fui cair na última turma, a 1B6, à tarde. Evidentemente, minha família confiava muito no meu taco (que se provou bem curto): no 3º semestre, pedi água com medo de repetir de ano em Química, Matemática e, principalmente, Física (ou ainda pior, Laboratório de Física). Fui "estudar" no Objetivo da Paulista. E não é à toa que coloquei estudar entre aspas.

Nesses 6 meses de Bandeirantes, fiquei pela primeira vez com um mocinho que *eu* escolhi, e não meu grupo de amigas (e que era mais novo,), vim fazer um curso de inglês na Califórnia, e minha primeira sobrinhinha, a Gabi, nasceu. Foi o lugar em que eu percebi que não era aquela coca-cola toda academicamente, se é que eu posso chamar assim, conheci o Isaac (Asimov) e em que eu fiz minha amizade mais duradoura, e uma das melhores: Maria Renata. Ela vem e vai, eu vou e venho, mas ela está sempre na minha vida. Pra ela (e pro Rafa e pro Neutron) pode ser que saia uma série de posts com receitas para dummies.

Você deve conhecer o Asimov, se não pelos livros, pelo filme Eu, Robô, que não vi, não quero ver e tenho raiva, etc. Acho que o livro que eu peguei no Bandeirantes foi justamente um sobre robôs, porque ao ler os livros da trilogia da Fundação**, reconheci imediatamente as Leis da Robótica, esfreguei as mãos e arregalei os olhos como boa nerd que sou. Se, na época de escola eu tive que recolocar o livro na estante pra tentar cede-efar um pouco, quando peguei no primeiro livro da série (Prelúdio à Fundação), não quis mais largar e comprei todos os livros da série. Só falta o último, que eu estou economizando (por isso leio Ana Karenina, que, gente, demora de-mais pra se jogar debaixo do trem).

E como não gostar de Asimov? Não entendo nada do que ele fala sobre parsecs e anos-luz e espaçonaves gravíticas, mas uma menina há que amar um homem que se formou aos 19 em Columbia, quando já era escritor de ficção científica, e que se tornou doutor aos 28 em Bioquímica. Mais nãrdolino não tem, né?

Mas a melhor notícia, melhor até do que a da união de minha alma geek com a de IA, é que se você googlar "Fundação" e "Asimov", você encontra os livros pra baixar e dar uma espiada, o que eu muito, muito recomeindo.

*Aliás, preciso comentar de uma idéia "genial" que um povo por aqui teve, de pagar os aluninhos com as melhores notas em certas provas. Pra "incentivar" o bom desempenho, sabe? Porque a vida é assim, né? Recompensa é sempre financeira. Pra que incentivar curiosidade, prazer em entender e pesquisar, em fazer perguntas? Que idéia de jerico (hein? como se escreve isso?) foi essa. E que diretora de escola permitiu que implantassem esse programa? Não sei o que vai ser dessas crianças quando elas crescerem e perceberem que as coisas boas da vida, as recompensas não se traduzem só em quanto dinheiro elas ganham. Ou quando precisarem agir porque tal e qual atitude é correta e boa, mas não porque vão embolsar sei lá quantos dólares.
**Começou trilogia, nos anos 50 e tornou-se série, nos anos 80, quando Asimov escreveu mais livros pra contar o que aconteceu antes e depois da história da Fundação, por pressão dos fãs e das editoras.

3.9.08

Minha vida não é glamour (pro Rafa, principalmente)

E nada de muito uau! acontece na minha vida rotineira. Pois é, eu ganhei (da Dee, que ganhou dinheiro num programa do Silvio Santos, I kid you not) uma cachorrinha linda de carinha achatada e rabicó de leitãozinho que me salvou a vida quando eu fiquei mais triste, encontrei esse menino lindo com quem eu não me canso de fazer conchinha e mudei de hemisfério por causa dele (e de mim), deixando pra trás meus amigos e minha família, a Cuquinha e as frutas e verduras que têm mais sabor e de que eu sinto saudade. Maracujá doce, por exemplo. Ou carambola. E escarola que é amarga de verdade. Ou jiló.

Mas na maior parte do tempo, a vida é dizer que eu não quero vir trabalhar, e chegar no trabalho e ler Google Reader e falar com gente chata no telefone e, às vezes, até lavar a xícara de café do meu tchefe porque eu já não agüento mais ver a xícara cheia de café velho na mesa. Às vezes meu tchefe vem trabalhar: muitas vezes não. Aí as horas se arrastam bem de. va. ga. rinho. e ninguém fala comigo no MSN o dia inteiro e no trem eu leio um livro e o menino mais lindo do mundo me pega na estação pra gente ir ao supermercado com um bico desse tamanho porque não gosta de "perder tempo" fazendo compras, conversando sobre nada e sobre tudo no caminho, e volta pra casa com legumes e frutas e faz um jantar gostosinho e a marmita do dia seguinte. A gente joga um monte de jogos diferentes com dominó. Ou joga Scrabble no computador. Ou assiste Project Runway. Ou ele vai tocar guitarra no porão enquanto eu vejo CSI ou leio um livro que aluguei. E estuda um pouco de francês depois de enrolar o máximo que a gente pode.

Eu tirei um dia de folga pra emendar no feriado dessa segunda, mas acordei doente e acabou que não fomos pra nenhum lugar. A gente foi no museu no dia em que se paga o quanto quiser pra entrar (no nosso caso, 15 dólares pra 4 pessoas), o museu estava lotado e não tinha quase que nada de novo. Uns amigos do menino mais lindo do mundo vieram de Arizona e a gente só comeu porcariada. À noite meu nariz estava entupido e eu tive que respirar pela boca enquanto dormia e hoje meu nariz está escorrendo e já está doendo de tanto passar lenço. Fui no oftalmo, meu grau aumentou. Tô quase com a visão de um morcego. Meu lábio está ardendo um pouco. A minha vizinha de mesa ouve as mesmas 5 músicas todos os dias na rádio que toca só essas 5 músicas e recusa-se a desligar o rádio (eu pedi pra ficar pelo menos metade do dia no silêncio) porque ela PRECISA do rádio porque é a ÚNICA distração que ela tem. Olha, eu PRECISO de silêncio e PRECISO da minha sanidade mental. Por isso resolvi -- agorinha -- que vou trazer as coisitas de enfiar no ouvido e todo mundo vai me odiar porque eu tenho o nariz empinado e não posso nem ouvir um pouco de rádio? Às vezes dá preguiça e a gente vai comer no indiano em Delaware ou no brasileiro em Philly ou no nosso restaurantezinho preferido (às 5 da tarde, quando não tem fila infinita). Quinta ou sexta depois do trabalho, quando dá, eu vou ao bar perto de casa com a minha roommate e a gente conversa sobre política.

Eu não sou a pessoa mais produtiva do mundo, não escrevo mais nada, nem no blog, os últimos desenhinhos que eu fiz são aqueles do dicionário de espanhol, meu nome do meio é Procrastinação, meu sobrenome deveria ser Preguiça de Tudo e minha vida não tem um pingo de glamour. Mas lendo aqui não parece que é tão cheia de acontecimentos e emoções?

27.8.08

Oi-tudobem-vocêvemsempreaqui?

Há pessoas que me lêem dos EUA. Oi, tudo bem? Digam oi pra mim também. Também tô aqui, perdida na Filadélfia, vivendo uma vidinha de ermitã (lagriminha). Também tem um pessoal na Europa. Oi, pessoal da Europa! E oi pessoal do Brasil também.

