21.6.07

Lição No. 3 - quando ligar? E: o que isso significa?

Presta atenção, que sua cabecinha está muito cheia de preconceitos e aproveitando isso eu vou tentar colocar outras idéias mais preconceituosas na sua cabeça, mas dessa vez, pro lado das meninas.
A história é a seguinte. Mocinho conhece Mocinha, trocam telefones, tudo muito lindo. Cada um fica esperando o outro ligar. Mocinha pensa: "Não vou dar mole, ele tem que achar eu sou difícil, é isso que hominhos esperam". Mocinho não pensa, Mocinho se envolve com outras coisas e esquece o assunto, até que um dia abre a carteira pra recolocar camisinha -- que ele usou a outra que estava lá no finde com uma outra moça que conheceu numa balada muito forte -- e encontra o pedacinho de guardanapo com o telefone da Mocinha. E resolve não ligar, agora não dá tempo, ainda tem muuuuuuito o que fazer hoje e resolve deixar pra mais tarde (o que significa que pode ficar até pra próxima semana). Enquanto isso, Mocinha já se pergunta o que aconteceu, se Mocinho não gostou do beijo, se ela deixou ele passar a mão onde não devia e agora ele tá achando que ela não é ajuizada, de família e casadoira
(*Isso tudo é muito complicado. Se a mocinha não parecer que é, Mocinho vai ficar achando que ela não presta. Mas se ela der a entender que é assim, Mocinho assusta e pula fora. Se ela faz que é hominho, daí ele não quer, porque acha que Mocinha não está interessada -- qual é o segredo de Tostines?*).
Mocinha não aguenta mais e resolve, finalmente, ligar. Não, ela ainda não tinha colocado o telefone na agenda, ela sabe que pode dar errado, nem sempre o que parece ser, é. E agora, prestem atenção, chega a parte importante desse longo post, longo posto que para dummies: quando Mocinha liga, não quer dizer que está apaixonada.
Estaria eu ouvindo mocinhos gritando de terror por conhecer a Verdade? Sim, meninos, quando as mocinhas ligam, não pensem que estão apaixonadas, e MUITO MENOS que elas querem casar. As mocinhas de hoje são muito modernas, não se apaixonam por aí, na rua, assim, nem querem casar com o primeiro que aparece, por melhor que esse novo mocinho que ela conheceu pareça quando comparado aos demais mocinhos. Repito: não está perdida de amores, nem quer casar e, portanto, você, mocinho, não precisa fugir, morrendo de medo.

(*Eu não sei o que é pior: mocinho com medo de moça apaixonada, ou mocinho imune, ou mocinho traumatizado -- isso dá assunto pra outra lição*)

20.6.07

Podem falar muitas coisas sobre mim,

mãs não podem dizer que eu não sigo uma rotina, com muita disciplina. Todo dia acordo por volta das 11 - sem despertador! O TiVo já está gravando ER pra mim (estou no episódio em que a Abby decidi que vai ter o nenê com o Kovac). São dois episódios por dia, sendo o primeiro às 10 e o segundo às 11.

Pois bem. Acordo e vou lá fora fumar um cigarro. Volto e checo e-mails. Nunca tem nada pra responder, só um ocasional e-mail do meu pai e alguns do B. (mas, tipo, eu vejo a pessoa todos os dias). Eu sou muito carente. Daí leio blogs no Googl_e Rea._der. Aí já está na hora de almoçar, então eu esquento minha marmita (comidinha que eu fiz pra janta do dia anterior) e sento minha buzanfa no sofá e assisto aos 2 episódios de ER.

