12.5.06

Tempo amigo, seja legal

Danielle é o nome da garçonete. Eu perguntei quando ela veio anotar o meu pedido - um capuccino e um misto quente. Não há relógios em nenhum lugar visível desse café, o que só contribui para a sensação de que o tempo pára enquanto estou aqui.

Eu tenho sonhos freqüentes com situações que só vão acontecer semanas depois que sonhei. Eu vejo lugars, ouço conversas. Mais tarde, reconheço os rostos das pessoas que nunca antes tinha visto até o momento em que as vejo e lembro que sonhei com elas. Talvez o tempo não seja linear como supomos e ele não vá somente até o agora. Não sei o que fazer do futuro porque não sei o que fazer do que não existe, do que é somente um sonho, um plano, uma expectativa. O próximo segundo é algo que não alcançamos, até que ele simplesmente pula do relógio para a vida.

Acordei essa manhã e enquanto olhava o teto, decidindo se me levantaria ou se continuaria na cama, senti inveja da Cuca. Ela pulou no meu rosto e tentou lamber minhas bochechas, que é o jeito dela me pedir pra ir pra baixo das cobertas e dormir um pouquinho mais. Ela só entende o que o agora é, e o que ela lembra do passado é suficiente apenas para ela saber que eu a trouxe pra casa e cuidei dela, ou talvez nem isso, apenas para lembrar das pequenas coisas - onde ela deve ir para fazer xixi, ou onde estão os potes de comida e água, ou onde ela guarda a meinha com que ela gosta de brincar, que se ela se sentar na minha frente e piscar os olhinhos assim, ela vai ganhar colo. Tudo o que ela quer, ela quer gora. Tudo é muito urgente para a Cuca.

Faz 11 anos que minha irmã faleceu. Meus pais e ela não mantinham um bom relacionamento e brigavam muito. Eles nunca deixaram de se amar, mas esperavam tanto do futuro, sempre deixando as desculpas e os carinhos para depois, confiando que o tempo cura tudo - dê tempo ao tempo. Eles não se falaram por anos, até que um dia receberam um telefonema dizendo que ela havia sido encontrada morta. Não houve tempo para mais, houve?

Eu invejo a capacidade da Cuca de sentir saudade de mim - o 'mim' não é o mais importante, mas o 'sentir saudade'. Não importa se por 5 minutos para levar o lixo para fora, ou por horas, quando saio para trabalhar, quando eu volto, ela fica realmente - realmente - feliz por me ver, sem saber por quanto tempo ela sentiu minha falta. Não importa realmente por quanto tempo. Ela simplesmente fica feliz em me ver. Ela sentirá saudades de mim com a mesma intensidade seja quando for que eu não esteja aqui, ao contrário do que acontece conosco.

A gente deixa pra lá muito facilmente, esquecemo-nos das pessoas como se fosse para acontecer assim, e confiamos na passagem do tempo para nos curar e para nos trazer surpresas, que sempre acreditamos serão boas. E por causa disso, entender que o futuro não é nada a não ser um vazio, um espaço em branco, é tão difícil. Preferimos pensar que o futuro é algo promissor e brilhante. É como se ele pudesse conter qualquer coisa, um milhão de posibilidades que se revelam conforme fazemos escolhas, quase como uma caixa de Pandora num bom sentido, só com os pedaços bons. Bom, o futuro não é isso, como a vida me mostrou. E o que quer que eu queira para a minha vida, eu quero para agora, para esse exato momento. Tudo - tudo - é muito urgente.

6.5.06

Harry Huffman

No meu sonho, meu carro estava em outro país, e ele estava dirigindo - o que já é duplamente estranho (eu não levaria um carro para outro país, não no hemisfério norte, não um que não faça fronteira com o Brasil; e, mais, ele não sabe dirigir carro com marchas que não são trocadas sozinhas) . Nós estacionamos e ele sai do carro, deixando-me sozinha. Eu tiro os meus óculos, coisa que não faria de maneira nenhuma, porque eu sou míope como um toupeira e me sinto desconfortável sem eles. Pessoas se aproximam do carro e eu decido sair pra calçada.

