29.10.07

Está fazendo um dia de inverno (paulistano)

e eu estou de meia-calça por debaixo da calça de veludo. Eu ando, a calça encarrapicha na meia-calça, e vai caindo. Fico quase com a bunda pra fora, abro o casaco na frente, e puxo a calça pra cima. Saí pra fazer umas coisas na rua à tarde, agora tá calor. O agasalho que eu coloquei embaixo do outro agasalho é curto, a meia-calça é de gola-alta, se eu tirar o agasalho de cima, a meia-calça vai aparecer. Muito crasse. E eu vim sem sutiã porque acordei atrasada e vesti as coisas por cima da camiseta de dormir. O cabelo, que tava esmagadinho de travesseiro, eu consertei com o chapelito vermelho de lã. Meu pé tá suando dentro da bota peludinha. Gente, como vai ser no inverno? Se agora tá fazendo uns... 12ºC? A gente sai na rua, tá frio. Vem pro escritório, tá quente. No verão, era bem o contrário.

Fiquei procurando receita de sopa de fubá. Não tem muitas - nem em português, nem em inglês. E as que eu achei, cada uma mais estranha que a outra. Uma manda misturar 1 xícara de fubá, com 4 de água. Outra, manda misturar 3 colheres de sopa, com 1 litro e meio de água. A outra, 4 colheres de sopa com 2 litros e meio. Quer dizer... vou ter que inventar, né? Porque minha mãe tá na fazenda e meu telefoninho Scaipe não funciona lá. Se eu conseguir fazer a sopa, coloco a receita aqui, porque eu acho que o mundo carece de uma receita coerente de sopa de fubá.

Nesse fim-de-semana, sonhei um sonho muito fabuloso. Sonhei que eu estava passando desodorante. Fabuloso porque, como você sabe - não pelo cheiro de flores que sai de meu corpo moreno e tropical, mas porque eu já contei -- eu não uso desodorante, e mesmo no sonho eu ficava incrível. Sabe o que mais é incrível? Como flor aqui é caro! Um buquê de rosas (cor-de-rosa bebê, na promoção), US$12.99.

Meu tchefe está aqui hoje, mas eu só falei com ele uns 5 minutos. Chegou cedo, foi pra uma audiência, voltou, 5 minutos, saiu, trancou-se no escritório, ouvi o air spray e ele abrindo a porta, aí eu fugi pra rua pra ir ao banco e ficar um pouco lá fora, na minha hora de almoço.

Depois de 3 meses dizendo meu nome, 2 dos quais foram excelentes em termos de pronúncia, a D. agora encasquetou que meu nome é "Eeohn". Não é. Já escrevi num papelzinho na recepção. É "Eeeohnee". Não é Johnny, não é Joni, não é "Áion". Isso porque eu até boto um sotaque, porque se eu falo em português não há jeito-maneira de fazer alguém repetir meu nome certo, nem depois de 15 tentativas. A D. acha que todo mundo na América Central e do Sul é espanhol.

[suspiros]
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[cansados]

A recepcionista, por sua vez, disse: "Ah, mas eu sei que vocês não falam espanhol no Brasil! É argentinian, não é?"

Umrum.

[olhos esbugalhados]

Tá na hora de ir fazer o toilette e ir pra casa. Tchau, coleguinhas!

26.10.07

Oooooooonnnnnn!

Eu não sou girlie. No geral. Não gosto de coisas fofas. De bonequinhas e bichinhos de pelúcia. Ouquei, eu confesso que eu tinha a Mimadinha e o Peposo, com quem eu assistia a concertos às 7 da manhã na Cultura, seguidos de Muppet Show. Mas só. Não lembro de outras fofices de menina ou de coisinhas de menina. Não faço as unhas, não sei lhufas de maquiagem -- ouquei, stay away from sombra azul de aeromoça -- que mais? Nem sei o que é coisa de mulherzinha, pra você ver. Passar hidratante? Mãs ontem eu encontrei um sítio cheio de bichos fofos. Muita fofice junta, uma overdose de fofice. Nem eu resisti.

Um cachorrinho sonolento, encontre a fofice nessa fota, a puppy with puppy eyes, um cachorrinho indo pra cadeia.

25.10.07

Livros que amei (ou não)

De segunda à sexta, eu pego o trem, tiro o livro da bolsa, leio por 15 minutos no trem de vinda, mais 15 no de ida, chego em casa, faço janta e as marmitinhas (hoje: curry de tofu e legumes, com leite de coco light) e fico enrolada na coberta (hoje: chuvisca, faz frio, meu tchefe não vem trabalhar por causa de emergências de família, não tenho nada pra fazer: ãin), ou esparramada na cama com o ventilador ligado (anteontem: calor, calor, como assim? é outubro? as folhinhas deixam seus lares e caem no chão e ficam amarelas e vermelhas pra ficar tudo que nem filme e deveria estar friinho?), amassando o cabelo molhado no travesseiro.