Não morri, né? Saí (num dia de semana! e gente velha não sai em em dia de semana) e não morri. Também achei bom dizer que eu não tinha morrido porque faz muitíssimo tempo que não escrevo nada. Acho tudo desimportante de dizer. Como quando a gente vê alguém que não vê há muito. Falei com minha mãe no telefone no fim-de-semana passado. Adoro muito conversar com a minha mãe. Ela me conta o que meu pai e ela comeram durante a semana. Se o cabelo dela está crescendo. As coisas que a Cuca aprendeu a fazer -- falar. Essa semana comprei cravos cor-de-rosa e amarelos pra colocar no quarto. Meu cabelo ontem acordou empinado atrás. Tentei de cuspe a pomada, mas nada deu conta. Eu fico pesquisando sobre McCain e Obama e Bush e Clinton, pra poder mostrar pra nossa roommate, que é republicana (mas que é super mente aberta) e, quem sabe, convencê-la de que não só o Obama é mais bacana, mas que, no geral, democratas são melhores. Eu não concebo falta de solidariedade e essa coisa de cada um por si. Tô lendo Bill Bryson de novo. E Douglas Coupland. Tentando criar vergonha na cara e começar de fato alguma coisa (e eu repito isso todo dia, mas acho que me falta um pouco é sofrer, porque sofrer faz a gente ficar super criativo eu acho). Tirei sexta de folga e acho que a gente vai pra Nova Iorque. Passear no zoológico. Mas ainda preciso ver um hotel.

13.8.08

Ixi, agora que eu percebi que mudei

uma das perguntas do último meme. As perguntas estavam em inglês e eu tentei passar pra português. Tentei, né? Sem pedir ajuda de especialistas em tradução: nervocalm ou Renata. Alô, universitárias? Eu não sei traduzir, ouquei? Sou péssima. Se eu entendo o que a palavra signifca, não fico procurando palavra em português que signifique o mesmo. Enfim. Era pra ser 3 coisas que te freak out, em vez de 3 coisas que te dão nos nervos. Que até poderia ser mais ou menos freak out. Mas acho que freak out pode ser mais coisas ou, melhor, coisas mais fortes que só dar nos nervos. Tipo ficar fora de si (de nervoso, ansiedade, nojo, medo).

12.8.08

15 vezes 3 coisas

Quem me chamou pra responder esse questionário foi a Dri. Oba!

1. Quais são as 3 últimas coisas que você comprou?
  • comprinha numa farmácia/tem-de-tudo (mais de 3 coisas): uma máscara pra dormir, pro Menino Mais Bonito do Mundo, caderninho (super vício, hein?), lapiseiras, borrachas e canetas (uma super bacana, prata metálica)
  • xampu, condicionador e sabonete líquido
  • 3 livros na Amazon (All about me, Life after God e The Age of Revolution)
2. Quais são as 3 últimas músicas que você baixou?
Ãin. São mais que 3 músicas também. Outro dia baixei CDs da:
Estava super desacostumada. Não sei se vou fazer CDs ou deixar atulhando a memória do laptop.

3. Quais os 3 últimos lugares pra que você foi?
  • Nova Iorque
  • Amish Country
  • Brasil/São Paulo, São José do Rio Pardo
4. Quais são seus 3 filmes favoritos?
  • Amor à Flor da Pele
  • Amélie Poulain (tão quase clichê, mas e daí?)
  • Central do Brasil
Sou péssima com essas listas. Eu esqueço de livros e filmes que adorei fácil-fácil e nunca lembro de título.

5. Quais são suas 3 coisas preferidas?
  • meus brinquinhos de bolinha prateada fosca, que eu uso todos os dias
  • a cobertinha de pijamas que minha mãe fez
  • fazer conchinha com o menino mais bonito do mundo (não é coisa, roubei)
6. Com quais 3 coisas você não poderia viver?
Fora as coisas mais óbvias (mas não menos importantes, claro): família, amigos, o amor de um cãozinho, uma história de amor bem vivida (ai, como sou brega)...
  • livros
  • computadores
  • massagem
7. Quais seriam 3 desejos?
  • ter super poderes pra aprender tudo fácil e rápido
  • não precisar nunca ir ao supermercado
  • não precisar trabalhar, mas por querer/gostar
8. Quais 3 coisas você ainda não fez?
  • mestrado
  • voar de asa-delta
  • ir pra África, Europa, Ásia e Oceania
9. Quais são seus 3 pratos preferidos?
Sem contar todas as comidas que a minha mãe faz (menos buchada).
  • o prato de carnitas de um mexicano aqui em Filadélfia (vem com arroz, feijão, carne de porco desfiada e fritinha, guacamole, pico de gallo e tortillas)
  • pão com requeijão (e mortadela, mas tem que ser brasileira e com pimenta, ou salame)
  • sopa de feijão com bacon e salsinha
Agora ando numa fase escarola refogada – não sei se é um amor pra sempre. E quiabo.

10. Com quais 3 celebridades você gostaria de se encontrar ou sair?
  • o Paul Auster (vale como celebridade?), pra um brunch em Nova Iorque
  • o Philip Seymour Hoffman, pra tomar umas cervejas e, quem, sabe dançar bêbados
  • a Adélia Prado, pra tomar um chá com biscoitos ou comer uma comidinha mineira feita em fogão à lenha
Ou... Nenhuma? Eu sou tímida, ia ser uma porcaria.

11. 3 coisas que mexem com seus nervos.
  • exposição a barulho/música alta por longo período de tempo (longo período é relativo: às vezes é, sei lá, 2 horas)
  • gente folgada que se encosta em “gente que faz”
  • gente que não fala diretamente o que pensa e dá cutucadinhas em vez de ir direto ao ponto
12. Se pudesse se descrever em 3 palavras, quais seriam?
  • nerd
  • intuitiva
  • observadora
13. 3 coisas diferentes que você faz bem.
  • sacar pessoas – como eu não chego falando, só olhando, eu sou boa de sacar se alguém é, em termos gerais, boa ou má pessoa; sei juntar pedacinhos de conversa pra formar uma idéia completa, e geralmente bem precisa, de alguém
  • dar conselhos (até iguais ou parecidos com de psicólogos!)
  • cafuné (rerrê): é mais uma massagem de cabeça
14. Quais 3 coisas você super quer atualmente?
  • que meu cabelo cresça rápido (ou que eu comece a gostar desse corte)
  • receber um livro do Mia Couto (e mandar um lá pra Portugal)
  • não ter que substituir a recepcionista/telefonista nem por 1 hora mais na minha vida
15. 3 pessoas pra brincarem com você?
E quem mais quiser.

11.8.08

Meu pai também disse

Que eles comeram maionese com palmito (o prato maionese, não maionese ela mesma) e camarão com macarrão de almoço de Dia dos Pais. Saudade da comida da minha mãe... Quando eu fui pra lá, ela tinha feito: alcachofra (pra comer com shoyu e azeite), charutos (enrolados em couve), soba (com "b" mesmo, a sopa japonesa) e salada de palmito. Tudo ao mesmo tempo agora. Ela ficou super feliz porque eu disse que eu já tinha feito todas essas comidas de mãe em casa (menos salada de palmito que aqui é caro e eu só como quando vou no restaurante brasileiro furrequinha). É assim que a gente se conecta, minha mãe e eu. Falando de comida, reclamando de tudo. Quando a gente se fala parece que nem moramos longe.