Já é hora de colocar as louças na lava-louças. Porque ninguém mais faz isso, gentê. Só eu. Eu, euzinha. Eu não entendo qual é a dificuldade de (a) cozinhar, passar uma água nas panelas e utensílios que vai usando e colocar na máquina; (b) passar uma água no seu prato, copo, garfo, o que seja, e colocar na lavadora; (c) terminar de cozinhar, colocar a comida nas marmitas (as coletivas e as pessoais) - tupperware, tá bom? - e passar uma água nas panelas e botar na máquina. Porque se a gente faz na hora, é tão lindo e não tem uma pia cheia *me* esperando no dia seguinte. Mas quem se importa? Ninguém vê quando eu guardo a louça ou carrego a máquina. Enfim. Agora compreendo minha mãe e toda a questã com a pia cheia de louça que eu nunca lavava aos poucos, só quando chegava ao extremo.

Aí já são umas 2 horas, então eu volto pra checar e-mails. Como ninguém me escreve, é rápido. Entro no MSN/meebo, mas como ninguém fala comigo, também é rápido. Se tem roupa pra lavar, lá vou eu pro porão encher máquina. Gentê, não ter tanque me angustia. Tem uma pia que parece tanque mas não é. Onde vou lavar minhas roupas que têm que ser lavadas "na mão", como diria Marlene, minha mãezinha preta? Vou ler alguma coisa, estudar espanhol se assim eu desejar, e quando está perto das 4, faço jantar se os ingredientes calham de estar aqui. Se não, espero pra ir no super.

Mas isso só até a semana que vem, quando começam as aulas. Aí eu vou estar tão ocupada. Tereei que planejar aulas nas segundas e quartas à tarde e ir pra escola, de onde sairei somente às 9 da noite.

Eu falei, gentê. A parte mais emocionante do dia é ir ao banheiro.

19.6.07

Lição No. 2 - Sobre discussões

A Lição No. 2 chegou rápido. Conheça agora mais um mistério feminino para dummies. Eu tinha condicionado a vinda da Lição No. 2 ao mundo a um deslize masculino, o que não demorou muito a acontecer, por óbvio. Não foi propriamente um deslize, mas foi uma coisa que costuma acontecer muito na vida e eu me senti na obrigação de esclarecer aos leitores masculinos a respeito.
Quando uma moça desiste de uma discussão com você, mocinho, quando ela deixa pra lá e fala: "Então tá, então" ou algo do gênero, isso não quer dizer que você ganhou a discussão. Isso quer dizer, e repare agora, porque agora chega a revelação, que ela deixou você acreditar que ganhou a discussão, o que é bem diferente, concorda?
Mocinhos se acham sumidades em vários assuntos. Meninas desistem logo de colocar algum bom senso nas cabeças ocas dos mocinhos e deixam pra lá, eles são tão bonitinhos assim mesmo, a gente beija, abraça, a gente tá sempre atrás deles mesmo assim. Por que discutir? Deixa por isso mesmo.

14.6.07

Porque se eu fosse escrever sobre os pontos altos do meu dia,

teria que contar pra vocês sobre meus bowel movements, por exemplo (sobre quando fico feliz que estou off-yogurt e aveia). Ou sobre estou de férias do trabalho voluntário por 2 semanas e sobre como encontrei num mercadinho longe de casa trigo pra quibe, farinha de mandioca e de milho e creme de leite e fiquei achando que era de um tudo. E fiz comidinhas brasileiras e ficou tudo gostoso, mas não é que nem da minha mãe. Ou sobre quando eu achei que tinha achado mandioquinha no mercado perto de casa, mas não era bem mandioquinha. Ai, que banzo.

Ãin, apertos no peito e vontade de chorar

Coloquei fotinho da minha nenezinha canina no blog e agora toda hora vou ter que ver a fofice dela. O que os olhos não vêem o coração não sente. Não sentia, porque agora o coração vê. Cuca, minha pretinha, um dia eu trago você também.

Tenho preguiça - ou Lição No. 1 para hominhos dummies

Porque eu não tenho imaginação e criatividade para escrever novos posts, eu publico posts velhos. Tipo esses - as lições para hominhos dummies. Esse post, creio eu, deve ter sido escrito em 2001. Gentê, 1/5 da minha vida está documentada em blog!