Com esses livros de mulherzinha, não tem erro. A mocinha do livro vai ficar com o mocinho no final, (a) por mais que isso interfira com o sucesso resplandecente da carreira dela (ela percebe que há mais na vida que trabalhar feito uma camela, ir pra casa comer China-in-Box às 10 da noite e chorar na cama, que é lugar quente); e/ou (b) mesmo que ela(e) ache que esteja fechada(o) para o amor - porque tem um emprego de loser e que não há jeito maneira de puxar as pétalas da margaridinha e fazer cair no bem-me-quer. Também há a possibilidade de ela não ficar com ninguém, porque "o importante é se sentir feminina, mulherrrrr e poderooooosa sendo você mesma, apesar de tudo", ou alguma outra lição tão engrandecedora como cansativa e desnecessária (que, aliás, vem explicadinha no final, pro caso das pessoas não terem entendido depois de terem terminado o livro todo).

Esse livro cai na última categoria. Eu não leio esses livros porque eu estou interessada em como a história se desenvolve. Eu leio porque ando numa fase de ler livros mínimo-esforço com final feliz. Fiquei empurrando Italo Calvino e Érico Veríssimo pro fim da fila de livros pra alugar. Fiquei empurrando Paul Auster (!), qualquer um que me fizesse pensar. Leio esses livros bobinhos porque eu quero Sessão da Tarde. And I wish eu tivesse visto o filme (que não existe) em vez de ler o livro, porque o estilo, ah, o estilo!, o estilo é empapuçado e metido a besta e não orna com a futilidade e com os ooooonnnns! que eu deveria estar dizendo enquanto lia. Em vez disso eu fiquei contando quantas vezes a autora descreveu o vestido como sendo um blueberry gigante, ou quantas vezes ela usou outras expressões do tipo sure enough ou know me too well. Enfim. Esse livro vai pra coluna "Livros que amei (ou não)". Se você preciiiiiisa e quer muuuuuuito saber da história: a mocinha namora um rapazito por quem ela super arrastava uma asa quando era teen, mas uma das amigas (não muito chegada, quase nada), rouba-lhe o moçoilo e ela tenta play cool. Aí, né?, passa raivinha porque a amiga é uma sem-vergonha (e você fica: ai, pára, ela não era sua amiga, era aquela menina do grupo que você tenta adotar porque ela é chata-feia-boba, mas você, bondosa, quer consertar, o ex meio tenta que voltar, ela encontra o amooooor com outra pessoa, ela amaduresce, cresce, se descobre mulher. Até que enfim. Orfe.

Outro livro que eu queria que fosse um filme, pra que eu pudesse ter gasto somente uma hora e meia de esforço, em vez de, sei lá, dois dias, é esse à sua direita. Advogada superpoderosa é rejeitada por mocinhos porque é inteligente. Loira, ela resolve fazer uma matéria estilo como-perder-um-homem-em-10-dias e fazer papel de loira burra pra ver que tipo de homem ela consegue pegar (em vez de perder). Porque é muito castigo divino ser inteligente (cof) e bem-sucedida. Turns out, ela não pega ninguém quando ela é ela mesma, mas pega(ria) vários sendo loira burra. Uau! Gentê! Existe gente assim! Que só liga pra beleza?! Pros peitões, pra barriga que não pula fora da calça?! Pra bunda sem furos? Daí ela dá uma banana pros mocinhos bestas que só querem saber de Barbies e resolve ser feliz e sozinha. Quiçá pra sempre. Porque pra mim, ao terminar de ler esse livro, descobre-se que o importante é be true to yourself, no matter what, e - mais importante - que não existe homem nesse mundo que goste de mulher de contiúdo, so you'd better live with it e ficar contente com seu piu de prástico vibrante. Ou sei lá, resolver virar celibatária ou trocar de time.

Mãs! Se você chegou até aqui, tenho duas boas notícias, hein? Nem tudo está perdido pras mulherzinhas desse mundo que só querem, da vida, poder ler uma boa historinha de amor e ficar piscandinho os olhinhos feito besta, olhando pro nada. A outra boa notícia é que eu não sou uma bitter bitch o tempo todo e até tem, gentê, coisas/livros/pesssoas que eu acho agradáveis e interessantes (mesmo que somente mildly).

