6.12.06

Carta aberta

Paula,

Como está tudo?

Li semana passada dois livros dele ("Dress Your Family in Corduroy and Denim" e "Me Talk Pretty One Day"). Pensei muito em você. Eu amo esse moço agora, com toda a força do coração. Então aqui está o registro (que em breve deverá se tornar público para que possamos espalhar o amor a Sedaris pelo mundo) sobre o dia (ou a noite) em que eu o traí porque comecei a ler outro livro que, segundo Brian me disse, era supostamente engraçado. Esse outro livro não só não era engraçado - o autor bem que tentava, mas tentava demais - como eu diria ter sido escrito por alguém extremamente presunçoso. ( http://www.amazon.com/Heartbreaking-Work-Staggering-Genius/dp/0375725784/sr=8-1/qid=1165263238/ref=pd_bbs_sr_1/103-3209058-9873405?ie=UTF8&s=books )

Pode ser que minha opinião tenha sido fortemente influenciada pelo sentimento de culpa de que fui tomada ao sorrir quando li a primeira piadinha. E resolvi que não riria mais. Só mais tarde eu compreendi que não, o livro era chato mesmo e que Sedaris era mais!, Sedaris era 10!, como dizem ser JC em adesivos de carros de freqüentadores de igrejas evangélicas modernas e antenadas com o jovem. O que eu posso dizer é que Sedaris é fiel. Eu acredito em Sedaris. Porque li todas as histórias e todas eram, se não engraçadas, como histórias de alguém que eu já conhecia. Como se fossem de um blog maravilhoso de uma pessoa muito massa. O blog que *eu* gostaria de escrever, mas que não posso, porque não sou Sedaris. O blog que ele não escreve porque ele é mais esperto e talentoso e tudo de bem, etc., e porque ele não acredita em computadores (ou algo assim).

De modo que, ao começar a ler a primeira página do livro do autor presunçoso e, tendo eu acabado de terminar de ler o Corduroy e ainda curtindo as lembranças das risadas que eu havia rido há apenas alguns minutos, eu pus minha cabeça do travesseiro e disse " I'm sorry, David". Brian ouviu o grunhido do som abafado e perguntei o que eu tinha dito. E eu disse que eu deveria levantar e encontrar o endereço de e-mail do David e pedir desculpas por tê-lo traído, pelo abandono a que eu passaria a submetê-lo. Mas me lembrei de que ele provavelmente não tem um endereço de e-mail, já que ele gosta de máquinas de escrever. E que nem estaria interessado em saber se eu tinha começado outro livro, porque, convenhamos, na escala de desimportância de Sedaris, eu ocupo o primeiro lugar por razões muitas, entre as quais ser eu uma completa estranha e ser eu uma das muitas centenas de pessoas que desejam escrever como ele mas não podem.

O que eu quero perguntar, Paula, a você - e não a Sedaris -, é se ele pode ser um pouco meu também, já que você o queria todo para si.

Um beijo,
Ioney

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