13.9.07

O tchefe

Meu tchefe é alto, médio-alto, e tem mania de desentortar clipes pra papel. His stuff is all over the place. Você não consegue fazer uma idéia. Se alguma vez você visitou meu quarto no Brasil, e sabe como era, saiba agora que o escritório dele é assim o meu quarto elevado à 5 potência. Vou chamá-lo de Beto, daí você já sabe qual é o nome dele. E o sobrenome é Marrca.

Coloquei outro "r" pro caso, né?, dele me googlar de novo. Sim, porque na entrevista eu disse que eu sabia de um caso dele e ele: "I googled you right back". Como assim? As pessoas agoram assumem publicamente? Desde quando a gente pode sair dizendo por aí que googla todo mundo? De qualquer modo, se ele chegar aqui, ele vai saber que estou falando dele, porque vai traduzir tchefe e vai ver a frase em inglês. Suspiiiiro. Ninguém está livre, minha gente, do constante olhar vigilante das pessoas que paranoicamente cremos que estão stalking a gente. Ou dispostas a.

Eu estou convencida de que ele me contratou porque eu fui a candidata que pediu menos dinheiro (na primeira semana de trabalho, os cvs das pessoas estavam em cima da mesa, fui obrigada a olhar, né?). Pessoas, assim, todas falantes nativas de inglês, e inclusive com mais experiência do que eu (o que era tipo a coisa mais fácil, já que eu tinha zero - apesar de ter escrito que, né?, estagiária de Direito no Brasil é mais ou menos isso aí).

Na primeira semana, a Cõrina estava me ensinando tudo o que podia ensinar. Eu só fazia coisinha ou outra e seguia a Cõrina pra lá e pra cá. Inclusive eu cometi a brasilidade total de convidá-la pra almoçar comigo, já que nenhuma alma boa faz isso pela gente por aqui. Ou melhor, a D. fez. A gente combinou, no dia seguinte eu não levei marmita porque ia sair com ela, mas ela desmarcou! Fiquei tão beicinho, porque eu tava muito pronta pra sair e falar com pessoas outras que não as moradoras de meu lar, nem os aluninhos da escola.

Enfim, foi na primeira semana de trabalho também que eu entrei na sala do meu tchefe pra dar um recado e ele estava chorando. Voltei nos carcanhá: "O que você fez com ele, Cõrina?" --- ela riu um pouquinho. Porque ela estava lá trancada com ele fazia pouquinho.

Meu tchefe acha que eu sou tchefe dele, tenho impressão. Numa segunda, ele chegou ao meio-dia e tanto e me encontrou na recepção, porque eu estava cobrindo o break da secretária. "Ontem eu não conseguia dormir de jeito nenhum e tomei um comprimidos. Quando vi, gentê, 11 e tanto! A manhã toda já foi!" - isso porque ele chega não antes das 10:25:54, a não ser que ele realmente tenha que. Seja obrigado a. Geralmente por ad(e)vogados das outras partes, que chegam no escritório às 9 e marcam reuniões para esses horários. Acho também super válido, hein? Porque ele quer aproveitar a vida, aproveitar as filhinhas antes delas irem pra escola de manhã, não quer viver toda uma vida consumida na tristeza de trabalhar sem parar e não ter vida após o horário comercial, ou melhor, não quer que a vida toda se resuma ao horário comercial. Admiro: porque ele teve coragem de dizer isso pra mim logo na entrevista. Numa sexta, ele veio assim fazendo círculos na barriga, tipo quando você tenta esfregar uma mão na barriga e outra na cabeça, girando em sentidos opostos, e fazendo voz de manha: "acho que eu comi alguma coisa que me fez mal... tô indo pra casa". Outra vez, ele ligou de casa quando também já lá se iam 4 horas de trabalho pela manhã, pra avisar que "não estava se sentindo muito bem". Consola, né?, saber que ele conta essas lorotas, porque quando for a minha vez... Mas também há as vezes em que ele simplesmente diz que vai tirar a sexta de folga porque vai pra praia, o que acho mais válido ainda. Se eu fosse ele, eu ia me-ma.

Que mais eu posso contar dele? Às vezes ele se tranca no escritório dele. E lá permanece trancado. Quando eu digo trancado, não é que a porta esteja fechada. Ele passa a chave mesmo. Quando abre a porta, está cheirando a Bom Ar. Não sei o que ele faz, são muito misteriosas as circunstâncias porta-fechadura. Brian acha que ele fuma escondido. Talvez até outro tipo de cigarro? Cogitei também a hipótese dele assistir filminhos com pessoas engajadas no ato sequiçual na internet. Porque há uma toalhinha que ele traz numa malinha misteriosa, que quando a porta se abre está fora da malinha, não sei pra quê ele traz a tal da toalhinha.

Ah, se Beto Marrca chegar até aqui, tenho duas palavras pra ele: Oinc, oinc (que disseram pra ele que era hello em português).

5 comentários:

  1. Inhone,

    "a nível de toalhinha", eu apostaria na sua hipótese, e não na de seu príncipe consorte...

    beijos

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  2. Caram, sabe que eu fico pensando que pode ser? Medo. Dou 10 pessoas e tô na mesa dele. Ãin.

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  3. eu prefiro pensar que ele fuma escondido. e a toalhinha é pra, gente, não sei pra que pode ser, só peço que não seja pelo que vc acha que é.

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  4. Nhé. A gente passa uns dias sem vir aqui e quando volta tá tão cheio de posts que demora dois dias pra atualizar a leitura.

    Googlai-vos uns aos outros. Acho que isso em breve vai ser tão corriqueiro quanto, sei lá, cachorros se cheirarem. Vai ser a forma convencional e civilizada de iniciar uma interação com outra pessoa.

    Ah, adorei o cummings. Solitude, a folha cai.

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