12.12.07

Ninguém nunca me chama pra memes, mas eu faço mesmo assim, trezentas semanas depois dele ter começado

LIVRO DAS REVELAÇÕES

1. Pegar no livro mais próximo;
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Colocar a frase no blog;
5. Sem escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo);
6. Passar o desafio a cinco pessoas.

He called you Queen Elizabeth.
Coupland, Douglas. Eleanor Rigby.

Except, of course, that I would never talk of "discontinuities".
De Waal, Frans. Primates and Philosophers - How Morality Evolved.

7.12.07

Beto Marc@, meu tchefe

fica feliz da vida porque eu imprimo etiqueta com endereço e colo em envelope em que outro endereço já foi impresso, pra reaproveitar. Ou porque eu faço bloco de notas com papel velho. E que eu imprima dois lados da folha, se é só pra gente ler alguma coisa aqui no escritório. Essas coisas. Mais mão-de-vaca que eu? Eu faço pelo meio-ambiente. Ele faz pra economizar mesmo.

Tô pensando no que eu vou dar pra ele de fim-de-ano. Porque ele é judeu, né?, então não é de Natal. Eu mesma só uso a data como desculpa pra dar presente. Adoro. Acho que vou dar uma tradução de Dom Casmurro, um mixed tape com música brasileira e uma foto bem bonita de São Paulo (preciso procurar no flickr ou, colegas que tiram fotos bonitas: alguma sugestã?).

6.12.07

Acabei de espremer o dedo na gaveta do arquivo

E gritei: "Putaquepariu!". Interessante é que quando a gente tem que falar com o ser amado, interagir com as pessoas e trabalhar em outra língua, a gente começa a xingar em outra língua. Ou pensar no chuveiro em outro língua. Mas essa me escapou.

Ontem de noite nevou. Desci do trem e fui andando pro ponto de encontro com o menino mais bonito do mundo. A luz batia assim, dava pra ver os floquinhos voando na minha direção. E, como a Paula, abri a boca e experimentei neve. De novo. Cheguei em casa e fui experimentar as roupas que eu comprei pela internet. Das 8 coisas que eu comprei:
  • uma veio errada (era pra ser uma camiseta azul XP com decote em vê, mas me chegou uma calça jeans cargo tamanho 6, de criança);
  • 3 camisas xadrez não serviram, apesar de eu ter medido o busto pra ver que tamanho que teriam que ser -- P; eu mexia os braços, dava pra ver dentro entre os vãos dos botões);
  • o suéter de fleece (que é a parte de dentro de moletom felpudo, só que é tudo felpudo) ficou parecendo uma caixa preta: fiquei na dúvida se era feio assim mesmo ou se eu tenho que comprar a XP);
  • o suéter verde de lã em vê é muito comprido -- as mangas estão ouquei, perfeitas, e veste muito bem, mas é compriiiiido, comprido assim que cobre a bunda e fico com perninhas ridículas, minúsculas, e não dá pra mandar consertar, porque é de lã, não dá pra pedir pra Korean lady da lavanderia pra cortar assim uns 3 dedos, porque vai desfiar; e
  • fiquei com a bolsa e com uma das camisetas que veio na cor e tamanho certos.
Passei o fim-de-semana pensando nas roupas enquanto elas viajavam numa linda sacola pelo correio. Fiquei sonhando que lindo que ia ficar a camisa com xadrezinho cor-de-rosa com o suéter verde. E a bolsa nova. E os anéis e brinquinhos que eu comprei semana passada numa promô -- leve 3, pague 2. Ou a camisa com xadrezinho azul meio aberta, com a camiseta cinza mescla por baixo, na primavera. Ontem ganhei um creminho com perfume de gardênias* (para ti). E ia ser tudo lindo e perfeito. E eu iria pra Arizona e ia ser linda e cheirosa. Aí chorei. Mulherzinhamente, chorei. Será que é porque o meu corpo que não segue os padrões estadunidenses (tenho bunda, sou baixinha, não tenho peito)? O menino mais lindo do mundo não entendeu nada. Fiquei mais triste e brava porque quem ia entender minhas decepções com a moda, minhas fashion atribulations? Vesti o tal suéter verde e ele achou que tava ótimo, no problem at all. Sendo que eu só vesti o suéter pra mostrar, ou melhor, demonstrar como minhas pernas encolhiam de repente, como ficava tão estranho. Eu tive que explicar as regras de What Not To Wear pra ele. Demonstrando com um outro pulôver que eu comprei na mesma loja, que também é comprido, mas a cor era linda, um verde bandeira, que dá pra colocar mais agasalho por baixo. Ele entendeu. Ele gostou da bolsa, mas fiquei cheia de desconfiança -- se ele não entende toda a questã com o suéter, simplesmente não compreende a razão da feiúra, da não adequação, o que me levará a crer que ele sabe que a bolsa é bonita? Enfim. Vou lá trocar ou receber meu dinheiro de volta.

Meu tchefe está com a casa em reforma e colocou todas as roupas, novas e pra doar, em sacos de lixo. Modos que, né? Não tem mais agasalho e lá se foram 3 ternos novinhos. Ele saiu agorinha pra almoçar e comprar uma jaqueta. Semana passada eu faltei e a D. perguntou pra ele onde eu estava (Tá super doente), porque eu nunca falta, sempre na hora (eu sei, ela é maravilhosa). Ele minimiza as janelinhas do browser quando eu vou na sala dele.

*E bubble bath stuff, mas a gente tem que limpar aquela banheira bem direitinho.

Arca de Noé com bichinhos brasileiros (pro nenê dos nossos roomies)





Cartões de Natal (eles viram marcadores de livro)

14.11.07

Livros que amei (ou não)

No dia em que eu fui ver o último filme do Wes (o Darjeeling), eu vi o trailer do The Kite Runner. Todo um problema com esse filme. Um dos atores que faz o papel do menino que fica no Afeganistão, que é do Afeganistão mesmo, tem que fazer uma cena em que ele é estuprado (no Brasil, não é estupro, é atentado violento ao pudor: rá!, meus tempos de adEvogada...). Mas o menino não sabia dessa cena -- antes das gravações começarem -- e ficou com medo de a tribo dele se voltar contra ele, com violência mesmo. Que ele pode virar um pária social, não só pela confusão entre realidade e ficção, que não é fácil de distinguir pra essas pessoas tão simples, mas porque há esse conflito entre Hazaras e Pashtuns. Ele é Hazara. O herói do filme é Pashtun. O pai pediu pra cena ser tirada ou pra nem ser gravada. Acho que não tiraram.

Outro dia, em volta da fogueirinha, a gente (eu só ouvi, mais uma vez) discutiu isso. Um disse que era melhor que a família desse menino tivesse alguma oportunidade, mesmo que significasse ostracismo social ou ainda pior. A Porque pra eles pode ser uma questão de ter o que comer ou não. Ter esse cachê ou passar fome, mesmo que eles tenham que se submeter a fazer o que não querem. O que é melhor, esse roommate dizia: ter esse tipo de escolha ou não ter escolha? Quer dizer, a gente nem vislumbra mais qualquer decência quando pensa em como é que a economia funciona, o mercado? A gente só se limita a pesar o ruim com o pior? Não se cogita mais sobre o que é correto e honesto? Uma coisa meio derrotista/conformista mesmo: é assim que a economia funciona. A gente não se revolta mais?
Outro exemplo que ele deu foi de, por exemplo, trabalhadores rurais que não são informados sobre os produtos químicos com que estão lidando, que são prejudiciais. O que é melhor? Que eles não trabalhem at all ou que eles tenham esse tipo de trabalho? Mais uma vez não se cogitou sobre o correto, deu-se o errado por vitorioso.

Olha, gentê, vou ter que dizer não, não amei esse livro que, enquanto filme, deve ser bom pra se ver comendo pipoca quando já estiver passando na tevê. Foi exatamente o que eu pensei quando eu li o livro, faz uns meses. Eu gosto dessas histórias meio com cara de saga. Histórias que acompanham os personagens por muitos anos. A primeira parte do livro é realmente linda. É triste, é comovente, eu fiquei com o coração pequeno de ler. Continuasse nessa toada, ia ser um dos meus livros preferidos. Mas aí tem toda uma história de redenção. De se livrar do passado, de "encarar seus fantasmas" -- é pra ler as aspas com tom sarcástico porque é way cheesy isso. Foi aí que eu pensei: é pra virar filme. Não que não haja bons livros que tenham virado filmes. Por exemplo, O Senhor dos Anéis (ótimo livro, ótimo filme). Ou... não sei dizer agora, deu branco... A casa dos espíritos (livro muito melhor que o filme). As horas (filme melhor que o livro). E me deu pena de eu ter investido meus sentimentos e tempo e olhos pra esse livro. Mas ouquei. Quem sabe o próximo do autor, que já é um mega sucesso? Eu dou segunda chance pra todo mundo.

Sobre o Afeganistão também. A história é contada por uma voluntária que era cabeleireira numa cidadezinha nos Estados Unidos e que acaba indo pro Afeganistão pra colaborar no período pós-talibã. Os voluntários criaram uma escola de beleza que seleciona mulheres afegãs para serem alunas e conseguirem abrir seus próprios salões quando se formam. O livro conta algumas das histórias das alunas. As dificuldades e tal. Acho bacana essa soliedariedade que moveu a cabeleireira. Ainda mais vinda de uma mulher que, me pareceu lendo o livro, tem uma visão bem limitada do mundo. Achei, pelo menos, bem intencionada. Criei até uma simpatia. Mãs. Tem um documentário em que a autora aparece. E pelo pouquinho que aparece, fiquei assustada. Ela aparece dizendo "gente, vocês têm que ser modernas e arrojadas! Têm que lançar moda, fazer furor!" E as moças dizem: "se a gente aparecer de maquiagem em casa a gente é chutada pra fora e toma uma surra em público. É muito horror e desonra." Né? Acho legal querer ajudar, desde que a ajuda esteja embasada em informação. Muita. Boa intenção não basta. Tem que haver compreensão cultural também. Detesto essa coisa de querer impor valores culturais. Totalmente desrespeitoso e incoerente com o caminhar da história, eu acho. Não dá pra chegar lá e fazer todas as mulheres queimarem, sei lá, os véus. Porque as mudanças, se houver, devem ser internas, não impostas. Obrigar as mulheres a mudarem, a enfrentarem o medo. À força. Quem sabe elas precisem de mais tempo? Ou não seja a hora delas mudarem nada? Quem somos nós pra querer impor nosso jeito de ver o mundo? Nosso jeito é melhor? Ou é só diferente? Há outros problemas também. As mulheres cujas histórias são contadas no livro se sentem ameaçadas (mesmo não sendo identificadas por seus nomes reais) porque elas contam coisas bem pessoais que, na cultura afegã, deveriam ser guardadas pra si. Segundo esse artigo na NPR (resumido por escrito, mas mais completo se você clicar pra ouvir), a autora saiu do país depois que lançou o livro e não contribuiu com as mulheres como havia prometido. Desertou. Cadê a boa intenção agora que ela ganhou uma grana com o livro e que o livro vai virar filme (parece que com a Sandra Bullock) e, com o qual ela vai ganhar ainda mais dinheiro? Acho que era pra ser um livro do tipo: uau, eu fui lá e fiz e aconteci e estou levando os ventos da democracia e da liberadade para esse país tão longínquo. Pra mim, parece que acabou em fiasco. O livro, escrito por ghost writer, é do tipo de coisa que eu esperaria ver na Oprah. Tipo, aquele tipo de informação básica mesmo -- e que tem o seu papel, o de despertar curiosidade. Mas que não vai mais longe que isso.