Mas nem só de lágrimas pelo cabelo perdido a vida é feita:

Ontem fiz uma mini maratona de Grey's Anatomy, comendo um pouco de pipoca.* Porque minha cabeça não conseguia mais ler The Political Brain, um livro super bacaninha que explica como o cérebro processa informações, especialmente em época de campanhas eleitorais. Dá um monte de conselhos pros democratas (que serviriam pra esquerda brasileira também, que faz a mesma coisa). Minha família ligou. Meu irmão ganhou um boxer e me pediu sugestão de nome. Minha mãe chorou um pouco (ai, ai) e contou que ela e meu pai ensinaram a Cuca a falar. Não sei de onde que eles tiraram de ensinar a Cuca a dar um latidinho quando eles pedem. Minha mãe também me contou que a Cuca sabe que meu pai não deixa ela fazer um monte de coisas, então ela pede pra minha mãe, em vez de pedir pra ele. Meu pai me disse que pagou minha OAB e comprou fotos da minha formatura (que foi em 2001: meu pai dormiu na cadeira e meu irmão tímido bebeu um pouco pra dançar comigo), porque o fotógrafo ia destruir se ninguém quisesse. Comi berinjela à parmegiana.

* Nesse link aí dá pra ver os vídeos online, sem precisar baixar nada. Dei uma sapeadinha em outros seriados, alguns têm qualidade bem ruim, ou têm legendas em chinês (acho que é chinês), que é meio pentelho de ver.

9.8.08

A saga do cabelo continua

Desde que eu cheguei aqui, faz o quê?, quase 2 anos, só gostei de um corte -- que eu ganhei da irmã do Menino Mais Lindo do Mundo. Não ajuda mundo que eu esteja em perto de Filadélfia e essa cabeleireira esteja perto de Phoenix. 5 horas de vôo. Rá.

Porque eu fui com essa foto, que eu mostrei no post abaixo, pro cabeleireiro chinês (que não fala inglês, mas entendo cabelo de japa) e completei com "só que não tão curto". E repeti, com outras palavras: "um pouco mais comprido" . E ele fez que entendeu.


Tinha outra foto mostrando o mesmo corte, de perfil. Se a gente não fala a mesma língua, pensei eu, certamente a fotinha valerá por todas as mil palavras que eu não sei falar em chinês.

Eu não vejo nada sem óculos. Eu tiro quando começa o corte (claro) e vou rezando pro santo padroeiro dos cabeleireiros pra guiar a tesoura e a navalha deles. E dizendo minhas rezinhas, de olhos fechados permaneci, quando a dona do salão me tirou do meu estado meditativo: "Você gosta do seu cabelo CURTO ASSIM? REALLY?"

Por JC! Coloquei os óculos, olhei pro espelho e disse: Not really. Só que não assim, com voz firme. Já meio descontrolê. E chorei. Chorei, tomei água, fiquei com o nariz escorrendo e tudo mais. E aí a dona do salão me devolveu o dinheiro, me abraçou (!!! imagina uma chinesa morando no EUA, o que precisa pra levar a abraçar uma desconhecida), pediu mil perdões, gritou em chinês com o cabeleireiro que não sabe ver fotos e disse: "Eu sei como é. Pra meninas, cabelo é tão importante! Desculpe, desculpe, desculpe". Eu disse que tudo bem, que acontece, que em 2 semanas meu cabelo vai ter crescido (mas não vai, né?, não vai).

Ocorre que esse moço cabeleireiro de hoje deve ser super fã de Natalie. Quando ela fez V de Vingança. Porque eu saí de lá com mais ou menos esse corte que agora lhes mostro:


(à foto dei o nome meigo de "car", de "careca") Corte que ela teve depois de ter raspado a cabeça e não depois de ter mostrado uma foto de uma moça super bonita com um corte que ela queria ter pra uma pessoa que a gente acha que, né?, sabe olhar a foto e copiar, porque fez curso, etc. Em defesa do moço, devo dizer que, ouquei, também é um corte que a NP usou. Então, né?, assim, longinquamente, era isso o queria. Só que eu não sou a Natalie. Portanto, não orna. Não sei nem se orna com ela. Que dirá comiga. Então agora eu tenho esse cabelinho super, como dizer isso sem ofender ninguém?, por favor não se ofendam, meninas que gostam de meninas, eu sou super S (as in GLS): fiquei com cara de sapata. Pra compensar, comprei um brincão daqueles que ficam compridinhos depois do jantar.

Mas voltando à Chinatown. Enxuguei as lágrimas e a caca de nariz na saia e escrevi uma listinhade vantagens em ficar careca:
  1. economizar no xampu e no condicionador;
  2. levar delta t meno 3 minutos no banho;
  3. economizar no cabeleireiro (daqui a uns 6 meses devo ter que cortar o cabelo de novo);
Deixei o ponto e vírgula no fim porque fiquei pensando se tinha mais alguma coisa pra colocar lá. Acho que não.

8.8.08

Meu bebelo

Isso é pra mim. Pra eu não ter que ficar procurando foto da Natalie com cabelo curto to-da-vez que vou ao cabeleireiro chinês (a gente não fala as mesmas línguas). Esperança nunca morre, né? De ficar *um pouco* parecida com a Natalie.

6.8.08

É muito difícil viver uma vida dupla:

esqueci o meu nome de usuário e a senha da pessoa que eu fingia ser. Ela tinha também uma conta de e-mail no yahoo. E uma conta google. Super quase uma pessoa de verdade, hein?, com essas coisas. Esqueci tudo. Queria continuar a escrever, acho que vou ter que criar outra conta e ir copiando a coisa toda de pedacinho em pedacinho. Adele Jameson. Deve estar cheio de erros. Por um tempo, ela até se correspondia com uma ou duas pessoas que gostavam dela. Depois parei, porque eu achei desonesto e cruel e contava que era mentira. Dava pra saber que eu não era ela pelo meu I.P. quando eu deixava comentários em outros blogs me passando por ela. Mas, né? Acho que as pessoas preferiam não descobrir. E, lógico, achavam que eu era descompensada.

Atualização: Nada como uma noite de sono pro seu cérebro processar informações escondidas em recônditos antes inacessíveis. Lembrei a informação do yahoo, que tinha a informação do gmail. Oba!

31.7.08

Coisas que me fazem sofrer(zinho):

Ficar escolhendo cachorrinhos em sites de adoção, quando nosso landlord não deixa de jeito nenhum ninguém ter animal de estimação.

Livros que amei (ou não): guerra e humanidade

A long way gone, de Ishmael Beah

(Muito longe de casa, título publicado no Brasil)

Atualmente ando me perguntando se sou super chata e não sei mais gostar de nada. Sempre, sempre essa dúvida. É muito difícil eu ficar toda babandinho e de olhinhos virando por causa de um filme ou um livro. Esse comprei pra começar a participar de um grupo de leitura -- não porque eu realmente tivesse vontade de encontrar pessoas aleatórias, oi, nunca te vi, pra falar sobre livros, mas porque é muito difícil fazer amigos aqui. Eu acho. Não ajuda que eu sou super ermitãzinha e facilmente irritável pela babaquice humana. Ou pela total falta de bom senso dos seres que nos cercam. E aí eu ia encontrar pessoas novas e, né?, quem sabe? Elas gostam de ler e eu também. Ocorre que esse grupo tem trizilhões de membros, com encontros à noite, na cidade (que é Filadélfia; eu moro numa cidadezinha-inha que fica na fronteira sul). Quando eu decido que, ouquei, pode até ser que, depois de ter chegado em casa, feito janta, tomado banho, começado a pensar em, sei lá, morgar um pouquinho, eu vou pegar o trem de volta ou ir de carro e vou lá no site do grupo responder que vou, não tem mais vaga. Modos que nunca nem sequer encontrei essas criaturas leitoras e, portanto, não pude encontrar nenhum(a) best friend forever. Não consegui encontrar nem ninguém pra ser caleguinha.

