20.9.07

Curtas

Tá fazendo um dia de outono, que pra mim é igual a inverno em São Paulo. Tô usando saia lápis e eu fico andando igual uma gueixa. É um saco. Aqueles passinhos bem miudinhos. Às vezes eu puxo a saia pra cima pra andar melhor. Pra subir escada. Anteontem, na estação de trem, tinha alguém tocando My favorite things na flauta. Combinou com o solzinho que estava fazendo lá fora. Quando eu pego o trem pra casa, à tarde, tem sempre um moço vendendo buquês de flores. Ontem, um moço tocando violino. Desci a escada pra plataforma cantandinho.

Aqui ninguém anda rápido que nem em São Paulo. Enfiei nos sapatos pés de meia úmidos pra ver se alargava um pouco. Hoje eu não vim de Adidas, vim com o tal sapato alto que eu trouxe do Brasil e nunca usei porque estava apertado. E porque eu já estava me acostumando com a vida de só andar de Adidas, sandália feia de americana em seriado na TV, ou Havaianas. Vamos ver se as meias bafufadas deram jeito no aperto do sapato. E estou usando meia-calça fumê, o que é bom, porque esconde as marcas de mordidas de pernilongo. Dias atrás, tomei umas 24 numa noite só. Assim, em ciclos de 3 dias, essa foi a minha vida no verão. Ir dormir e acordar com as pernas tão mordidas que parecem meia-calça de petits pois. Não é bonito, não é gostoso.

Nossa professora russa de francês teve um nenê semana passada. Anastacia: o nenê, não a professora. A professora se chama Anna. Eu não gosto de aprender francês, então eu não aprendo. Mas eu vou porque o menino mais lindo do mundo me pediu. Ele precisa porque um dia ele quer trabalhar na ONU ou numa ONG ou num país da África.

Já tô com fome, mas nem são 11 horas ainda. Eu trouxe risoto falso que eu fiz ontem de marmita. E uma Max*Cola, que é igualzinha a Coca Diet antiga. Quando eu vou na cozinha almoçar, sempre fico de butuca pra ver se não tem ninguém lá. A última vez que as pessoas do escritório estavam lá, estavam todas falando mal de uma secretária que trabalhava aqui. Acho válido falar mal, desde que seja *eu* (ou alguém de quem eu goste) que esteja falando mal - rorrô. E a última vez que tive uma interação de almoço, a conversa era sobre Harley Davidsons dos maridos/namorados e as jaquetas, capacetes e essas coisas. Fiquei evitativa, nén? Comecei a levar comigo o livro que antes era só do trem.

Já tenho que ir ao banheiro de novo. Aqui no escritório está mais frio que na rua.

4 comentários:

  1. eu imaginei toda uma cena de cinema, com vc puxando a saia e my favorite things na flauta...

    é o começo de um filme!

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  2. O que é uma "saia lápis"?

    E realmente, essa cena do metrô podia muito bem ser uma cena de cinema... ou de série de tv americana! ;)

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  3. você de saia lápis deve ficar ótema...

    eu tenho uma falsa-lápis, mas eu ando igual gueixa é por causa dos saltos mesmo.

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  4. Renata e neutron, engraçado. Quando a gente lê, parece cena de filme mesmo. Mas quando eu estou lá, é só minha vida.

    Neutron, uma foto bem pequenininha de saia lápis: http://img.mercadolivre.com.br/jm/img?s=MLB&f=55400362_2323.jpg&v=I

    Naty: A minha deve ser falsa. Nem lembro onde comprei, mas minha amiga tem uma igual. Acho que foi na Marisa.

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