16.10.07

Livros que amei (ou não)

No caso, ou não. Não: não não não não não. Dá pra ver o nome da autora e do livro na figurinha? Acho que dá. Bitter is the New Black, Jen Lancaster. Ela tem um blog também, googlem pra achar porque eu não quero colocar linque. Ser amarga pode até ser o new black, mas mais amarga foi a experiência de ler esse livro de cabo a rabo. Eu sou assim, masoquista nas pequenas coisas. O livro é ruim e eu não gosto da personagem (que é uma versão da autora feita pra livros)? Eu vou ler tudo no mesmo dia, sem descanso. Desde a hora em que sento a bunda que estava deitada na cama, até o momento em que meus olhos se fecharem. Já nas interações sociais se eu não gosto das pessoas, ou se não desgosto mas não chego a gostar, you'll find me in my room lendo livros como esse.

Ãin. Intermináveis capítulos sobre como ela é glamurosa e competente e como todo mundo é burro e farrapento. Ouquei, eu também faço isso. Eu sou culpada: eu julgo as pessoas pelos livros que elas lêem, eu julgo as pessoas quando o português claudica, eu jogo pedras, etc. Mas, gente, não dava. Ela era tipo a pessoa mais inteligente do mundo, a mais chique do mundo, com o melhor apartamento, etc. Porque ela pode!, ela é tudo nessa vida e mais um pouco! Muito papel feito de árvores inocentes que não mereciam (i) crescer, (ii) fazer flores e séquiço através de pólen e florezinhas (na maior parte dos casos), e (iii) morrer pra verem impressas todas aquelas palavras que, por Jesus-Maria-José e o burrinho, beiram (pra ser boazinha) a xenofobia. Porque ela perde o emprego. Há justiça no mundo?, você começa a crer que sim. Ela vai buscar o cheque-desemprego, fazer inscrição pros benefícios tipo i-ene-esse-esse (com uma bolsinha Prada), e fica fula da vida porque a explicação do funcionário do i-ene-esse-esse vai ser em espanhol. Porque, gente, ela está nomeio da América! Não importa que as outras pessoas todas ali sejam falantes de espanhol, importa é que a América é para os americanos (mais ou menos isso) e ela está lá e etc. Sem emprego, ela tem que se mudar prum apartamento menor, num bairro não chique, a que ela chama de gueto: porque não há vizinhos falantes de inglês. E porque eles não falam inglês, ela tem medo de sair na rua. Um cansaço de alma, gentê.

E infinitas notas de roda pé que deveriam ser cáusticas e irreverentes, mas que me encheram os pacová de uma forma que eu não sei explicar. Tipo, vamos aprender a usar pontuação pra não recorrer em cada uma das páginas às notas de rodapé? Não é criativo ou inovador, é chato, é pentelho, me faz passar raivinha porque eu tenho que parar o que estou lendo no parágrafo e descer os olhos e perder um nanosegundo que eu poderia não ter perdido lendo aquele livro. Que, sim, eu poderia ter largado logo quando eu descobri que ela era republicana, mas eu tento ser magnânima, você sabe, e resolvi dar uma chance. Ouvir opiniões diferentes, essas coisas. Tentar manter a mente aberta. Não é que ela escreva mal, é que ela é chata, preconceituosa (de um jeito ruim - o meu é que é bom: rorrô), umbiguenta e eu não gostaria de hang out with her. Like, ever. Mas passei o domingo com ela e foi tanta exaustão que ontem eu fui dormir às 10 e meia da noite e só acordei hoje, depois de 9 horas dormidas. E a justiça no mundo? Você descobre que não há porque a autora (e personagem do livro), quando desempregada e sofrendo porque no more Prada ou Gucci ou coisa que o valha, começa a escrever um blogue que faz sucesso e que a leva a ter um livro publicado. E em seguida mais um. Enquanto eu estou empregada, tenho um blogue que 15 pessoas (depois de esconder o blog do Google) lêem (oi, pessoal!) e não tenho livro nenhum publicado. Amarga? Eu?

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