Fato é que todo mundo ficou super bilu-bilu, fazendo assim com o dedo no beiço feito bobinho, com esse livro. Que não é ficção. É a história desse menino de Serra Leoa que acaba tendo que virar um soldado e lutar na guerra civil. Não, por óbvio, porque quer, mas porque tem que sobreviver.

Aí as pessoas dizem que é o livro mais sensacional de todos os tempos. Que, gente!, que honesto é o testemunho desse menino (que se mudou para os Estados Unidos e acabou se formando em Ciências Políticas). E como ele escreve bem! Acho que rola uma confusão. Ou um sentimento de culpa por nem saber onde Serra Leoa fica no mapa ou que esse país existia. Aí as pessoas "descobrem" que por-JC!, há crianças em guerras civis, passando fome, separadas de suas famílias, sem ninguém para dar-lhes afeto, conforto ou qualquer explicação. E confundem a bacanice (e a sorte) da vida do Ishmael poder ter ficado tão melhor, dele ter sobrevivido, tentado entender, escapado de ficar amargo, conseguir ir pra faculdade e tudo mais, com o escritor. O escritor não é a pessoa. Quer dizer, é, mas você me entende? Não dá pra achar que o livro é ótimo porque a gente sabe que o escritor sofreu e porque a gente fica sentindo um misto de dó e culpa. Eu não posso me sentir pressionada a achar que o livro é bom porque, pourra!, você não tem coração?

Então, assim. Pra engrandecer você e pra você ficar sabendo um pouco sobre Serra Leoa e a guerra civil, pra ser aquele tantinho de informação que não é tão distante e intangível e sem cara e identidade como uma notícia no jornal, eu recomendo. Como um livro bem escrito, que faz a gente chorar e se envolver e tãnãnã, não funcionou pra mim. Pronto, falei. Podem tacar pedras agora. Podem dizer que eu tenho coração peludo. Não me importo.

Never let me go, de Kazuo Ishiguro
(Não me abandone jamais, título publicado no Brasil)

Mas aí. Depois de achar que tinha me tornado uma pessoa de meia-idade super amarga, super jiló, reencontrei Ishiguro. Ishiguro, eu te amo! Sério. Ishiguro escreveu Vestígios do Dia. Se você viu o filme, leia o livro. Porque eu gostei do filme, mas o livro. O livro!

Se -- e quando -- você comprar esse livro, ou for ler, não leia a sinopse. Estraga toda a surpresa. Faça a compra (ou empréstimo) de olhos fechados. Não leia aquela parte que fala os temas dos livro (aquela do catálogo da Biblioteca Nacional ou coisa que o valha). Acabei de ver que tem na Livraria Cultura e a sinopse entrega tudo de bandeja. Buuuu.

Quando eu comecei a primeira página, fiquei assim: hein? Que é isso? O que Kathy (a personagem que conta a história) faz? Será que eu não sei inglês direito e não tô sacando a pegadinha? Mas fui indo. E tudo é tão sutil. É assim: leve porque é sutil, mas deixa um peso, uma tristeza. Uma coisa meio de desespero: mas por quê?, por que é que as coisas são assim? Um livro todo de especulações sobre entrelinhas. Sobre, especialmente, o que não foi dito e sobre as pontinhas das coisas que foram ditas, mas que não se desenrolam. Não há uma trama em que um monte de coisa acontece, em que a história muda de rumo pra lá e pra cá, mas você quer ler e ler mais porque também quer entender tudo. Você se surpreende porque vai descobrindo as coisas que não foram ditas também, e a história, o cenário vai se revelando. Como os personagens também foram descobrindo o que estava por trás de tudo que não souberam perguntar ou ouvir ou ver. É pra deixar a gente pensando: o que é que faz a gente ser gente? Quando é que a gente aprende a não questionar, a aceitar tudo e engolir?

Eu (muitos coraçõezinhos) Never Let Me Go. Mas não quero escrever muito sobre ele porque não quero acabar escrevendo spoiler.

Leia, leia, leia.

P.S. Agora resolvi googlar o título e te poupar o trabalho de ver se o livro foi publicado em português no Brasil.
P.P.S. Alguém aí viu Into the Wild? E não achou que era essa coca-cola toda?

30.7.08

Nota de falecimento

Ontem, faleceu o cacto de cabecinha vermelha que comprei no inverno/primavera deste ano por complicações advindas de uma mordida de esquilo. Segundo o boletim médico, após 3 semanas em terapia intensiva (na janela da cozinha), o cacto sofreu amputação da cabeça e parte do tronco, afetados por fungos, mas os resultados não foram os desejados. Sobreviveu ao ataque a companheira babosa, que sofreu apenas pequenas mordeduras, outros cactos, e aquelas plantinhas de folhas gordinhas de cujo nome não me recordo agora.

24.7.08

Eu amo:

4shared.

23.7.08

Uma historinha que eu escrevi faz tempo (Eu queria aprender a falar delicadezas):

Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, nem fizessem a gente se sentir pequena e escura por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão frio. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo de ela assustar com o barulho do vento entrando pela janela -- para colocar as mãos pra fora e sentir se frio, se calor, se azul -- com o barulho da roupa sendo vestida e do perfume voando no ar até o colo. A saudade enrolada na colcha de retalhos dos pijamas dos irmãos, costurados na máquina da minha mãe, os pés dela escondidos, pequenos, fazendo correr a agulha nos panos, os pijamas com desenhos de navios, com estampas de bonecos de neves de flanela, corujinhas com olhos grandes, sorrindo. Dava medo de acordar a saudade dormida com o barulho da lembrança da máquina de costurar. Eu queria aprender a falar delicadezas que fossem silenciosas e tristes como se fossem uma agulha guiando os fios de sedas azuis e amarelos e de outras cores também, a agulha, o dedal. O ponto cruz das flores no sereno. O sereno.
Eu trouxe essa colcha pra cá quando vim do Brasil da última vez.

Super quero isso:


Lembrança de fim de tarde na fazenda (onde aprendi a diferença entre pato e ganso). Os colonos (ui, que coisa mais... sinhazinha) e meu pai e irmãos jogando e espantando mosquito.

18.7.08

8 sonhos que a gente tem pra antes de desencarnar

Update: (Como assim o título estava sem pé nem cabeça e ninguém me avisou? E os erros de pontuação e etc.? :p)

Que a Penkala me pediu pra fazer. Obrigada! Já não me sinto tão só...

Regrinhas:
  • Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
  • Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
  • Comentar no blog de quem nos convidou;
  • Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
  • Mencionar as regras.
8 sonhos:
  1. Ter coragem pra fazer coisas criativas. Qualquer coisa. Não precisa ser sensacional.
  2. Conhecer melhor o meu país (e o mundo): ir pra tudo quanto é canto.
  3. Morar (ou ter, o que seria melhor) numa casinha bonita, com varandinha pra fazer refeições lá fora, ou morar num apartamento estiloso num lugar bacana e cheio de coisas pra fazer com o menino mais lindo do mundo.
  4. Ser fluente em pelo mais uma língua - espanhol, de preferência.
  5. Aprender mais e mais receitas, especialmente vegetarianas, e aprender a fazer pão.
  6. Ler todos os clássicos -- o que eu acho que é impossível, porque com o passar do tempo, mais clássicos temos.
  7. Fazer uma viagem ao espaço e ao fundo do mar.
  8. Inventar o combustível renovável e limpo perfeito (como eu não sei, já que não sei lhufas de química, mas é sonho).
  9. Mais um? Ver todas as minhas sobrinhas fazendo coisas muito legais, sendo felizes e inventando coisas e aprendendo.
Puxa, que sonhos mais bocós. Tão difícil isso de fazer lista pra mim. Nunca consigo.

