31.7.05

Pra varrer a casa

com alegria, você tem que ouvir essa música de The Magic Numbers.Porque a música tem que ser muito tuda pra você varrer a casa COM alegria. Aí você pode usar a vassoura como companheira de dança e ainda usar o cabo como microfone quando aprender o refrão. Arrem.

27.7.05

Perdi a poesia

Ou talvez ela tenha se perdido em algum canto escuro e esteja ali agachada e com medo, sem mapa nem bússola. Nunca soube dizer pra que lado está o oriente. Não sei dizer de que lado da minha janela nasce o sol. Sei que os pássaros migram para o sul quando é inverno no norte e que as baleias passam pela costa brasileira quando a gente pode ver na tv notícias sobre elas. E que focas são fofas.

Oi, pronto, desisti.

Vou voltar a escrever totoquices, que é o que eu sei fazer.

Saudade, Ligia?

Eu sinto saudade, claro. Como todo mundo sente, das coisas de que a gente se lembra, mas especialmente daquelas que nunca experimentei e das quais não tenho lembranças.

Coisas como abraço da minha avó japonesa, que só conheço por foto e que, dizem, numa dessas histórias de família, que ajudou meu irmão a me salvar de me afogar na piscina. De conversar com meu ditchan, que só falava japonês, de estar mais tempo agarrada à minha avó que morava no interior e de ouvir mais histórias do meu avô enquanto lhe fazia cafuné. Ou de ouvir o que meu irmão Gunga falava pra mim enquanto eu ainda estava na barriga da minha mãe. De entender quem era minha irmã realmente e de ter respondido às cartas que ela me escreveu quando esteve fora, em vez de esperar que voltasse sem saber que quando ela voltasse seria muito tarde. Ou de brincar mais com meu irmão Binho e pegar mais caronas na garupa da nossa bicicleta para ir às aulas de ballet.

Sinto saudade do que já foi bom e não pode ser mais, mas sem querer recuperar o que se perdeu pra sempre, porque sei da impossibilidade de voltar a sermos quem éramos e sentir tudo o que sentíamos e de recuperar uma beleza que se move, não a beleza imutável do que não se pode mais alterar, como nas fotografias.

Sinto saudade de tudo quanto não me lembro e de que só sei por ouvir dizer, de tudo que gostaria de ter sentido e não senti por não saber como ou por não ter aprendido o tanto necessário para senti-las, ou simplesmente por não querer senti-las. De tudo que eu penso que poderia sentir se não fosse por haver a distância e o tempo e a impossibilidade. Sinto saudade do que está por vir. Especialmente disso. Sinto saudade do que nunca tive e que poderei vir a ter. Das memórias que ainda estão por se criar.

Pra Silvia :) - Augusta quer voar

Só quero ficar a seus pés. Em silêncio, olho para ela, que observa uma foto da aurora boreau na parede. Na vitrola roda um disco de adágios de Aubinone. Baubucia a melodia. Aumenta um pouco o som e dança, bem devagar. Ela é tão bonita, ela cheira a aufazema. Desde pequena quis tocar flauta, acabou mesmo aprendendo piano. Puxa para cima as mangas do pijama para depois provar um pouco do mingau quente no prato, um aumoço improvisado. Eu peço um pouco, abrindo a boca, mas ela me nega até um bocado bem pequeno. Senta-se, encosta-se em uma aumofada, folheia um áubum de fotos, descuidada. Deixa-se escorregar, exausta, para a ponta do sofá. Fauta encontrar auguma coisa que não seja fausa, um sonho de vausa, um corte de cetim, auguém que me aucance aqui nessa minha solidão, ela pensa auto. Puxa as cortinas de veludo para lá e para cá, olha para o céu encoberto. Sente dó de Aubinone, que nunca sequer imaginou que um dia haveria astronautas. Experimenta com as mãos espaumadas um pouquinho da garoa que cai em São Paulo e faz um carinho atrás da minha orelha, do jeito que eu gosto. Eu olho pra ela com os meus olhinhos tristes, pedindo que prolongue o gesto. Tropicau de autitude, ela lembra da aula de Geografia da escola, e ri. Acho que perdi a audácia, não sei mais onde buscar, ela diz, agora olhando pra baixo. Sabe, Tobias, queria experimentar sautar daqui, bem do auto, quem sabe se minha auma não voasse, não auçasse vôo. Aqui é auto, não é, Tobias?, ela se chega ao parapeito da janela, olhando pra mim. Eu respondo, latindo todo o aufabeto, tauvez ela entenda, eu viraria um pardau, se fosse capaz, para agradá-la. Ela dobra o corpo para frente, abre bem os braços e me chama para dentro de casa. Vai descansar, dormir um pouco. E eu vou ficar a seus pés.

