23.12.05

Balanço (e as verdadeiras mensagens de natal)

Era uma vez, você sabe, eu estive unida estavelmente. Logo após eu não estava mais unida estavelmente e quando fui comunicada do fim do contrato e das razões e etcs, eu, basicamente, virei a pessoa mais detestável, mais in denial, mais besta que eu já conheci. A ponto de dizer que ia lavar pintos de pessoas com água sanitária? Tipo, come on!

Em seguida, após o período de negação e cegueira passarem, eu conheci um mocinho que, a princípio, era só um mocinho que morava muito longe e com quem eu adorava conversar. E ele me disse coisas que fizeram tanto sentido e que, pra dizer a verdade, me ajudaram mais que a terapia. Pra dizer a verdade, eu acho que eu estava tão fora de mim que eu mentia na terapia. Não de propósito. Na época eu achava que sentia aquelas coisas todas, o amãr, a raiva, o ciúme. Mas com o tempo eu fui percebendo que a ex-unidade-quase-marital tinha feito o que era certo, in a very distorted way, porque ele tinha sido honesto sobre os sentimentos dele (embora ele só tenha conseguido ser sincero consigo mesmo e ter me enganado só um tantico - mas, opa!, eu tava facinha de ser enganada, eu queria ser enganada, qualquer baboseira ia colar comigo naquele momento!) - coisa que eu não estava conseguindo ser. De mim pra mim. Gente, vou falar pra você, a verdadeira mensagem de natal é: orgulho é uma merda.

Aí eu fiquei de bem comigo, fiquei de bem com todo mundo, o mocinho de longe passou a ser mais que um mocinho bacana, embora à época eu também não soubesse muito bem disso, e eu mandei o seguinte e-mail às partes envolvidas (que nunca foi respondido, aliás).
9 de maio de 2005

Ouquei, here's the deal.
Acordei certo dia. Não isso não é verdade, não foi num momento em que acordei certo dia. Foi em outro momento qualquer do dia conversando com alguém por msn, porque a minha vida é isso. Momentos intensos de felicidades quando falo com pessoas queridas no msn. Percebi, decumforça, que sinto falta de todos três.
Tá, pode parecer papo de doudinha, vamos mandar agora cobrir meu quarto com uma lona e tudo mais e tragam a camisa de força, mas a verdade é que sim, eu sinto saudade de quando todos éramos felizes e conversávamos e tínhamos obsessões que partilhávamos uns com os outros. Diz que quando as coisas ruins passam, elas perdem sobremaneira a importância e a gente só fica com boas lembranças e dá aqueles sorrisinhos idiotas feito quando a gente está lendo, sei lá, o Mochileiro das Galáxias. Aí fiquei lendo o blog da Xis, fiquei lendo o blog da Ipsilone, do Dábliu não dava pra ler nada (acho) e fiquei pensando que pronto, passou, passou. Faz bem um tempinho que eu percebi tudo isso, só demorei a me decidir se eu escreveria ou não.
Passou todo o desconforto do mundo e a sensação de ómeudeus, nunca que vou ser feliz nessa vida outra vez. E a raivinha e o orgulho ferido. Cheguei a outras conclusões também, mas acho que não carece dividi-las aqui com todo mundo, mesmo porque vocês todos já devem estar achando, xi, pirou, ou sei lá, tá fingindo ser uma pessoa boa (que é das coisas mais irritantes de todo o mundo) nesse momento e por que será, meudeus?. Bom, vocês devem saber disso, mas, às vezes, life sucks. Às vezes não. Às vezes ela sucks umas horas e depois, quando vai ver não sucks mais e tudo que um dia sucked entra prum buraco negro bem grande e você fica com cara de pamonha pensando em como pode deixar de ter contato com essa ou aquela pessoa por causa desses momentos em que a vida, de fato, pareceu que sucked big time.
Tá. Devo aí desculpas ao Dábliu e à Ipsilone. Todas as coisas muito horrendas que eu falei, porque eu posso ser horrenda at times (e, bom, ser horrenda e falar coisas horrendas ornavam com o momento e naquela época eu quis dizer cada uma das coisas horrendas que eu falei, também não vou virar uma santa restropectivamente, sem fingimentos). Não retiro nada do que disse porque eu só estava sendo fiel ao que eu sentia, como cada um de nós estava. Falar que eu tava com raiva, magoada, blahblahblah, não ajuda muito, mas acho que vocês entendem. Cada um de nós agiu com certa dose de imaturidade, creio. Xis, acho que devo desculpas a você também, embora, mesmo àquela época, você tenha sido a pessoa que eu mais compreendi na vida. Pronto, desculpa a todos (e eu não estou fazendo isso como parte de um programa de 12 passos a caminho da recuperação moral e do bem-estar da alma ou coisa assim). I really mean it.
Fato é que eu gosto de vocês três. Decumforça. E, bom, vocês têm meu msn (xoxoxoxoxoxo, caso tenham esquecido) e meu endereço de e-mail e tô que tô aí. Tá, eu sei. Se vocês quiserem um dia falar comigo, se não ficaram pra sempre pootos comigo (como eu não fiquei pra sempre poota com vocês) porque eu realmente fui uma bitch, não tô dizendo que não vá ser bizarro-toda-vida por um tempo, mas acho que vai ser bizarro-toda-vida por um tempo só e não por toda vida de fato. Depois a gente se acostuma. Quero crer.
Bom, é isso.
Beijo nas crianças.