12.11.07

Só consigo pensar na fogueirinha

dos fins-de-semana. A gente senta lá fora no frio, com alguma coisa pra beber e conta (no meu caso, ouve) histórias. As roupas ficam todas com cheiro de fumaça. Adoro. * * * Hoje eu trouxe uma sopa de legumes super apimentada que o menino mais lindo do mundo fez. E tomei com biscoitinhos de farinha integral. Eu queria ler na cozinha, que é onde eu leio na minha hora de almoço quando está frio, mas as outras meninas estavam lá e é falta de educação não participar da conversa (ou fingir que). Não consigo. A começar que eu não entendo o sotaque delas. Quando entendo, elas tão falando mal de alguém. Semana passada foi a última de um advogado que foi despedido e sofreu um acidente de carro em que ele quase morreu - não nesse ordem, pra você ver como desgraça pouca é bobagem. As meninas convidaram todas as secretárias menos a D., que era secretária dele - pra um almoço de despedida. A D. ficou triste, claro. Na sexta-feira antes do finde de Natal, eu não vou estar aqui pro grande almoço de fim de ano. A D. fez bico porque eu vou deixar ela all alone com aquelas meninas. * * * Tenho que parar de colocar livros na lista do troço de alugar: tem 82 livros na lista e 4 em casa. Faz 2 semanas que eu estou lendo um livro só. Fora que o correio perdeu 2 livros que eu mandei num envelope com 3. Mandei e-mail pro serviço de aluguel: ó, eu faço tudo direitinho, não quero ficar na lista negra. Mandei 3, vocês receberam 2. Mas eu não fiquei com esse livros em casa. Enquanto eles não resolverem essa situação, eu recebo menos livros do que deveria de acordo com o plano que eu tenho. So unfair.* * * Coloquei um montão de linques novos à direita e troquei a cor de fundo do blogue. Eu adoro azul. Não pra vestir, pra olhar. Mas aquele azul calcinha estava quase indecente de feio. * * * Bent Objects: potinhos de remédio, cenourinhas, rolhas, caixinhas de uvas passas viram pessoinhas e contam histórias. Amei. * * * Adoro quando meu tchefe me pede pra fazer alguma coisa -- achando que eu não tenho nada pra fazer (o que muitas vezes é verdade) -- e eu digo: "Já fiz.". Hoje mesmo ele disse: "You're great". Adoro, né? Beto Marc@ ficou em casa hoje. Pegou um vírus letal. E desse vez é verdade, porque eu vi que ele usou o cartão do escritório na farmácia. 35 dinheiros e uns trocados.

8.11.07

Porque alguém tinha que falar alguma coisa pra D. parar de chorar 3 vezes por semana por qualquer coisa pouca.

Posted by Picasa

Comprei uma escova de dentes nova.

Como a gente economiza, comprei uma bem barata. Fiquei com medo de quebrar, porque já aconteceu bem quando eu estava escovando os dentes. Mais bicarbonato de sódio. Mas só pode a cada 2 ou 3 dias.* Aliás, aqui vai minha dica de limpeza que é boa pro meio ambiente: fazer limpeza de casa com bicarbonato de sódio, água e esfregação. E diz que vinagre também limpa que é uma beleza, tira gordura. Tem mais dicas se você clicar no linque. Fiquei toda preocupada com o que eu posso fazer pelo meio ambiente porque no sábado à noite isso foi meio papo em volta da fogueira no quintal. É, a gente faz fogueira no quintal, que também não é bom pro meio ambiente. A namorada do roommate junta mais roupa pra colocar na máquina de lavar pra não desperdiçar muita água e energia, em vez de ir lavandinho de pouquinho. Já o próprio roommate ganhou caneca do escritório em que ele trabalha, mas não usa. Prefere copos descartáveis, porque é um saco ter que trazer a caneca pra casa pra lavar. Mas hein? Pra você ver que o meio ambiente é muito importante pra todos nós, mas a gente não quer lavar caneca, e acha luz de lâmpada branca com cara de hospital. Ou, sei lá, gosta da comodidade dos lencinhos umedecidos com produtos de limpeza que matam 99% das bactérias. O máximo do uó - não usar paninhos, eu acho. Já eu fiquei com dor na consciência porque comprei 4 tupperwares na promô. Porque em casa as tampas todas somem. E como é que eu vou levar marmita pro almoço? Plástico leva quadrizilhões de anos pra sumir. Sabia que que cientistas brasileiros inventaram plástico biodegradável a partir de mandioca? Não é incrível? Mas meu irmão me falou que, no fim, é uma empresa alemã que vai fabricar, porque ninguém no Brasil se interessou. Eu googlaria pra confirmar o que meu irmão me disse, mas tô com preguiça. Enfim, preciso comprar talheres na lojinha de tudo-por-1-dólar, pra não usar descartável.


Mas antes da fogueira, a gente foi ver The Darjeeling Limited. Uma fofura, como todos os filmes do Wes Anderson. O menino mais lindo do mundo ama a Índia, quase chorou. Depois ele encheu a cara -- pera, assim parece que ele tem problemas com bebida e ele não tem; então: tomou umas -- em volta da fogueira e quando veio dormir quase chorou de novo porque ele queria me contar como ele tinha quase chorado no cinema. E eu acho reconfortante que Olwen Wilson seja sempre ele em todos os filmes. Tipo filme de Woody Allen. Pra mim tem que ter ou o Woody Allen ou alguém fazendo o papel do Woody Allen. A trilha sonora também é uma graça. Sempre tem The Kinks, né? Parece que ele adora. O Bill Murray aparece por 3 segundos, dá saudade. Depois fomos jantar num restaurante espanhol, mas que a gente achou com cara de besta. Tinha sangria fajuta e as porções eram minúsculas. Tenho bode de porçãozinha. Não precisa ser a desproporção de, sei lá, um café da manhã num diner -- 5 panquecas gigantes que mais parecem com bolos que não deram certo e afinaram, com manteiga, xarope pra panqueca, ovos, bacon, linguiça. Mas eu acho válido sair pra jantar e não passar fome. O porco pururucado estava gostoso. Mas é difícil manter o bom humor quando as pessoas fazem comentários do tipo: "Noooossa, essa lula está divina! Feita exatamente como no Mediterrâneo". Sorte que a essa altura a gente já tinha largado mão porque já tinha bebido toda uma garrafa de vinho.

Anotei todo esse post num bloquinho com folhas cor-de-rosa no domingo à noite. O menino mais lindo do mundo deveria estar escrevendo um paper pro mestrado, mas estava lendo notícias na BBC News. Ele é viciado em BBC News. Os olhos dele estavam lindos, verdes meio com cara de mel. E ele está vestindo uma das minhas camisetas preferidas. Uma japonesa amarela com desenho de fones de ouvido.

*Sonhei outro dia que eu estava passando fio dental, mas o sonho era daqueles em que você faz coisas que sabe que deveria ou que vai fazer, daqueles que cansam em vez de descansar.

6.11.07

Tá, tô começando a ficar assustada

Eu tenho esses roommates, né? E eles têm um nenê. Que é lindo e cuti-cuti, você precisa ver. Mesmo porque eu só vejo o nenê tipo 5 segundos do dia e ele ri pra mim quando eu rio pra ele e falo com ele em português. A mãe dele acabou de descer do quarto e perguntaram se ele tinha trocado de roupa de novo. Ela disse: "He puked!" Bom saber. Quando eu cheguei em casa, o pai dele estava com ele no colo e tinha queijinho -- que sai da barriga de nenês que tomam mamadeira -- por toda a camiseta dele. To. Da. Ontem eles me disserem que esse mesmo nenê tinha vomitado bem na cara do pai dele. Tipo acertando bem o olho esquerdo, bull's eye mema. Esse nenê também tem um problema de babar. O tempo inteiro. E de reclamar. O dia in. Tei. Ro. Ele fica mmmm. Mmmmm. Mmmmm. Mmmmm. Mmmmmm. Quem nem o Billy Crystal em Harry e Sally? Quando ele fica no telefone fazendo de doente? E pra ele ficar sossegado e pra ele não chorar, tem que ficar chacoalhando o chocalho bem na frente dele sem parar.

Adivinha quem vai cuidar desse nenê na quinta à noite?

Porque eu devo favor, né? A roommate me manda e-mail assim: "Você quereria tomar conta do nenê?" Se fosse pra ser sincera, eu ia dizer:

Não. Eu não quereria. Mas vou.

Mas vou, né? Porque eles me pegam na estação de trem 3 vezes por semana: segunda, quarta e quinta. Eu dou presentes de agradecimento. E cartões. Esse mês eu comprei umas roupinhas de frio pro nenê, porque eles tão meio apertados de dinheiro. Parece que eu sou boazinha, né? Mas não sou. Eu sou péssima pessoa. Claro que eu quero agradecer pelo favorzão que eles me prestam. Poota saco chegar em casa e ir ter que buscar a vaca que tá lá na estação e não pega ônibus porque demoraria uns 40 minutos pra chegar em casa, quando de carro leva uns 5.

Mas eu tenho segundas intenções. Não quero trocar o favor "me buscar de carro" pelo favor "ser babá do nenê por 1 segundo". Eu quero ser boazinha porque eu não quero cuidar do nenê. Quer dizer, eu até cuido. Se for no finde. Pra eles jantarem em paz. Ou quando ele acorda gritando e não há cristo que faça parar. Eu vou lá e falo português com ele e sempre funciona. Mas nas quintas à noite, é o dia em que o menino mais lindo do mundo e pai do nenê tocam no barzinho e todo mundo volta tarde. Menos eu. Porque eu fico em casa pra ir dormir cedo, porque eu começo a babar que nem o nenê quando das 11 badaladas. Porque eu quero meu sono reparador. Pra ir trabalhar e não ser um zumbi. Da outra vez, a mãe do nenê ia voltar às 11:30. Depois mudou pra meia-noite. Depois virou meia-noite e meia. E 1 hora. E eu fui dormir. Com o baby monitor ligado no úrtimo. Depois de ter ido vigiar ele no berço trocentas vezes porque ele tava muito quieto. Nessa época ele ainda dormia. Agora parece que esse nenê não dorme mais. Ele só quer ficar acordado pra vomitar. Fazer queijo na roupa dos outros. E resmungar. Socorrro.