26.7.05

Outro pra Lys (caramba, Lys, que memória!)

Eu queria aprender a fazer poesia

Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, nem fizessem a gente se sentir pequena e escura por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão frio. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo de ela assustar com o barulho do vento entrando pela janela -- para colocar as mãos pra fora e sentir se frio, se calor, se azul -- com o barulho da roupa sendo vestida e do perfume voando no ar até o colo. A saudade enrolada na colcha de retalhos dos pijamas dos irmãos, costurados na máquina da minha mãe, os pés dela escondidos, pequenos, fazendo correr a agulha nos panos, os pijamas com desenhos de navios, com estampas de bonecos de neves de flanela, corujinhas com olhos grandes, sorrindo. Dava medo de acordar a saudade dormida com o barulho da lembrança da máquina de costurar. Eu queria aprender a falar delicadezas que fossem silenciosas e tristes como se fossem uma agulha guiando os fios de sedas azuis e amarelos e de outras cores também, a agulha, o dedal. O ponto cruz das flores no sereno. O sereno.

julho/2004

Lindo também

É esse monitor de 17 polegadas.

Uau. Todo um mundo novo que se descortina pra mim.

Felicità

Foi no primeiro dia em que ouvi um conto de fadas. Passei a acreditar que as felicidades existem e que elas nos acompanham assim do jeito que termina a fábula: para sempre. Quando se é criança, as crenças brotam junto com a imaginação, as crenças são frutinhas vermelhas, redondas, reluzindo nas copas árvores pintadas a lápis de cor. Sem bichinho de maçã, ele só existe mesmo em livro do Ziraldo e a gente não come o bichinho, a gente brinca com ele, conversa. Ri. As ingenuidades pra se provar, apanhadas do pé. E quando é que a gente cresce e esquece a fantasia não sei precisar. E quando é que a gente passa a se sentir muito infeliz, muito desprovida das sortes e das fortunas é quando a gente pensa que as felicidades não moram dentro do poema, no pijama de flanela, dentro de um livro, na colcha de retalhos de pijamas dos irmãos, no abraço, nem estão guardadas sob a tampa do piano que se abre à tardezinha, as teclas amarelas de marfim, no gira-gira, no parque, no leite com chocolate. A gente não sabe mais dizer onde é que guardaram a felicidade e fica procurando o pra sempre, como se o pra sempre fosse bom. Como se sentir as felicidades fosse uma coisa assim, que dá até pra pegar, dá até pra guardar e sair sentindo todo dia, todo o tempo, sem ligar se faz sol ou frio ou chuva, se faz azul ou cinza ou vermelho-violeta-cobre. Como se a gente pudesse vestir felicidades como se vestisse um vestido de flores, sem despir nunca, aquelas crenças em que a gente grande acredita, não as crenças infantis, as simples, faceiras, as que se acreditam possam ser guardadas na palma da mão, apertando os dedos enrolados, mas não pode, porque não existe isso, isso de as felicidades não serem fugidias. Se não fosse a gente teimar. Porque as felicidades estão todas guardadas nos dentros das coisas, eu disse assim <<la felicità è un caffè. Opure è una parola con doppia. È leggere un libro, è parlare con le persone che vogliamo bene >>, a felicidade é tudo e mais um pouco, é gorrinho vermelho e orelhas quentinhas, é ouvir o piano, é beijar, é açúcar, é o cachorro que sorri. Felicidade é tão simples de se sentir.


Do antigo blog (de quando eu ainda era pop), pra Lys, que me pediu.

21.7.05

Ione heart Paul Auster II

The Book of Memory. Book Six.

