21.6.05

Musgas

A Lys pediu, e eu cumpro

Quantos gigabytes usados com música: Arram. Sem contar o que eu passei pra CDs? 5 giga, no momento. O que é muito, considerando que o computador tem 20, e considerando que acabei de fazer uma faxina nele.

Último CD que comprei: It might as well be spring, Sylvia Telles. Acho.

Música tocando no momento: Needle in the hay, Ellioth Smith

Cinco músicas que tenho escutado bastante:
He needs me, Jon Brion
Magic in the air, Badly Drawn Boy
The puppy song, com Astrud Gilberto
L'amour, com Carla Bruni
Todos los dolores, com Devendra Banhart
Só peço que MC responda. E a Anny, se já não o fez.

Semper eadem

(...)
Deixa-me o coração confiar no que suponho,
Dentro em teus olhos mergulhar como num sonho,
E dormir longo tempo à sombra de teus cílios!

Charles Baudelaire

20.6.05

Happy

Não! Você não entendeu! Eu não estou triste, a despeito de não me sentir exatamente feliz quando olho um mapa-mundi e fico passando o dedo por cima. Não, não, sem infelicidade. Lembra aquele dia em que eu falei das possibilidades? Que o mundo é cheio delas e, claro, ter um zilhão de possibilidades pode ser uma coisa aterradora, mas pode ser uma coisa muito feliz também. Mesmo que você não esteja exatamente conseguindo enxergá-las com total clareza. Ainda assim, você sai pro trabralho com as mãos nos bolsos e com um sorrisinho besta e fica contente porque as pessoas na rua ficam te olhando meio esquisito, como quem não entende por que é que tem gente que sorri bestamente na rua com as mãos nos bolsos.

Chega de músicas de sanatorinhos. música feliz, agora. Pra se cantar olhando mapas.

19.6.05

Aí, depois disso,

Dear America - Letters home from Vietnam

Se você já tá totoca, ouvindo essas músicas todas de que eu falo e blábláblá, não carece ler esse livro. Porque, vou falar, é porrada.

Não queira nem folhear na Amazon, porque você vai sofrer sofrimentos intensos e querer chorar.
Assim, ó. Não é igual a qualquer outra coisa. É triste. Mas triste MESMO, porque, pourra, são as próprias pessoas todas lá, elas mesmas escrevendo pras famílias delas e falando, 'pelamor, hoje meu amigo morreu enquanto eu segurava a mão dele e ele dizia que não queria morrer agora, ou ontem eu matei um VC e pourra, eu tenho mesmo que matar gentes?". Você lê 3 páginas e chora muito. Sabe quando você precisa chorar, decumforça, e muito, assim de soluçar e ficar com olhos de sapo, de modo que você acorda no dia seguinte e se vê no espelho e pensa: Ãin, trabalhar? Com essa cara?, e aí você vai mesmo assim, porque você é pobre de marré e tem-que? e vai à locadora depois e pede ao tio atendente: 'Oim, tô sofreindo (note o sotaque paulistano). Preciso chorar. O que você tem aí pra chorar?', e ele te indica os filmes mais chorosos do mundo, mas só se for o tio da 2001, que esses da Blockbubster, vou te falar, se eles sabem os nomes deles é muito.

(aliás, sabia que não dá pra procurar filme por diretor no sistema da Block? Incrível. Fui perguntar se tinha outros filmes do Wes Anderson, além dos Tennembauns, e eles me deram um guia ridículo de 1900 e bolinha, que nem o nome dele tinha, nem o de Owen Wilson, pra você ter uma vaga noçã da bela porcaria que era o tal livro. Mas tá. Confio que logo chega um pacote com os dois primeiros filmes dele pra eu ver e depois devolver. Uma coisa assim, empréstimo. Ou não. Me enfezei e nunca mais quero botar meus pés lá. Nem pra ver os bonequinhos fofos dos desenhos do Cartoon Network.)

Enfim. Li essas cartas hojes de um soldado que foi feito prisioneiro de guerra e passou 7 anos preso. Aí tem lá as cópias das cartas que ele mandava à mulher. Uns papéizinhos com meia dúzia de linhas. Dizendo como as coisas eram difíceis, no começo. E você fala: 'caraio'. Mais tarde, dizendo, ói, casa com outro porque, sério, já faz muito tempo e é muito injusto. E você faz: Num posso crer. A última contando dos planos pro futuro, de como ele ia voltar e eles iam fazer tantas coisas juntos. De como eles iam ver uma casinha bonita pra morar e passar um tempo no Havaí. E você com esperança no coração, torcendo por uma história de 40 anos atrás.

