20.3.07

Dias de mulherzinha

Gentê, eu sou uma pessoa fácil. Eu sempre vou ao cabeleireiro e digo que eu confio totalmente neles e que eles podem fazer o que eles quiserem, que eu não vou bitch about maus resultados, porque, afinal, cabelo cresce. E, no meu caso, cabelo cresce me-ma. Muito rápido. Num dia estou com cabelo super curto, no seguinte parece que estou usando peruca.

Daí eu fui no centro de compras, onde o B. corta o cabelo a menos de 13 dólares (tip not included). Uma semana depois de ter chegado eu cortei o cabelo lá. Ficou ruim, mas, enfim, fiel ao meu jeitinho meigo e cheiroso, não reclamei. Porque, como você sabe, cabelo cresce. Ai eu fui pra Arizona e ganhei um corte de cabelo de B' (sendo B' a irmã de B). Não que ela mesma tenha cortado meu cabelo, mas ela me deu de Natal uma ida ao salão a que ela vai e o meu fauxhawk ficou lindo de novo. Enfim. Eu fui bobinha e fui no lugar ruim de novo. E foi a segunda vez que eu chorei por causa de cabelo. A primeira tendo sido quando cortaram uma franja que eu realmente não queria, quando eu tinha uns 11 anos e usava óculos de acrílico vermelho.

Mas dessa vez a coisa foi muito feia. Primeiro que a moça não tinha idéia do que fosse o corte. "Mas hein?, nunca ouvi falar". Ela não conseguia nem repetir o nome. Eu expliquei - para crianças. Olha, é um falso moicano. Quando eu quiser usar o cabelo normal, ouquei. Quando eu quiser passar pomada e arrepiar os cabelos mais no meinho da cabeça, vai parecer moicano. Conforme encontrado no Urban Dictionary. Ouquei. Ela fez que entendeu. Molhou meu cabelo com spray, o quanto tinha, e não tinha muita água lá não. Ficou cabelo com espirro por cima. Aí mui-to-len-ta-men-te ela começou a cortar o mullet que se formara na minha nuca após 3 meses deixando o cabelo crescer por medo de ir novamente lá. Porque você sabe, errar uma vez é umano (sem agá), etc. "Megan!", ela gritou. E novamente "Megan!". Ela veio. Por sua vez, Megan tinha o cabelo oxigenado, o que muito, muito me assustou. Megan fez que ensinava a moça o corte, tirando assim, te juro, uma partezinha branca de unha no comprimento e eu explicando, por favor, eu cortei faz três meses, três!, não faz uma semana, correspondente ao branquinho da unha. A moça passou a cortar o branquinho da unha. E eu falando, moça, moça, por favor, eu sou boazinha, eu uso cabelo curto, eu não estou mentindo. Pode cortar, não tenha medo, olha, se pudesse eu até seguraria sua mão, mas você precisa das duas pra poder segurar o pente e a tesoura concomitantemente.

Pânico. Ela não queria mais nem cortar a unhinha, ficou confusa porque eu disse que ela podia cortar mais. Aparentemente, não existem mulheres/mocinhas que querem realmente perder mais que o branquinho da unha no comprimento. Uma terceira moça veio em socorro. Ela também tinha o cabelo oxigenado. Assustei de novo. De onde eu vim, pessoas com senso de estilo usam cabelo do Soho. Pintam a ponta de roxo, fazem cortes assimétricos, usam navalha pra "dar movimento e leveza". Essa moça não tinha estilo. Eu expliquei de novo. Ela repetiu. Megan chegou junto e ficou olhando muito estarrecida. E pedindo conselho. "Olha, eu passei Blondor no cabelo da cliente, mas fiquei com medo de passar muito e o cabelo cair. E agora o que eu faço?". Eu aguentando calada, porque eu sou a boazinha-meiguinha que confia que quem é cabeleireiro é porque aprendeu o ofício em algum lugar, preferencialmente não em casa, por correio.

A nova oxigenada dizendo que "tudo bem, esse corte é difícil, relaxa, não é sua culpa", para a primeira mocinha. Megan então disse: "Uau, olhando assim de lado, ficou awesome!" Sim, de lado. Porque de frente:

Menos a monocelha. Porque alguma decência ainda tenho e eu tiro com pinça. Eu totalmente engoli o choro. Porque a versão fauxhawk delas me dá um look meninha tongolina de 8 anos que pediu pro barbeiro do Monteiro Lobato no início do século retrasado cortar o meu cabelo - na época em que era super in ter cabelo de soldado japonês.

Cheguei em casa, o B. veio mexer, não falou nada. Eu comecei a reclamar, dizendo "Não é que eu não tenha gostado. Eu não gostei da primeira vez. Dessa vez eu odiei, odiei". Lágrimas incontidas. Bico. As moças oxigenadas unidas conseguiram me fazer não só parecer uma tongolina de 8 anos, mas também a agir como uma. Fui pro quarto. Não saí mais. Todo mundo lá fora em volta da fogueira no quintal, bebendo no dia de São Patrício, eu comendo Méqui no quarto. Assistindo filme da Sandra Bullock in rehab. Chorando. Todo mundo foi pro bar-casinha. Eu fiquei. No quarto. Assistindo filme da filha da Goldie Hawn, com 3 sobrinhos herdados da irmã mais velha com quem ela mantinha um vínculo afetivo muito forte por causa da uma música dos anos 80? Fui tomar banho, de novo, para lavar o cabelo e apreciar melhor, no espelho, o cocô da minha cabeça sem a pomada que a moça tinha passado na tragédia que ela criara. Chorei mais. Igual em filme. A pessoa escorregando pela parede, no banheiro, etc. Sem escorregar porque é banheira e a parede tem um degrauzinho.

Claro que tudo pode ter sido somente fruto de descontrole emocional porque, né, essa é a semana em que estou off-hormones.Enfim, blábláblá, terei uma sucessão de mais ou menos uns... 90 dias de bad hair day. Então, cuidado comigo.

2 comentários:

  1. Nossa, tô com pena d'ocê. Mas que lugar é esse em que você foi se meter que não um cabeleireiro decente? Jé...sus, tenha medo! Toda a minha solidariedade para você, flor. :*

    Lys

    P.S. Mas essa Ione Lobato tá o máximo. Ri de chorar.

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  2. Lys, fui parar em Springfield, PA, onde fica esse centro de compras.

    Obrigada pela solidariedade. Sinto-me quase abraçada.

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