He finds it extraordinary, even in the ordinary actuality of his experience, to feel his feet on the ground, to feel his lungs expanding and contracting with the air he breathes, to know that if he puts one foot in front of the other he will be able to walk from where he is to where he is going. He finds it extraordinary that on some mornings, just after he has woken up, as he bends to tie his shoes, he is flooded with a happiness so intense, a happiness so naturally and harmoniously at one with the world, that he can feel himself alive in the present, a present that surrounds him and permeates him, that breaks through him with the sudden, overwhelming knowledge that he is alive. And the happiness he discovers in himself at that moment is extraordinary. And whether or not it is extraordinary, he finds this happiness extraordinary.

Auster, Paul. The Invention of Solitude, p. 121. Faber & Faber.

20.7.05

I'm smiling, see?

19.7.05

Mi casa,

su casa. Minha, na verdade. Onde moro com Cuquinha e mamã, não necessariamente nessa ordem.

Valeu, Rafinha.

Eu não sou a única douda-unida-jamais-será-vencida

No sonho, ele descia do avião e a gente ia imeditamente pro hospital encontrar meu pai que, segundo ele, looked like he usually does, sendo que ele usually não vê pai nenhum da pessoa, só umas duas ou três fotografias. E assim, tiradas no mesmo dia, o que não dá pra criar essa sensação toda de usually. Mas tá. Aí a gente vai e tem que atravessar esse parquinho de diversões, em que há crianças bonitas falando em português e inglês porquinho e elas são um pé (e eu até gosto como quase 'um pé' parece 'a pain') e eu, com a finura que me é toda peculiar (que quase chega a ser finesse, de tão realmente fina, que chega que eu tenho que falar em francês e fazer biquinho, oui?), com toda a minha graça e delicadeza de modos (cof!, cof!, ops, engasguei), respondo às criancinhas em português, e ele, óbvio, não entende pourra nenhuma (nesse momento eu coço meu saco imaginário e dou uma ajeitadinha nele por dentro da cueca).

A gente vai andando num corredor e, aparentemente, meu avô morreu, agorinha. Olhamos por uma porta e tem uma criancinha, o corpo só, em que pessoas estão fazendo uma necrópsia. E continuamos andando e meu pai nos vê e eu apresento pai, esse é [insira aqui um nome fantasia de sua preferência], [e aqui use novamente o nome fantasia de sua vontade], esse é meu pai, ao que meu genitor responde que as apresentações ficarão para depois, quando tudo isso passar. Aí vem o corpo do meu avô numa maca e ele é levado pra uma sala onde um homem com seu poderoso bisturi faz uma incisão na cabeça do velhinho. Ãin, tadinho do meu vô, personagem de sonho de gente maluca.

Aí meu pai e eu aparecemos in hospital scrubs e ele acorda.

Weird. Very disturbing indeed.

(Sendo que eu sonho, por exemplo, com beijo na boca, muito bom por sinal, e minha mãe pel* ada. Ruarrarrarrá!)

Né feliz? Ter um parzinho que se possa levar para um passeio no sanatorinho, onde seremos amigos de Susie Q, garota interrompida.

mas também

Ninguém escreve pourra nenhuma nessa pourra.

ninguém

Lê essa pourra.

13.7.05

A mente de uma moça

A mente de uma moça é igual palha de aço. Não do tipo Bombril, do tipo outro que a gente esfrega no chão pra limpar cera velha dos tacos. Aquela mais poderosa. E mais enrolada. Destaque para o enrolada. Assim. Não é possível demonstrar em um fluxograma os tipos de pensamentos bizarros que uma mente feminina formula.

(eu ia tentar fazer um exemplo aqui, mas desisti - muito difícil, até pra mim, uma moça - der)

Os caminhos infinitamente intrincados. As mil e quatrocentas e trocentas muitas curvas que um pensamento faz. Se fôssemos pensar no tal do fluxograma, pra começar não teria só um losango, haveria assim uns 10, pra começar. Desses dez, você puxaria flechinhas para muitos lados, o do sim, o do não, o do talvez se (a), talvez se (b), talvez se (c) and so on and so forth. Acho que não chega nunca um ponto onde a gente coloque um retângulo. É um losango atrás do outro. É muito difícil, você não compreende. Ou compreende, se for uma moça.

Uma moça não compreende um fluxograma masculino, que começa, óbvio, com um retângulo. Não compreende como pode haver um losango do qual só saiam duas flechinhas, a do sim e a do não, e que acaba logo depois, com dois retângulos. Isso é muito estranho. Muito. Não se nem dizer quanto.