S
.
O
.
S
.

Então eu respondi que eu ficaria muito feliz em cuidar do nenê. Mas que eu tenho esse problema de babar às 11 da noite e expliquei essa condiçã quase médica pra ela e pedi pra ela não voltar tarde. Por favor.

Eu sei. Eu sou péssima pessoa. Eu me sinto mal só de ver como eu sou egoísta. Ãin. Eu vou amar cuidar do nenê. Eu vou amar cuidar do nenê. Não pode ser tão ruim, né? Ele é fofo. Ele ri pra mim. Ele nunca fez cocô quando estava sob meus cuidados. Ele sempre foi um ótimo nenê comigo. Esse nenê me faz querer ser uma pessoa melhor.

Agorinha mesmo, lá embaixo

-- Licença. You do music? Or arts?
-- Não?
-- You've got the looks for that.

Nem agradeci, porque eu não sabia se era pra. Tenho cara de artista? Ou esse suéter preto, calça jeans skinny (sendo que eu mesma não sou), com botas pretas peludas por dentro têm tipo cara de fantasia? Prefiro achar, né?, que eu tenho cara de artista.

* * *

Meu tchefe me pediu pra levar pra ele a malinha da academia e o iPod dele na porta do prédio. Ele foi embora às 3, mas disse que voltava logo. Por algum estranho motivo, ele não consegue simplesmente me dizer que tá indo embora, sem inventar alguma coisa. Dor de barriga, cabeça, ou coisas do gênero.

5.11.07

Sexta-feira não tirei o cachecol

desde que eu cheguei. Antes de subir pro escritório, passei na cafeteria pra comprar um café com gosto de hazelnut e qualquer coisa pra comer. A qualquer coisa geralmente é uma barrinha de cereais ou uma banana. Passei umas 3 semanas sem ter que comprar nada, porque a D. começou a fazer dieta e me deu todas as barrinhas que ela tinha em casa. O senhorzinho totoquinho - não estou bem certa se ele mora na rua - que ganha café lá embaixo desejou feliz dia de ação de graças pra todo mundo. Ainda faltam 3 semanas pro Dia de Ação de Graças.

Desde que eu comecei a trabalhar, recomecei a tomar café, hábito que eu tinha abandonado porque eu não tinha motivo pra ter que ficar super alerta. Em casa, no Brasil, eu tomava café trocentas gazilhões de vezes por dia. Meus dentes ficam manchados de marrom, especialmente um dente da frente. É nojento. Eu tento sorrir sem mover o lábio inferior. Já notei que, apesar de eu escovar os dentes com bicarbonato de sódio como a dentista recomendou, meus dentes estão voltando a ficar manchados. Além disso, eu não tirei meus dentes do siso e ainda tenho os quatro. Eles estão empurrando os outros colegas e minha arcada dentária está superlotada. Eu tenho medinho de ter que tirar os dentes. Quer dizer, eu sei que eu tenho que tirar - faz um ano que minha dentista mandou eu tirar os dentes, mas eu estava vindo pra cá e não ia dar tempo de cicatrizar e com as mudanças de condições de temperatura e pressão, eu ia sangrar até morrer no avião. Modos que. Quem aí já tirou os dentes do siso levanta a mão, ou põe o dedo aqui que lá vai fechar e me conta como foi?

Meu tchefe não veio. Só escrevi uma cartinha, conferi a contabilidade do mês (quer dizer, olhar o extrato do banco e conferir se coloquei tudo direitinho no programinha de contabilidade) e lambi uns envelopes and I was done for the day. Fui fazer terapia (à la Renata) na farmácia/loja de conveniência. Comprei pó bronzeador, base em pó mineral, um pincel, xampu e um brilho que parece aquele que vem num moranguinho, sabe? Pois. Só falta saber usar tudo isso. Depois meu tchefe me ligou deprimido porque eu liguei pra ele e deixei recado que não tinha dinheiro na conta, que ele precisava botar dinheiro pra gente pagar o aluguel. E fiquei consolando. Que ele fez um acordo e vai entrar dinheiro, e ele colocou anúncio num jornal em espanhol. Outro dia ele veio falar comigo:

-- Ó, o cara do jornal vem tirar foto pro anúncio.
-- Ouquei.
-- E aí, eu queria te pedir pra vir mais bem vestida.
-- ...
-- Uhm, não! Não que eu achei que normalmente você não se vista bem.
-- ...
-- Mas você entende, né? O que eu tô querendo dizer?

Acho que ele anda convivendo muito com mulheres. Já antecipando a frescura feminina e quase pedindo desculpas por (não) dizer que eu não me visto mal. Eu não quero sair no anúncio, mas ouquei. Como eu não sabia quando o homem do jornal vinha, vim uns 4 dias super bem vestida. Tipo usando bota de salto alto e essas coisas. Depois desisti, e comecei a me vestir como sempre: tênis Adidas, o moleton branco que eu achei por 5 dólares na promô, a calça de veludo marrom que vai caindo porque eu ainda não comprei cinto e não sei comprar isso pela internet porque eu não tenho idéia de qual seja o tamanho de cinto que eu preciso. E algumas variações do tema.

E só pra terminar o post com um pensamento bem aleatório, adoro esse Dove de pepino. E adoro o hidratante sabor pepino também. Fico com cheiro de limpinha.

1.11.07

Livros que amei (ou não) e a sopa de fubá

Cansada de não pensar, de evitar pensamentos que envolvessem mais que duas sinapses, coloquei esse livro na minha lista. Também porque é totalmente diferente do que eu leria e de um autor de quem eu nunca na vida ouvi falar. Meu roommate viu a capa e disse que teve uma entrevista com o autor na NPR, a rádio pública, que é ótima, por sinal.

Não conhecia o autor, o tema não era dos mais inspiradores - um tiozão que acaba pedindo demissão do emprego que tem na The New Yorker - um empregão, diga-se: ele era editor* - pra fazer estágio não-remunerado num restaurante de um chef ítalo-americano famosão, o Mario (que Mario?), cuja foto acabei de ver. A foto quase me fez ter uma síncope - não era essa a imagem que eu tinha do personagem. Haver personagens na vida real às vezes é legal, às vezes é um espanto. Quem é esse sapo? Lendo biografia, sei lá, do D. Pedro: legal. Do Einstein? Supimpa. Lendo um livro de capa amarela: um horror. Eu imaginei as pessoas de quem o autor conta as histórias totalmente diferentes do que elas são. O chef, na minha imaginação, era um homão alto, com cabelo castanho escuro preso num rabo de cavalo, ligeiramente a cima do preso, charmoso, com aquele ar de "eu sei cozinha-ar, você não sa-bê". Mais ou menos como ver foto de radialista. Você passa a vida ouvindo, sei lá, o Salomão Schwartzman, imaginando a figura dele através da voz e do que ele tem a dizer, e só se arrepende quando resolve googlar fotos. (No caso, 1 segundo atrás).

O livro mistura a vida de estagiário do autor, com a vida do tal chef. Mistura autobiografia com biografia. Quem é que quer saber da vida do tal chef, especialmente quando nunca se ouviu falar (viu) de criatura mais acima do peso (mais gordo)? (Aliás, ele é mesmo chonchudo, mas muito mais do que eu imaginava quando eu lia o livro). Eu não queria, mas resisti. A história é engraçada, é emocionante do tipo ooooon, é interessante porque conta história da comida (eu adoro história de qualquer coisa) e, tenho que confessar, eu até chorei numa parte. Por isso eu digo: isso é que é livro bom. Eu não dava nem um papel de bala por ele, mas ele acabou me conquistando pra sempre, a despeito das minhas ilusões desfeitas depois de ver fotos (nesse caso, leia o livro, não veja as fotos e não veja o filme, porque não há).

Depois de começar a trabalhar na cozinha desse restaurante super tchãs, o Bill resolve aprender muito mais do que cozinhar macarrão e cortar cenoura em cubinhos perfeitamente simétricos. Ele resolve seguir os passos do chef em busca de... não sei, acho que foi em busca de satisfazer a curiosidade dele sobre comida. Não foi uma coisa assim stalker (vou fazer tudo o que ele fez pra me sentir na vida dele), mas a curiosidade do chef a respeito da boa cozinha é que acabou levando o autor a ir conhecer todos os "gurus", na Europa, que foram responsáveis pela educação culinária do Mario. Mais do que o prazer de descobrir coisinhas sobre a história de alguns pratos, o modo tradicional de fazer uma boa polenta ou de preparar tortellini, as pessoas são fascinantes. São mesmo. Parece brega dizer isso, que o que importa são as pessoas, mas tem um bando de gente excêntrica nesse livro, todas elas apaixonadas pelo que fazem - comida boa - independente de quanto ganhem com isso e, o que é mais legal, elas não são inventadas, são reais.

Há também imagens lindas, que dão quentinho no peito. Por que fazer ragu leva tanto tempo? Porque era feito dentro de casa, no fogão à (crase?) lenha, quando estava frio. Matavam dois - três! - coelhos de uma vez: preparava-se comida, esquentavam a casa e as pessoas vinham pra perto do fogo conversar. Também tem a história das receitas serem herdadas, receitas de 500 anos, que vêm da tataravó da sua bisavó. Cada família tem uma. E não é? Eu aprendi a fazer arroz desse jeito com a minha mãe. Não tem caldo de carne, tem que refogar o arroz até ficar branquinho, no alho, e água pra cobrir o arroz mais a falangeta do indicador. Fogo alto até ferver, fogo baixo até o arroz parar de chiar. Se não está soltinho, embrulha em jornal e coloca no forno (desligado). Essa última parte era dica da minha vó Izaura. Às vezes eu acordo e quero comer charuto, receita da minha mãe. Ou cozido de inhame japonês (da minha batchan). A gente come, e quer repetir, o que a gente aprendeu e cresceu comendo. Aprendi a cozinhar pra 6 pessoas, e não 4, nem 2. Só faço comida com medidas pra batalhão. Minha mãe até hoje faz feira pra 6, mas só cozinha pra ela e pro meu pai (a Cuca está proibida de comer qualquer coisa misturada na ração light hipoalergênica) dela.