A próxima coisa que a gente lê: ele volta pra casa. E você fica: Yay!

E a próxima: ele se suicida três meses depois. E você chora.

E a seguinte: uma lista dos lugares que ele queria visitar, as pessoas que queria ver, os assuntos que queria estudar, os livros que gostaria de ver, os mil desejos.

Agora você entende?

Tipo,

a gente podia pra sempre se comunicar só através de músicas e fotos. Ia ser estranho, mas possível.

Então, aqui: Joanna Newsom. Sem foto, dessa vez.

Diamonds, candy, pills, one million dollar bills

I've been thinking about those things you said. Posted by Hello


I've been thinking about those things we did. I've been things about those things you do. I've been thinking about those things you made me do too. Aí você também vai pensar. E aí você baixa a música clicando aqui e percorrendo o caminho que tiver que percorrer, ou pode me pedir por e-mail ou pelo MSN, se você tiver meu MSN. Porque você, sei lá, de repente quer, como eu, achar alguém com quem criar seus gatos, no futuro (nem tão distante) pra serem 2 happy cat people, e essa música vai te ajudar tanto, mas tanto-tanto, que você vai querer ir passar umas férias no no sanatorinho.

Sendo que já devo avisar que eu não abro mão da Cuquinha, que agora tá vestida de princesa, porque minha mãe se apaixonou perdidamente por ela. Mas aí a gente já tá falando de cães e não de gatos e de pessoas-gato.

Se bem também que, bom,
{Oi, eu sou o SuperegodaIone, mas pode me chamar de Super, acho mais simpático. ;) Se tiver alguma dúvida, sugestão, reclamação ou elogio, por favor deixe seu comentário. Eu sou um superego comunicativo. Eu gosto de conhecer pessoas. Funciona assim, ó: você me diz o que quiser e, provavelmente, eu não vou mudar de idéia. Porque eu sou um superego bastante ciente de seu papel.}
deixa pra lá. Am I losing control? Am I losing my soul? Just tell me, am I losing you?, pergunta Cat Power à mais nova cat lady declarada desse mundo.
E de, hmmm, de, ãin,
[Oi, I-o-nê! Quantas vezes eu vou ter que te dizer a mesma coisa, pourra?}
[Shut up, Super. Shut the fuck up, damn you.]
O importante é ouvir a música. Ouva.

14.6.05

Quote of the day

"A internet é uma ferramenta do demonho."

13.6.05

Peixes pra ver

peixinho


Eu gosto de peixes. Às vezes eu como peixes, mas ainda assim eu gosto deles. Cuca não entende por qual motivo alguém teria um aquário. Ela acha que é uma idéia besta. Ela é bem esperta, em certas ocasições. Esta, por exemplo.
Just before our love got lost you said
I am as constant as a northern star
And I said, constant in the darkness
Where’s that at?
If you want me I’ll be in the bar
Ouvindo Joni Mitchell e me sentindo absolutamente melancólica. Blue, as in deep blue. Think blue wherever you look at.. Pensa assim no céu num dia perfeito, sem nuvens pra atrapalhar as coisas. Acho que você entendeu agora.
Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I’m frightened by the devil
And I’m drawn to those ones that ain’t afraid
Eu podia ficar olhando os peixinhos nadando de cá pra lá, sem se preocuparem com nada nesse mundo a não ser fazerem essas bolhas bobinhas e bonitas que eles fazem. Pra sempre. É tudo de relaxante. Dá a sensação de que as coisas podem dar certo. Como se não houvesse outro modo das coisas acontecerem, a não ser que elas dessem certo. Sempre gostei de bolhas.
Oh you are in my blood like holy wine
Oh and you taste so bitter but you taste so sweet
Eu queria que quando eu tivesse sido criança, eu tivesse passado muito tempo fazendo bolhas de sabão numa banheira. Que eu costumasse passar horas tentando fazer a bolha perfeita, que não se desaparecesse nem se desmanchasse quando tocasse o tapete no chão. Minha mãe, certamente, iria bater na porta várias e várias vezes. Pronta? Eu acharia que não existia no mundo uma criança mais limpinha. Eu queria que eu adorasse a sensação de sentir meus pequeninos pezinhos de criança no tapetinho. E que isso fosse tão bobinho. Um momento de felicidade plena, bem ali.
Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Você ainda está me acompanhando? Acho que ninguém liga pra letras de música. O que eu estava dizendo mesmo? Ah, lembrei, a tristeza. Sabe o que é triste? Não é assim que meu coração está partido. Não é assim que alguém tenha conseguido aniquilar todos os tantinhos de esperança e amor que havia nele (de cuja existência eu tenho certeza - Deus! quão ridículo é isso? Não ria, por favor. Por favor). É que não haver ninguém, é assim, como direi? vazio.