As 8 pessoas:

17.7.08

Livros que amei (ou não): não mesmo

Eeeee Eee Eeee, de Tao Lin. Não passei das primeiras 4 páginas. Li várias críticas, as pessoas falando de como o livro é tudo, como é massa, etc. O menino mais lindo do mundo também tentou, leu umas 15 páginas. É muito estranho. Estranho só pra ser estranho. A coisa não faz sentido. Talvez eu seja burra, talvez eu tenha pouca sensibilidade artística, talvez as coisas do mundo me confundam e não façam sentido porque eu estou ficando velha e cada vez mais apegada ao jeitinho de tudo, das coisas, como elas sempre foram. Teria eu me tornado uma conservadora em minha tenra idade? Desacostumada a ver novidade no mundo? Pra mim, o que importa é a história e se é bem contada. Quanta gente no mundo que não tem nada a dizer, cujas histórias são tão mimimi, mas que o fazem tão bem, que a gente ri e chora e fica fã. Outras apelam pelo extremamente inusitado, porque parece que é assim que é agora. Tem que ser inusitado. Tem que ser super esquisito. Mas não me toca, não me emociona, não vai, gente, não vai. Eu poderia dizer que a história isso ou aquilo. Mas como li tão pouco, não sei dizer nada da história. Porque nem história nem estilo me envolveram o suficiente.

At a Crossroads - Between a Rock and My Parents' Place (Kate T. Williamson) foi outro que me deixou olhando para um ponto indeterminado no infinito e piscandinho bem blé. Aquela coisa, né? Olha que situação difícil na vida dessa pessoa (posso estar errada, mas não há nada no texto ou no que li sobre o livro que me faça achar que eu esteja): após ter-se formado em Harvard, onde estudou cinema, a autora vai para o Japão, onde passa um ano. De volta para os EUA, vai morar com os pais. Inicialmente, o plano é passar 3 meses. Ela acaba ficando lá por quase 2 anos, quando ela tem um momento de conexão íntima com o Universo e as energias telúricas e bling!, tudo passa a fazer sentido: ela vai mudar pra Nova Iorque.

Quer dizer, né? Que vida di-fí-cil. Acaba de terminar a faculdade -- Harvard, no less -- e vai passar um ano no Japão pra, sei lá, curtir o design, a arte, a tradição orientais. Aí volta pra casa e resolve escrever/desenhar um livro sobre esse ano fora. Enquanto vai a shows, faz aulas de patinação e assiste tevê. Mas, gente, não é só isso. Olha quanta coisa ruim acontece. Proteja-me JC!, os esquilos começam a fazer barulho no sótão! E ela percebe que não há mocinhos pra ela paquerar porque eles todos estão no colegial! E ela joga, sem querer, uma bola de tênis na cabeça de uma menina!

Podia ser emocionante? Lógico. Acho que quem escreve bem pode conseguir tirar leite de pedra. Faz do caso mais árido algo divertido ou interessante. Eu acharia o livro até que mais ou menos se não quisessem me vender que é pra eu ficar com pena dela porque, such a loser, ela tem que dar aulinha particular, não sabe o que fazer da vida e mora com os pais (que, aliás, pelo que está no livro não vêem nada de errado com toda a situação, não é que, nossa!, eles estão bravos ou indignados ou desapontados). Embora eu não veja nada de difícil nessa vida, pode até ser que fosse difícil pra autora. Mas ela não me conta isso. Ela só me mostra os pequenos fatos da vida e quer que eu sinta alguma coisa. Eu sinto: sinto muito. Se o livro tivesse outro nome, eu acharia mais ou menos. Porque os desenhos são super bacanas, mas o texto não acompanha. Não fico com pena, não fico triste, não fico alegre. Porque não tem história. Tem cenas. Olha eu jantando com os meus pais. Olha eu triste, deitada no chão do meu quarto. Olha eu passeando com o cachorro. Se me dissessem que são cenas da vida dela nesses 2 anos, eu estaria super ouquei, porque minha expectativa seria diferente. Se ela dissesse, olha, gente, eu fiz um diarinho, não é legal? É, é legal(zinho). Mas não me venha dizer que é pra eu super entrar na história, porque não dá. Não tenho os detalhes pra. Não entendo a babação de ovo por aí. Acho que as pessoas agora ficam impressionadas se alguém *faz* alguma coisa. Não precisa ser bom. Bastaria existir, bastaria ter iniciativa. O problema é que não basta.

16.7.08

Quero todas!



Todas essas revistinhas do Dan Price! Por 320 doletas, eu teria todas! Todas elas! Sonho meu! Tirei as figuras das capas diretamente do sítio do Dan Price. Quem sabe de pouquinho em pouquinho...

15.7.08

Me dei conta de que...

Não conheço ninguém que tenha realmente jogado Ludo. Ludo, pra mim, era o joguinho feito pra gente perder as pecinhas por aí.

Tem tantos blogues

Que eu leio de verdade -- não só pra ver fotos -- que não estão na coluna do lado, mas estão no meu Reader. Desculpaí, viu?, se eu não coloquei o seu blogue aqui. Achei que valia pedir desculpa, porque vira e mexe eu acho gente nova que tem meu link, mas eu não coloco nada novo aqui... Leio tudo, tudinho. Preciso comentar mais também. Sinto falta de quando meu blogue era mais movimentado, então acho que outras pessoas também gostam de receber uma notinha. Mas, anfã. Mea culpa.

11.7.08

Detesto reciclar posts.

Acho super falta de imaginação. Não gosto, não gosto. O menino mais lindo do mundo viu meu blogue logo depois de eu ter dito exatamente isso, que é difícil ser original. E ele disse que eu faço igual. Então é grave. Tudo é uma coisa de: olha o que eu vi, olha o que eu li e toma o linque aqui. Mas pra isso eu tenho a pagininha das coisas do meu Google Reader pra todo mundo ver. Meu GR deve ter uns quadritrilhões de blogs, que eu coloquei em pastinhas próprias -- Fotos, Blogs, Blogs Estrangeiros, Pra Fazer, Coisas Bonitas, Pra Pensar. E, sério, houve dias em minha vida que eu tinha mais de 1000 itens pra ler (excesso de informação!). Desses 1000 posts que caem ali, juro que quase metade é de coisa reciclada. Que alguém viu no blogue de outrem e vamos postar também. E aqui vai minha contribuição generosa pra falta de imaginação no mundo. Porque eu li sobre Maria Forde no Wrong Distance. E fui ver qual era e era super sensacional.

Eu adoro quando eu vejo coisas que são meio tosqueira mas são bonitas ao mesmo tempo. Essas coisas que fazem a gente sentir que a gente também poderia ir pra casa e começar a escrever historinhas ilustradas das nossas vidas com caneta Bic em papel no verso de, sei lá, recibo de compra a débito. Porque todos temos histórias e todos sabemos desenhar um pouco. Nem que sejam hominhos palitos ou carinhas sorridentes.



Fonte (e pra ver maior):
1. O desenho do ônibus.
2. O desenho do carinha de máscara na lavanderia.

Tem um monte de coisas diferentes e eu fiquei muito obcecada. Vendo tudo ao mesmo tempo agora. Super amei a idéia dos cartões postais. Ela desenhou os postais e mandou pra avó, mãe, professor de Química que ela teve e duas amigas de infância. E as pessoas escreviam atrás e mandavam de volta. O postal podia servir de inspiração ou não. Fiquei com vontade de fazer isso. Mas aí eu lembro que eu tentei implementar aquela coisa do diário que ia sair pelo mundo pra receber contribuições e que depois eu ia escanear pra todo mundo ver. Mas aí o plano furou depois de, sei lá, uma pessoa, qual seja, eu. Porque a segunda pessoa nunca teve tempo, blablablá. Mas, se alguém quiser brincar comigo, puxa, eu ia ficar super feliz. Além de brincar de desenhar, a gente ainda recebe coisa por correio, além de conta ou de oferta de cartão de crédito com taxa de juro a 21%.