Falando em receitas, voltei pra casa dias atrás com um post-it no meio de um livro dizendo
4 colheres de sopa de fubá
2,5 l de água
Achei ridículo. Não me passou a menor confiança. Achei logo que não ia dar certo. Resolvi sair em busca da receita perdida da sopa de fubá. Coloquei uma xícara de fubá, do mais grossinho, não do mimoso. E fui testando. Deixei no fogo alto, pra engrossar e eu conseguir corrigir a consistência. Primeiro, queria virar uma polenta um pouco mais mole. Coloquei mais água. Nessa altura, eu ainda estava contando quantas xícaras de água eu estava colocando, porque eu lembrei que ia colocar a receita aqui. Depois, perdi a conta e a medida virou 1 xícara de fubá pra panelona que a gente tem cheia de água, o que dá, mais ou menos, umas 13 xícaras de água. Então eu acho que é por isso que não tem receita pra essas coisas, porque a gente vai vendo, vai acertando, vai colocando mais tempero, mais água, pimenta vermelha do quintal, acertando o fogo. Às vezes deixa borbulhar, às vezes mistura bem. E, lógico, gentê, que eu coloquei couve. Tem que ter, né? Minha mãe, minha guru gastronômica, colocaria cambuquira (delícia das delícias), mas nem sei se tem isso aqui.

* Outra coisa sobre que eu fiquei pensando e sobre a qual eu conversei com o menino mais lindo do mundo. Abundam as histórias de gentes que largam seus 9 to 5 jobs, por assim dizer, "pra seguirem seu sonho". Outro dia a gente leu um blog de uma moça que era diretora executiva de não sei onde e que pediu demissão pra virar escritora (às custas, imagino, de gastar poupança e contar com a renda do marido). Acho lindo que as pessoas confiem nos seus talentos, mas na verdade, essa história de largar tudo e sejogar é só para os muito bem-de-vida ou pra quem tem suporte da família (eu me incluo nessa, ouquei?). Mas ficamos um pouco de bode com histórias do tipo "vale a pena! Só precisa arregaçar as mangas e mandar ver! O Universo conspira a seu favor". Mentira. Vamos acabar com essa pataquada. Pra seguir o seu sonho - ai, so cheesy - é preciso também haver alguma fonte de renda. Não é só de sonho que se vive. Mas isso é só uma nota de rodapé. Porque o livro é sobre comida e não sobre "como largar seu emprego e sua vida estável e ser feliz". Mesmo porque, ele pode - tinha um empregão e a renda da mulher.

29.10.07

Está fazendo um dia de inverno (paulistano)

e eu estou de meia-calça por debaixo da calça de veludo. Eu ando, a calça encarrapicha na meia-calça, e vai caindo. Fico quase com a bunda pra fora, abro o casaco na frente, e puxo a calça pra cima. Saí pra fazer umas coisas na rua à tarde, agora tá calor. O agasalho que eu coloquei embaixo do outro agasalho é curto, a meia-calça é de gola-alta, se eu tirar o agasalho de cima, a meia-calça vai aparecer. Muito crasse. E eu vim sem sutiã porque acordei atrasada e vesti as coisas por cima da camiseta de dormir. O cabelo, que tava esmagadinho de travesseiro, eu consertei com o chapelito vermelho de lã. Meu pé tá suando dentro da bota peludinha. Gente, como vai ser no inverno? Se agora tá fazendo uns... 12ºC? A gente sai na rua, tá frio. Vem pro escritório, tá quente. No verão, era bem o contrário.

Fiquei procurando receita de sopa de fubá. Não tem muitas - nem em português, nem em inglês. E as que eu achei, cada uma mais estranha que a outra. Uma manda misturar 1 xícara de fubá, com 4 de água. Outra, manda misturar 3 colheres de sopa, com 1 litro e meio de água. A outra, 4 colheres de sopa com 2 litros e meio. Quer dizer... vou ter que inventar, né? Porque minha mãe tá na fazenda e meu telefoninho Scaipe não funciona lá. Se eu conseguir fazer a sopa, coloco a receita aqui, porque eu acho que o mundo carece de uma receita coerente de sopa de fubá.

Nesse fim-de-semana, sonhei um sonho muito fabuloso. Sonhei que eu estava passando desodorante. Fabuloso porque, como você sabe - não pelo cheiro de flores que sai de meu corpo moreno e tropical, mas porque eu já contei -- eu não uso desodorante, e mesmo no sonho eu ficava incrível. Sabe o que mais é incrível? Como flor aqui é caro! Um buquê de rosas (cor-de-rosa bebê, na promoção), US$12.99.

Meu tchefe está aqui hoje, mas eu só falei com ele uns 5 minutos. Chegou cedo, foi pra uma audiência, voltou, 5 minutos, saiu, trancou-se no escritório, ouvi o air spray e ele abrindo a porta, aí eu fugi pra rua pra ir ao banco e ficar um pouco lá fora, na minha hora de almoço.

Depois de 3 meses dizendo meu nome, 2 dos quais foram excelentes em termos de pronúncia, a D. agora encasquetou que meu nome é "Eeohn". Não é. Já escrevi num papelzinho na recepção. É "Eeeohnee". Não é Johnny, não é Joni, não é "Áion". Isso porque eu até boto um sotaque, porque se eu falo em português não há jeito-maneira de fazer alguém repetir meu nome certo, nem depois de 15 tentativas. A D. acha que todo mundo na América Central e do Sul é espanhol.

[suspiros]
.
.
.
[cansados]

A recepcionista, por sua vez, disse: "Ah, mas eu sei que vocês não falam espanhol no Brasil! É argentinian, não é?"

Umrum.

[olhos esbugalhados]

Tá na hora de ir fazer o toilette e ir pra casa. Tchau, coleguinhas!

26.10.07

Oooooooonnnnnn!

Eu não sou girlie. No geral. Não gosto de coisas fofas. De bonequinhas e bichinhos de pelúcia. Ouquei, eu confesso que eu tinha a Mimadinha e o Peposo, com quem eu assistia a concertos às 7 da manhã na Cultura, seguidos de Muppet Show. Mas só. Não lembro de outras fofices de menina ou de coisinhas de menina. Não faço as unhas, não sei lhufas de maquiagem -- ouquei, stay away from sombra azul de aeromoça -- que mais? Nem sei o que é coisa de mulherzinha, pra você ver. Passar hidratante? Mãs ontem eu encontrei um sítio cheio de bichos fofos. Muita fofice junta, uma overdose de fofice. Nem eu resisti.

Um cachorrinho sonolento, encontre a fofice nessa fota, a puppy with puppy eyes, um cachorrinho indo pra cadeia.

25.10.07

Livros que amei (ou não)

De segunda à sexta, eu pego o trem, tiro o livro da bolsa, leio por 15 minutos no trem de vinda, mais 15 no de ida, chego em casa, faço janta e as marmitinhas (hoje: curry de tofu e legumes, com leite de coco light) e fico enrolada na coberta (hoje: chuvisca, faz frio, meu tchefe não vem trabalhar por causa de emergências de família, não tenho nada pra fazer: ãin), ou esparramada na cama com o ventilador ligado (anteontem: calor, calor, como assim? é outubro? as folhinhas deixam seus lares e caem no chão e ficam amarelas e vermelhas pra ficar tudo que nem filme e deveria estar friinho?), amassando o cabelo molhado no travesseiro.

Com esses livros de mulherzinha, não tem erro. A mocinha do livro vai ficar com o mocinho no final, (a) por mais que isso interfira com o sucesso resplandecente da carreira dela (ela percebe que há mais na vida que trabalhar feito uma camela, ir pra casa comer China-in-Box às 10 da noite e chorar na cama, que é lugar quente); e/ou (b) mesmo que ela(e) ache que esteja fechada(o) para o amor - porque tem um emprego de loser e que não há jeito maneira de puxar as pétalas da margaridinha e fazer cair no bem-me-quer. Também há a possibilidade de ela não ficar com ninguém, porque "o importante é se sentir feminina, mulherrrrr e poderooooosa sendo você mesma, apesar de tudo", ou alguma outra lição tão engrandecedora como cansativa e desnecessária (que, aliás, vem explicadinha no final, pro caso das pessoas não terem entendido depois de terem terminado o livro todo).

Esse livro cai na última categoria. Eu não leio esses livros porque eu estou interessada em como a história se desenvolve. Eu leio porque ando numa fase de ler livros mínimo-esforço com final feliz. Fiquei empurrando Italo Calvino e Érico Veríssimo pro fim da fila de livros pra alugar. Fiquei empurrando Paul Auster (!), qualquer um que me fizesse pensar. Leio esses livros bobinhos porque eu quero Sessão da Tarde. And I wish eu tivesse visto o filme (que não existe) em vez de ler o livro, porque o estilo, ah, o estilo!, o estilo é empapuçado e metido a besta e não orna com a futilidade e com os ooooonnnns! que eu deveria estar dizendo enquanto lia. Em vez disso eu fiquei contando quantas vezes a autora descreveu o vestido como sendo um blueberry gigante, ou quantas vezes ela usou outras expressões do tipo sure enough ou know me too well. Enfim. Esse livro vai pra coluna "Livros que amei (ou não)". Se você preciiiiiisa e quer muuuuuuito saber da história: a mocinha namora um rapazito por quem ela super arrastava uma asa quando era teen, mas uma das amigas (não muito chegada, quase nada), rouba-lhe o moçoilo e ela tenta play cool. Aí, né?, passa raivinha porque a amiga é uma sem-vergonha (e você fica: ai, pára, ela não era sua amiga, era aquela menina do grupo que você tenta adotar porque ela é chata-feia-boba, mas você, bondosa, quer consertar, o ex meio tenta que voltar, ela encontra o amooooor com outra pessoa, ela amaduresce, cresce, se descobre mulher. Até que enfim. Orfe.

Outro livro que eu queria que fosse um filme, pra que eu pudesse ter gasto somente uma hora e meia de esforço, em vez de, sei lá, dois dias, é esse à sua direita. Advogada superpoderosa é rejeitada por mocinhos porque é inteligente. Loira, ela resolve fazer uma matéria estilo como-perder-um-homem-em-10-dias e fazer papel de loira burra pra ver que tipo de homem ela consegue pegar (em vez de perder). Porque é muito castigo divino ser inteligente (cof) e bem-sucedida. Turns out, ela não pega ninguém quando ela é ela mesma, mas pega(ria) vários sendo loira burra. Uau! Gentê! Existe gente assim! Que só liga pra beleza?! Pros peitões, pra barriga que não pula fora da calça?! Pra bunda sem furos? Daí ela dá uma banana pros mocinhos bestas que só querem saber de Barbies e resolve ser feliz e sozinha. Quiçá pra sempre. Porque pra mim, ao terminar de ler esse livro, descobre-se que o importante é be true to yourself, no matter what, e - mais importante - que não existe homem nesse mundo que goste de mulher de contiúdo, so you'd better live with it e ficar contente com seu piu de prástico vibrante. Ou sei lá, resolver virar celibatária ou trocar de time.