Você sabe que vai dar tudo certo no final, você sabe o que vai acontece quando virar a página, mas não tem problema. Você está viciada. Você só pensa na hora do almoço, que é quando você pode ler 30 minutos do livro, uns 2 ou 3 capítulos, sem parar pra nada nessa vida. Stupid and Contagious é um misto de Douglas Coupland com Nick Hornby. Porque é bem escrito: tem aquela coisinha de música pop, com gente jovem reunida (alô, Belchior!), meio sem loçã, que cativa, sabeim? Você vicia mesmo. Você quer ficar ooon. Pra sempre. Não quer mais que o livro acabe. Não quer mais se separar da mocinha que fica desempregada duas vezes, e do mocinho que tem uma gravadora de discos e que quer patentear uma invenção pra ficar famoso. Aí você descobre que tem outro livro da mesma autora. E coloca o livro na tal listinha de livros pra alugar e ele chega e ele tem muitas trocentas páginas e você fica iupiiiiiiii, porque é mais do mesmo e é muito mais do mesmo.

Em Forget about it, tem, lógico, um namorado babaca que só pensa em peitos e status. Tem um emprego boixta. Um monte de dívidas. O seu pai te abandonou, sua mãe e sua irmãzinha não são as melhores pessoas do mundo. Mas também tem um mocinho liiiiindo, fofo, perfeito, que liga só pra ouvir sua voz, que faz as piadinhas mais cuti-cuti. Mocinho esse que te atropelou. Aí você finge que perdeu a memória, porque veja, mulher, é preciso aprender a stand up for yourself (também tem um prólogo pra explicar isso, porque compreensão de texto parece que não é o forte das pessoas do mundo), e você só consegue fazer isso se fingir que não sabe quem você é. Blablablá, o amor é lindo, as pessoas só querem o bem umas das outras, muita paz, beijo no coração. Fim. Não achei tão legal como o primeiro livro da autora. Mas também não foi aquela coisa "nussa, dois dias de leitura da minha vida... máquina do tempo agora?".

Pessoa que lê tudo isso que eu escrevo e chega no final do post mais gigante da história de todos os blogs do Universo: O que você anda lendo? E mais: é muito chato ler essa coluna que eu inventei, com as críticas de livros?

Hominho se revolta com a Lição No. 3

Mais um post longo. Prepare-se. Estou cansada de ter que explicar tudo-tudo sobre mulheres pra esses hominhos que acham que estão super por dentro. Quer dizer, hominhos se acham sabidos, mas no fundo, são os bons e velhos dummies que a gente já conhece.
O Fernando ficou indignado com a mensagem subliminar (como gosta de dizer Carol) da Lição No. 3, que, segundo ele é: "Todos os homens são cafajestes." Olha, Fernando, não foi bem isso que eu quis dizer, porque se há alguém no mundo que acredita na total e completa relatividade das coisas desse mundo, fora DiogoSMoretti e Fernando Pessoa, essa pessoa sou eu. Mesmo porque se eu acreditasse que todos os moços não prestam, eu me matava a-go-ra ou virava lésbica. Deve haver no mundo um moço bom, simpático, inteligente, não traumatizado por qualquer desilusão amorosa do passado que o faça fugir de mulher como o Diabo da cruz e, mais importante de tudo, que dê bola pra mim. Pois bem, eu vou resumir a defesa do Fernando ao time dos hominhos. Antes, quero esclarecer que baseio os meus relatos e ensinamentos sábios que resolva dividir com o mundo todo através desse blog (limpinho e honesto) numa observação da realidade feita de maneira bastante generalizada (mas nem por isso menos científica). É claro que eu sei, -- porque ao contrário do que diz o Pipo (um amigo que eu não vejo há muuuuuito tempo) eu tenho os meus próprios pensamentos e sou bastante crítica.
Chega de enrolação. Eu vou resumir qual foi a linha de defesa do Fernando nessa causa dos hominhos -- que com a devida vênia, floreei um pouco --, em face da Lição No. 3, que à minha autoridade competente foi dirigida. Depois eu despacho, intimo e abro vistas ao MP (ou a quem quiser se manifestar como terceiro interessado na lide).
1. O mocinho só não liga se a mulher for muito baranga e/ou muito burra. Ou se tiver em vista uma moça que seja bem mais gostosa.
2. Se a mocinha não ligar, não significa falta de interesse, mas é esse o comportamento esperado em nossa cultura (machista, diga-se -- isso foi por minha conta, Fernando).
3. Se a mocinha ligar, o mocinho vai fugir só se não tiver gostado da mocinha (e não porque tem medo de compromisso, alega o Fernando).
4. Mocinhos não são (necessariamente) cafajestes, mas acreditam que está implícito que se não ligaram é porque não querem dar continuidade à relação. Ligar para a mocinha simplesmente para dizer que não gostaram dela, e que apenas ficaram para curtir o momento serviria apenas para magoá-la ainda mais.
O Fernando termina dando um conselho (que ele considera sábio): Se a "mocinha angustiada" gostou muito do moço e está disposta a correr riscos, deve ligar, já que ele talvez não tenha desgostado dela, e não não-gostado (entenderam?). Se ela se mostra disponível e ele não tiver opção melhor sairá com ela de novo. Nem sempre isso é ruim pra moça, pode ser que o mocinho acabe descobrindo com a convivência outras qualidades e até se inicie um relacionamento. Contudo, provavelmente o resultado não será bom. O mais provável é que ele simplesmente diga que não vai sair com ela de novo ou então saia apenas para “abusar” da pobre mocinha.
Chave de ouro: Mocinhas, se o mocinho não ligar, não liguem também! Procurem outro mocinho.
Basicamente, Fernando, minha conclusão é igual à sua. Acho que junto com o fato de os homens se pelarem de medo de que as moças tenham se apaixonado perdidamente logo na primeira (2ª, 3ª, 4ª ou 5ª vez, aliás), tem isso também de achar que os homens não prestam (e se você defendeu que os homens não são cafas, se deu mal, porque essa história de que ele sai, sim, se não tiver opção melhor, comprova o que você quis combater). Acho que eu não preciso me esforçar pra refutar cada um dos pontos do seu discurso furado. Meu leitor, que como eu, é suficientemente crítico, saberá tirar as próprias conclusões, e como eu, vão chegar à única lição possível: Mulher é muuuuuuuito mais esperta do que vocês, mocinhos, pensam -- vocês acham que a gente não pensou nisso tudo antes de você me explicar? (vide Lição No. 2 e anotem essa frase como Lição No. 2 - adendo).

