25.10.07

Livros que amei (ou não)

De segunda à sexta, eu pego o trem, tiro o livro da bolsa, leio por 15 minutos no trem de vinda, mais 15 no de ida, chego em casa, faço janta e as marmitinhas (hoje: curry de tofu e legumes, com leite de coco light) e fico enrolada na coberta (hoje: chuvisca, faz frio, meu tchefe não vem trabalhar por causa de emergências de família, não tenho nada pra fazer: ãin), ou esparramada na cama com o ventilador ligado (anteontem: calor, calor, como assim? é outubro? as folhinhas deixam seus lares e caem no chão e ficam amarelas e vermelhas pra ficar tudo que nem filme e deveria estar friinho?), amassando o cabelo molhado no travesseiro.

Com esses livros de mulherzinha, não tem erro. A mocinha do livro vai ficar com o mocinho no final, (a) por mais que isso interfira com o sucesso resplandecente da carreira dela (ela percebe que há mais na vida que trabalhar feito uma camela, ir pra casa comer China-in-Box às 10 da noite e chorar na cama, que é lugar quente); e/ou (b) mesmo que ela(e) ache que esteja fechada(o) para o amor - porque tem um emprego de loser e que não há jeito maneira de puxar as pétalas da margaridinha e fazer cair no bem-me-quer. Também há a possibilidade de ela não ficar com ninguém, porque "o importante é se sentir feminina, mulherrrrr e poderooooosa sendo você mesma, apesar de tudo", ou alguma outra lição tão engrandecedora como cansativa e desnecessária (que, aliás, vem explicadinha no final, pro caso das pessoas não terem entendido depois de terem terminado o livro todo).

Esse livro cai na última categoria. Eu não leio esses livros porque eu estou interessada em como a história se desenvolve. Eu leio porque ando numa fase de ler livros mínimo-esforço com final feliz. Fiquei empurrando Italo Calvino e Érico Veríssimo pro fim da fila de livros pra alugar. Fiquei empurrando Paul Auster (!), qualquer um que me fizesse pensar. Leio esses livros bobinhos porque eu quero Sessão da Tarde. And I wish eu tivesse visto o filme (que não existe) em vez de ler o livro, porque o estilo, ah, o estilo!, o estilo é empapuçado e metido a besta e não orna com a futilidade e com os ooooonnnns! que eu deveria estar dizendo enquanto lia. Em vez disso eu fiquei contando quantas vezes a autora descreveu o vestido como sendo um blueberry gigante, ou quantas vezes ela usou outras expressões do tipo sure enough ou know me too well. Enfim. Esse livro vai pra coluna "Livros que amei (ou não)". Se você preciiiiiisa e quer muuuuuuito saber da história: a mocinha namora um rapazito por quem ela super arrastava uma asa quando era teen, mas uma das amigas (não muito chegada, quase nada), rouba-lhe o moçoilo e ela tenta play cool. Aí, né?, passa raivinha porque a amiga é uma sem-vergonha (e você fica: ai, pára, ela não era sua amiga, era aquela menina do grupo que você tenta adotar porque ela é chata-feia-boba, mas você, bondosa, quer consertar, o ex meio tenta que voltar, ela encontra o amooooor com outra pessoa, ela amaduresce, cresce, se descobre mulher. Até que enfim. Orfe.

Outro livro que eu queria que fosse um filme, pra que eu pudesse ter gasto somente uma hora e meia de esforço, em vez de, sei lá, dois dias, é esse à sua direita. Advogada superpoderosa é rejeitada por mocinhos porque é inteligente. Loira, ela resolve fazer uma matéria estilo como-perder-um-homem-em-10-dias e fazer papel de loira burra pra ver que tipo de homem ela consegue pegar (em vez de perder). Porque é muito castigo divino ser inteligente (cof) e bem-sucedida. Turns out, ela não pega ninguém quando ela é ela mesma, mas pega(ria) vários sendo loira burra. Uau! Gentê! Existe gente assim! Que só liga pra beleza?! Pros peitões, pra barriga que não pula fora da calça?! Pra bunda sem furos? Daí ela dá uma banana pros mocinhos bestas que só querem saber de Barbies e resolve ser feliz e sozinha. Quiçá pra sempre. Porque pra mim, ao terminar de ler esse livro, descobre-se que o importante é be true to yourself, no matter what, e - mais importante - que não existe homem nesse mundo que goste de mulher de contiúdo, so you'd better live with it e ficar contente com seu piu de prástico vibrante. Ou sei lá, resolver virar celibatária ou trocar de time.

Mãs! Se você chegou até aqui, tenho duas boas notícias, hein? Nem tudo está perdido pras mulherzinhas desse mundo que só querem, da vida, poder ler uma boa historinha de amor e ficar piscandinho os olhinhos feito besta, olhando pro nada. A outra boa notícia é que eu não sou uma bitter bitch o tempo todo e até tem, gentê, coisas/livros/pesssoas que eu acho agradáveis e interessantes (mesmo que somente mildly).

Você sabe que vai dar tudo certo no final, você sabe o que vai acontece quando virar a página, mas não tem problema. Você está viciada. Você só pensa na hora do almoço, que é quando você pode ler 30 minutos do livro, uns 2 ou 3 capítulos, sem parar pra nada nessa vida. Stupid and Contagious é um misto de Douglas Coupland com Nick Hornby. Porque é bem escrito: tem aquela coisinha de música pop, com gente jovem reunida (alô, Belchior!), meio sem loçã, que cativa, sabeim? Você vicia mesmo. Você quer ficar ooon. Pra sempre. Não quer mais que o livro acabe. Não quer mais se separar da mocinha que fica desempregada duas vezes, e do mocinho que tem uma gravadora de discos e que quer patentear uma invenção pra ficar famoso. Aí você descobre que tem outro livro da mesma autora. E coloca o livro na tal listinha de livros pra alugar e ele chega e ele tem muitas trocentas páginas e você fica iupiiiiiiii, porque é mais do mesmo e é muito mais do mesmo.

