29.5.05

Eu ia colocar um título, mas num carece que você é esperto e já vai entender tudo

Já notou como as pessoas todas querem saber de quem ta f*dido na vida toda pra sempre e rola todo aquele sentimento de simpatia quando fulano tá triste e miserável e solitário e bebendo muitíssimo e dormindo por 12 horas seguidas pra tentar escapar da realidade e daí, quando as pessoas tão felizes de novo e a vida muda pra fazerem com que elas fiquem felizes e contentes e elas conseguem sorrir pelo menos uma vez no dia, elas dizem: "Ãrrãm, certo. Escuta. Preciso ir. A gente conversa depois, acho, né?"

Eu odeio isso.

Por exemplo os livros, ou os filmes (ou os blogs). Estou lendo agora A long way down. Todos os personagens estão ou tão deprimidos ou tão infelizes que eles só querem pular de um prédio e pôr um fim nas suas vidas na véspera de ano novo. Mas aí, é claro, eles não pulam, porque do contrário não teria história, a não ser que o Hornby escolhesse escrever sobre fantasmas e como as pessoas não morrem de verdade e como Deus e blábláblá (e aí não ia ser um livro do Hornby). Mas aí os personagens todos tão fodidos e não consigo esperar pelo fim do livro pra saber, pra ter certeza de que eles melhoram e não se sentem tão fodidos assim. Mas aí acho que a história acaba.

(Eu estava lendo outro dia no metrô, no caminho pra casa, e comecei a rir alto. Que vergonha. Não, não tem nada de engraçado no fato de as pessoas quererem se matar e pular do alto de prédios. Você tem que ler pra entender.)

Ou se você assiste a um filme mulherzinha feito French Kiss, sobre essa uma moça que tomou um pé e agora anda se humilhando pra conseguir seu noivo de volta e um cara que só fez merda na vida e aí você passa 2 horas da sua vida pensando que tudo vai ficar bem, porque é esse ponto de assistir a um filme desses. E aí quando as coisas finalmente ficam bem e todo mundo feliz e você solta um 'ooooonnnn' decumforça, aí você vê os créditos rolando.

Eu odeio como as pessoas não aguentam ver as outras pessoas felizes ao redor delas e como a gente pensa que é boa gente e boa pessoa de alma pura e elevada mas não é. Odeio como a gente não consegue mesmo partilhar as coisas boas. Então eu estou pensando: um amigo deve ser o sujeito que consegue honestamente ficar feliz e se sentir bem quando você está feliz e está se sentindo bem. Pode ser brega o quanto for. Eu queria ter dito alguma coisa mais inteligente em vez de escrever isso. Mas foda-se.

P.S. E daí também tem as histórias das pessoas que se sentem mal toda vida e não há nada que se possa fazer a respeito e você lê essas histórias ou vê no cinema ou na tv e chora montes e pensa que não deve ter mesmo uma razão pra essa vida ser vivida. Tipo Dancer in the Dark. Mas não estou falando desses. Não agora.

4 comentários:

  1. Eu fico revigorado depois de ler, menina. I mean it.

    Que lindo te ver de volta. :)

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  2. Ione, que bom te encontrar de novo. Sim, eu sou uma das que sempre ri da cara da "pessoa", fico feliz não só porque te ler seja garantia de boas risadas e sim porque você e o "De dentro" têm muito para falar, e a gente está aqui para ler e dar pitaco de-vez-em-nunca. Ah, obrigada pela música. Muito mesmo!

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  3. Agora é que fico mesmo por aqui. Meu trabalho é tipo underworld. Daqui eu vejo um buraquinho de céu. Baixo, mas céu.

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  4. Eu adouro comentários dessas pessoas queridas! Adouro.

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