10.7.08

Meme; 12 with Flickr


Meme; 12 with Flickr, originally uploaded by Ione.
Não ficou tão bonito quanto eu queria. E dá muito na cara. A resposta pra pergunta 3: mistério. Mas como torço pro São Paulo, deixei. Olha que óbvio:

1. Ione__* (Cantrell) and Roy Harris, 2. Café A Brasileira, do Chiado, 3. Mascote - SPFC, 4. Independência da Bahia, 5. crime scene investigation finland, 6. CARAMBOLA, 7. Beija-flor Tesoura - Swallow-tailed Hummingbird 309 - 9, 8. Untitled, 9. Feliz Fin de Semana!! / Have a Nice Weekend!, 10. Ler, 11. O vira-lata Timão, 12. ione__* (11)

Fiz com fd's Flickr Toys.
Pra brincar:

a. Faça uma busca no Flickr com a resposta pra cada pergunta abaixo.
b. Escolha uma imagem da primeira página de resultados.
c. Copie e cole cada linque para as imagens no fd’s mosaic maker.

Perguntas
1. Qual o seu nome?
2. Qual é sua comida preferida?
3. Onde você fez colegial (sou velha)?
4. Qual é sua cor preferida?
5. Quem é sua celebrity crush?
6. Bebida favorita?
7. Viagem dos sonhos?
8. Sobremesa preferida?
9. O que você quer ser quando crescer?
10. O que você mais ama na vida?
11. Descreva-se em uma palavra.
12. Seu nome do Flickr.

26.6.08

O momento mais feliz e mais triste do meu dia de hoje até agora:

Acordei e eba!, é sexta-feira! Aquela alegria, né? Deu até uma cousa por dentro me enchendo de bons hormônios, blablablá. Cinco segundos depois me dei conta de que, não, é quinta ainda. Fom-fom-fom-foooooooom. Ainda de olhos fechados, fiquei escolhendo que roupa usar hoje. O que não é muito difícil considerando que (ver abaixo). Coloquei a mesma calça que eu tô usando faz 3 dias -- o que pode não ser nada no inverno, mas é verão e as pessoas suam. As pessoas visitam nenês recém-nascidos de outras pessoas e acariciam o cachorro que está super infeliz porque não ganha mais todo aquele amor só pra ele, modos que a calça cheira a cachorro. As pessoas não têm outra calça que não deixe as banhas da pança saltando pra fora, não que essa contenha alguma coisa, e descobriram que quando o número é ímpar, que é o caso, é porque é de adolescente, não de adulto, o que é de algum consolo.

25.6.08

Além de ter banda, o menino mais lindo do mundo tem blog

Poly-Ticks é sobre, dã, política internacional. Os textos vão ser em inglês e português. Quem se interessar sobre política, visite, leia e comente!

23.6.08

Elizabeth Garvey Art



Tantos desenhos lindos da Elizabeth Garvey (que, aliás, mora aqui em Filadélfia). De babar.



20.6.08

Só umas dicas

  • não é bacana usar meia-calça transparente com sapato aberto -- diz que é transparente, mas na verdade aparece, se você ainda não notou, e é feio;
  • não, não é ouquei se for daquela deditoos-de-f0ra (por aqui essa invenção genial não chegou) -- isso não orna com absolutamente nada. Talvez, talvez!, você possa usar se for madrinha de bateria;
  • não importa quão modernê e/ou jovem descolê você seja: mullet nunca vai ser in;
  • ah, por último! correntinha de tornozelo? Jamais.

19.6.08

Livros que amei (ou não): as regras do Bill Bryson

Obecadinha da Estrela com o Pollan, passei a prestar atenção no que como e sempre explicando pro Menino Mais Lindo do Mundo: olha, isso segue as regras do Michael Pollan. Mas como ele não lembrava o nome do meu mais novo amor, ele usou de um que ele conhece, o Bill Bryson, de quem eu já falei aqui. Virou "as regras do Bill Bryson". Não são regras, são recomendações, sugestões, ou: "oi, tudo bem?, vai um pouco de bom senso com seu livro e cafezinho hoje?". Não é assim realmente necessário ter alguém que me diga que não é boa idéia comer coisas que contêm substâncias cujos nomes eu não sei pronunciar. Ou que diga, olha, se tem mais ingredientes do que a versão caseira -- tô falando assim, de pra lá de mais de 10 ingredientes -- não é bacana. Tipo pão. Leva farinha, fermento, água, ovo. Já parou pra ler quais são os ingredientes do seu pão Pullman?

O livro explica bem também, por outro lado, a busca pela novidade mais tchã. É comer carboidrato? É entupir-se de proteína? É tomar 10 litros de chá verde ou tomar vitamina? Antes de ler, pensei assim: parece um pouco óbvio esse conselho da capa: Coma comida. Não muita. E na maior parte, plantas. Só pensar aí nos seus avós e bisavós. Qual era o estilo de vida? Trabalho braçal, geralmente, que dá fome. Dormir cedo pra acordar cedo. Comer até matar a fome. Ter uma hortinha, geralmente. Carnes, só quando as vacas, os carneiros, os porcos, as galinhas nasceram, cresceram e multiplicaram-se (e engordaram) como sói a um ser vivo. Não é pra comer bife, costelinha no bafo até ficar entupido. É pra ocasiões especiais. E de acordo com os ciclos da natureza.

É bem bacana também ver que o Pollan sabe que comer, bem ou mal, não é só uma questão de hábito. O que é mais barato? Comprar um pacote tamanho buzanfa descomunal de Cheetos ou frutas? Comer qualquer coisa do méqui ou fazer uma jantinha em casa? Aliás, janta pronta a gente reconhece por um pi. Do microondas. Não é todo mundo que tem dindim pra comer bem. Outra coisa bem interessante: cultura. Quem aqui senta à mesa pra comer e conversar? Quem aqui come vendo tevê? Quem como sozinho (eu!). São fatores que têm a ver com apreciar o que se come, prestar a devida atenção. Dividir. Ai, gente, tantas coisinhas bacanas que ele diz...* Não consigo lembrar de todas as regras do Bill Bryson agora. Rarrá.

Eu ia dizendo que não é necessário falar (e escrever e ler) o que deveria lhe saltar aos olhos ou incomodar o estômago (ou os quadris e o coração e tudo dentro do seu corpo, dependendo do quanto e como você come), mas é. Porque o pessoal aqui parece meio perdido. Tipo, tudo bem comer tudo frito se não tiver gordura trans. Tipo, carne é uma coisa que se come todo dia e meio quilo cada vez. Tipo, todas as porções são para pessoas anormalmente esfomeadas e/ou que comem por 3. Tipo, quando é que se deve parar de comer? Quando acabou toda a comida servida/feita, invés de: quando sua pança tá cheia. E tipo, prefiro tomar um comprimido que promete que eu não só não vou engordar, como também perder peso (pra não ter que fazer um esforcinho e acordar cedo e, sei lá, dar uma andada em vez de só ficar mocorongando).

