24.4.06

No café

Algumas manhãs atrás, enquanto tomava um café. Estou sentada ao lado da janela, meio lendo um livro, meio olhando a calçada molhada de chuva. O sol saiu faz pouco, por pouco tempo, e eu sinto meus pés ficando quentes dentro dos Adidas.

Não há nada realmente errado, nada terrivelmente errado. Só que eu tenho vontade de dizer essas coisas que fazem respirar um pouco difícil. Eu não sei que coisas são essas, então não consigo me desfazer dessa sensação de twilight zone, como a que você tem quando está quase pra chorar. Como quando você está fazendo as malas pra ir pra casa depois de uma viagem boa, ou quando você chega em casa e tem que desfazer as malas, e a casa está vazia e silenciosa. Como se você sentisse saudade do que está tão próximo e do que você não está exatamente se despedindo. Achei que a sensação iria embora se eu chorasse, mas nãp dá pra gente se obrigar a chorar. E não há nada horrivelmente errado acontecendo.

Você pensa às vezes em como as pessoas estão fazendo coisas, vivendo como se as vidas delas não estivessem ligadas à sua? Pensei em escrever uma carta e deixá-la sobre a mesa pra alguém encontrar. Ela a levaria para casa e leria durante o jantar e, talvez, gastaria alguns minutos pensando sobre quem teria escrito a carta ou se já teria me visto ou sobre o que eu faço ou sobre o que é que me faz ser quem eu sou. Mas seria mais provável que a garçonete lesse a carta ou que ela a guardasse pra me devolver da próxima vez que eu voltasse para um café e que a carta não cumprisse seu destino. Então vamos deixar a carta pra lá.

Não parece certo que a gente deixe as pessoas entrarem na nossa vida e que elas saiam dela "assim". Que horas são? - 9:54 - eu não posso me atrasar. Até isso parece errado; eu não me importo com essas pessoas que eu tenho que me encontrar.

Pensei que eu eu fosse me sentir melhor se eu chorasse, então eu pensei em tomar um banho quente e chorar. Ia ser muito bom. Foi ficando mais tarde e mais tarde e eu tive que ir dormir pra que eu não me sentisse péssima pela manhã - mas adivinha? - eu me sinto péssima. Estou cansada e esquisita e estou escrevendo essas bobagens. Eu tive um sonho muito estranho. Eu fugia de mulheres com perucas ruivas e eu ia pro quarto dele, número 384 or 389, mas não tinha certeza se ele ia me deixar entrar ou se eu estava sonhando ainda, então eu hesitei antes de bater. Eu estava assustada. Ele estava lá e me disse pra deitar ao lado dele e dormir.

3 comentários:

  1. Às vezes não dá para não se sentir péssimo, simplesmente. Chorando ou não. ESpero que a pessoa atrás da porta saiba dar o valor que você tem - e semre te chame para deitar do lado dele...
    PS: E você diz que não anda escrevendo bem...

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  2. 1- o blog é a carta deixada sobre a mesa do café.
    2- é o ar do outono que faz agte se sentir assim.
    3- faço coro com o PS do renato.

    bjs!!
    (ah! o blog parou de travar no meu computador ;))

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  3. Espero que as mulheres de perucas ruivas não sejam a Ana e eu. hihihi! No más concordo com os outros comentários, tem dias que nem chorando a angustia acaba.

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