Atualização: (Não sei quando eu escrevi isso. Deixa eu procurar. Por JC!, foi em outubro de 2001!)

19.10.07

2:40

Meu tchefe acabou de chegar pra trabalhar. De banho tomado e tudo. Estabelecido novo recorde.

18.10.07

O segredo da magreza

Descobri. Depois de meses de pesquisa que envolviam um grupo controle (no caso eu, em outra terra), descobri qual é a chave da magreza feminina.

Are you ready?







Ainda não?








Mas vai revolucionar o mundo, hein?








Mulheres gritarão histéricas em frente às telas de seus computadores.






Em uníssono, que é mais tchãs.






E eu serei internacionalmente famosa pela minha descoberta.





Na comunidade científica inclusive.





Vestir roupas que caibam.


Né? Porque uma hora é preciso a gente parar de se enganar. É imperativo que a ficha "é impossível você manter o peso de quando você tinha 19 anos quando na verdade você tem 30". Foi bom enquanto durou. Foram 2 anos, ou 1 ano e 6/8, ou 1 ano (cof) de magreza adolescente, que eu alimentava com o sofrimento do pé na bunda, com orgulho ferido e depois com o amãr tão distante que a ponte aérea não remedia. Mas não dá, gente. Uma hora a calça jeans que deixa a sua pança balofandinho pra fora não é mais calça que estava larguinha e te fazia tão feliz. Agora ela é a calça que deixa a sua pança balofandinho. Que mostra, quando você senta, o cofrinho que você deseja ardorosamente esconder do mundo. Ela não é mais a melhor amiga da sua buzanfa. Aí você aceita que não dá pra ser gostosa - arrém! - como dantes, como nos dourados dias em que você estudava madrugadas a dentro pra entrar na faculdade que você julgava ser a melhor de todas, sofria por causa do mocinho cristão-evangélico em que você tinha um crush, mocinho esse que queria casar num balão com a então namorada, mas nunca com você, nem no céu, nem na terra , nem no mar, quando você se tornara namorada de muitos anos, etc. Você vai à loja, aproveita a promoção de outono e compra calças que cabem. E você se olha no espelho e dá uma piscadinha marota pra si mesma (sou brega?), porque seguiu as regras do What Not To Wear, e elas funcionam de verdade. E as calças novas te deixam mais altinha, com menos bunda e você vai saltitando pro carro com as 2 sacolas de roupas novas.

Weeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

16.10.07

Livros que amei (ou não)

No caso, ou não. Não: não não não não não. Dá pra ver o nome da autora e do livro na figurinha? Acho que dá. Bitter is the New Black, Jen Lancaster. Ela tem um blog também, googlem pra achar porque eu não quero colocar linque. Ser amarga pode até ser o new black, mas mais amarga foi a experiência de ler esse livro de cabo a rabo. Eu sou assim, masoquista nas pequenas coisas. O livro é ruim e eu não gosto da personagem (que é uma versão da autora feita pra livros)? Eu vou ler tudo no mesmo dia, sem descanso. Desde a hora em que sento a bunda que estava deitada na cama, até o momento em que meus olhos se fecharem. Já nas interações sociais se eu não gosto das pessoas, ou se não desgosto mas não chego a gostar, you'll find me in my room lendo livros como esse.