Admito: eu como deveras. E mocorongo demais também. Como porque gosto de comer e porque não sei parar, mesmo quando a pele da minha barriga tá estalando, emitindo sinais de que não há mais espaço dentro deste corpo (que certa feito foi quase esbelto) pra onde a comida que está sendo mastigada possa ir. Eu luto contra a minha pança. A coisa piorou quando mudei pra cá. Antes de vir, estava conseguindo manter um peso ótimo, comendo bem e de tudo. Agora tenho que lugar contra a pança, as coxas que faz chuchi-chuchi quando eu ando de saia/short curto no calor e, enfim, todas essas curvas que, infelizmente, estão todas em lugares impróprios e em forma/quantidade indesejáveis. Mas com a ajuda do MP e do meu bom senso, acho que chego lá.

*Dá pra ler uma versão condensada de tudo isso no sítio do Michael Pollan. Aproveite pra sapear mais. Esse cara é muito batuta.

18.6.08

Aqui em casa, JC proíbe:

Dar uma passada de água nas louças sujas e colocar no lava-pratos e/ou até dar uma limpadinha na louça, mas nunca!, nunca! colocar no lava-pratos. Diz que, segundo o livro do Apocalipse, dá pêlo na mão. Tem outros pecados também, com castigos piores, imagino. Levar o lixo pra fora, por exemplo. Ixi, o lixo nem chega no saco! Porque JC faz seu pinto cair se você jogar resto de comida ou latinha de refrigerante fora. Tem que deixar na sala, que é tipo decoração de gente modernê. Ou, sei lá, quem sabe comprar papel toalha ou detergente ou qualquer coisa que seja de uso comum. Ixi, gente, deve dar pesadelo e brotoeja e causar aumento de 3 quilos instantaneamente (o consumo de bebidas alcoólicas em quantidade e porções que dariam pra 3 pessoas e a falta de exercício não têm nada a ver com isso). Ah, lembrei de outra. Parece que JC fica pê quando, se as circunstâncias forem favoráveis, você não colocar o seu pé extremamente chulezento no braço do sofá em que sua roomie está com a cabeça.

Pela atenção obrigada.

Todo mundo tem que ver. Faz esse favor pra mim.

Green Porno. Da Isabella Rossellini, com ela mesma mostrando a vida sexual dos pequenos e mais inocentes bichinhos. Amei o da abelha. Do caracol. E o da aranha -- que estranhamente tem um comportamento bastante semelhante ao de alguns mocinhos? Mas não serei má.

Em algum dia de maio

foi aniversário de 7 anos de Menina do Didentro.

16.6.08

13.6.08

Aw, que bonitinha essa propaganda


12.6.08

A vida como ela é

Via Frufru e Swissmiss, dois blogs que estão no meu Reader:




Ali Alvarez compra raspadinhas, mas nunca vai saber se ganhou algum prêmio. A coleção começou por causa de uma ex que jogava toda semana. Segundo ele, o ciclo que se forma a quem "joga" -- sonhar, formar expectativas e decepecionar-se -- já acontece naturalmente na vida. Pra que, então, arriscar mais? Alvarez diz que ele está bem do jeito que está.

Em time que está ganhando não se mexe? Quando é que a gente deve arriscar? Só quando a gente sente que tem alguma coisa de errado? Então as pessoas ou as nossas circunstâncias não podem melhorar mesmo quando tudo está bom? Acho o projeto bem legal. Faz a gente parar pra pensar um pouquinho. Mas não concordo com a premissa da coisa toda. Quem tá na chuva é pra se molhar e acho que é legal mexer no time, mesmo que esteja ganhando.

Curtas

Ontem, jogando Scrabulous, depois de estar perdendo por quase 100 pontos, quando achei que não dava mais pra mim (o menino mais lindo do mundo tinha colocado javelins, o que lhe deu uma vantagem, assim, de léguas submarinas, causando meu bico caído a quase tocar o chão) mandei um "aqua" com "qi"e "aa" que me deu 50 pontos de uma só vez. Perdi, mas perdi bonito. 235x237. Viva as palavras bestas, não?


Quem quiser me chamar pra um jogo (depois do trabalho, claro), pode me mandar um e-mail (que está aqui na coluna à direita. No mínimo, serve pra treinamento pra eu não chorar.

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E não é que o olho esquerdo está chorando e ardendo e recusando-se a apreciar a "luz do sol, que a folha traga e traduz"? Acordou remelento e, sério, dá pra parar?

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Images de SuperDeluxe

SuperDeluxe. Essa dica é pra guardar junto do coração. Eu colocaria meus vídeos preferidos aqui, pra você ver direto do blog, mas não quero privar ninguém do prazer de descobrir todas as séries diferentes do site. Cuidado. Vicia. Minhas séries preferidas são I am Baby Cakes e The Professor Brothers. (Só um aviso. Não é comédia meiguinha e inocente. Então se você estava planejando em assistir com criancinhas fofas, é melhor voltar depois.)

11.6.08

Dor de dente?

Assim não dá. Eu sei que eu tenho que sair mais cedo cada 6 meses pra ir buscar as pírulas-anti-bebês lá na clínica de pobrinhos. Quando eu digo cedo, é assim 1 hora antes da hora marcada -- daí eu tenho que sair às 3:20h da tarde pra poder chegar lá às 4:15h, blábláblá. Porque eu tenho que pegar o trem pra estação perto de casa e daí tenho que pegar o carro e ir até a tal clínica. E o trem só tem de meia em meia hora. Modos que. Daqui a menos de 2 meses tenho que ir de novo. Modos que faz 4 meses que fui.

Em março, viagem ao Brasil. Tirei 6 dias de folga. Depois... dentes do siso! 3 dias sofrendo em casa. E mais uma tarde pra ir a uma consulta besta só pra ver se estava tudo bem porque eu não estava convencida de que estava tudo bem com toda aquela comida entrando nos buracos dos dentes e não saindo nunca mais. Semana passada, cheguei 2 horas e 15 minutos mais tarde porque fui fazer exame de motorista e tive que esperar pra carta ficar pronta. E pra poder tirar a carta, eu tive que ir à médica pra preencher um formulário dizendo assim que tudo bem eu dirigir, que não sou um perigo. Medicamente falando. Então foi um dia que eu saí mais cedo ou cheguei mais tarde também.

Tá fazendo as contas? De quanto tempo eu passo fora do trabalho quando deveria estar trabalhando? Isso tudo em menos de um ano trabalhando aqui. Antes disso, não lembro quando exatamente, mas foi no inverno, eu fiquei dois dias em casa porque não havia meio de parar de tossir. Ah, e teve uma outra vez que meu olho esquerdo, cuja córnea eu machuquei em 2005 (ver foto abaixo), tava quase caindo porque a nova onda do momento é pegar conjuntivite a cada x meses e eu tive que sair mais cedo pra resolver uma questã com uma receita que a minha médica ia deixar pra mim na farmácia (por telefone).

Essa foto não faz justiça à dor que eu sentia. Tô até que bonitinha e apresentável, considerando que cada vez que eu mexia o olho pra lá e pra cá era como se uma lixa. lixasse. o dentro. da pálpebraaaaaaaaaaaaai e a bolinha do olho ela mesma, e que eu estava fazendo um esforço pra ficar com o olho aberto porque o povo do pronto socorro disse que não era nada. Nada, pessoal! Isso não era nada, viu?

Qual era o ponto dessa história que a ninguém interessa? Ah, sim. Agora inventei de estar com dor de dente. Que não é invenção. Quando eu como qualquer coisa doce/quente/salgada/gelada dói. Tudo bem que está na hora de ir de novo e fazer limpeza, mas tipo. Beto Marc@ deve achar que eu sou hipocondríaca. Que invento tosses, dentes que precisam deixar minha boca e olhos murchos/vermelhos/nojentos. Existe uma hora em que uma pessoa normal tem que parar de ir ao médico e ao dentista? Próxima reclamação, já sei: vai ser a língua que está com perebas de tanto lamber envelopes.