Preciso tanto de um banho de espuma. Eu colocaria peixinhos pra nadar entre as minhas pernas.

arrested


arrested, originally uploaded by Ione.

11.6.05

Secret

Amei essa história, Lígia! Amei, amei.

Isso aqui podia tanto ter sido escrito por mim:



Mas eu não tenho mais idade pra querer fit in. Ao menos foi o que me disseram. Tô conformada. A estranhinha da Estrela. Mas tem quem goste.

9.6.05

Sanatorinhos F.C.

Então vamos todos seguir de mãos dadas, todo mundo junto agora, comprando nossas roupinhas ali onde vendem as roupas com mangas que não têm buracos embaixo pras mãos saírem, e são brancas, e apertam a gente quando atam as coisas nas nossas costas. Pra começar, todo mundo deve ouvir essa música que toca em Punch-Drunk Love. Mas assim, tem que ser de novo, de novo e de novo, e mais uma vez, obsessivamente e sem parar de rodar os olhinhos nas órbitas. E tem que cantar de novo, e aí eu vou ajudar um pouco:

And all at once I knew I knew at once I knew he needed me
Until the day I die I won't know why I knew he needed me
It could be fantasy, O-oh
Or maybe it's because He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me
Dah de da da da da da da da da da Dah de da da da da da da da da dah
It's like a dime a dance I'll take a chance I will because he needs me
No one ever asked before
Before because they never needed me
But I do
But he does!
Maybe it's because he's so alone
Maybe it's because he's never had a home
He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me
For once, for once in life I've finally felt that someone needed me
And if it turns out real
Then love can turn the wheel
Because He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me He needs me he needs me
Dah de da da da da da da da da; Dah de da da da da da da da da dah
Aí você não dá nada pela letra se estiver em seu estado de sanidade, mas perdendo um pouco o controle, bebendo um gorozinho, esquecendo que tudo pode dar errado e confiando que não há mal que sempre dure nem distância que nunca possa ser transposta, você consegue ficar como eu. Aí a gente forma todo um time de futebol.

6.6.05

Não sou boa de continha

Eu queria beijar na boca quem foi que inventou as calculadoras, e eu dava agora pra quem inventou de colocar calculadoras nos celulares, especialmente no meu (ainda não cancelei, mas devia: ninguém liga pra mim). Só não beijava na boca nem dava se fosse mulher, ou se fosse um tipo bem feinho daquele que dá ãrgui. Sabe como? Ãrgui. As in irque. Porque eu não sou boa com continhas. Porque eu não sou boa com continhas, eu não gasto dinheiro. A última vez que gastei dinheiro foi pra comprar a câmera digital, que é tipo o melhor brinquedo que pode existir. Inclusive porque o mundo é muito grande. As in que mundo grande da pourra. Ãin. Big no no. Depois te ter emagrecido mil quilos, ainda tô usando minhas roupas de gorda. Potato girl. Falta pouco pra eu vestir sacos amarradas com barbante na cintura. Faz uns 3 anos que comprei um par de sapatos. Faz un 4 que comprei uma calça. Mentira, que quando eu embaleei (virei baleia), tive que comprar roupas emergenciais e chegar em casa e chorar em cima de uma roupa número 42. Assim, dividir continhas no restaurante? Sou péssima. Somar as notinhas em cada um dos quesitos das provas orais dos alunos?

Mas não era disso que eu queria falar. Eu queria falar na minha dificuldade em dividir. Dividir informações, contar da minha vida. Não sempre e não com todo mundo, tem sempre pra quem eu conte as minhas coisas. Mas ando tão sanatorinhos, com chick mode on e ãin e evitativa e com preguiça das pessoas, das pessoas todas, excetuando algumas que quando eu vou contar (cof), não chegam ao dedo mindinho da mão direita (que eu começo a contar pelo dedão da mão direita), modos que eu poderia ter a mão do Lula e normal. Viveria bem assim. Mas você entende por que eu fiquei evitativa e agora não me sinto compelida a dividir, entende? Provavelmente não. Porque o que eu tinha pra contar, eu contei em código, o que foi uma tentativa vã de dividir mas sem realmente ter que.

