20.6.06

Seria meu namorado o anjo da morte?

é tipo a bíblia -se eu a lesse e acreditasse naquelas histórias, é tipo um manual para relacionamentos, é tipo o filme que você precisa assistir se ainda não o fez. Tipo, meu namorado não viu, mas gentê, vou falar pra você, se ele visse eu estava perdida, porque ele tem essa esperteza Harry que é assim inerente a ele. Tenho medo. Tenho medo dessa sabedoria que ele adquiriu sem nunca - nunca! - ter assistido a When Harry met Sally e tenho medo de que algum dia ele faça alguma coisa que não tenha sido abordada por esse guia dos namoros/casamentos/dates e me deixe numa situação que Harry ou Sally tenham vivido em não sei quantos minutos de filme. E eu fique clueless.
Harry: You take someone to the airport, its clearly the beginning of the relationship. That's why I have never taken anyone to the airport at the beginning of a relationship.
Sally: Why?
Harry: Because eventually things move on and you don't take someone to the airport and I never wanted anyone to say to me, 'How come you never take me to the airport anymore?'
Sally: It's amazing. You look like a normal person but actually you are the angel of death. *(tecla SAP para o leitor)
Gentê, posso falar? GRU. I heart GRU so much it's hard to explain. Em GRU tudo é estranho, porque é muito feliz ou é muito triste. E lá também é estranho porque parece que eu estou sempre sozinha, porque eu vou lá buscar a pessoa e deixar a pessoa e não dá pra ver a pessoa desembarcar ou embarcar e isso é muito, muito bizarro. Ela aparece numa fila e desaparece em outra.

Aí que ele nunca me deu nenhum presente. Ele não precisa dar porque ele é massa e cada dia que passa eu me convenço mais de que ele é o mocinho mais sensacional e bacana e etc., e não são os presentes que vão fazer a diferença, mas o Natal passou, o Dia dos Namorados passou, meu aniversário passou, tudo passou. E, oquei, eu não ligo pra Natal nem pra Dia dos Namorados, porque eu tenho a noçã de que é pra gente gastar dinheiro, etc., e, bom, não precisa dizer que isso eu não tenho, certo? Então eu faço assim: eu mando linques para mapas sensacionais, para fotos de gentes feias e/ou estranhas e/ou fazendo bizarrices. E faço compêndios de fontes para estudar português na internet e ouço Pimsleur e faço transcrições. E dou presentes de verdade também. Quer dizer, dei. Dei presentes. Porque não é como se ele estivesse aqui e eu ligasse pra ele e dissesse que eu tenho uma surpresa pra ele e quando eu visse, o porteiro estaria me ligando pra perguntar se ele pode subir. Não é.

Então ele nunca me deu nenhum presente. E o dia em que ele me der um, sei lá, chiclete, ou uma banana congelada que ele gosta e que ele vai comprar perto da casa dele, eu vou ficar tão surpresa, tão contente, tão abalada, que vai ser o melhor presente do mundo, do mundo! Na verdade, desconfio de que seja tudo um plano cuidadosamente elaborado. Eu nunca vou poder dizer: 'Dude, how come you never get me anything anymore like you used to?', porque ele nunca terá feito isso mesmo. E se ele tiver feito, eu terei ganhado uma banana congelada. Ou um chiclete. Concluindo, desconfio de que ele seja secretamente o anjo da morte.

*Harry: Você leva alguém pro aeroporto quando está claramente no começo do relacionamento. É por isso que eu nunca levei ninguém pro aeroporto no começo de um relacionamento.
Sally: Por quê?
Harry: Porque as coisas vão mudar e você não vai mais levar a pessoa ao aeroporto, e eu nunca quis que ninguém me dissesse "Por que você nunca mais me leva pro aeroporto?"
Sally: É incrível. Você parece uma pessoa normal, mas na verdade você é o anjo da morte.

2 comentários:

  1. Culturalmente falando, eu não tenho capacidade para acompanhar a tua linha de raciocio e enterder por completo, este modo dolorido escrever. Mas me comove, talvez pela minha igorancia.

    Ajudaria muito se em alguns trechos do texto, você colocasse uma opção “ aperte aqui para selecionar a legenda”, tipo tecla SAP...manja?



    Bom dia dinovo.

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  2. Culturalmente falando, eu não tenho capacidade para acompanhar a tua linha de raciocinio e entender por completo, este modo dolorido escrever. Mas me comove, talvez pela minha ignorância.

    Ajudaria muito se em alguns trechos do texto, você colocasse uma opção “ aperte aqui para selecionar a legenda”, tipo tecla SAP...manja?

    Bom dia dinovo.

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