Ãin. Intermináveis capítulos sobre como ela é glamurosa e competente e como todo mundo é burro e farrapento. Ouquei, eu também faço isso. Eu sou culpada: eu julgo as pessoas pelos livros que elas lêem, eu julgo as pessoas quando o português claudica, eu jogo pedras, etc. Mas, gente, não dava. Ela era tipo a pessoa mais inteligente do mundo, a mais chique do mundo, com o melhor apartamento, etc. Porque ela pode!, ela é tudo nessa vida e mais um pouco! Muito papel feito de árvores inocentes que não mereciam (i) crescer, (ii) fazer flores e séquiço através de pólen e florezinhas (na maior parte dos casos), e (iii) morrer pra verem impressas todas aquelas palavras que, por Jesus-Maria-José e o burrinho, beiram (pra ser boazinha) a xenofobia. Porque ela perde o emprego. Há justiça no mundo?, você começa a crer que sim. Ela vai buscar o cheque-desemprego, fazer inscrição pros benefícios tipo i-ene-esse-esse (com uma bolsinha Prada), e fica fula da vida porque a explicação do funcionário do i-ene-esse-esse vai ser em espanhol. Porque, gente, ela está nomeio da América! Não importa que as outras pessoas todas ali sejam falantes de espanhol, importa é que a América é para os americanos (mais ou menos isso) e ela está lá e etc. Sem emprego, ela tem que se mudar prum apartamento menor, num bairro não chique, a que ela chama de gueto: porque não há vizinhos falantes de inglês. E porque eles não falam inglês, ela tem medo de sair na rua. Um cansaço de alma, gentê.

E infinitas notas de roda pé que deveriam ser cáusticas e irreverentes, mas que me encheram os pacová de uma forma que eu não sei explicar. Tipo, vamos aprender a usar pontuação pra não recorrer em cada uma das páginas às notas de rodapé? Não é criativo ou inovador, é chato, é pentelho, me faz passar raivinha porque eu tenho que parar o que estou lendo no parágrafo e descer os olhos e perder um nanosegundo que eu poderia não ter perdido lendo aquele livro. Que, sim, eu poderia ter largado logo quando eu descobri que ela era republicana, mas eu tento ser magnânima, você sabe, e resolvi dar uma chance. Ouvir opiniões diferentes, essas coisas. Tentar manter a mente aberta. Não é que ela escreva mal, é que ela é chata, preconceituosa (de um jeito ruim - o meu é que é bom: rorrô), umbiguenta e eu não gostaria de hang out with her. Like, ever. Mas passei o domingo com ela e foi tanta exaustão que ontem eu fui dormir às 10 e meia da noite e só acordei hoje, depois de 9 horas dormidas. E a justiça no mundo? Você descobre que não há porque a autora (e personagem do livro), quando desempregada e sofrendo porque no more Prada ou Gucci ou coisa que o valha, começa a escrever um blogue que faz sucesso e que a leva a ter um livro publicado. E em seguida mais um. Enquanto eu estou empregada, tenho um blogue que 15 pessoas (depois de esconder o blog do Google) lêem (oi, pessoal!) e não tenho livro nenhum publicado. Amarga? Eu?

Acho que não foi a melhor das decisões

a que eu tomei ontem à noite: sopa de feijão pra janta e pra marmita, considerando que eu tenho exame feminino anual hoje? Ontem já foi um dia balão: parecia que eu ia a qualquer momento sair voando pro teto e pros quatro cantos de qualquer recinto em que eu estivesse, porque todo o ar dentro de mim estava saindo fuiiiiiiiim.

Como dizer pra D., delicadamente, sem provocar um ataque histérico, sem fazer ninguém chorar, sem fazer com que ela queira pedir demissão a-go-ra, pela primeira vez (essa semana) que meu nome é eeohnee - e não Iôn? Agora ela deu pra me chamar assim. E o mais importante, como dizer pra ela que quando ela usa delineador de lábios eu quase quero pegar chicote, malabares ou outros utensílios circenses, porque ela fica parecendo um palhacinho triste?

12.10.07

O mundo é grande

Gentê, acabei de achar o sítio mais super legal da semana, do mês! Vai lá no sítio e clique nas bolinhas e depois nas fotinhos pra ver fotos de patrimônios da humanidade. Clicando e arrastando pros lados e pra cima e pra baixo, você vê a paisagem de muitos ângulos. Amei.

