13.2.07

Estou aqui contemplando as grandes questãs da vida,

tais como:

  1. por que é que mentem para nós tanto nos programas de tevê e nos filmes de Oliúdi? Concordo com meu amigo Thiago. Friends é uma mentira das grandes.
  2. devo ou não tomar banho enquanto a máquina de lavar está ligada, o que causa um consumo extra de água quente e portanto diminui o tempo de banho?
  3. por que ninguém comeu o bolo de caixinha que eu fiz, obrigando-me, portanto, a comê-lo todo eu mesma, acrescentando mais alguns quilos à minha já não tão esbelta figura?
  4. por que é que salvar vidas é tão, tão chato?
Vamos lá.

1. Eu realmente não compreendo como é que as pessoas fazem amigos nessa terra. Acho que você tem que trazê-los de berço ou algo do gênero, porque sabe aquela histórias das pessoas cumprimentando estranhos aleatórios na rua, sendo simpáticos e gentis e... solícitos? Não tem. Gentê, não tem, não achei ainda.

Teve um episódio na loja tipo Kalunga. Ai, pera, tem Kalunga em outras cidades que não São Paulo? Kalunga é uma papelaria que vende aquelas coisas todas que todas as meninas gostam de comprar - poustitis coloridos, cadernos novos, blocos de anotação que a gente nunca vai usar - por atacado (qual preposição, gentê?). Enfim, fiquei lá passeando pelos corredores, examinando todas as muitas opções de canetas e cartões de notas, quando fui abordada por um funcionário. Primeiro, pensei, ai, JC, será que ele acha que estou enfiando coisas nos bolsos do casaco? As orelhas esquentaram em segundos e fiquei um pouco nelvosa com a revista que eu iria sofrer, e as explicações, e quando eu fico nelvosa o inglês não sai direito, e ter que ligar para o B. chorando, etc. Porque, né?, a imaginação rola solta. Só porque estou aqui faz só umas 2 horas olhando pra essas canetas? Mas não. Mãozinhas suando e voz um pouco hesitante, ele disse: "Eu não costumo fazer isso, mas eu decidi que eu tinha que me apresentar pra você. Prazer, meu nome é Geoff." Eu olhei dentro dos olhinhos do serzinho nerd que me fitava, e em seguindo eu virei um pouco os meus próprios olhinhos, e olhando para qualquer outro ponto no horizonte que não fosse ele, respondi: "Ouqueeeeeeei... O-obrigada, hein?", partindo assim com os bens que eu colhera nas prateleiras. Pobre Geoff, scarred for life, alone and afraid of girls, all because of me. Rarrarrarrá. Ouquei, eu concordo, ele se apresentou para uma pessoa aleatória e fez todo um esforço, mas eu não quero dates com rapazinhos da Kalunga americana, eu só quero fazer amiiiiiiigos (imagine cara de cachorrinho pidoncho - com xis?).

Trabalhando há um mês na Cruz Vermeia, nunca fui convidada para ir almoçar com os coleguinhas. Nem pra um chá na copa. Minha interação com as pessoas se resume a bons dias e obrigadas e coisas do gênero. Tudo muito perfeitamente estéril e polido. Eu pensei que, né? Sei lá. Me iludi. As pessoas não são lindas e cheirosas e amigas como em seriados americanos.

Então eu resolvi que eu vou num encontro de brasileiros da cidade. E vou procurar no sítio de encontros, not as in dates, reuniões, e tem! Oba!, eu penso. Muitas pessoas que vão compreender toda minha solidão, todas as minhas questãs sobre o relacionamento intercultural. E tem um evento marcado para fevereiro, veja só!, pensava eu. Carnaval. Uau! Samba, ném? Das 8 à meia-noite. Ouquei, normal. As coisas têm hora pra começar e acabar aqui, nada dessa história de até o último bêbado resolver ir embora. Quantas pessoas vão? Quantos amiguinhos poderia eu, hipoteticamente, fazer, fora eu dada ao samba e ao carnaval? Vamos ver, vamos, vamos clicar aqui onde diz "mais informações sobre o evento", eu toda feliz, uau, amigos! Vou fazer amigos! E tem um membro no grupo de brasileiros da cidade. Que não é brasileiro. Que é americano. Que é guei. Guei é bom, eu penso, eu tenho tantos amigos gueis que são tudo nessa minha vida (e sem atirar pedras, por favor, isso não foi um subterfúgio para discriminação, not at all). Quem sabe se ele não será uma pessoa mais abeeeeerta? Menos anglo-saxã e mais cha cha cha? Quem sabe? Penso também que terei que descobrir em outra ocasião, porque carnaval não vai dar pra mim.

2. O tempo que levei explicando o item 1 foi a conta para a máquina terminar seu trabalho. Lá se vai minha desculpa para pular o banho de hoje.

3. The guilt, oh god!, the guilt!

4. Porque o ponto alto do dia é ver as 100 etiquetas - cujos dados eu cuidadosamente digitei - impressas em lindas etiquetinhas colantes e em seus lugarezinhos, prontas para o carteiro levar. E isso foi no dia em que eu realmente tinha coisas para fazer. Porque eu gasto 10 minutos salvando vidas, o que se traduz em googlar coisas que a chefe poderia ter googlado sozinha (levaria o mesmo tempo que ela leva para me mandar e-mail me pedindo isso), ou em googlar "cruz vermeia" em jornais da região e colar os linques num e-mail.

2 comentários:

  1. Ioninha, eu também sinto dificuldades em compreender as pessoas que tem milhares de amigos. Eu não sei chegar e não gosto que cheguem, como fazer?
    Continue salvando vidas. Não parar de escrever seu blog, por exemplo, é, de certa forma, salvar alguns minutos divertidos de alguém, viu???
    Lígia

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  2. Ninguém lê posts grandes, né, Lígia? Só você :)

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