Lição No. 1
Vamos combinar assim. Meninos -- novos ou mais velhos, até meu pai, um senhorzinho de 67 anos --, não têm a menor pista do que é o mundo feminino. A menor. Por isso, eu, uma pessoa de coração bom, vou dar umas dicas. O post vai ser longo, porque quando se fala disso pra hominhos, tem-se que falar como que para dummies.
A primeira coisa que se deve ter em mente, sempre, é que meninas muito amigas conversam sempre, contam tudo, cada coisa que nem queiram saber (exceto se isso tocar a intimidade de outra pessoa, que não desejaria vê-la por aí, contada aos quatro ventos). Por isso, geralmente, o que você contar a uma, a outra vai quase que imediatamente saber (não estamos falando de fofocas, as conversas, como dissemos, não têm a ver com intimidades, têm a ver com coisinhas mais corriqueiras). As novidades nunca são tão novidades, por causa disso. Esse comportamento não gera, ao contrário do que pensam, uma rede enorme de notícias, porque, geralmente, as novidades param por aí. Ainda mais se for um segredo muito grande. Ainda mais se a regra "não fale da intimidade de outrem" for quebrada e a ética for desrespeitada e uma amiga contar a outra uma coisa que não devia. Por isso, não há razões pra se preocupar: seu segredo será bem guardado, mesmo que tenha sido esboçada a possibilidade. Uma aplicação prática: se elas têm um amigo em comum, e uma delas sabe uma notícia importante, como por exemplo, que ele mudou de emprego, ou sei lá, a outra vai contar. Pode parecer ruim, mas as coisas continuam assim. Pior ainda vai ser se a novidade for na vida de uma das amigas, daí, a notícia vai no vento.
Update: Mesmo que se trate da intimidade de outra pessoa, mesmo assim isso pode gerar uma noite inteira de discussão acalorada entre amigas. Tenha medo!

Atualização em 2007: Que mentira! Meninas vão falar da sua intimidade também. Elas vão, por exemplo, falar sobre séquiço, sobre tamanho, se é virado pra esquerda ou pra direita, performance, vão comentar se você é do tipo que dorme logo em seguida ou que faz conchinha. Mas é verdade que a gente sabe guardar um segredo. Então, seguindo essa lógica, a gente vai falar do seu piu, mas não vamos espalhar aos 4 ventos, a não ser que estejamos em mode falar-mal-de. Aí, já era.

Acho que eu estava tentando fazer figura pra algum mocinho pretê - menti descaradamente.

13.6.07

Dicas

Meu joguinho preferido no momento: o primeiro na lista que aparece.


5.6.07

Quem quer brincar de meme põe o dedo aqui, que lá vai...

Sou tão sozinha no mundo... buá. Tenha dó de mim.
Gentê, eu não sou mais da tchurminha. Eu entro no MSN, ou melhor, no meebo.com e ninguém me chama pra conversar. Também, não tenho muito sobre o que falar. Ou melhor, acho que meus assuntos são aleatórios. Tipo, no fim-de-semana eu fiz esfiha from scratch, ou eu acho que universidades públicas têm que ser independentes e não fico com preguiça do povo que invadiu a reitoria, mesmo que o povo da esquerda nas universidades fique discutindo coisinhas como "quem era mais legal, o Stálin, o Lênin ou o Tróstky?" (uso acento enquanto posso, já disse), ou sei lá, porque as reivindicações não são sem pé nem cabeça. Como o pessoal que trabalha no Wal.mar_t é tão maleducado, mas ao mesmo tempo é o tipo de gente que não ia encontrar emprego num lugar melhor porque não é qualificado, mas ao mesmo tempo é super massacrado, etc.
Mas estou na brincadeira da Troca de Receitas.
Ninguém mais me chama pra brincar de meme. Tipo esse que eu achei no blog da Telinha. Pra não ser completamente injusta, eu tô na troca de receitas por e-mail. E já recebi a minha primeira receita. De repente, hein? Ligia, a gente desenterra o projeto do blog de receitas? Estou colocando as receitas que me chegam no Google Notebooks. Se vocês quiserem, dá pra todo mundo ver o caderno de receitas, mas vocês têm que me mandar o endereço de gmail de vocês pra eu poder convidar. Se o caderno virar um caderno público, acho que outras pessoas também podem acrescentar suas receitas. Quem quiser, escreva para ione ponto moraes arroba gmail ponto com.
Então eu vou brincar de meme sozinha, pra você ter mais pena de mim.