O xou

Todos aqueles meninos de calça justa, óculos de aros grossos e cabelinho despenteado de propósito. Todas aquelas meninas de blusinhas de alça e cachecol, ou de vestido com calça por baixo. De tênis tipo Iate da Rainha. Gentê, gente descolê usa tênis Iate da Rainha - não da Rainha, mas você entende. Hein? Não era nada cool quando *eu* tinha tênis Iate. Era tipo coisa de nerd. Meu usava Iate, porque era fácil de colocar quando ele ficou bem velhinho, nos anos 90 - early 90s, or mid. Teatro tão lindinho. Em Chinatown. Bem antigão. Kevin batia assim as pestanas falsas e brilhavam brilhinhos, vestindo calça (justa) vermelha e sapato branco de cafetão (verniz, pessoal, parecia) e camisa vermelha de frufrus. Tão! bonitinho. E as pessoas cantavam juntas. Mas a gente sentou no chão, no andar de cima, por falta de assentos confortáveis porque a gente chegou depois que o primeiro xou de abertura tinha acabado, só pro segundo de abertura (que foi bizarro e... por quê? esse dois seres dançando e cantando em cima de música gravada?). E ficamos então no andar de cima onde as pessoas podem beber (as do andar de baixo eram menores de idade), modos que assistimos ao xou como os velhinhos que somos. Só pra provar o ponto de que o tempo não perdoa, etc. 11:20, fim de xou. Pra você ver.

11.10.07

Por que eu sou tão velha?

Por que tudo o que eu quero na vida é ter um livro pra ler e ir pra casa, fazer janta, comer um pêssego, tomar banho, comer e ler na cama? Em vez de, sei lá, ir ver Of Montreal hoje à noite? Por 15 dólares. Eu vou, né?, porque eu resolvi lutar contra os avanços da senilidade. E contra a pão-durice extrema. E tipo, 15 dólares equivalem ao xou ou a um livro. Mas eu fiz upgrade da conta de aluguel de livros, e agora recebo 7 livros de uma vez. Não tenho cabelos brancos, só um que eu arranquei sem dó e nunca mais ousou crescer de volta, porque eu fiz uma cara bem feia pra ele. Mas já notei que minhas bochechas são meio caídas. Ficaram, né?, com os anos passando desapercebidamente. Todo dia, t0-do-di-a eu me prometo que não vou ficar lendo até meia-noite e meia. Tá ficando velho isso. Ontem eu pus protetores auriculares (é assim que chama?) pra não ouvir o despertador de manhã, que toca pro menino mais lindo do mundo tomar banho tipo 1 hora antes de ser a *minha* hora de acordar. Porque agora eu tomo banho quando eu chego em casa, pra ganhar 20 minutinhos de manhã cedo.

Eu não era assim. Eu voltava do trabalho, ou nem voltava e ia encontrar pessoas pra uma happy hour, pra jantar, pra ir no bar-casinha, pra encontrar, algumas raras vezes, um ou outro pretê, pra ir ao cinema, essas coisas. Voltava tarde, internetava, ia dormir. Eu não ligava de ficar um caco no dia seguinte no escritório. Ou talvez eu não ficasse um caco, nén?, considerando que antes eu era jovem. Sair pra jantar era coisa de velho. Quando foi que eu comecei a querer encontrar amigos pra jantar, ou pra um brunch? Mas também, meus amigos moram abaixo da linha do Equador, eu acima, modos que.

Lutei também contra a pão-durice no finde. Troca de estação, comprei calça de veludo, outra calça, 2 saias e 3 agasalhinhos. Ainda tenho que comprar camisas e sapatos. Porque eu tenho um, que comprei pra fazer entrevistas, dá um chulé que não é desse mundo. É uma coisa quase esotérica o chulé. E é sapatinho de verão, não aquece meus pezinhos frios de senhorinha. É duro, viu?, não morar num lugar com estações que são: frio e calor. Com chuva ou sem, não importa. Hoje tá chovendo, tá friozinho, preguiça. Amanhã é feriado aí, né? Ãin.

5.10.07

Livros que amei (ou não)

Ler é o que eu mais gosto de fazer. Se você me chamar pra tomar uma cerveja, numa quinta à noite, eu vou dizer não obrigada, eu quero ficar em casa, ler e ir dormir cedo. Porque provavelmente a segunda coisa que eu mais gosto de fazer é dormir. Talvez não. Tem séquiço, comer comidinhas gostosas, sentir cheiros, cheirar cangote do menino mais lindo do mundo, escrever aqui, essas coisas. Sem muita ordem. A única coisa que eu garanto é que beber vai sempre perder pra ler, não importa quão fofura seja a companhia.

Aí eu assinei aquele troço de alugar livros. Que, assiiiiim, desconfio que fica enrolando pra atualizar o status das devoluções pra gastar menos dinheiro comigo. Mandei livros no sábado, deveriam ter chegado na terça, quarta no máximo de volta. Mas só na quinta eles dizem que chegou. Hoje eles devem dizer que mandaram os livros na lista e eles vão chegar em casa na terça. Enfim, é teste. Vamos ver. Ou, de repente, assinar o plano de 5 livros por vez (porque eu comprei uns livros reserva pra ler enquanto os do aluguel não chegam, e reli um Paul Auster que eu já tinha).