Há um rapaz vestindo uniforme de baseball e embora ele não me diga nada, eu sei que ele está olhando pra dentro do carro como se um jogador famoso de baseball estivesse lá dentro. Eu digo, "Ele não está no carro, você não vai conseguir o autógrafo. Desculpe." Ele me olha espantado e olha pra dentro do carro. Eu dou um passo atrás e sinto uma mão pegando por trás da minha perna, como se o braço saísse do carro, que está com a porta fechada. Entro no carro pra pegar meus óculos e é como se alguém os jogasse pra mim - de outro modo eu teria que tatear para encontrá-los e levaria algum tempo fazendo isso. Os espelhos retrovisores e a seta estão se mexendo sozinhos. É um tanto assustado e eu olho pra ele, que acaba de chegar e ele me diz "Lembra que eu te disse que tanquinhos de guerra de brinquedo mostraram o caminho pra mim?". E eu me lembro, embora essa cena não tivesse sido sonhada. Eu vejo os tanquinhos alinhados na estrada, apontando o caminho.

Em seguida, eu caminho em direção a uma casa com uma marmita nas mãso. Eu chamo por ele, pensando que ele está dentro da casa, mas ele não responde. Conforme vou me aproximando da porta, uma voz diz, "Eeeeentre", e eu sei que é do jogador de baseball que as pessoas achavam que estava no meu carro, e que ele está prestes a morrer. Há também uma voz que me diz coisas, na minha cabeça. O nome do homem é Harry Huffman (e eu vejo o nome dele se formando no ar, como se eu tivesse que saber como se soletra), ele tem 90 anos, era um jogador famoso de baseball e ele vai morrer em um ano e meio. A voz vai dizendo essas coisas aos poucos. Ela diz, "Se você e ele tomarem conta do Harry, ele vai herdar algum dinheiro". "Ele mora em West Virginia", a voz diz.

A voz assustaddora diz "Eeeentre" e eu mexo na maçaneta, mas a porta está trancada e eu digo "Não consigo entrar", e a voz diz que ele não entendeu o que acabo de dizer e eu repito, um pouco mais alto, tentando entrar. Eu recuo um pouco e a porta se abre. Eu chamo por ele de novo (não o Harry, mas meu acompanhante), mas nesse ponto é óbvio que ele não está lá. Vou procurar um prato, já que eu tenho que alimentar Harry. A casa é como se fosse da minha avó - sem ser, e eu tenho a sensação de que Harry está no andar de cima, onde era o quarto dos meus avós. Mas eu vou ficando mais assustada e digo "Desculpe, eu não posso ficar aqui se ele não estiver comigo. Estou com medo. Se você precisar da minha ajuda, eu volto, e você sabe como me chamar, mas eu tenho que voltar agora, estou muito assustada".
Claro que googlei o nome "Harry Huffman" e, para minha surpresa, há alguns. Não encontrei nenhum que tivesse sido um jogador famoso por volta das décadas de 30-50. Encontrei algumas fotos de um senhor que se parecia com a imagem que eu vi dele. Existe uma família Huffman que vive perto de onde meu acompanhante do sonho vive. Mas eu não sei o que esse sonho quer dizer, se é que sonhos querem dizer alguma coisa.

3.5.06

Falemos sobre a Maria Cláudia

Ela é essa pessoa:



Bonita, né? Fora que ela é minha amiga querida do peito, embora eu só tenha visto uma vez.

Ela escreve sobre moda na Paradoxo. E bem.

E adivinha? Ela faz camisetas foufas - quero todas.

Vitrininha:



Se você quiser também, os preços estão lá. Ela manda por Sedex (o valor do Sedex deverá ser acrescentado ao preço da camiseta).