Então é isso. Eu fico constantemente botando o superego pra funcionar e nesse momento ele me diz pra eu censurar várias coisas. Nesse momento ele me diz que eu devo ficar meio quieta. O que é um problema quando você tem um blog. Um blog preenchido com silêncios não é muito um blog, certo? Fora isso, eu não tenho mesmo muito o que fazer da vida e eu não vou contar sobre meu trabalho, porque o superego mandou avisar que sobre trabalho a gente não fala em blog, mesmo que eu tenha uma caraiada de coisas boas pra contar. Vai tendo paciência comigo. Vai puxando um assunto. E vai dizendo continuamente pra mim, meio que mantra, a história de a 'a vida é uma merda, mas não o tempo todo, e a gente vai dar um jeito nisso'. Eu realmente preciso ouvir isso de novo e de novo.

2.6.05

Vamos todos juntos alegres e saltitantes para o sanatorinhos - Wheeeeeee!

Acho assim, também. Foda-se que as pessoas digam que é tudo uma grande doudice slash sandice slash loucura, que você pode se internar agora mesmo e que você está pedindo pra sofrer e que as coisas, pelo visto, vão todas dar muito errado, tanto e tantas vezes que você começa a escutar barulho de sirene embaixo da sua janela e corre pro banheiro e tranca a porta, não sem lembrar de levar alguma coisa pra ler, caso realmente você não esteja enganada e a ambulância do sanatorinhos tenha vindo pra pegar você. Acho que a gente vive tão cheia de medinhos e inseguranças e deixa de fazer isso e aquilo porque pondera demais o que deveria ser absolutamente imponderável, porque a não ser que psiquismo seja um troço que realmente exista, você realmente não pode saber o que vai dar certo e o que vai dar muito errado.

Por exemplo. Você entra na melhor faculdade que existe, e conhece essas pessoas todas que se tornam suas amigas e faz esses estágios nesses escritórios que são muito massa e ganha um dinheiro honesto que é capaz de te comprar alguns livros, alguns discos e alguns jantares no seu restaurante preferido. Mas aí você vê As Horas e chora um pouco, por dentro, sai abatido do cinema, pensando em como é que você pode se deixar ser tão infeliz e não fazer nada a respeito. E depois de outros acontecimentos bizarros que te levam a uma revelação, você decide abandonar tudo e deixar sua tatuagem aparecer e botar um piercing no nariz e andar de tênis o dia inteiro, porque, realmente, essas coisas todas podem te fazer muito feliz. E o mundo se volta contra você porque você só pode ser tantã. Porque você vai ser pobre toda vida e não é possível que você vá jogar sua educação acadêmica janela abaixo.

Ou. Não é possível que as pessoas pensem que, quer dizer, é possível porque todas pensam isso, excetuadas essas outras pessoas de que a gente tem notícia e a minha própria pessoa -- de um tempo pra cá, depois que os caquinhos de orgulho ferido foram minuciosamente colados com super cola -- , que não dê pra não se gostar demais de alguém pra quem você manda uma foto sua mexendo no piercing e que acaba achando que você estava era cutucando o nariz e que achao super que você estivesse mandando uma foto sua tirando tatu. E que compartilhe com você o ocasional ódio aos mapas e a imensidão que eles retratam.

Por isso eu acho assim. Vamos todos nos dar as mãos e mandar os medinhos todos irem tomar no pi e largar tudo se der vontade de, e arrumar as malas se assim você quiser, e ficar pobre se isso vai te fazer feliz, entrar numa banda de rock, se esse é seu sonho-mais-lind0-sonhei, e parar de pagar a OAB porque, realmente, não há a menor possibilidade de você querer voltar pra essa sua vida (mesmo porque depois você pode negociar o saldo devedor e pagar em vezes). Tô bobinha, agora. Não é o melhor momento pra você resolver escutar meus conselhos, tô aqui fazendo um esforço enorme pra acreditar em tudo isso que eu disse mesmo, de cumforça, mas se tiver que escutar, pelo menos lembra disso mesmo que seja só um pouquinho, ali, in the back of your mind, e tenha a certeza de que isso pode ser fonte de algum conforto. Mesmo que dure só alguns momentos no seu dia. Se for parar pra pensar, alguns momentos no seu dia já são suficientes. Meio como como quando Clarissa diz que não se deu conta da felicidade, daquele momentinho de felicidade que sentiu porque achou que felicidade era muito mais do que isso, ou aquela história de You cannot find peace by avoiding life. Me oiça agora.

1.6.05

ô mundo grande da pourra

world


Chega que deprime. Não quero pensar. Evitativa. Agora.