1. Sete coisas que faço bem:
ouvir - tipo, não me refiro à audição enquanto-a nível de-entendida como sentido, mas a ouvir pessoas. Não sei por que cargas d'água, mas loucos de todos os tipos, ou talvez solitários, se aprochegam pra me contar a história de suas vidas.
limpar - só vindo pra cá descobri esse dom. Descobri que sujeira me incomoda e que eu preciso limpar os lugares da casa nunca d'antes tocados por mãos humanas protegidas por luvas de borracha (ou não)
organizar - quando me meto a. Quando me meto, ponho até etiqueta de cores diferentes, em pastas de cores diferentes, em papéis de cores diferentes, etc. Organizo livros por autor, em ordem alfabética (saudade dos meus livros, ãin). E CDs. Por exemplo, aqui, pra criar espaço no quarto, organizei o armário. Tem de um tudo lá dentro. Sou mestra em fazer coisas caberem em: geladeiras aparentemente abarrotadas; porta-malas aparentemente muito pequenos; quartos que aparentemente não querem abrigar muita coisa; e malas teimosas.
fazer massagem - quer dizer, né. Nada profissional, mas já fiz massagem em amigos, parentes e ninguém reclamou até o momento.
estudar (e aprender) - também preciso daquele empurrãozinho amigo. Até eu entrar na faculdade, eu era super super CDF. Na faculdade, com estágios tempo integral e os apelos do mundo (cervejadas, cinema, namorado, diversão), deixava pra última noite, depois da faculdade. Ou seja, madrugadas insones. Mas se eu gosto do que eu estou estudando, aprendo. Agora estou estudando francês e espanhol. Vamos ver o que rola.
dormir - ai, gentê, como eu durmo bem (e muito)!
dirigir e travar amizade com vítimas de atropelamento - eu sei minhas manobras.

2. Sete coisas que não não sei fazer:
resolver questãs que me incomodam / falar dos meus sentimentos - reclamação constante de B. A coisa vai acumulando, eu vou dizendo que não é nada, já passa já, e quando vejo, tô p. da vida (como Dominó) e a pancada vem quase que sem aviso.
ser simpática - já não sabia em minha terra natal, aqui então, tenho medo. Não sei ser simpática em língua estrangeira, não sei como me portar, onde ficar, se sento, levanto, não sei conversar conversinhas.
manter contato com as pessoas amigas do coração - preciso, né?, sou muito coração peludo. Não que eu não sinta saudades, mas sinto essa dificuldade de contar as coisinhas da vida. Tipo, mãe, hoje eu fui na aula de francês e a professora é russa e ela está grávida. Essas coisas que eu contaria pra minha mãe quando eu chegasse em casa. Vou pensar nisso quando eu ligar ou escrever pro meu povo.
desligar, à noite - apesar de dormir ser uma das 7 coisas que faço bem, se eu tenho alguma coisa importante no dia seguinte, é batata que eu vou demorar hooooras pra dormir e quando conseguir dormir, vou sonhar que estou fazendo o que de fato vou ter que fazer amanhã.
cantar com minha voz de cantar (a não ser que eu beba até chamar o Hugo) -faz parte do meu xou, Cazuzá!
insistir e
confiar no meu taco- sempre quero desistir no meio. Tá difícil? Sob pretexto de não querer dor de cabeça, resolvo não enfrentar problemas como homi! Quantas foram as vezes nessa minha vida de ser humano do sexo feminino que já avança para seus 31 anos na Terra que eu achei que não ia conseguir fazer alguma coisa e quis desistir... vide dar aulas no lugar de imigrantes (porque eu tinha que brigar com o homem e não tava com saco de), vide dar aulas no Brasil (difícil, gentê, deu medo), ou coisas bestas: usar receita que não conheço (começo já dizendo que não vai dar certo), ou dirigir pra lugares estranhos só com o treco do Google.Maps.
ser engraçada - longe vão os dias em que eu mesma ria lendo meus posts ou que as pessoas riam à minha volta porque eu soltei uma piada ótima. Acho que nesse último caso, é porque não tenho exercitado falar mal. Falar mal é fonte interminável de piadas de humor negro-quase mau gosto. Minhas preferidas.

