2.6.05

Vamos todos juntos alegres e saltitantes para o sanatorinhos - Wheeeeeee!

Acho assim, também. Foda-se que as pessoas digam que é tudo uma grande doudice slash sandice slash loucura, que você pode se internar agora mesmo e que você está pedindo pra sofrer e que as coisas, pelo visto, vão todas dar muito errado, tanto e tantas vezes que você começa a escutar barulho de sirene embaixo da sua janela e corre pro banheiro e tranca a porta, não sem lembrar de levar alguma coisa pra ler, caso realmente você não esteja enganada e a ambulância do sanatorinhos tenha vindo pra pegar você. Acho que a gente vive tão cheia de medinhos e inseguranças e deixa de fazer isso e aquilo porque pondera demais o que deveria ser absolutamente imponderável, porque a não ser que psiquismo seja um troço que realmente exista, você realmente não pode saber o que vai dar certo e o que vai dar muito errado.

Por exemplo. Você entra na melhor faculdade que existe, e conhece essas pessoas todas que se tornam suas amigas e faz esses estágios nesses escritórios que são muito massa e ganha um dinheiro honesto que é capaz de te comprar alguns livros, alguns discos e alguns jantares no seu restaurante preferido. Mas aí você vê As Horas e chora um pouco, por dentro, sai abatido do cinema, pensando em como é que você pode se deixar ser tão infeliz e não fazer nada a respeito. E depois de outros acontecimentos bizarros que te levam a uma revelação, você decide abandonar tudo e deixar sua tatuagem aparecer e botar um piercing no nariz e andar de tênis o dia inteiro, porque, realmente, essas coisas todas podem te fazer muito feliz. E o mundo se volta contra você porque você só pode ser tantã. Porque você vai ser pobre toda vida e não é possível que você vá jogar sua educação acadêmica janela abaixo.

Ou. Não é possível que as pessoas pensem que, quer dizer, é possível porque todas pensam isso, excetuadas essas outras pessoas de que a gente tem notícia e a minha própria pessoa -- de um tempo pra cá, depois que os caquinhos de orgulho ferido foram minuciosamente colados com super cola -- , que não dê pra não se gostar demais de alguém pra quem você manda uma foto sua mexendo no piercing e que acaba achando que você estava era cutucando o nariz e que achao super que você estivesse mandando uma foto sua tirando tatu. E que compartilhe com você o ocasional ódio aos mapas e a imensidão que eles retratam.

Por isso eu acho assim. Vamos todos nos dar as mãos e mandar os medinhos todos irem tomar no pi e largar tudo se der vontade de, e arrumar as malas se assim você quiser, e ficar pobre se isso vai te fazer feliz, entrar numa banda de rock, se esse é seu sonho-mais-lind0-sonhei, e parar de pagar a OAB porque, realmente, não há a menor possibilidade de você querer voltar pra essa sua vida (mesmo porque depois você pode negociar o saldo devedor e pagar em vezes). Tô bobinha, agora. Não é o melhor momento pra você resolver escutar meus conselhos, tô aqui fazendo um esforço enorme pra acreditar em tudo isso que eu disse mesmo, de cumforça, mas se tiver que escutar, pelo menos lembra disso mesmo que seja só um pouquinho, ali, in the back of your mind, e tenha a certeza de que isso pode ser fonte de algum conforto. Mesmo que dure só alguns momentos no seu dia. Se for parar pra pensar, alguns momentos no seu dia já são suficientes. Meio como como quando Clarissa diz que não se deu conta da felicidade, daquele momentinho de felicidade que sentiu porque achou que felicidade era muito mais do que isso, ou aquela história de You cannot find peace by avoiding life. Me oiça agora.

4 comentários:

  1. rarrarram.

    Ãin.

    ô, MC, o melhor comentário.

    ResponderExcluir
  2. Hm..Ione...desprendimento. Essa é a palavre que me ocorre (ocorrer é ótimo).
    Desprendimento.
    Beijos
    Lígia

    ResponderExcluir
  3. Desprendimento não é suficiente, Lígia.

    ResponderExcluir