Mãs! Se você chegou até aqui, tenho duas boas notícias, hein? Nem tudo está perdido pras mulherzinhas desse mundo que só querem, da vida, poder ler uma boa historinha de amor e ficar piscandinho os olhinhos feito besta, olhando pro nada. A outra boa notícia é que eu não sou uma bitter bitch o tempo todo e até tem, gentê, coisas/livros/pesssoas que eu acho agradáveis e interessantes (mesmo que somente mildly).

Você sabe que vai dar tudo certo no final, você sabe o que vai acontece quando virar a página, mas não tem problema. Você está viciada. Você só pensa na hora do almoço, que é quando você pode ler 30 minutos do livro, uns 2 ou 3 capítulos, sem parar pra nada nessa vida. Stupid and Contagious é um misto de Douglas Coupland com Nick Hornby. Porque é bem escrito: tem aquela coisinha de música pop, com gente jovem reunida (alô, Belchior!), meio sem loçã, que cativa, sabeim? Você vicia mesmo. Você quer ficar ooon. Pra sempre. Não quer mais que o livro acabe. Não quer mais se separar da mocinha que fica desempregada duas vezes, e do mocinho que tem uma gravadora de discos e que quer patentear uma invenção pra ficar famoso. Aí você descobre que tem outro livro da mesma autora. E coloca o livro na tal listinha de livros pra alugar e ele chega e ele tem muitas trocentas páginas e você fica iupiiiiiiii, porque é mais do mesmo e é muito mais do mesmo.

Em Forget about it, tem, lógico, um namorado babaca que só pensa em peitos e status. Tem um emprego boixta. Um monte de dívidas. O seu pai te abandonou, sua mãe e sua irmãzinha não são as melhores pessoas do mundo. Mas também tem um mocinho liiiiindo, fofo, perfeito, que liga só pra ouvir sua voz, que faz as piadinhas mais cuti-cuti. Mocinho esse que te atropelou. Aí você finge que perdeu a memória, porque veja, mulher, é preciso aprender a stand up for yourself (também tem um prólogo pra explicar isso, porque compreensão de texto parece que não é o forte das pessoas do mundo), e você só consegue fazer isso se fingir que não sabe quem você é. Blablablá, o amor é lindo, as pessoas só querem o bem umas das outras, muita paz, beijo no coração. Fim. Não achei tão legal como o primeiro livro da autora. Mas também não foi aquela coisa "nussa, dois dias de leitura da minha vida... máquina do tempo agora?".

Pessoa que lê tudo isso que eu escrevo e chega no final do post mais gigante da história de todos os blogs do Universo: O que você anda lendo? E mais: é muito chato ler essa coluna que eu inventei, com as críticas de livros?

Hominho se revolta com a Lição No. 3

Mais um post longo. Prepare-se. Estou cansada de ter que explicar tudo-tudo sobre mulheres pra esses hominhos que acham que estão super por dentro. Quer dizer, hominhos se acham sabidos, mas no fundo, são os bons e velhos dummies que a gente já conhece.
O Fernando ficou indignado com a mensagem subliminar (como gosta de dizer Carol) da Lição No. 3, que, segundo ele é: "Todos os homens são cafajestes." Olha, Fernando, não foi bem isso que eu quis dizer, porque se há alguém no mundo que acredita na total e completa relatividade das coisas desse mundo, fora DiogoSMoretti e Fernando Pessoa, essa pessoa sou eu. Mesmo porque se eu acreditasse que todos os moços não prestam, eu me matava a-go-ra ou virava lésbica. Deve haver no mundo um moço bom, simpático, inteligente, não traumatizado por qualquer desilusão amorosa do passado que o faça fugir de mulher como o Diabo da cruz e, mais importante de tudo, que dê bola pra mim. Pois bem, eu vou resumir a defesa do Fernando ao time dos hominhos. Antes, quero esclarecer que baseio os meus relatos e ensinamentos sábios que resolva dividir com o mundo todo através desse blog (limpinho e honesto) numa observação da realidade feita de maneira bastante generalizada (mas nem por isso menos científica). É claro que eu sei, -- porque ao contrário do que diz o Pipo (um amigo que eu não vejo há muuuuuito tempo) eu tenho os meus próprios pensamentos e sou bastante crítica.
Chega de enrolação. Eu vou resumir qual foi a linha de defesa do Fernando nessa causa dos hominhos -- que com a devida vênia, floreei um pouco --, em face da Lição No. 3, que à minha autoridade competente foi dirigida. Depois eu despacho, intimo e abro vistas ao MP (ou a quem quiser se manifestar como terceiro interessado na lide).
1. O mocinho só não liga se a mulher for muito baranga e/ou muito burra. Ou se tiver em vista uma moça que seja bem mais gostosa.
2. Se a mocinha não ligar, não significa falta de interesse, mas é esse o comportamento esperado em nossa cultura (machista, diga-se -- isso foi por minha conta, Fernando).
3. Se a mocinha ligar, o mocinho vai fugir só se não tiver gostado da mocinha (e não porque tem medo de compromisso, alega o Fernando).
4. Mocinhos não são (necessariamente) cafajestes, mas acreditam que está implícito que se não ligaram é porque não querem dar continuidade à relação. Ligar para a mocinha simplesmente para dizer que não gostaram dela, e que apenas ficaram para curtir o momento serviria apenas para magoá-la ainda mais.
O Fernando termina dando um conselho (que ele considera sábio): Se a "mocinha angustiada" gostou muito do moço e está disposta a correr riscos, deve ligar, já que ele talvez não tenha desgostado dela, e não não-gostado (entenderam?). Se ela se mostra disponível e ele não tiver opção melhor sairá com ela de novo. Nem sempre isso é ruim pra moça, pode ser que o mocinho acabe descobrindo com a convivência outras qualidades e até se inicie um relacionamento. Contudo, provavelmente o resultado não será bom. O mais provável é que ele simplesmente diga que não vai sair com ela de novo ou então saia apenas para “abusar” da pobre mocinha.
Chave de ouro: Mocinhas, se o mocinho não ligar, não liguem também! Procurem outro mocinho.
Basicamente, Fernando, minha conclusão é igual à sua. Acho que junto com o fato de os homens se pelarem de medo de que as moças tenham se apaixonado perdidamente logo na primeira (2ª, 3ª, 4ª ou 5ª vez, aliás), tem isso também de achar que os homens não prestam (e se você defendeu que os homens não são cafas, se deu mal, porque essa história de que ele sai, sim, se não tiver opção melhor, comprova o que você quis combater). Acho que eu não preciso me esforçar pra refutar cada um dos pontos do seu discurso furado. Meu leitor, que como eu, é suficientemente crítico, saberá tirar as próprias conclusões, e como eu, vão chegar à única lição possível: Mulher é muuuuuuuito mais esperta do que vocês, mocinhos, pensam -- vocês acham que a gente não pensou nisso tudo antes de você me explicar? (vide Lição No. 2 e anotem essa frase como Lição No. 2 - adendo).

Atualização: (Não sei quando eu escrevi isso. Deixa eu procurar. Por JC!, foi em outubro de 2001!)

19.10.07

2:40

Meu tchefe acabou de chegar pra trabalhar. De banho tomado e tudo. Estabelecido novo recorde.

18.10.07

O segredo da magreza

Descobri. Depois de meses de pesquisa que envolviam um grupo controle (no caso eu, em outra terra), descobri qual é a chave da magreza feminina.

Are you ready?







Ainda não?








Mas vai revolucionar o mundo, hein?








Mulheres gritarão histéricas em frente às telas de seus computadores.






Em uníssono, que é mais tchãs.






E eu serei internacionalmente famosa pela minha descoberta.





Na comunidade científica inclusive.





Vestir roupas que caibam.


Né? Porque uma hora é preciso a gente parar de se enganar. É imperativo que a ficha "é impossível você manter o peso de quando você tinha 19 anos quando na verdade você tem 30". Foi bom enquanto durou. Foram 2 anos, ou 1 ano e 6/8, ou 1 ano (cof) de magreza adolescente, que eu alimentava com o sofrimento do pé na bunda, com orgulho ferido e depois com o amãr tão distante que a ponte aérea não remedia. Mas não dá, gente. Uma hora a calça jeans que deixa a sua pança balofandinho pra fora não é mais calça que estava larguinha e te fazia tão feliz. Agora ela é a calça que deixa a sua pança balofandinho. Que mostra, quando você senta, o cofrinho que você deseja ardorosamente esconder do mundo. Ela não é mais a melhor amiga da sua buzanfa. Aí você aceita que não dá pra ser gostosa - arrém! - como dantes, como nos dourados dias em que você estudava madrugadas a dentro pra entrar na faculdade que você julgava ser a melhor de todas, sofria por causa do mocinho cristão-evangélico em que você tinha um crush, mocinho esse que queria casar num balão com a então namorada, mas nunca com você, nem no céu, nem na terra , nem no mar, quando você se tornara namorada de muitos anos, etc. Você vai à loja, aproveita a promoção de outono e compra calças que cabem. E você se olha no espelho e dá uma piscadinha marota pra si mesma (sou brega?), porque seguiu as regras do What Not To Wear, e elas funcionam de verdade. E as calças novas te deixam mais altinha, com menos bunda e você vai saltitando pro carro com as 2 sacolas de roupas novas.

Weeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

16.10.07

Livros que amei (ou não)

No caso, ou não. Não: não não não não não. Dá pra ver o nome da autora e do livro na figurinha? Acho que dá. Bitter is the New Black, Jen Lancaster. Ela tem um blog também, googlem pra achar porque eu não quero colocar linque. Ser amarga pode até ser o new black, mas mais amarga foi a experiência de ler esse livro de cabo a rabo. Eu sou assim, masoquista nas pequenas coisas. O livro é ruim e eu não gosto da personagem (que é uma versão da autora feita pra livros)? Eu vou ler tudo no mesmo dia, sem descanso. Desde a hora em que sento a bunda que estava deitada na cama, até o momento em que meus olhos se fecharem. Já nas interações sociais se eu não gosto das pessoas, ou se não desgosto mas não chego a gostar, you'll find me in my room lendo livros como esse.

