10.11.05

Pessoas em aeroportos

Não eu, nem você, nem aquele em que você deve estar pensando, definitivamente ninguém em Love Actually. As pessoas comuns, em filas, as que servem lanchinhos e trabalham seus trabalhos de aeroportuários e, generalizando, - essas pessoas de aeroportos só são "de aeroporto" porque foi lá que toda uma série de pensamentos e reflexões começou. E nem fui eu que comecei com isso. Emprestei a idéia. E isso que Paul escreveu aqui, mais ou menos descreve como é uma pessoa de aeroporto.
"Richard was still Richard, the selfsame Richard of yore - but better, somehow, more comfortable in his own skin. He's gotten himself married and has two little girls. Maybe that's helped. Maybe being eight years older has helped, I don't know. He's still grinding away at one of those sad-sack jobs of his - computer parts salesman, efficiency consultant, I forget what it was - and he still spends every evening in front of the television set. Football games, sitcoms, cop shows, nature specials - he loves everything about television. But he never reads, never votes, never even bothers to pretend to have an opinion about what's going on in the world. He's known me for sixteen years, and in all that time he hasn't once taken the trouble to open one of my books. I don't mind, of course, but I mention it in order to show how lazy he is, how thoroughly lacking in curiosity. And yet I enjoyed being with him the other night. I enjoyed listening to him talk about his favorite TV programs, about his wife and two daughters, about his ever-improving tennis game, about the advantages of living in Florida over New Jersey. Better climate, you understand. No more snowstorms and icy winters; summer every day of the year. So ordinary, children, so fucking complacent, and yet - how shall I put it? - utterly at peace with himself, so contented with his life that I almost envied him for it."
Paul Auster. Oracle Night, Picador, p. 31-32.
Eu não quero ser uma pessoa de aeroporto. Mas confesso que é foda.

5 comentários:

  1. dê-me a sua mãozinha e seja a pessoa exótica no aeroporto. aquela que vive em aeroporto mas não é uma pessoa de aeroporto. por isso mesmo é que chama a atenção.

    sejamos duas pessoas exóticas de aeroporto, e assim eu me sinto menos sozinha.

    beijos

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  2. Tenho um amigo que perguntou pro terapeuta dele porque que ele não podia viver assim, na superfície. Sem se preocupar com nada, sem querer descobrir nenhuma verdade sobre si mesmo, sem procurar pelo em ovo. Ele disse: seria bem mais fácil e eu imagino que pudesse ser bem mais feliz. O que o terapeuta respondeu foi que esse tipo de pessoa (as suas pessoas de aeroporto) como não tem profundidade, não tem substância e quando levam uma rasteira da vida, piram. Completamente. Não se conhecem, não sabem lidar com elas mesmas e muito menos com as grandes tragédias da vida.
    O que eu sei é que depois que a gente mergulha não tem mais volta. Não dá prá retroceder. Uma vez deixado o aeroporto e alçado o vôo, fudeu. De vez.
    Desculpe o comentário enorme, é que o assunto é muito interessante.
    Bjs.

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  3. Naty, vamos pegar o avião?

    Daniela, pessoa de aeroporto pra mim é a que baseia as decisões no medo. Escolhem a superficialidade porque as coisas podem dar muito errado e elas não querer correr riscos. As que não se casam ou ficam com alguém porque elas podem, um dia, levar um bom pé na bunda. Ou não conseguem trocar de emprego quando estão infelizes demais. Ou, sei lá, entendeu? Antes eu tinha mais certeza de não ser pessoa de aeroporto, mas agora o bicho pega porque a decisão é muito mega importante demais. Mas todas são, né?. Potencialmente.

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  4. (aham aham).
    juro que li com a maior atenção, e to aqui de camarote achando o máximo os comentários sobre o seu post que também tá muito muito bom. esse assunto reeeende.
    mas agora eu só consigo me colocar na posição "dedo roçando o queixo em sinal de pensamento profundo e nítida aprovação".

    confuso, não?

    é só porque eu gostei.
    bjo

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  5. bora. passei minha vida inteira assim mesmo....

    não vai ser a primeira viagem, nem vai ser a última. e a gente nem precisa levar um livrão grosso pra espantar os chatos, como no Turista Acidental.

    nós não estamos aqui a passeio...

    bora, comadre!

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