3. Sete coisas que me atraem no sexo oposto:
narigão - mas não qualquer tipo. Tem um tipo específico que não é o de batata.
cultura geral - Né? Porque é preciso saber conversar conversas.
gentileza - gentê, tão imprescindível. Gentileza é alguma coisa que primeiro você faz porque quer ser educado e impressionar, mas que depois são as pequenas atenções, acho que depois vira sinôbino de amor ou carinho. Como quando você quer levar sorvete pra sua amiga quando ela está triste, ou fazer a barba do mocinho, essas coisas.
mãos - nada de unha roída ou mão pegajosa. Tem que apertar a mão quando cumprimenta, e não deixar a mão feito um peixe morto na do outro.
ter opinião - ninguém quer um maria-vai-com-as-outras. Ou quer?
voz - já tentaram me botar num encontro com um rapaz cuja voz soava como a de um boneco de ventríloco. E ele era lindo. E, na época, eu não estava muito preocupada com cultura geral e essas frescuras. Ah, meus early 20s...
o todo - harmônico.

4. Sete coisas que não suporto no sexo oposto:
"se achar" - já fiz isso, aquilo e aquilo outro. Eu sou foda, eu vou ser promovido, eu sou muito inteligente, mulheres!, iates, dinheiro, mulheres! Cansaço. profundo.
falar errado - não consigo. Não consigo beijar uma boca que proferiu um "teje", um "esteje", ou um "a gente vamos". Porca elitista!
desatenção - o contrário de ser gentil.
pançona - eu posso achar bonitinha uma pequena pancinha, mas uma barriga de Papai Noel não seria muito bacana.
peitinhos
unha roída no toco
aquele certo jeitinho de falar que é de quem usa todas as pick-up lines mais bestas e acha que está arrasando. Aquela malemolência na voz, do sujeito que chama mulher de "gatinha" ou "princesa".

5. Sete coisas que digo com frequência:
né?
gentê
cara - com sotaque da Mooca
nerda e nerdo
Ixi Maria
Vale só 5?

6. Sete atores/atrizes de que eu gosto:
Drew Barrymore
Fernanda Montenegro
tá, eu sou péssima com nomes, não me lembro de ninguém. Só quando vejo o fulano na tela eu vou lembrar: ãin, eu gosto dele! Ele tem cara de bonzinho. E coisas assim.

7. Sete atores/atrizes que eu detesto:
Só duas me vêm à mente: a Dani.ele. W. (não sei nem como escrever o nome) e, gente, como chama a atriz que era a professora de educação física que dava uns pegas num menino naquela novela das duas meninas gueis? E que tomava pancada do marido?

8. Sete filmes que eu adoro:
As Coisas simples da vida
As Horas
Amelie Poulain
Amor à flor da pele
A Noviça Rebelde
Azul (Bleu)
Big Fish

9. Sete filmes que eu detesto:
não sei dizer. Porque se eu já tenho a impressão de que não vou gostar, nem assisto. Logo, eu me poupo das energias negativas e do horror.

10. Sete livros favoritos:
A vida depois de Deus, do Douglas Coupland (preferencialmente em português de Portugal)
Manuelzão e Miguilim, do Guimarães Rosa

11. Sete lugares favoritos:
O Cristo Redentor em São José do Rio Pardo
o quintal da casa da minha vó
Santa Teresa, o bairro
o Mestiço, em São Paulo
a casa da Milena
meu quarto, meu refúgio
minha casa em São Paulo

12. Sete pessoas que desafio a responder as perguntas acima:
Cof-cof! Como já não sou da tchurma, nem sei quem. O Rafa?? A Renata? A Thata? A Ana Paula? Quem quiser perder tempo com a brincadeira.