Ãin. Intermináveis capítulos sobre como ela é glamurosa e competente e como todo mundo é burro e farrapento. Ouquei, eu também faço isso. Eu sou culpada: eu julgo as pessoas pelos livros que elas lêem, eu julgo as pessoas quando o português claudica, eu jogo pedras, etc. Mas, gente, não dava. Ela era tipo a pessoa mais inteligente do mundo, a mais chique do mundo, com o melhor apartamento, etc. Porque ela pode!, ela é tudo nessa vida e mais um pouco! Muito papel feito de árvores inocentes que não mereciam (i) crescer, (ii) fazer flores e séquiço através de pólen e florezinhas (na maior parte dos casos), e (iii) morrer pra verem impressas todas aquelas palavras que, por Jesus-Maria-José e o burrinho, beiram (pra ser boazinha) a xenofobia. Porque ela perde o emprego. Há justiça no mundo?, você começa a crer que sim. Ela vai buscar o cheque-desemprego, fazer inscrição pros benefícios tipo i-ene-esse-esse (com uma bolsinha Prada), e fica fula da vida porque a explicação do funcionário do i-ene-esse-esse vai ser em espanhol. Porque, gente, ela está nomeio da América! Não importa que as outras pessoas todas ali sejam falantes de espanhol, importa é que a América é para os americanos (mais ou menos isso) e ela está lá e etc. Sem emprego, ela tem que se mudar prum apartamento menor, num bairro não chique, a que ela chama de gueto: porque não há vizinhos falantes de inglês. E porque eles não falam inglês, ela tem medo de sair na rua. Um cansaço de alma, gentê.

E infinitas notas de roda pé que deveriam ser cáusticas e irreverentes, mas que me encheram os pacová de uma forma que eu não sei explicar. Tipo, vamos aprender a usar pontuação pra não recorrer em cada uma das páginas às notas de rodapé? Não é criativo ou inovador, é chato, é pentelho, me faz passar raivinha porque eu tenho que parar o que estou lendo no parágrafo e descer os olhos e perder um nanosegundo que eu poderia não ter perdido lendo aquele livro. Que, sim, eu poderia ter largado logo quando eu descobri que ela era republicana, mas eu tento ser magnânima, você sabe, e resolvi dar uma chance. Ouvir opiniões diferentes, essas coisas. Tentar manter a mente aberta. Não é que ela escreva mal, é que ela é chata, preconceituosa (de um jeito ruim - o meu é que é bom: rorrô), umbiguenta e eu não gostaria de hang out with her. Like, ever. Mas passei o domingo com ela e foi tanta exaustão que ontem eu fui dormir às 10 e meia da noite e só acordei hoje, depois de 9 horas dormidas. E a justiça no mundo? Você descobre que não há porque a autora (e personagem do livro), quando desempregada e sofrendo porque no more Prada ou Gucci ou coisa que o valha, começa a escrever um blogue que faz sucesso e que a leva a ter um livro publicado. E em seguida mais um. Enquanto eu estou empregada, tenho um blogue que 15 pessoas (depois de esconder o blog do Google) lêem (oi, pessoal!) e não tenho livro nenhum publicado. Amarga? Eu?

Acho que não foi a melhor das decisões

a que eu tomei ontem à noite: sopa de feijão pra janta e pra marmita, considerando que eu tenho exame feminino anual hoje? Ontem já foi um dia balão: parecia que eu ia a qualquer momento sair voando pro teto e pros quatro cantos de qualquer recinto em que eu estivesse, porque todo o ar dentro de mim estava saindo fuiiiiiiiim.

Como dizer pra D., delicadamente, sem provocar um ataque histérico, sem fazer ninguém chorar, sem fazer com que ela queira pedir demissão a-go-ra, pela primeira vez (essa semana) que meu nome é eeohnee - e não Iôn? Agora ela deu pra me chamar assim. E o mais importante, como dizer pra ela que quando ela usa delineador de lábios eu quase quero pegar chicote, malabares ou outros utensílios circenses, porque ela fica parecendo um palhacinho triste?

12.10.07

O mundo é grande

Gentê, acabei de achar o sítio mais super legal da semana, do mês! Vai lá no sítio e clique nas bolinhas e depois nas fotinhos pra ver fotos de patrimônios da humanidade. Clicando e arrastando pros lados e pra cima e pra baixo, você vê a paisagem de muitos ângulos. Amei.

O xou

Todos aqueles meninos de calça justa, óculos de aros grossos e cabelinho despenteado de propósito. Todas aquelas meninas de blusinhas de alça e cachecol, ou de vestido com calça por baixo. De tênis tipo Iate da Rainha. Gentê, gente descolê usa tênis Iate da Rainha - não da Rainha, mas você entende. Hein? Não era nada cool quando *eu* tinha tênis Iate. Era tipo coisa de nerd. Meu usava Iate, porque era fácil de colocar quando ele ficou bem velhinho, nos anos 90 - early 90s, or mid. Teatro tão lindinho. Em Chinatown. Bem antigão. Kevin batia assim as pestanas falsas e brilhavam brilhinhos, vestindo calça (justa) vermelha e sapato branco de cafetão (verniz, pessoal, parecia) e camisa vermelha de frufrus. Tão! bonitinho. E as pessoas cantavam juntas. Mas a gente sentou no chão, no andar de cima, por falta de assentos confortáveis porque a gente chegou depois que o primeiro xou de abertura tinha acabado, só pro segundo de abertura (que foi bizarro e... por quê? esse dois seres dançando e cantando em cima de música gravada?). E ficamos então no andar de cima onde as pessoas podem beber (as do andar de baixo eram menores de idade), modos que assistimos ao xou como os velhinhos que somos. Só pra provar o ponto de que o tempo não perdoa, etc. 11:20, fim de xou. Pra você ver.

11.10.07

Por que eu sou tão velha?

Por que tudo o que eu quero na vida é ter um livro pra ler e ir pra casa, fazer janta, comer um pêssego, tomar banho, comer e ler na cama? Em vez de, sei lá, ir ver Of Montreal hoje à noite? Por 15 dólares. Eu vou, né?, porque eu resolvi lutar contra os avanços da senilidade. E contra a pão-durice extrema. E tipo, 15 dólares equivalem ao xou ou a um livro. Mas eu fiz upgrade da conta de aluguel de livros, e agora recebo 7 livros de uma vez. Não tenho cabelos brancos, só um que eu arranquei sem dó e nunca mais ousou crescer de volta, porque eu fiz uma cara bem feia pra ele. Mas já notei que minhas bochechas são meio caídas. Ficaram, né?, com os anos passando desapercebidamente. Todo dia, t0-do-di-a eu me prometo que não vou ficar lendo até meia-noite e meia. Tá ficando velho isso. Ontem eu pus protetores auriculares (é assim que chama?) pra não ouvir o despertador de manhã, que toca pro menino mais lindo do mundo tomar banho tipo 1 hora antes de ser a *minha* hora de acordar. Porque agora eu tomo banho quando eu chego em casa, pra ganhar 20 minutinhos de manhã cedo.

Eu não era assim. Eu voltava do trabalho, ou nem voltava e ia encontrar pessoas pra uma happy hour, pra jantar, pra ir no bar-casinha, pra encontrar, algumas raras vezes, um ou outro pretê, pra ir ao cinema, essas coisas. Voltava tarde, internetava, ia dormir. Eu não ligava de ficar um caco no dia seguinte no escritório. Ou talvez eu não ficasse um caco, nén?, considerando que antes eu era jovem. Sair pra jantar era coisa de velho. Quando foi que eu comecei a querer encontrar amigos pra jantar, ou pra um brunch? Mas também, meus amigos moram abaixo da linha do Equador, eu acima, modos que.

Lutei também contra a pão-durice no finde. Troca de estação, comprei calça de veludo, outra calça, 2 saias e 3 agasalhinhos. Ainda tenho que comprar camisas e sapatos. Porque eu tenho um, que comprei pra fazer entrevistas, dá um chulé que não é desse mundo. É uma coisa quase esotérica o chulé. E é sapatinho de verão, não aquece meus pezinhos frios de senhorinha. É duro, viu?, não morar num lugar com estações que são: frio e calor. Com chuva ou sem, não importa. Hoje tá chovendo, tá friozinho, preguiça. Amanhã é feriado aí, né? Ãin.

5.10.07

Livros que amei (ou não)

Ler é o que eu mais gosto de fazer. Se você me chamar pra tomar uma cerveja, numa quinta à noite, eu vou dizer não obrigada, eu quero ficar em casa, ler e ir dormir cedo. Porque provavelmente a segunda coisa que eu mais gosto de fazer é dormir. Talvez não. Tem séquiço, comer comidinhas gostosas, sentir cheiros, cheirar cangote do menino mais lindo do mundo, escrever aqui, essas coisas. Sem muita ordem. A única coisa que eu garanto é que beber vai sempre perder pra ler, não importa quão fofura seja a companhia.

Aí eu assinei aquele troço de alugar livros. Que, assiiiiim, desconfio que fica enrolando pra atualizar o status das devoluções pra gastar menos dinheiro comigo. Mandei livros no sábado, deveriam ter chegado na terça, quarta no máximo de volta. Mas só na quinta eles dizem que chegou. Hoje eles devem dizer que mandaram os livros na lista e eles vão chegar em casa na terça. Enfim, é teste. Vamos ver. Ou, de repente, assinar o plano de 5 livros por vez (porque eu comprei uns livros reserva pra ler enquanto os do aluguel não chegam, e reli um Paul Auster que eu já tinha).

Um dos livros que chegou pra mim foi The Polysyllabic Spree, do Nick Hornby. É uma coletânea dos artigos que ele escreve pra revista The Believer*, em que ele fala, surpresa!, dos livros que ele leu no mês. Dá quase vontade de assinar (e nem é muito caro), mas eu, na minha infinita inguinorãnça, não sei quem são os outros povos que escrevem e dei uma olhada rápida e me senti tão dã! quanto quando leio (lia) Bravo!. Quando comecei a ler Bravo!, descobri que era nem era tão terrível, que era ouquei gostar mais das figuras que do texto, porque o conteúdo estava além da minha capacidade, hein? Ou isso, ou essa foi a desculpa que eu inventei pra não desistir de viver. Além do que, dá aquela ansiedade de consumidor de arte: tenho que ver esse(s) filme(s), ler esse(s) livro(s), ver essa(s) peça(s) e exposição(ões), ouvir essa(s) música(s), etc. Muita coisa, gentê, nesse mundo, que vai permanecer um mistério pra mim.

Enfim, modos que, como quase nada nesse mundo é idéia original e patenteada no INPI ou órgãos equivalentes, resolvi escrever sobre os livros que ando ou andei lendo, tal e qual Nick Hornby, menos o charme, a graça, o humor, a fama e o interesse de leitores do mundo todo.