Um dos livros que chegou pra mim foi The Polysyllabic Spree, do Nick Hornby. É uma coletânea dos artigos que ele escreve pra revista The Believer*, em que ele fala, surpresa!, dos livros que ele leu no mês. Dá quase vontade de assinar (e nem é muito caro), mas eu, na minha infinita inguinorãnça, não sei quem são os outros povos que escrevem e dei uma olhada rápida e me senti tão dã! quanto quando leio (lia) Bravo!. Quando comecei a ler Bravo!, descobri que era nem era tão terrível, que era ouquei gostar mais das figuras que do texto, porque o conteúdo estava além da minha capacidade, hein? Ou isso, ou essa foi a desculpa que eu inventei pra não desistir de viver. Além do que, dá aquela ansiedade de consumidor de arte: tenho que ver esse(s) filme(s), ler esse(s) livro(s), ver essa(s) peça(s) e exposição(ões), ouvir essa(s) música(s), etc. Muita coisa, gentê, nesse mundo, que vai permanecer um mistério pra mim.

Enfim, modos que, como quase nada nesse mundo é idéia original e patenteada no INPI ou órgãos equivalentes, resolvi escrever sobre os livros que ando ou andei lendo, tal e qual Nick Hornby, menos o charme, a graça, o humor, a fama e o interesse de leitores do mundo todo.

Começando pelo próprio livro de Nick Hornby, The Polysillabic Spree. Fiquei curiosa pra saber o que ele lê, né, gentê, porque a gente quer sempre saber sobre as pessoas de quem a gente gosta ou que a gente admira. Algumas revelações. Primeiro, que ele não lê mis livros por mês, o que muito me faz bem saber. Porque o ser é escritor - escritor, gentê! - e não lê mis livros. É tipo uma pessoa normal. É tipo eu. Ou você. Agora a gente tem pelo menos um motivo pra falar: "Eu sou que nem o Nick Hornby". Segundo, que eu achei que ele leria livros Sessão da Tarde em termos de qualidade, ou seja, livros engraçados, com referências pop, ou livros mais modernosos, mas ele lê coisas estranhas e, como direi?, quase obscuras. Muitas biografias e poesia. Procurei críticas dos livros que ele recomendou (fora os clássicos), e não me animei. E os livros não são leves e divertidos. Parecem, ao contrário, densos e escuros e difíceis de ler, ao contrário dos que ele escreve. Terceiro, que ele lê literatura de auto-ajuda. Né incrível? Fala a verdade, quando que você ia imaginar que ele lê livro de auto-ajuda? Portanto, gentê, vamos aprender uma lição com o Nick, e vamos parar de julgar as pessoas pelos livros que elas lêem. A partir de hoje, pra mim é super ouquei que a secretária que trabalha na ala oeste do escritório (inventei, porque eu Não sei onde se situam os pontos cardeais) leia o décimo quarto livro escrito da série "sou solteira, feia e amarga mas sou feliz e é mais solteira, feia e amarga quem me diz", ou que a D. leia livros de amor do tipo que se compra na banca de jornal (mesmo conteúdo, capas diferentes). Isso não diz quase nada sobre quem elas são. Exceto pelo fato de que diz. Porque, voltemos ao caso de Nick. A escolha dos livros dele tem a ver com o trabalho dele - às vezes ele tem que ler livros porque tem que escrever críticas pelas quais ele ganha dindim, ou tem a ver com as pessoas e coisas que o rodeiam - por exemplo, ele leu pelo menos uns 3 livros sobre crianças autistas porque um dos filhinhos dele é autista; ele lê livros que pessoas que ele acham massa recomendam; ele lê livros escritos por amigos e familiares.

Os artigos são engraçados e interessantes, a ponto de me fazerem ler por um domingo inteiro quase sem parar - o livro também é curtinho, o que ajuda. A mim não me importou que eu não soubesse sobre que livros ele estava falando (quando comecei me deu medinho de boiar), porque ele escreve impressões pessoais, sem trololós sobre estilo literário ou coisas assim. Uma opinião simples, as razões pelas quais ele resolveu comprar ou ler determinado autor ou obra e algumas relações da história com a vida dele. Ou seja, perfeito pra qualquer stalker, mesmo que a gente esteja stalking só de leve, só a vida livral de alguém. Adorei e recomeindo.

* Dá pra ler bastante coisa publicada sem pagar: dá uma olhada nos arquivos. Pra ler as colunas do NH, lógico, tem que assinar a revista.