Em Forget about it, tem, lógico, um namorado babaca que só pensa em peitos e status. Tem um emprego boixta. Um monte de dívidas. O seu pai te abandonou, sua mãe e sua irmãzinha não são as melhores pessoas do mundo. Mas também tem um mocinho liiiiindo, fofo, perfeito, que liga só pra ouvir sua voz, que faz as piadinhas mais cuti-cuti. Mocinho esse que te atropelou. Aí você finge que perdeu a memória, porque veja, mulher, é preciso aprender a stand up for yourself (também tem um prólogo pra explicar isso, porque compreensão de texto parece que não é o forte das pessoas do mundo), e você só consegue fazer isso se fingir que não sabe quem você é. Blablablá, o amor é lindo, as pessoas só querem o bem umas das outras, muita paz, beijo no coração. Fim. Não achei tão legal como o primeiro livro da autora. Mas também não foi aquela coisa "nussa, dois dias de leitura da minha vida... máquina do tempo agora?".

Pessoa que lê tudo isso que eu escrevo e chega no final do post mais gigante da história de todos os blogs do Universo: O que você anda lendo? E mais: é muito chato ler essa coluna que eu inventei, com as críticas de livros?

12 comentários:

  1. ionem, é uma delícia ler vc escrevendo sobre qq coisa, pode faze posts quilométricos.
    eu to lendo os livros q trouxe de viagem: El Aleph, do Borges (amei), 20 poemas de amor e 1 de outra coisa que eu não lembro, do Neruda (não amei tanto) e En Celo, que são os jovens autores argentinos escrevendo sobre sequiço (amei muito e to até economizando).

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  2. Eu adoro a coluna...leio sempre, adoro dicas de livros e vc faz um resumão muito legal de ler. Bom, eu acabei de ler Abusado do Caco Barcellos. sabe como é, não basta morar no Rio e ler jornal, tem que ler todas as histórias sórdidas que escrevem sobre o assunto tb...rs
    Bjks

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  3. hahaha, oi queridaaaa!!
    Estou só no comecinho, tentando ver se eu me empolgo ou não, se levo jeito pra coisa ou não!!!!
    Adorei você por lá!! beijoooooooos

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  4. Thata, Borges e Neruda: tudo o que eu não estou lendo agora? E adoro livro que a gente economiza.

    Pessoa do Cantinho Bom, quero ler esse livro também. Quando eu for pro Brasil, vou comprar. Ou vou pedir pro meu pai me mandar no correio.

    Renata, todo mundo empolgando agora! WEEEEEEEEEEEE.

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  5. eu adoro qualquer post que você faça!

    eu tô lendo Half a Life, do V.S. Naipaul. Mas tô lendo assim numa ve-lo-ci-da-de de lesminha. nem é pra economizar, porque eu já tenho a continuação me esperando. mas é que tô com preguiça de tudo...

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  6. Continue. A vantagem é que dá pra ler em dois minutos o livro que ocupou você a semana toda.

    Atualmente, "Cores proibidas", do Mishima. De certa forma parece "Lolita", só que o Mishima parece menos consciente do que está dizendo do que o Nabokov. Na fila, Clive Barker.

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  7. Renata, eu tenho ansiedade cultural. Eu preciso ler muito. E rápido. Nada de lesminha, embora lesminha seja melhor.

    Marcos, tô me sentindo muito usaaada!

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  8. Ô Ione, se o negócio é leitura leve então leia O Visconde Partido ao Meio do Calvino. Ele é bem fininho e MUITO engraçado.

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  9. Chris, livro fininho é contra as minha regras de aluguel de livros. É assim. Eu assino o plano de 7 livros. Recebi 7, li 3, devolvi. Fiquei com 4 em casa esperando os outros chegarem. Quando eles chegam, eu já estou devolvendo 3. Modos que eles sempre têm que ser grossos, porque se eu fico sem nada pra ler, eu vou gastar dinheiro na livraria pra ler enquanto espero os livros alugados chegarem.

    Eu sei. É muita totoquice de minha parte. Mas já tem um Calvino na lista, pó deixar!

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  10. Aliás, esqueci de dizer: Tou lendo Fim de Caso do Graham Greene. Eu devo reconhecer que fui assistir o filme (adaptação do livro) por causa do Ralph Fiennes que eu acho super charme e me surpreendi muito! Agora achei uma versão pocket do livro e estou amando também! A adaptação pro cinema foi bem fiel e eu recomendo ambos.

    PS: eu acho a coluna de livros bem legal. Pena que muito dos livros não devem ter aqui no Brasil...

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  11. Eu jamais reclamaria de um post longo, visto que meus posts são gigantes. Alguns amigos já me falaram que meus textos são longos demais, mas fazer o quê? Nem em comentários eu consigo ser sucinta, sempre escrevo praticamente um post. Não me orgulho em ser prolixa, mas enfim, é a vida.

    Eu ADOREI esse post sobre livros. Adoro ler recomendações porque vou colocando na minha lista de "must buy" (não há bibliotecas perto de casa ou do trabalho) e "must read". Faça mais, pufavô.

    Eu estou há um tempo lendo "O amor nos tempos do cólera". Por diversos motivos psicológicos e mongóis eu tenho lido devagar que é pra demorar pra terminar. Vai entender.

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  12. Chu, O amor nos tempos do cólera é pra economizar mesmo. Faz todo sentido...

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