Começando pelo próprio livro de Nick Hornby, The Polysillabic Spree. Fiquei curiosa pra saber o que ele lê, né, gentê, porque a gente quer sempre saber sobre as pessoas de quem a gente gosta ou que a gente admira. Algumas revelações. Primeiro, que ele não lê mis livros por mês, o que muito me faz bem saber. Porque o ser é escritor - escritor, gentê! - e não lê mis livros. É tipo uma pessoa normal. É tipo eu. Ou você. Agora a gente tem pelo menos um motivo pra falar: "Eu sou que nem o Nick Hornby". Segundo, que eu achei que ele leria livros Sessão da Tarde em termos de qualidade, ou seja, livros engraçados, com referências pop, ou livros mais modernosos, mas ele lê coisas estranhas e, como direi?, quase obscuras. Muitas biografias e poesia. Procurei críticas dos livros que ele recomendou (fora os clássicos), e não me animei. E os livros não são leves e divertidos. Parecem, ao contrário, densos e escuros e difíceis de ler, ao contrário dos que ele escreve. Terceiro, que ele lê literatura de auto-ajuda. Né incrível? Fala a verdade, quando que você ia imaginar que ele lê livro de auto-ajuda? Portanto, gentê, vamos aprender uma lição com o Nick, e vamos parar de julgar as pessoas pelos livros que elas lêem. A partir de hoje, pra mim é super ouquei que a secretária que trabalha na ala oeste do escritório (inventei, porque eu Não sei onde se situam os pontos cardeais) leia o décimo quarto livro escrito da série "sou solteira, feia e amarga mas sou feliz e é mais solteira, feia e amarga quem me diz", ou que a D. leia livros de amor do tipo que se compra na banca de jornal (mesmo conteúdo, capas diferentes). Isso não diz quase nada sobre quem elas são. Exceto pelo fato de que diz. Porque, voltemos ao caso de Nick. A escolha dos livros dele tem a ver com o trabalho dele - às vezes ele tem que ler livros porque tem que escrever críticas pelas quais ele ganha dindim, ou tem a ver com as pessoas e coisas que o rodeiam - por exemplo, ele leu pelo menos uns 3 livros sobre crianças autistas porque um dos filhinhos dele é autista; ele lê livros que pessoas que ele acham massa recomendam; ele lê livros escritos por amigos e familiares.

Os artigos são engraçados e interessantes, a ponto de me fazerem ler por um domingo inteiro quase sem parar - o livro também é curtinho, o que ajuda. A mim não me importou que eu não soubesse sobre que livros ele estava falando (quando comecei me deu medinho de boiar), porque ele escreve impressões pessoais, sem trololós sobre estilo literário ou coisas assim. Uma opinião simples, as razões pelas quais ele resolveu comprar ou ler determinado autor ou obra e algumas relações da história com a vida dele. Ou seja, perfeito pra qualquer stalker, mesmo que a gente esteja stalking só de leve, só a vida livral de alguém. Adorei e recomeindo.

* Dá pra ler bastante coisa publicada sem pagar: dá uma olhada nos arquivos. Pra ler as colunas do NH, lógico, tem que assinar a revista.

1.10.07

Receita de Espaguete ao Molho Curry

Gentê, tenho até vergonha. Enganei todo mundo quando disse que era uma receita. Porque é tão fácil, tão fácil, você vai ver. E vai dizer: dã, a Inhone é muito besta. Mãs, fui eu que inventei. Você vai olhar feio pra receita porque (a) eu que inventei e, tipo, quem sou eu pra inventar receita?; e (b) mistura macarrão com curry - o menino mais lindo do mundo fez cara feia, mas deu nota dez em todos os quesitos.

Espaguete ao Molho Curry (da Ioney: weeeee!) explicadinho pra crianças
(porque acho v
álido ajudar as pessoas desprovidas de prática na cozinha,
já que eu mesma achava tudo difícil, misterioso e praticamente
imposs
ível quando comecei a cozinhar)
- 1 pacote de espaguete;
- alho picadinho (uns 3 dentões);
- 1 lata de creme de leite;
- 1 lata de milho verde (lógico, milho verde tirado da espiga é mais gostoso e faz um caldinho desejável, mas aqui passou a época, modos que);
- 1 ou 2 xícaras de ervilhas frescas (pode ser congelada, mas acho que a de lata é muito doce e molenga e dá uma consistência urgui);
- 2 colheres de sopa beeeeem cheias de curry em pó, mas cheias mesmo: tipo 3 colheres cheias de curry;
- 2 pimentas vermelhas picadinhas;
- coentro picadinho (vou chutar, hein?, porque eu nunca uso medidas, vou olhando os ingredientes e coloco quanto eu acho que vai ficar bom): 1/2 xícara;
- e, lógico, sal a gosto.
Pra fazer, já viu que é a coisa mais fácil na superfície desse mundo, né? E provavelmente de outros, embora as C.N.T.P. mudem se você ficar mudando de mundo ou de altitude no mesmo mundo. Enquanto você cozinha o espaguete numa panelona, vai fazendo a outra parte. A gente não coloca sal no começo, com a água: coloca depois que água ferveu. O ponto de ebulição aumenta se a gente tacar sal, mas o macarrão pode ficar bem salgado. Pra enganar, então, as C.N.T.P. (não é, me deixa, é pressão de vapor, mas ãin, falar C.N.T.P. é tão mais legal), deixa a água ferver e aíííííí coloca sal. Ah, e outra, não se põe um fio de óleo na água do cozimento pro macarrão não ficar grudado. O que se põe é o seu olho vigiando a pasta mesmo, o que pode ser difícil se você for menino - pela minha experiência, eles tendem a fazer coisas pela metade, porque cozinhar é muito mágico, e vão assistir ao jogo de futebol/futebol americano/cricket - conforme o país de origem - na tevê.

Beleza? Tá lá cozinhando a sua pasta. É fácil, hein? Só ler as instruções no pacote. Eu geralmente não leio nada, então não sei quantos minutos leva pra ficar pronto. Vou testando, pescando uns fios aqui e ali e decido quando está bom.

Em outra panela, você refoga o alho com um fio de óleo (agora sim o fio de óleo) e coloca o milho e as ervilhas. Um pouquinho de sal, coisa muito pouca, só pra fazer água sair. Ah, se as ervilhas que você usar forem as congeladas, coloca num escorredorzinho e uma passada de água resolve o problema de pedras de gelo no meio, antes de refogar, ouquei?

Aí põe a pimenta vermelha picada (eu goixto, então ponho logo 2) e deixa lá. Uns 5 minutos. Se deixar a panela tampada, vai fazer caldinho (bem inho) mais cedo. E depois tira a tampa pra reduzir e vai testando pra ver se cozinhou. Aí você coloca o creme de leite (com soro e tudo), acerta o sal e acrescenta o curry. Mistura com muito ardor. Se achar que precisa de mais curry, vai fundo. Curry em pó varia muito e a medida que eu usei foi pro que a gente tem em casa. Ah, esqueci: pra reativar o curry, a gente coloca numa panelinha pra esquentar. Sem nada. Panelinha quente, curry, esquenta um pouco, sai um bafinho, desliga e taca na outra panela. Importante isso.

Gentê, cabô. Não é ridículo? Aí seu espaguete está pronto, porque você nunca descolou o olho da outra panela e vigiou bem. Despeja no escorredor e (a) joga água corrente; ou (b) coloca uns cubinhos de gelo no meio da massa. Pra parar de cozinhar. Ninguém quer acertar o ponto da massa quando sai da panela pra depois: surpresa!, a massa estar molenga e sem-graça porque continuou cozinhando no escorredor. Escorre bem, bem, bem. Mistura com o molho e tadá! Ah, não me vá colocar queijo ralado: não orna de jeito nenhum. Em vez de queijo ralado, você usa coentro picadinho. E pronto.

28.9.07

O cardápio da semana

Com tudo isso que comprei no mercado, essa semana as minhas marmitas vieram com:

Segunda-feira: arroz e feijão, e legumes. Nhé. Nada demais e ficou faltando sal. Mas ouquei, foi o menino mais lindo do mundo quem fez, a gente dá um desconto. Estava suficientemente bom pra encher a pança. Eu ainda não tinha ido ao mercado, então a gente só tinha sobras.

Terça-feira: espaguete com molho de curry. Quer a receita? É fácil.

Quarta-feira: bife rolê (que eu fiz na maravilhosa panela de pressão) com purê de batata-doce (que a gente cozinhou também na sensacional panela de pressão) e arroz. Preciso aprender a fazer purê de batata-doce.

Quinta-feira: porco com cebola e berinjela e tomates com tempero indiano.

Sexta-feira: farofa com sobra de porco e cenoura raladinha e pimentões recheados com arroz.

25.9.07

Lista de compras

  • bifes fininhos
  • bacon
  • carne de porco
  • tofu
  • batatas doce
  • beringelas (olhei no dicionário de português de Portugal, nunca sei como escreve) berinjelas
  • cenouras
  • pimentões verdes
  • 1 pimentão vermelho
  • tomates
  • vagem
  • salsinha
  • caldo de carne
  • 1 latona de tomates picados
  • 1 pote de alho
  • 2 latas de milho verde
  • feijão
  • arroz (caixinhas: primavera, carne com macarrãozinho e mexicano)
  • queijo ralado
  • tumérico (turmérico?: açafrão da Índia)
  • sal
  • azeite de oliva
  • pipoca
  • banana
  • pêssegos

Em casa, eu tinha:um pacote de ervilhas congeladas e 1 lata de creme-de-leite. Você consegue adivinhar o cardápio da semana?

21.9.07

Presente de desaniversário

Como diria meu amigo Luiz com Z. Sim, porque ontem, 20 de setembro, né? E eu fiz anos em abril? Cheguei em casa e não vi nada de diferente. Só depois de tomar banho e fazer janta - e conseqüentemente minha marmitinha (grão de bico, feijão branco, com cebola, bacon e lingüiça italiana - que eu não colocaria não fosse a demanda do público masculino em nossa casinha: perdão, bichinhos do mundo que viram comida!, perdão Renata!), vi a caixa tamanho jumbo no sofá, na sala-de-estar.

Minha panela de pressão!

\o\ ... |o| ... \o/ ... /o/

Diga adeus a batatas que levam mais de hora pra ficarem macias!, a feijões que a gente põe de molho, mas que mesmo assim levam toda uma vida pra ficarem gostosos (com muito alho e 2 folhinhas de lour)!, diga olá a bifê rolê (perdão, bichinhos, perdão, Renata, mas tem gosto de comidinha da mamãe, a domingo com as menininhas mas fofurinhas, a abraço dos irmãos), a beterrabas tenras, prontas assim, num piscar de olhos. Meu presente de aniversário!