1.10.07

Receita de Espaguete ao Molho Curry

Gentê, tenho até vergonha. Enganei todo mundo quando disse que era uma receita. Porque é tão fácil, tão fácil, você vai ver. E vai dizer: dã, a Inhone é muito besta. Mãs, fui eu que inventei. Você vai olhar feio pra receita porque (a) eu que inventei e, tipo, quem sou eu pra inventar receita?; e (b) mistura macarrão com curry - o menino mais lindo do mundo fez cara feia, mas deu nota dez em todos os quesitos.

Espaguete ao Molho Curry (da Ioney: weeeee!) explicadinho pra crianças
(porque acho v
álido ajudar as pessoas desprovidas de prática na cozinha,
já que eu mesma achava tudo difícil, misterioso e praticamente
imposs
ível quando comecei a cozinhar)
- 1 pacote de espaguete;
- alho picadinho (uns 3 dentões);
- 1 lata de creme de leite;
- 1 lata de milho verde (lógico, milho verde tirado da espiga é mais gostoso e faz um caldinho desejável, mas aqui passou a época, modos que);
- 1 ou 2 xícaras de ervilhas frescas (pode ser congelada, mas acho que a de lata é muito doce e molenga e dá uma consistência urgui);
- 2 colheres de sopa beeeeem cheias de curry em pó, mas cheias mesmo: tipo 3 colheres cheias de curry;
- 2 pimentas vermelhas picadinhas;
- coentro picadinho (vou chutar, hein?, porque eu nunca uso medidas, vou olhando os ingredientes e coloco quanto eu acho que vai ficar bom): 1/2 xícara;
- e, lógico, sal a gosto.
Pra fazer, já viu que é a coisa mais fácil na superfície desse mundo, né? E provavelmente de outros, embora as C.N.T.P. mudem se você ficar mudando de mundo ou de altitude no mesmo mundo. Enquanto você cozinha o espaguete numa panelona, vai fazendo a outra parte. A gente não coloca sal no começo, com a água: coloca depois que água ferveu. O ponto de ebulição aumenta se a gente tacar sal, mas o macarrão pode ficar bem salgado. Pra enganar, então, as C.N.T.P. (não é, me deixa, é pressão de vapor, mas ãin, falar C.N.T.P. é tão mais legal), deixa a água ferver e aíííííí coloca sal. Ah, e outra, não se põe um fio de óleo na água do cozimento pro macarrão não ficar grudado. O que se põe é o seu olho vigiando a pasta mesmo, o que pode ser difícil se você for menino - pela minha experiência, eles tendem a fazer coisas pela metade, porque cozinhar é muito mágico, e vão assistir ao jogo de futebol/futebol americano/cricket - conforme o país de origem - na tevê.

Beleza? Tá lá cozinhando a sua pasta. É fácil, hein? Só ler as instruções no pacote. Eu geralmente não leio nada, então não sei quantos minutos leva pra ficar pronto. Vou testando, pescando uns fios aqui e ali e decido quando está bom.

Em outra panela, você refoga o alho com um fio de óleo (agora sim o fio de óleo) e coloca o milho e as ervilhas. Um pouquinho de sal, coisa muito pouca, só pra fazer água sair. Ah, se as ervilhas que você usar forem as congeladas, coloca num escorredorzinho e uma passada de água resolve o problema de pedras de gelo no meio, antes de refogar, ouquei?

Aí põe a pimenta vermelha picada (eu goixto, então ponho logo 2) e deixa lá. Uns 5 minutos. Se deixar a panela tampada, vai fazer caldinho (bem inho) mais cedo. E depois tira a tampa pra reduzir e vai testando pra ver se cozinhou. Aí você coloca o creme de leite (com soro e tudo), acerta o sal e acrescenta o curry. Mistura com muito ardor. Se achar que precisa de mais curry, vai fundo. Curry em pó varia muito e a medida que eu usei foi pro que a gente tem em casa. Ah, esqueci: pra reativar o curry, a gente coloca numa panelinha pra esquentar. Sem nada. Panelinha quente, curry, esquenta um pouco, sai um bafinho, desliga e taca na outra panela. Importante isso.

Gentê, cabô. Não é ridículo? Aí seu espaguete está pronto, porque você nunca descolou o olho da outra panela e vigiou bem. Despeja no escorredor e (a) joga água corrente; ou (b) coloca uns cubinhos de gelo no meio da massa. Pra parar de cozinhar. Ninguém quer acertar o ponto da massa quando sai da panela pra depois: surpresa!, a massa estar molenga e sem-graça porque continuou cozinhando no escorredor. Escorre bem, bem, bem. Mistura com o molho e tadá! Ah, não me vá colocar queijo ralado: não orna de jeito nenhum. Em vez de queijo ralado, você usa coentro picadinho. E pronto.