Ione
Eu fico pensando se eu sou bobinha de achar que um dia eles quererão falar comigo e serem amiguinhos de novo, ao menos virtuais, ao menos superficialmente amiguinhos como todos fomos um dia. Mas, tipo, eu não deveria me importar e, pra dizer a verdade, eu não ligo que eles não queiram mais ter nada a ver comigo, porque eles, pra mim, estão no passado, como eu também estou no passado pra eles, e isso faz muito sentido. Mas se há alguma coisa que eu gostaria de ter recebido era pelo menos uma resposta ao meu e-mail, porque, querendo ou não, todas as pessoas estiveram envolvidas na história. Que foi foda, no mau sentido por algum tempo, e depois deu chance de a vida se mostrar foda, no melhor sentido, logo em seguida. E acho que pra todo mundo.

Então a segunda verdadeira mensagem de natal é: perdoar é possível.

A outra é: o amãr é lindo, tão lindo, nada pode ser mais lindo, la la la la. Taí uma história que foi incrível pra todo mundo. Então eu acho que, nesse balanço de 2005, a primeira coisa que eu tenho que fazer é agradecer Dábliu, agradecer Ipsilone (e bom, Xis, não vou te agradecer, porque, né?, acho que nem tem razão para), mas, de um jeito bizarro e doloroso, deu tudo certo pra todo mundo e hoje eu só posso dizer que estou feliz - comigo, com a minha vida, com meu mocinho - e que eu desejo que vocês também estejam. Beijo nas crianças. De novo.

6 comentários:

  1. Concordo, o amor é lindo siiiiiimmmmmmmmm! Eu também já fiz mensagem de natal/final de ano assim, dixando o orgulho de lado, afinal ele é uma merda. Eu até recebi resposta, uma carta bem legal, mas foi só o laço se rompeu e eu de vez enquando procuro na net alguma informação sobre o mocinho, mas não achei nada até agora. Não gostaria de ter perdido contato, mas como tu mesmo dissesses ele tá no meu passado e eu no dele, com certeza.
    Feliz Natal Ione, eu adorei te conhecer e por isso o 2005 já valeu.
    Grande abraço e muita sorte em 2006 e mais saúde, amor, paz, felicidade etc e tal.
    Beijão

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  2. Você já teve alguma experiência do tipo, entrar num ambiente (quarto, sala...) ou ir a algum lugar, quando era bem pequena e depois voltar já adulta, daí reparar como o local que era enooooorme na infância ficou pequenininho, até apertado?????

    Você cresceu!!!

    Abraço e um bom Natal.

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  3. Você quer ouvir comentários da pessoa mais orgulhosa que eu conheço?

    Pois então. Orgulho é uma merda, mas é nosso e nos serve na hora de sermos pessoas horrorosas (o que é necessário em prol da nossa bile).

    Aí um dia você perdõa. É um alívio, que vem em prestações. Você perdoa, e perdoa outra vez, e pede perdão, e pede perdão e perdoa. E vai ficando mais leve, a cada um.

    Aviso que o perdão não reata nada, nem traz nada de volta. Só há o perdão e o nascimento de uma intenção de retorno (intenção que nunca vai prosperar, nunca vi, pelo menos). Mas a intenção se basta.

    Quando você vê, aquela série de TV que você gosta já está na quinta temporada. Você já leu quase todos os livros do autor xis. Você já foi para não sei onde e conheceu não sei quem e não sei quem, que se tornam grandes amigos, e você briga com um deles, mas aí você viaja outra vez e assim vamos, vivendo nossos enredos.

    Quando você se encontrar novamente com o agressor a seu orgulho, there will be too much biography between both of you. Não haverá mais nada, só a intenção.

    Que se basta, mas eu já disse isso.

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  4. Pablo, eu percebi que tinha crescido quando um ano demora o mesmo tempo pra passar que uma viagem de carro com meus pais, sentada no banco de trás, quando eu tinha 5 anos.

    Rafael, orgulho sempre é uma merda. E acho que perdoar é, em parte, um esforço que a gente faz conscientemente, mas em grande parte, é só a biografia sendo feita. Quanto a biografia vai sendo feita, as histórias das páginas passadas vão virando isso, páginas passadas - tanto as boas coisas, quanto as ruins.

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  5. Citação do dia:

    - Perdoei, mas não reconciliei.

    (Vicente Celestino, em O Ébrio)

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  6. Marcos, formou. É isso mesmo.

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