A presença de tantos losangos na mente de uma moça é uma coisa muito perturbadora. Aí você junta aí que todo mundo não é uma pessoa só. Então você tem que conhecer a pessoa como é com você, como é com os outros e tentar fazer tudo isso ter sentido. Não dá. Não dá.

Ó, tó. Pode me levar. Agora. Alguém do sanatorinhos, por favor, lê isso aqui?

10.7.05


Cuca n�o diz nada. Posted by Picasa

Calças

Resolvi - e estou falando assim como se fosse algum tipo de revelação que eu tenha tido, mas não, eu já sabia desde o começo, mas algo me impedia de - que para escrever num blog não é realmente necessário que se diga algo interessante. Raramente é, não? Assim, que te importa se eu tiro fotos com a Cuca ou o quê ou se estou tomando chá e ouvindo Mozart. Nada.
Enfim. Conto agora com 4 calças para meu guarda-roupa de inverno (como se eu tivesse um guarda-roupa para cada estação, mas compreenda que não dá pra usar calça pula-brejo nesse frio, as canelas sem depilar/raspar aparecendo, não há a menor condiçã).
  1. uma jeans escura, que dobra na barra, sendo que a barra está puída, porque a calça tem vários anos de vida;
  2. uma jeans toda manchada, que está com um cheiro invencível de 'não sequei';
  3. uma que parece de rapper e que faz barulho de tchi-tchi quando eu ando;
  4. uma de lã que faz coçar a bunda - e é trágico ficar com vontade de coçar a bunda no meio da aula, na frente dos aluninhos, ou no metrô.

Sendo que todas, a partir de meia hora de uso, ficam com aquela coisa assim na bunda, parece que você fez um No. 2 e não conseguiu trocar, sabe como?, aquela protuberância que pende das nádegas, aquele vazio que sua bunda não consegue preencher. Aí você tem que botar a barriga pra frente e inflar, pra calça ficar no lugar onde deveria, porque cinto que te caiba você também não tem. Só uns grandes que não estão ajudando muito. Também não ajuda muito você ganhar o tanto de dinheiro que eu ganho por mês. Nem o fato de você não ganhar nada em julho. Nem o fato de *classified information* [insira aqui o que sua imaginação mandar], que vai fazer você gastar dinheiros proximamente sem ter de onde você tirar.

Agora eu sou assim. Não falo nada. Nem nada com nada. Aguente.

Frio


Aì você sabe que você tem problemas quando você ouve sobre Londres e fica pensando em como isso pode atrapalhar a sua vida. Arrem. Você tem problemas, você percebe nesse momento. São somente você e seu umbigo no mundo que contam. E vocês estão sós. Quase sós. Adianta eu pensar em uma fitinha preta agora? Tipo, ajuda?

E é domingo e está frio. E você toma chá Earl Grey e ouve Requiem de Mozart (eu sei, eu sou chique) nesse fone que você comprou ali na Augusta que vem com um microfone junto e que te dá, obviamente, esse ar de garota telemarketing (eu sei, isso é brega) "estou aqui no meu quarto pronta para estar atendendo o seu chamado e estar conversando um pouco com você". Mas ninguém com quem você possa travar uma conversa minimamente interessante está disponível para conversar nesse momento e, bom, desculpem as pessoas com quem eu poderia travar um diálogo interessante, mas não são vocês quem realmente me importam (eu sei, isso é feio - eu sei, eu podia explicar mais, mas nem - deal with it).


Cuca, diga 'au' Posted by Picasa

5.7.05

Ione heart The Ditty Bops

The Ditty Bops. Tão foufom.

4.7.05

Ione heart Paul

Best of all, there is the air. Yes. And little by little, I have learned to live inside it. The air and the light, yes, that too, the light that shines on all things and puts them there for my eyes to see. There is the air and the light and this best of all. Excuse me. The air and the light. Yes. When the weather is good, I like to sit by the open window. Sometimes I look out and watch the things below. The street and all the people, the dogs and cars, the bricks of the building accross the way. And then there are the times when I close my eyes and just sit there, with the breeze blowing on my face, and the light inside the air, all around me and just beyond my eyes, and the world all red, a beautiful red inside my yes, with the sun shining on me and my eyes.

Auster, Paul. The New York Trilogy - City of Glass. p. 21-22, Faber and Faber, 1987 - 2004.