5.10.07

Livros que amei (ou não)

Ler é o que eu mais gosto de fazer. Se você me chamar pra tomar uma cerveja, numa quinta à noite, eu vou dizer não obrigada, eu quero ficar em casa, ler e ir dormir cedo. Porque provavelmente a segunda coisa que eu mais gosto de fazer é dormir. Talvez não. Tem séquiço, comer comidinhas gostosas, sentir cheiros, cheirar cangote do menino mais lindo do mundo, escrever aqui, essas coisas. Sem muita ordem. A única coisa que eu garanto é que beber vai sempre perder pra ler, não importa quão fofura seja a companhia.

Aí eu assinei aquele troço de alugar livros. Que, assiiiiim, desconfio que fica enrolando pra atualizar o status das devoluções pra gastar menos dinheiro comigo. Mandei livros no sábado, deveriam ter chegado na terça, quarta no máximo de volta. Mas só na quinta eles dizem que chegou. Hoje eles devem dizer que mandaram os livros na lista e eles vão chegar em casa na terça. Enfim, é teste. Vamos ver. Ou, de repente, assinar o plano de 5 livros por vez (porque eu comprei uns livros reserva pra ler enquanto os do aluguel não chegam, e reli um Paul Auster que eu já tinha).

Um dos livros que chegou pra mim foi The Polysyllabic Spree, do Nick Hornby. É uma coletânea dos artigos que ele escreve pra revista The Believer*, em que ele fala, surpresa!, dos livros que ele leu no mês. Dá quase vontade de assinar (e nem é muito caro), mas eu, na minha infinita inguinorãnça, não sei quem são os outros povos que escrevem e dei uma olhada rápida e me senti tão dã! quanto quando leio (lia) Bravo!. Quando comecei a ler Bravo!, descobri que era nem era tão terrível, que era ouquei gostar mais das figuras que do texto, porque o conteúdo estava além da minha capacidade, hein? Ou isso, ou essa foi a desculpa que eu inventei pra não desistir de viver. Além do que, dá aquela ansiedade de consumidor de arte: tenho que ver esse(s) filme(s), ler esse(s) livro(s), ver essa(s) peça(s) e exposição(ões), ouvir essa(s) música(s), etc. Muita coisa, gentê, nesse mundo, que vai permanecer um mistério pra mim.

Enfim, modos que, como quase nada nesse mundo é idéia original e patenteada no INPI ou órgãos equivalentes, resolvi escrever sobre os livros que ando ou andei lendo, tal e qual Nick Hornby, menos o charme, a graça, o humor, a fama e o interesse de leitores do mundo todo.

Começando pelo próprio livro de Nick Hornby, The Polysillabic Spree. Fiquei curiosa pra saber o que ele lê, né, gentê, porque a gente quer sempre saber sobre as pessoas de quem a gente gosta ou que a gente admira. Algumas revelações. Primeiro, que ele não lê mis livros por mês, o que muito me faz bem saber. Porque o ser é escritor - escritor, gentê! - e não lê mis livros. É tipo uma pessoa normal. É tipo eu. Ou você. Agora a gente tem pelo menos um motivo pra falar: "Eu sou que nem o Nick Hornby". Segundo, que eu achei que ele leria livros Sessão da Tarde em termos de qualidade, ou seja, livros engraçados, com referências pop, ou livros mais modernosos, mas ele lê coisas estranhas e, como direi?, quase obscuras. Muitas biografias e poesia. Procurei críticas dos livros que ele recomendou (fora os clássicos), e não me animei. E os livros não são leves e divertidos. Parecem, ao contrário, densos e escuros e difíceis de ler, ao contrário dos que ele escreve. Terceiro, que ele lê literatura de auto-ajuda. Né incrível? Fala a verdade, quando que você ia imaginar que ele lê livro de auto-ajuda? Portanto, gentê, vamos aprender uma lição com o Nick, e vamos parar de julgar as pessoas pelos livros que elas lêem. A partir de hoje, pra mim é super ouquei que a secretária que trabalha na ala oeste do escritório (inventei, porque eu Não sei onde se situam os pontos cardeais) leia o décimo quarto livro escrito da série "sou solteira, feia e amarga mas sou feliz e é mais solteira, feia e amarga quem me diz", ou que a D. leia livros de amor do tipo que se compra na banca de jornal (mesmo conteúdo, capas diferentes). Isso não diz quase nada sobre quem elas são. Exceto pelo fato de que diz. Porque, voltemos ao caso de Nick. A escolha dos livros dele tem a ver com o trabalho dele - às vezes ele tem que ler livros porque tem que escrever críticas pelas quais ele ganha dindim, ou tem a ver com as pessoas e coisas que o rodeiam - por exemplo, ele leu pelo menos uns 3 livros sobre crianças autistas porque um dos filhinhos dele é autista; ele lê livros que pessoas que ele acham massa recomendam; ele lê livros escritos por amigos e familiares.

Os artigos são engraçados e interessantes, a ponto de me fazerem ler por um domingo inteiro quase sem parar - o livro também é curtinho, o que ajuda. A mim não me importou que eu não soubesse sobre que livros ele estava falando (quando comecei me deu medinho de boiar), porque ele escreve impressões pessoais, sem trololós sobre estilo literário ou coisas assim. Uma opinião simples, as razões pelas quais ele resolveu comprar ou ler determinado autor ou obra e algumas relações da história com a vida dele. Ou seja, perfeito pra qualquer stalker, mesmo que a gente esteja stalking só de leve, só a vida livral de alguém. Adorei e recomeindo.

* Dá pra ler bastante coisa publicada sem pagar: dá uma olhada nos arquivos. Pra ler as colunas do NH, lógico, tem que assinar a revista.

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