Pra ser sincera, eu teria tirado as perguntas sobre atores e atrizes. Tão manjada. Livros e filmes, e lugares - seria mais legal se eu de fato tivesse explicado por quê. Quem sabe um dia? Se bem que, né? É meme, não é pra ser assim um tratado psicológico sobre si.

Atualização: já achei outras versões do mesmo meme por aí...

Agora que um mundo novo se descortinou para mim,

o mundo dos feeds, eu quero que todo mundo tenha feeds em seus respectivos blogs. Sinto peninha de ler no Google Reader em vez de ter todos os endereços de todos os mil blogs na coluna da direita pra eu me dar a mim mesma uma visita no contador e ir lendo os blogs preferidos. Um dó como de quem passa a ler livros em pdf ou coisa que o valha. Não tem os templeites tão bonitos e todos os enfeites e bibelôs.

Sou bestinha. Fico achando agora que, nossa!, tal e qual blog não tem feed!, como se fosse coisa tão do passado não ter. Como se eu fosse tão mega moderna. Afe, preguiça.

Não atendam meus pedidos! Façam com que eu vá até seus blogs e leia como gente!, ou seja, como eu leria blogs fossem eles livros.

1.6.07

Minha segunda vítima

Oi, gentê!

Não sei se vocês lembram da minha primeira vítima. Eu lembrava do nome dela por muitos anos, mas me esqueci. Tenho preguiça de procurar nos arquivos do blogue antigo (e não sei se eu realmente mencionei o nome da moça em qualquer relato anterior). Numa linda manhã em que eu estava indo para o escritório com meu pequeno e fagueiro Ka, avistei uma moça em sua bicicleta. Ela estava do lado esquerdo da rua. A moça tão faceira como meu Ka. Decidi, pois, ultrapassar a moça, já que estava, como sempre, mega atrasada para ir para o trabalho. Porque com trabalho chato fico muito evitativa e cinco minutos a mais dormindo significam meia hora a mais no trânsito de São Paulo. No mesmo instante da ultrapassagem, a moça decidiu atravessar a rua, em sua bicicleta, dando de cara, ou melhor, de lado, com a frente do Ka, que já não sorria contente, como também a moça já não sorria. A moça caiu no chão, ralou-se toda, choramingava (com razão) e sangrava um pouquinho.

Pessoas na vizinhança recolheram a bicicleta e eu recolhi a moça, que levei para casa - a dela, não a minha -, a uns 5 quarteirões da cena. Ela não queria ir para o hospital, então eu fui indo para o escritório de novo. Mas minha consciência de pessoa boa (na maior parte do tempo) e meu senso de dever e respeito às normas (menos às normas sociais, porque eu sou bicho do mato, vocês sabem), levou-me a voltar para o apartamento da moça. Subi. Ela ligou para a irmã, enfermeira no Hospital São Paulo, e decidiram que deveríamos ir pro P.S.
Ela foi levada para a emergência, pessoas perguntavam sobre o autor do crime, se houvera ele fugido. Mas eu estava lá, esperando com ela. Por que, né?, como se pode abandonar quem a gente machucou, mesmo que despropositadamente (existe a palavra?) Foi tratada junto com um fulano que conseguira a façanha de cortar a mandíbula pela metade, com uma serra elétrica. Não foi bonito, não foi gostoso, mas a moça estava bem. Uma amiga chegou para levá-la pra casa e aquela foi a última vez em que a vi. Ela que, inclusive, queria arrumar um encontro do chefe dela comigo, porque ele era baixinho como eu. Porque eu tenho essa coisa de empatia com as minhas vítimas, como você verá logo mais.