Quando foi que eu virei minha mãe? Só mãe que fica feliz com coisa de casa, pensava eu. Dia das Mães, a gente dando, sei lá, batedeira, ou por outra, um multiprocessador. Eu contente porque o menino mais lindo do mundo me comprou uma panela de pressão! Eu tinha outras sugestões também. Tipo os muitos linques com coisas que eu acho bonitas e que eu coloco em janelinhas do Gchat. Um pijaminha do Mutts (ele diz: quando você veio, eu ia te dar uma camiseta), umas câmeras fotográficas, uns livros, enfim, coisas de menina – e não de mãe (que sou só de um ser canino). Mas essa panela eu mostrei pra ele e ele pediu pra eu mandar por correio eletrônico. O comentário de Jota foi: “Boa sorte” e um ar de desdém, como quem pensa: amanhã não estaremos mais aqui, a cozinha vai explodir, um tal pavor da panela. Deixa comigo, Jota, deixa. Agora eu sou uma pessoa que fica feliz porque ganha panelas de pressão!

20.9.07

Curtas

Tá fazendo um dia de outono, que pra mim é igual a inverno em São Paulo. Tô usando saia lápis e eu fico andando igual uma gueixa. É um saco. Aqueles passinhos bem miudinhos. Às vezes eu puxo a saia pra cima pra andar melhor. Pra subir escada. Anteontem, na estação de trem, tinha alguém tocando My favorite things na flauta. Combinou com o solzinho que estava fazendo lá fora. Quando eu pego o trem pra casa, à tarde, tem sempre um moço vendendo buquês de flores. Ontem, um moço tocando violino. Desci a escada pra plataforma cantandinho.

Aqui ninguém anda rápido que nem em São Paulo. Enfiei nos sapatos pés de meia úmidos pra ver se alargava um pouco. Hoje eu não vim de Adidas, vim com o tal sapato alto que eu trouxe do Brasil e nunca usei porque estava apertado. E porque eu já estava me acostumando com a vida de só andar de Adidas, sandália feia de americana em seriado na TV, ou Havaianas. Vamos ver se as meias bafufadas deram jeito no aperto do sapato. E estou usando meia-calça fumê, o que é bom, porque esconde as marcas de mordidas de pernilongo. Dias atrás, tomei umas 24 numa noite só. Assim, em ciclos de 3 dias, essa foi a minha vida no verão. Ir dormir e acordar com as pernas tão mordidas que parecem meia-calça de petits pois. Não é bonito, não é gostoso.

Nossa professora russa de francês teve um nenê semana passada. Anastacia: o nenê, não a professora. A professora se chama Anna. Eu não gosto de aprender francês, então eu não aprendo. Mas eu vou porque o menino mais lindo do mundo me pediu. Ele precisa porque um dia ele quer trabalhar na ONU ou numa ONG ou num país da África.

Já tô com fome, mas nem são 11 horas ainda. Eu trouxe risoto falso que eu fiz ontem de marmita. E uma Max*Cola, que é igualzinha a Coca Diet antiga. Quando eu vou na cozinha almoçar, sempre fico de butuca pra ver se não tem ninguém lá. A última vez que as pessoas do escritório estavam lá, estavam todas falando mal de uma secretária que trabalhava aqui. Acho válido falar mal, desde que seja *eu* (ou alguém de quem eu goste) que esteja falando mal - rorrô. E a última vez que tive uma interação de almoço, a conversa era sobre Harley Davidsons dos maridos/namorados e as jaquetas, capacetes e essas coisas. Fiquei evitativa, nén? Comecei a levar comigo o livro que antes era só do trem.

Já tenho que ir ao banheiro de novo. Aqui no escritório está mais frio que na rua.

19.9.07

Coisas inúteis que eu poderia não ter contado pra ninguém, mas que eu vou contar mesmo assim LXII

Acho que sofre de um caso leve de TOC. De acordo com aquele sítio, se eu responder afirmativamente a uma ou mais dessas frases, eu posso realmente ser compulsiva. Vejamos:

• Preocupo-me demais com sujeira, germes, contaminação, pó ou doenças.: Sou limpinha, mas aprendi a entregar pra JC a sujeira da minha casa, como uma oferenda. Se ele me conceder a graça da vida num mundo que não conhece o que um rodo e um pano de chão podem fazer por você, já estou satisfeita.

• Lavo as mãos a todo o momento ou de forma exagerada.: Até que eu tenho vontade, hein? Mas o banheiro do escritório fica longe.

• Tomo vários banhos por dia ou demoro demasiadamente no banho.: Não, às vezes eu até pulo um dia, quando está muito frio.

• Verifico portas e janelas mais do que o necessário.: Não, mas tenho com chave e o passe de trem. Em casa, antes de sair: Eu peguei a chave? Onde eu pus? Tá no bolsinho pequeno dentro da bolsa? E o passe? Tá no bolsinho? Na varanda: Eu peguei a chave, né? Tá no bolsinho? E o passe tá junto? Na estação de trem, a mesma coisa.

• Minha mente é invadida por pensamentos desagradáveis e impróprios, que me causam aflição e que nem sempre consigo afastá-los.: Mmmm, pensar no trabalho antes de ir dormir, no banho, ou sonhar com trabalho conta?

• Tenho sempre muitas dúvidas, repetindo várias vezes a mesma tarefa ou pergunta para ter certeza de que não vou errar.: Aijisuis, sim.

• Preocupo-me demais com a ordem, o alinhamento ou simetria das coisas, e fico aflito(a) quando estão fora do lugar.: Quando eu vou ao supermercado ou a lojas e vejo coisas fora do lugar, eu arrumo. Quando eu chego no trabalho, tem uma ordem pra tudo: café do lado direito da mesa, com a banana. Ligo o computador. Vou na cozinha e guardo a marmita na geladeira. Volto e abro Outlook, IE para o Google Calendar e Firefox pra Gmail e Google Web. Verifico os recados na secretária eletrônica. No banho, tem ordem pras coisas: começo de cima e termino embaixo. Quando a vou ao banheiro de lugar público em que eu já estive antes, sempre vou na mesma cabininha.

• Necessito contar enquanto estou fazendo coisas.: Gentê, eu conto passos, sempre. Tô andando, quando eu vou ver, tô contando quantos passos eu estou dando.

• Guardo coisas inúteis (jornais velhos, caixas vazias, sapatos ou roupas velhas) e tenho muita dificuldade em desfazer-me delas.: Se eu disser livros, conta? Não consigo me desfazer de livros, mesmo que eu não tenha gostado tanto assim. Roupas: até que eu consigo jogar fora, considerando o tamanho da minha mala pra vir pra cá (não muito grande pra uma vida de roupas). Sapatos: gentê, larguei quase todos os que eu tinha no Brasil.

Sanatorinhos já?

18.9.07

Coisas inúteis LXI

Acho que o último post "Coisas inúteis sobre mim mesma que eu poderia não contar pra ninguém mas que eu vou contar mesmo assim" foi publicado em 2003. 2003, gentê!, como me sinto velha... Com um blog que, em endereços diferentes, tem 6 anos e alguns meses. Ou quando você percebe que sua sobrinha vai pro primeiro colegial no ano que vem, ou quando você percebe que você fala "colegial", em vez de 2º grau ou ensino médio. Ãin.

Enfim. Coisas inúteis sobre mim mesma que eu poderia não contar pra ninguém mas que eu vou contar mesmo assim LXI

Adoro tirar caca do nariz. Adoro! Não vou mentir e dizer que eu sou uma dama. Eu cutuco mema. O menino mais lindo do mundo inclusive disse que já me viu várias vezes escarafunchando. Melhor terapia, gentê, depois de um dia de trabalho. Chega em casa, lava as mãos, tira os sapatos (lava os pés, se tiver chulé), deita na cama com um livro e tira caca. Depois você vai me agradecer.

17.9.07

Mão de vaca

Sou deveras mão de vaca. Não sei por quê eu sou assim. Acho que os ensinamentos de meu pai marxista ficaram guardados pra sempre dentro de mim. Eu sou o que eu produzo, né isso? Como criança só produz desenhos e brincadeiras e risadas e bagunça, tive que agüentar as consequências. Na escola, eu era a única que tinha a calça jeans santropeito da moda que não era de marca, o tênis da moda que não era de marca, essas coisas. Genéricos. Sabe?, os sofrimentos tão dolorosos de uma caçula de classe média com pai que é marxista. Eu já contei da Barbie, né?(*) Pra você ter uma idéia das cicatrizes emocionais, gentê.

Eu tenho necessidade de economizar. O plano é fazer comida todo dia e trazer marmita no dia seguinte. A gente gasta uns... 90 dólares (em média) pra fazer comida de segunda até quinta. Fico passando privações no setor lazer (como se, né?, eu fosse gastar muito dinheiro pra ir, sei lá, dançar ou assistir filmão no cinema). Aí pra economizar com livros (paperback custa uma média de 14 dólares cada, tornando proibitivo o hábito da leitura pra pessoas que não ganham muitos dinheiros e gostam muito de ler), eu assinei Bookswim, que é um serviço de aluguel de livros. O acervo ainda não é dos maiores, tô tendo muita dificuldade de encontrar coisas que eu realmente queira ler. Aí, né, gentê?, faz um favor? Dá uma olhada e me diz o que você leria. Pra fazer o dinheiro valer. Deixe sua dica, ixifaizfavoire.
(*) Dezembro 5, 2002
Coisas inúteis sobre mim mesma que eu poderia não contar para ninguém mas que eu vou contar mesmo assim XIX

Descobri toda a fonte de meus problemas. Dizia ontem meu amigo Didi que os narcisistas sofreram qualquer coisa durante a infância que o fizeram tornarem-se adultos assim (ficou de me mandar o texto que leu a respeito). Meu trama foi não ter ganhado uma boneca Barbie enquanto era tempo. No recreio, as meninas se reuniam, davam as mãos, carregando na outra, que não estava enlaçada com a mão da amiga, uma sacolinha com apetrechinhos pink e de lamê. Mas eu, não tinha a quem dar a mão, porque aparecia com uma Susi que tinha pertencido à minha irmã, apenas 12 anos mais velha que eu. E o que são 12 anos para uma criança?

As meninas faziam uma roda para dramatizar situações. A Susi, aquela bonequinha cabeçuda e que ainda por cima não tinha nem mesmo uma troca de roupa, dependendo somente dos trapos da minha mãe para poder se vestir diferente. Sim, porque não havia apetrechinhos para uma boneca que nem sequer era fabricada ainda. Eu fazia papéis secundários. Servia cafezinhos, abria a porta, dizia que a dona da casa já estava descendo. Ou era só figurante. Passava na rua enquanto a Barbie passeava com o Ken em seu carrão. Ou até era convidada para o chá com todas aquelas Barbies, mas não podia dizer "a". Era muda de nascença, coitada, as madames comentavam.