10.6.08

Livros que amei (ou não): viagem no tempo

Inveja. Muita mesmo. Como é que essas pessoas têm mais ou menos a mesma idade que eu, mas escreveram 2 livros, sendo que um deles virou ou vai virar filme? Assim, ambos. Krauss e Foer, escreveram 2 livros cada, ambos venderam os direitos de um deles para o cinema. Não só eles escrevem bem, como também ganharam dinheiro. Detalhe é que eles são casados. Bebem uma aguinha secreta? Uma fruta com vitaminas que a gente não conhece? Ou, como me disse o menino mais lindo do mundo, eles têm talento e trabalham e suam e mostram empenho pra mostrar que têm talento. E daí vêm os planos que se realizam. Ao contrário de você, ele me quis dizer, com jeitinho, calçando luvas de pelica: se acha que tem talento, então comece a fazer alguma coisa. O caso é que eu não acho que eu tenha suficiente talento ou simplesmente talento, mas, enfim. Aos livros! Às histórias!

The History of Love é o primeiro dos livros alugados que eu não quero devolver (paga-se um preço reduzido para isso). A história tem dois narradores principais. Alma, uma menina pré-adolescente que, com seu irmão e mãe, está sofrendo com a morte do pai; e Leo Gursky, um judeu fugido da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe de Alma não consegue se recuperar da perda, não consegue largar do passado. O mesmo acontece com Leo Gursky, que não tem presente, porque quase se esqueceu de viver, preso a um amor que quase não houve. E que não teve futuro, porque nunca conheceu o filho que teve. Os pais de Alma deram a ela esse nome por causa de um livro obscuro, com pouquíssimas cópias pelo mundo e cujo autor só escreveu um livro toda vida. Alma pretende encontrar o autor para, quem sabe, encontrar o mistério do passado que não se resolve. Da teimosia de não se viver. Ela faz o papel de historiadora; quer entender o que foi para saber o que será, o que é que tem de ser feito, por que é que tudo é assim. Há também passagens do livro misterioso, a la Se um Viajante Numa Noite de Inverno, do Italo Calvino.

Extremely Loud and Incredibly Close também é uma história de perda e reconstrução. A história aqui é contada por um menino de 9 anos que às vezes é esperto demais e sabe coisas demais pra idade, o que faz dele um personagem pouco crível. O menino encontra uma chave entre os guardados do pai, que morreu em uma das Torres Gêmeas no 11 de setembro. A mãe tenta reconstruir a vida, superar a dor. Mas o menino sai numa busca pelo passado, por qualquer migalha de memória, quando decide que vai encontrar o que é que essa chave abre ou talvez o que é que ele pretende achar com essa busca. Também há passagens contadas pela avó do menino, que se havia casado com um homem que perdeu a capacidade de falar e que nunca pôde, por não saber como, viver a vida e olhar pra frente, porque tem medo de perder o que já foi perdido (também durante a guerra que está presente em THoL). Tem medo de perder o que é irrecuperável. Este homem escreve cartas para o filho que nunca conheceu, porque teve medo do futuro. Os dois livros são doces. Tristinhos. Companheiros. Cheios de esperancinha.

9.6.08

Não é que eu seja competitiva

Mas posso dizer? Que eu choro? Quase que a cada jogo de Scrabble que eu perco? Porque pode ser que daqui a uns 20 anos eu saiba todas as palavras que quase ninguém nunca usa -- não estou nem contando a lista de palavras estranhas (ou não) de 2 letras ou 3 letras que são aceitas no jogo, mas nesse momento da minha vida, não sei. Posso até jogar bem e fazer pontos (alguns, não muitos), mas não tenho chance real de ganhar. Não é que eu precise ganhar. É que eu já saio de início com uma tal deficiência. Eu não preciso ganhar. Eu só queria ter uma chance real de. E não ficar me sentindo café-com-leite. Toda vez eu tenho que prometer que não vou mais ficar assim. Que vou jogar só porque.

Dica: Para jogar, você pode tentar o Scrabulous, que é quase que nem o jogo original, mas online de graça. Como dois bons nerds, o menino mais lindo do mundo e eu jogamos a versão online, cada um de um computador -- mas ao menos no mesmo cômodo da casa.

8.6.08

Tudo

A graça da noite de sábado foi biritar e tentar imitar essa dancinha:



Fui muito campeã, mexendo os braços pra lá e pra cá e imitando a expressão facial da mulher. Todo mundo que estava em casa tentou dançar. Agora percebo que não tem a menor graça contar que a gente dançou. Que só é engraçado porque a gente nunca dança, etc. Mas esse vídeo deixa qualquer um bem humorado. Só o menino mais bonito do mundo que não. No entanto, descobri que ele chora quando ouve:



Que, concordo, é uma música muito fofa.

No mais, todo mundo junto agora brincando de virar pocinha. Porque o calor é muito, minha gente. É uma coisa que já gruda em você a partir do momento em que você começa a se mexer, isto é, quando abre os olhos. Uma coisa paralisante.

5.6.08

O que me espanta

Não é a capacidade de ouvir as mesmas músicas, todos os dias, 4 vezes por dia. É a incapacidade de ficar em silêncio, ou de aproveitar os benefícios do silêncio. Se ela não se dá conta de que a programação dessa estação não muda -- nunca --, qual é a necessidade de ter esse barulho de fundo por 8 horas do dia?

4.6.08

Quase perdi totalmente a cabeça

Com gente me fazendo pergunta estúpida. Eu fui tirar xerox de uma papelada, entalou papel. Tentei tirar seguindo as instruções que aparecem na telinha. Nada. Tentei, juro, umas 5 vezes. Porque eu não gosto de deixar pra depois. Aquele trabalhinho fácil que dá pra resolver agora, mas que. Outras 3 pessoas tentaram e nada. Enquanto o papel não sai -- ou enquanto a máquina acha que ainda está lá -- nada feito. Lógico. Porque a mensagem fica piscando pra sempre. Aí as pessoas vão lá. E vêm a mensagenzinha. E pra reforçar, eu vou atrás e explico qual é o problema. Porque afinal foi na minha vez de usar que entalou papel. E as pessoas em seguida me perguntam: "Então quer dizer que não dá pra usar?" Ou perguntam, depois de ver a telinha: "Alguém sabe se a máquina não está funcionando?" Pffffff. Gentê, vocês tentaram usar a máquina e não funcionou? Então sinal de que, né?, não tá funcionando. Agora, por favor, pára de fazer pergunta burra. Por favor.

Essas coisinhas. Ou ou tio do mal que eu detesto e que tentou comprar minha simpatia me convidando pra ir almoçar com ele. Declinei. Olha, valeu pelo gesto, mas prefiro realmente que nossa relação seja estritamente profissional. Gente liga falando espanhol, ele não fala espanhol. O pessoal que trabalha com ele não fala espanhol. Aí ele pede pra secretária dele -- a do rádio -- pedir pra eu atender porque "a mãe dela era espanhola, de Cuba", mas ela não sabe falar espanhol. Canso. Muito. Não pretendo mais cansar minha beleza pra corrigir. E dizer que hispânico, latino e espanhol são coisas diferentes. Foi só isso. Porque eu preciso reclamar, então que seja pra você. Porque eu preciso remoer e passar raivinha, pensando muitas vezes nas mesmas historinhas que se repetem todos os dias -- com a mesma freqüência (não pretendo largar mão das minhas tremas) em que as músicas do rádio tocam todos os dias. Tipo umas 4 vezes.