Ontem à noite, voltando da aulinha de inglês, pegando a rampa H para vir para casa. São 9:40. Paro no farol vermelho. O farol fica verde e eu, com meus super reflexos, desenvolvidos em anos de treinamento ninja (obrigada mãe, por meus genes japas), imediatamente ponho o pé no acelerador. Eis que uma criatura, também numa bicicleta, tinha resolvido pedalar com toda força alguns momentos antes, numa tentativa de conseguir bater o farol amarelo. Mas eu fui mais rápida. Modos que a bicicleta deu um totozinho na frente do carro e o moço (dessa vez um moço), caiu no meio da estrada: ele para um lado, a bicicleta para outro, o boné um pouco mais longe. O moço virava assim de um lado pro outro, "Meu braço! Meu braço!". Molinho com o efeito da adrenalina, não conseguia levantar. Mas era o meio da avenida/estrada. Catei todo mundo do chão, enfiei o moço no banco da frente, o boné e a bicicleta no porta-malas. Virei à esquerda na avenida e liguei para o B., que veio me salvar.

Mapinha. Clique nas coisinhas azuis para ler.

-- B., atropelei um bicicleteiro.
-- ... (um segundo de pânico, B. imaginando um ser disforme, ensangüentado e desmaiado no chão). Mas ele está bem?
-- Tá, ele tá no carro. Pus a bicicleta dele no porta-mala. Que eu faço?
-- Liga para a polícia.
-- Ouquei.

E foi assim que, pela primeira vez na minha vida-quase um filme, eu liguei para 911. Nessas horas, pai, você percebe a utilidade - ou até mesmo a necessidade - de crescer vendo enlatados americanos. Porque, nessa situação de emergência em minha vida-quase um filme, eu sabia o número que tinha que discar. Enquanto que, no Brasil, não teria nem idéia. Ligar para saber a hora certa? Previsão do tempo? Despertador automático? Sei todos os números. Polícia e resgate? Eu teria que ligar para a Telefonica pra descobrir. Portanto, pai, foi um alívio que eu tenha sucumbido em tenra idade ao imperialismo cultural norte-americano e assistido a, sei lá, Barrados no Baile e CHIPS.

Enfim, esperamos os paramédicos, depois de muito debate, porque a vítima, um liberiano radicado aqui, fez de um tudo pra que (1) eu não o recolhesse do meio da estrada; (2) eu não ligasse para a polícia ou para a casa dele; e (3) ele não fosse com o resgate para o hospital. Espera que espera, conversa vai e vem, o resgate chegou, o moço estava bem, mexendo o braço que doía. Nem uma gota de sangue. Sério. Nem arranhou. Como pode cair no asfalto e não ralar um pouquinho? Assinou lá que não queria ir pro hospital e não quis prestar queixa contra mim. Fui embora pra casa, no carro do amigo do B. e B. foi levar o moço e seu meio de transporte para casa, não sem antes ouvir minhas recomendações: capacete, filho. E água morna onde dói. Usa roupa clara quando estiver na bicicleta à noite. E cotoveleiras, essas coisas. Cuide-se.

A vítima: 23 anos, trabalha no aeroporto dirigindo carrinho com malas, do avião para dentro do aeroporto. O carro está com a bomba de gasolina quebrada, motivo pelo qual ele usava modo de transporte amigo do ambiente naquela noite. Veio para cá com 11 anos. Tem um colar que a mãe fez com contas africanas. O pai e a irmã moram em New Jersey. Mora com o primo, que cuida de velhinhos. Sente saudade de comer mais arroz, como na Libéria. Nunca nada de ruim vai acontecer pra ele, porque Deus está com ele, etc. "Ameaçou" chamar os paramédicos na porta de casa, porque o B. não queria ir no carro com ele comprar T.ylenol. O B. sentiu uma coisa estranha e queria ir na farmácia sozinho. Tipo, bad vibes, não sei.

Meia-noite. Liguei na delega e fiz B.O.

Meia noite e quinze. B. ronca.

Meia noite e meia. Babo no travesseiro. Sonhando com carros e hospitais.