26.7.05

Felicità

Foi no primeiro dia em que ouvi um conto de fadas. Passei a acreditar que as felicidades existem e que elas nos acompanham assim do jeito que termina a fábula: para sempre. Quando se é criança, as crenças brotam junto com a imaginação, as crenças são frutinhas vermelhas, redondas, reluzindo nas copas árvores pintadas a lápis de cor. Sem bichinho de maçã, ele só existe mesmo em livro do Ziraldo e a gente não come o bichinho, a gente brinca com ele, conversa. Ri. As ingenuidades pra se provar, apanhadas do pé. E quando é que a gente cresce e esquece a fantasia não sei precisar. E quando é que a gente passa a se sentir muito infeliz, muito desprovida das sortes e das fortunas é quando a gente pensa que as felicidades não moram dentro do poema, no pijama de flanela, dentro de um livro, na colcha de retalhos de pijamas dos irmãos, no abraço, nem estão guardadas sob a tampa do piano que se abre à tardezinha, as teclas amarelas de marfim, no gira-gira, no parque, no leite com chocolate. A gente não sabe mais dizer onde é que guardaram a felicidade e fica procurando o pra sempre, como se o pra sempre fosse bom. Como se sentir as felicidades fosse uma coisa assim, que dá até pra pegar, dá até pra guardar e sair sentindo todo dia, todo o tempo, sem ligar se faz sol ou frio ou chuva, se faz azul ou cinza ou vermelho-violeta-cobre. Como se a gente pudesse vestir felicidades como se vestisse um vestido de flores, sem despir nunca, aquelas crenças em que a gente grande acredita, não as crenças infantis, as simples, faceiras, as que se acreditam possam ser guardadas na palma da mão, apertando os dedos enrolados, mas não pode, porque não existe isso, isso de as felicidades não serem fugidias. Se não fosse a gente teimar. Porque as felicidades estão todas guardadas nos dentros das coisas, eu disse assim <<la felicità è un caffè. Opure è una parola con doppia. È leggere un libro, è parlare con le persone che vogliamo bene >>, a felicidade é tudo e mais um pouco, é gorrinho vermelho e orelhas quentinhas, é ouvir o piano, é beijar, é açúcar, é o cachorro que sorri. Felicidade é tão simples de se sentir.


Do antigo blog (de quando eu ainda era pop), pra Lys, que me pediu.

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